Energia de madeira certificada

setembro 30, 2002 by  
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A primeira usina de co- geração de energia a partir de resíduos de madeira da Amazônia começou a funcionar, hoje, em Itacoatiara, no Amazonas, cidade localizada a 240 km de Manaus. Com 9MW, a usina gera energia suficiente para abastecer a serraria da Mil Madeireira, fornecedora do resíduo, e mais 410 mil residências populares, através da interligação com o sistema da Companhia Energética do Amazonas (Ceam). Como a população de Itacoatiara está em torno de 80 mil habitantes, a energia será “exportada” para a região, substituindo térmicas a diesel, com a vantagem de poluir menos, contribuir menos para o efeito estufa, eliminar os resíduos de madeira e ainda custar muito menos. Cada MW gerado com diesel custa R$ 400,00, enquanto o mesmo MW gerado a partir de resíduo de madeira custa R$100,00.


A cialis 2.5mg price Mil Madeireira foi a primeira empresa da região a ser certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC) e faz a exploração racional de madeira de terra firme, com o máximo antibiotics buy online aproveitamento de cada árvore abatida. Ainda assim, produz 215 toneladas/dia de resíduos, até então acumulados a céu aberto, junto à serraria. Agora, o resíduo será vendido à BK Energia Ltda., empresa criada pela Koblitz e o Grupo Brennand, que investiu R$22 milhões na construção da usina. Para gerar a mesma quantidade de energia, em térmicas a diesel, o custo anual é de R$20 milhões, só com o combustível.


Segundo José Romero Rego, diretor comercial da BK Energia, “o resíduo acumulado nos últimos 3 anos pela Mil Madeireira, mais a produção diária, serão suficientes para abastecer a central nos próximos 5 anos”. Depois disso, se necessário, eles poderão comprar resíduos de outras madeireiras locais.


A tecnologia usada é semelhante à das usinas de açúcar e álcool, na co- geração com o bagaço de cana: o resíduo de madeira é picado e triturado e alimenta uma caldeira, cujo vapor movimenta turbinas. “Ainda não adotamos a tecnologia de gaseificação, que é nova e custa caro, mas a economia em relação ao diesel já é grande e estamos retirando do ambiente um resíduo, que era simplesmente desperdiçado e poderia causar impactos em cursos d’água”, pondera Rego. De fato, embora não seja o caso da Mil Madeireira, há muitas serrarias localizadas na beira de rios, na Amazônia, que simplesmente despejam montanhas de serragem nas águas.


Outras três centrais estão em construção na Amazônia, em São José do Rio Claro (9MW), Cotriguaçu (1,6 MW) e Araguari (1,2MW), todas no Mato Grosso. Ainda há projetos no Pará, para gerar em torno de 4 MW. “Em alguns casos, a própria madeireira faz o investimento, em centrais menores, para geração da própria energia, como já ocorre em Santa Catarina”, acrescenta o diretor da BK.


Liana John

Créditos de carbono podem ir a 350 milhões de toneladas

setembro 30, 2002 by  
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Relatório da consultoria norueguesa Point Carbon estima que o volume acumulado de operações mundiais com créditos de carbono pode superar 350 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) até o final do ano. De acordo com o levantamento, que contabiliza as operações realizadas com Certificados de Emissões Reduzidas (CERs) de CO2 desde 1996, o volume acumulado é de 335 milhões de toneladas em 284 transações.

“Comparando à nossa avaliação anterior, emitida em fevereiro, nossas expectativas para América do Norte e Reino Unido foram rebaixadas”, diz o relatório. Os analistas acreditam, contudo, que o projeto Cerupt, do governo holandês, buying cialis online without prescription e o Fundo Protótipo de Carbono (FPC) do Banco Mundial provavelmente fecharão operações de compra maiores e antes mesmo do previsto, ampliando o volume negociado no ano.

Os negócios apurados pela Point Carbon incluem operações de pelo menos três empresas brasileiras. O FPC tem contrato com a siderúrgica mineira Plantar e o projeto Cerupt avalia as propostas da gestora de aterros sanitários Sasa e da Usina Catanduva, de açúcar e álcool, ambas de São Paulo.

A Point Carbon foi constituída em maio de 2000 por analistas buying online noruegueses, de uma rede internacional de pesquisadores voltada ao acompanhamento dos aspectos políticos, tecnológicos e econômicos das questões ambientais.


Denise Juliani


 

Maioria dos municípios joga detritos em lixões

setembro 29, 2002 by  
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A destinação do order antibiotics online lixo doméstico é um dos principais problemas ecológicos do estado. Um levantamento da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) mostra que, dos 92 municípios fluminenses, 48 (mais da metade) ainda despejam seus detritos em lixões, sem qualquer controle. Outros 17 depositam esse lixo em lugares considerados impróprios. As más condições podem contaminar a água e o solo e pôr em risco a saúde da população.
Um dos piores exemplos é Miguel Pereira. O lixo do município é jogado numa encosta numa área de Mata Atlântica, sem qualquer tratamento. Cerca de R$ 130 mil do programa Pró-Lixo, do governo do estado, foram destinados à cidade e até caçambas de coleta seletiva enfeitam algumas praças, mas o destino dos detritos não mudou. Procurada pelo GLOBO, a prefeitura não se pronunciou.
— Apesar de toda a cobrança nossa, do Ministério Público e dos ambientalistas, a questão do lixo avança muito lentamente, bem aquém do que desejamos — afirma o deputado Carlos Minc (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj.


Pró-Lixo destinou R$ 10 milhões a municípios


O deputado, autor de uma lei que obriga o estado a destinar 20% dos royalties do petróleo para a recuperação ambiental, incluindo a destinação do lixo, diz que esses recursos não deram o retorno necessário.
Dados do Pró-Lixo revelam que buy cialis without prescription já foram destinados até agora R$ 10 milhões para os municípios. Parte do dinheiro nem foi gasta e outra parte foi aplicada inadequadamente. Um dos municípios que fizeram parceria com o Pró-Lixo foi Barra do Piraí. O município, cujo lixão é considerado um dos piores do estado, recebeu R$ 22 mil para elaborar o projeto para aprimorar seu sistema, mas a proposta feita por uma empresa foi considerada inadequada pelo atual governo do estado.
— Pressionamos a empresa a elaborar um novo estudo. O anterior previa a construção de uma usina de separação, mas o lixo que sobrava iria para um aterro sem controle — explica o secretário de Meio Ambiente, José do Carmo de Paiva.
Ele nem sabe se terá condições de construir o aterro sanitário que está sendo recomendado pelo estado, já que a contrapartida do município, que tem dificuldades financeiras, é a compra do terreno. O coordenador do Pró-Lixo, Walter Plácido, diz que a situação é pior nos lugares onde as usinas de separação já estão em fase de conclusão, sem que fosse construído um vazadouro com tratamento do chorume e dos gases. É o caso de Rio Bonito, Natividade e Rio das Flores.
— O aterro sanitário é uma etapa fundamental. Não adianta construir usina de separação se o que não for aproveitado vai parar num aterro de rejeitos sem controle — afirma Walter Plácido.


MP cobra uma solução urgente


Nos próximos dias, a prefeitura do Rio lançará o edital de licitação para construção de seu próprio aterro sanitário, já que Gramacho deve ter sua capacidade esgotada no fim de 2004. No entanto, o município ainda não tem área para a instalação.
O promotor Carlos Frederico Saturnino, do Ministério Público estadual, diz que a capital precisa conseguir uma solução o mais rapidamente possível:
— Se houver uma fissura no aterro de Gramacho, pode ocorrer um desastre ecológico.
O promotor está negociando com Belford Roxo, que também envia seu lixo para Gramacho, a construção de um aterro no município e está preocupado com a situação de Duque de Caxias, onde fica o depósito.

Michel Alecrim

Paradoxo

setembro 28, 2002 by  
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Metade da humanidade, ou seja, 3 bilhões de pessoas, vivem sem saneamento básico. No Brasil, esses números estão sempre piores do que a média mundial.
A Organização Mundial de Saúde- OMS informa que morrem anualmente 5 milhões de pessoas por falta de água para beber ou por doenças transmitidas por água de má qualidade.
Este vergonhoso pano- de- fundo serve de cenário para o início do século XXI, que deverá marcar a Era da alta tecnologia, da elucidação dos grandes name brand cialis mistérios da vida, proporcionada pelos avanços da engenharia genética e pelo desvendar dos mapas da biodiversidade.
Avança rapidamente o irreversível processo da globalização, que tem se caracterizado pela assunção, cada vez maior, buy drugs online das oportunidades por parte dos mais poderosos, sem contrapartidas relevantes na solução dos problemas: agrava-se a pobreza, a miséria e a exclusão decorrentes da má distribuição da renda mundial, e isto tem se constituído em um fenômeno presente e progressivo na maioria dos países. Parece que as grandes conquistas da ciência não acontecem para benefício dos homens.
Em plena idade das luzes e da comunicação universal, vemos crescer o fantasma da guerra e da destruição. A natural essência humana perde importância para modelos econômicos e discutíveis paradigmas de crescimento. O domínio da razão perde espaço para concepções e interesses escusos.
Os sinais de incerteza são evidentes no comportamento dos setores da atividade econômica e social, muitas vezes com resultados desastrosos.
Este grave momento histórico torna necessária uma profunda reflexão no sentido de reavaliar nossos valores éticos e morais.
Os fundamentos da sociologia e do humanismo devem ser avocados para orientarem a formulação de uma nova filosofia de desenvolvimento universal, que seja realmente antropocêntrica, trazendo aumento da qualidade de vida para todos os homens, em um planeta sadio e produtivo, que possa ser assegurado para as atuais e futuras gerações.
Os grandes interesses corporativos, que têm cada vez mais orientado, senão conduzido os destinos da história, devem necessariamente adotar uma postura mais humanista. Somente assim, poderá ser comprovada a ambiciosa pretensão da espécie humana, de ser a detentora do monopólio da inteligência.


Carlos Adilio Maia do Nascimento
presidente do IBPS

Lei autoriza instalação de novas indústrias em São Paulo

setembro 27, 2002 by  
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Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo na semana passada autoriza a instalação de novas indústrias na região metropolitana e ampliação das que já existem. Ambientalistas estão preocupados com essa mudança na legislação estadual, mas industriais e políticos comemoram a perspectiva de maior oferta de empregos.


A nova norma revoga uma proibição do fim da década de 70 em relação a empresas potencialmente poluidoras. Na justificativa do projeto, o Executivo argumenta que a atual tecnologia de filtros torna essa restrição descabida. A idéia é que os equipamentos possam dar garantia de agressão mínima ao meio ambiente.


Para isso, as autorizações para as indústrias dependeriam de estudos e laudos da Secretaria do Meio Ambiente e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Para o ambientalista Carlos Bocuhy, no entanto, a região está saturada e não há mais condição cialis replacement para que se instale sequer uma só indústria com potencial poluidor além das que já existem. “Com a melhor tecnologia, ainda há lançamento de nitrogênio na atmosfera.”


Esse elemento contribuiria para agravar os problemas com ozônio, que já não são poucos, alerta Bocuhy. “O índice é assustador e não há dispersão para a periferia, mas uma concentração no centro da região.”


Para o diretor do SOS Mata Atlântica Mário Mantovani, a expansão das indústrias que já existem na região metropolitana já seria algo a ser temido. “O que tem de ser feito é um esforço para realocar essas indústrias”, afirmou.


Mas para o diretor do Departamento do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Angelo Albiero Filho, o que deve ocorrer é o contrário. Nos próximos dois ou três anos, ele aposta na criação de 30 mil novos postos de trabalho sem uma partícula de poluição a mais. “Posso assegurar que hoje há tecnologia para que a ampliação não traga desconforto ambiental e, em alguns casos, poderia haver redução da poluição.”


Albiero lembra que os empresários também moram na região metropolitana e são hoje muito mais conscientes das implicações ambientais. “Moro aqui e seria estúpido se não me preocupasse com a qualidade de vida.” Ele acredita que o principal problema da poluição atualmente está na emissão de monóxido de carbono pelos veículos.


Pelo projeto, uma série de indústrias poderá ser instalada ou ampliada desde que tenha atestados e licenças ambientais emitidas pelo Estado. O governo enviou a proposta como uma espécie de complemento da Lei nº 11.217, do deputado Donisete Braga (PT).


Ele defende a ampliação das empresas que compõem o Pólo Petroquímico de Capuava, no ABC, e acredita que os debates em torno disso vão garantir um crescimento sem poluição adicional. “A polêmica existe, temos de estar sensíveis a essa questão”, disse o parlamentar, em relação às críticas feitas pelos ambientalistas. “Vamos acompanhar passo a passo esse processo.”


Braga defende a criação de mais vagas de empregos e afirma que o pólo precisa crescer para atender à demanda das empresas da região, que compram muito do que precisam de Camaçari, na Bahia. Braga espera que o crescimento do setor, decorrente da medida, dê à industrialização da área novo impulso.


De acordo com o assessor institucional da Secretaria do Meio Ambiente, Augusto Miranda, o governo enviou outra proposta à Assembléia, porque no projeto de Braga havia algumas falhas técnicas, corrigidas no novo texto pelas Secretarias do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia.


Segundo purchase antibiotics online Miranda, a lei não passa sobre os interesses dos municípios. Ao contrário, para aprovar instalação ou ampliação, as empresas têm primeiro de conseguir certidão de uso do solo junto ao município. Assim, na capital, por exemplo, o Plano Diretor é que vai determinar onde essas empresas podem ou não se instalar.


Na Assembléia, depois de analisada a proposta enviada pelo Executivo, foi aprovado o substitutivo, que agora precisa apenas da sanção do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para entrar em vigor.


Jobson Lemos

Programa de apoio a pequenas e micro empresas

setembro 27, 2002 by  
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A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançou ontem, em Brasília, o programa Apoio Direto à Inovação para Micro e Pequenas Empresas (ADI Pequena Empresa), que dispõe de um total de R$ 224 milhões para dar suporte ao desenvolvimento tecnológico das empresas. A Finep é uma agência financiadora do desenvolvimento científico, tecnológico e inovação, voltada para empresas e integra o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).


A Finep assinou um acordo ontem com o Sebrae, que oferecerá o fundo de aval para as empresas que precisarem de um plano de desenvolvimento tecnológico. “O aval é fundamental para as pequenas empresas”, destacou Mauro Marcondes Rodrigues, presidente da Finep. O Sebrae também entra na primeira fase do programa, dando parte do dinheiro para a empresa que precise também melhorar sua gestão.


O programa é dividido em duas partes e para cada uma delas a Finep destinou R$ 112 milhões. Primeiro, a Finep fará um cadastramento de instituições de pesquisa e universidades que queiram dar apoio tecnológico para as pequenas e micro empresas. Elas vão identificar que especialidades têm, que empresas podem apoiar, qual sua capacidade de dar suporte tecnológico, que cadeia produtiva podem ajudar, entre outras coisas, nesse cadastro. “Com isso, teremos uma noção de qual o universo das instituições dispostas a jogar esse jogo”, explicou Marcondes.


Na primeira fase, a universidade ou instituto receberá uma verba, não reembolsável, para dar apoio tecnológico para a empresa. Poderá ajudar a empresa a trabalhar com produto, processo, embalagem, design, normas técnicas, entre outras demandas que requerem o desenvolvimento tecnológico.


Em uma segunda fase, a instituição de pesquisa poderá identificar a necessidade da empresa de ter um plano de desenvolvimento tecnológico mais complexo, menos pontual do que trabalhar em um novo produto ou processo, por exemplo. Nesse caso, a Finep oferecerá crédito para essas empresas. O mérito do plano de desenvolvimento, que será feito pela instituição ou universidade, também será analisado. Os recursos, nesse caso, serão reembolsáveis, mas a empresa pagará juros equalizados, mais baixos do que o do mercado.


A Finep trabalhará com agentes financeiros para fazer a avaliação do risco de crédito das empresas. Isso será feito pelos antigos bancos de desenvolvimento, que foram substituídos por agências regionais de fomento. Para credenciar esses agentes, a Finep assinará um convênio com a Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), que já credencia as agências para o Sebrae. Os agentes vão analisar o risco, receber o dinheiro da Finep e repassar os recursos para as empresas. “Estamos trabalhando com os agentes porque não vamos perder tempo fazendo a análise do risco de crédito”, justificou. Os agentes vão contar com o aval do Sebrae.


O cadastramento das universidades deve começar daqui duas semanas. Inicialmente, a Finep vai financiar algumas instituições que estão ligadas a clusters, que já foram identificados pela financiadora, utilizando verbas do fundo integração universidade-empresa, o verde-amarelo. Haverá uma reunião com o comitê gestor do fundo para definir quais instituições buy amoxicillin online receberão o financiamento.


Janaína cialis picture of pill Simões

Projeto “O plástico no limite”

setembro 27, 2002 by  
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O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, em parceria com a empresa Amazonplast e as Prefeituras de Beruri, Tapauá, Canutama e Lábrea, deu início ao projeto “O plástico no limite”, que prevê a retirada de plástico doméstico da calha do rio Purus. O biólogo e pesquisador how much cialis should i take Agenor Vicente, responsável pelo projeto, calcula para essa fase inicial uma retirada de 60 toneladas, tendo em vista os primeiros dias de coleta nos municípios onde a população logo nos primeiros dias recolheu mais de uma tonelada de plástico.
O projeto surgiu a partir da análise de dados feita pelo biólogo através de pesquisa em barcos de turismo de pequeno porte e lagos próximos ao Município de Autazes. Nos barcos foram realizados levantamentos sobre a quantidade de copos descartáveis utilizados nos percursos, chegando a 100 mil ao ano por embarcação, apenas de copos plásticos. Em alguns lagos foi observado o declínio da produção de pescado com o comprometimento da reprodução dos peixes, ocasionado pelo isolamento com o plástico de alta densidade, da água com o fundo dos lagos, impedindo a formação de plâncton, alimentação dos alevinos.
De posse dessas informações, Agenor delineou as ações do projeto definindo a calha do Purus em função da existência da Reserva Biológica do Abufari, que estaria sendo prejudicada na sua ictiofauna. Outro fato que chamou a atenção do pesquisador foi a Festa do Pescador no Município de Tapauá, onde aproximadamente mil linhas foram jogadas ao rio Purus num esforço de pesca e, ao final do dia, pouco mais de 20 peixes foram apanhados, sendo que o maior número era de arraia.
O projeto “O plástico no limite” vai ser implantado em todo o Estado por uma equipe de técnicos do Ibama e da empresa recicladora Amazonplast. A etapa considerada piloto, que abrange a calha do Purus, teve início com a saída do Porto de Manaus, no último dia 3, de uma equipe de cinco técnicos, com destino a Lábrea realizando palestras em barcos-recreio, alertando buy doxycycline online para o perigo que representa o plástico ao meio ambiente, sobretudo lançado nos rios.
Sorteios de camisetas com slogan incentivando a reciclagem do plástico, transformando-o em dinheiro é uma das formas utilizadas para a disseminação do projeto e, logo de imediato, na própria embarcação surge o primeiro resultado: não se joga mais nenhum tipo de plástico ao rio. Nas sedes dos municípios a equipe proferiu palestras em escolas e igrejas, deu entrevistas em emissoras locais de rádio, convocando todos os segmentos da sociedade a se engajarem no projeto, chamando a atenção para a qualidade de vida com a destinação correta do lixo plástico.
Os primeiros 20 dias de implantação do projeto na calha do Purus apresentou resultado positivo, segundo Agenor, com uma grande aceitação pela população, pois todo plástico coletado está sendo comprado ao preço de R$ 0,10 o quilo, por comerciantes credenciados pelo Ibama. Todo plástico coletado está sendo armazenado em sacos com capacidade para três metros cúbicos e será transportado para Manaus, monitorado por técnicos do Ibama até à empresa recicladora.

Exploração desordenada seca a fonte de lucros

setembro 27, 2002 by  
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As perspectivas para a indústria de água mineral no Brasil serão discutidas durante o 11º Congresso das Indústrias de águas Minerais, que acontece de domingo até a próxima quarta-feira, no Centro de Convenções de Natal. Depois do Recife, a capital do Rio Grande do Norte é a segunda cidade nordestina a sediar o evento. A Região é a segunda maior produtora brasileira de água mineral, com 23,2% de participação.
A estimativa da organização do evento é reunir 400 congressistas e cerca de três mil visitantes. O presidente do Congresso, Djalma Barbosa da Cunha, explica que a proposta é discutir temas de interesse e atualidade para o setor, incluindo generic for cialis medidas para implementar melhorias na qualidade e na valorização do produto.
Um dos assuntos que deve esquentar o debate é o excesso de marcas, buy antibiotics online no prescription que está aumentando a competitividade no setor. Só em Pernambuco, maior envasador de água mineral do Nordeste, 47 fontes estão em operação.
Paralelo ao Congresso, acontece a Expo Abinam 2002 (mostra de equipamentos, acessórios e serviços para o setor) e o 1º Congresso Brasileiro dos Distribuidores de água Mineral. Os eventos são organizados pela Associação Brasileira das Indústrias de águas Minerais (Abinam) e Sindinam.
O assessor da diretoria da Abinam, Paulo de Souza, diz que a Expo Abinam vai ocupar uma área de 800 metros quadrados, no Pavilhão Potengi, do Centro de Convenções de Natal. Serão 40 estandes distribuídos no espaço.
Além dos especialistas brasileiros, também marcam presença no Congresso representantes de entidades internacionais como o International Bottled Water Association (associação que reúne todos os fabricantes dos Estados Unidos) e o NSF International (um dos mais conceituados institutos mundiais de certificação de qualidade de bebidas e alimentos).
A estimativa é de que o evento reabra as discussões sobre exportações de água mineral. No ano passado, a potiguar água Cristalina iniciou projeto de ingressar no comércio exterior, mas se retraiu em função da logística. Com 32% de market share no Rio Grande do Norte, a empresa é a única no Estado associada à Abinam.
A indústria tem capacidade para envasar uma média de 2 mil garrafões de 20 litros/hora e estuda a produção de água mineral com gás a partir do primeiro semestre de 2003. Hoje, a empresa tem um mix com oito embalagens e distribui os produtos em cerca de 3 mil pontos-de-venda.


Mercado


O mercado brasileiro de águas minerais vem mantendo nos últimos 10 anos uma média de crescimento anual de 20%. Em cinco anos (de 1997 a 2001), a expansão do setor foi de 104%.
No Nordeste, existe uma expectativa de que o setor entre num período de estagnação, em decorrência do crescimento desordenado na exploração de novas fontes.
A projeção do Sindágua de Pernambuco (entidade que reúne as empresas do setor), é de que seja registrada uma queda de 15% para 8% no crescimento do consumo anual.
Apesar do desaquecimento do mercado, continua a corrida pela exploração de novas fontes minerais. Nos últimos seis meses, Pernambuco responde por 17,5% dos pleitos para explorar novas fontes no Departamento Nacional de produção Mineral (DNPM).
Em 2001, conforme balanço do DNPM e da Abinam, a indústria brasileira de águas minerais cresceu 23%, somando um volume de produção e consumo de 4,3 bilhões de litros.
O mercado de água mineral no Nordeste movimenta R$ 101,2 milhões/ano. A região Sudeste lidera o ranking de produção com participação de 56,4%, seguida pelo Nordeste (23,2%), Sul (11,3%), Norte (5,1%) e Centro-Oeste (4%).


Adriana Guarda

A miopia macroscópica

setembro 27, 2002 by  
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A miopia macroscópica das políticas públicas na Amazônia é um grande problema, talvez o maior, para que as ações de manutenção das comunidades locais obtenham sucesso. Enquanto buy antibiotics without prescription programas como o PPG7 (programa piloto de preservação de florestas tropicais financiado, em grande parte, pelos países ricos que formam o grupo dos sete) tentam rumar em uma direção, outros programas, também com o aval governamental, caminham em sentido oposto.
O alerta, bastante divulgado pelas organizações não-governamentais que atuam na Amazônia, também ganha eco na comunidade científica. Esta semana, em conferência na sede do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), o geógrafo alemão Gerd Kohlhepp, do Instituto Geográfico da Universidade de Tübingen, Alemanha, voltou a citar este conflito de interesses. Bastante favorável ao PPG7, por exemplo – uma iniciativa alemã que surgiu das reuniões da Eco-92 -, o cientista europeu mostrou em seu discurso algumas contradições que surgem com os projetos traçados em programas como o Avança Brasil, do Governo Federal. “Alguns megaprojetos pensados no sentido da integração, da globalização, precisam ser bem estudados. O relatório de impacto ambiental precisa ser bem-feito para que as conseqüências não sejam negativas”, disse Kohlhepp aos ouvintes de sua conferência. Entre estas grandes obras, o pesquisador citou a hidrovia do rio Madeira e o asfaltamento de várias estradas que cortam a região amazônica em locais onde a soja, por exemplo, está causando uma pressão ambiental bastante grande.
A questão de aumentar a fronteira agrícola dentro da floresta é uma das contradições amazônicas apontadas pelo professor alemão, que há mais de 30 anos tem o Brasil, e as florestas tropicais, como seu campo de estudo. “Uma das intenções do governo com as obras de infra-estrutura da Amazônia é aumentar a expansão da soja. Isto merece atenção.” Além da agricultura, vários grupos com interesses nos setores de energia, transportes ou mineração vão provocar conflitos com os projetos que pretendem desenvolver as populações locais de forma sustentável.
A questão da alteração do Código Florestal, lei 4.777, que está em discussão no Congresso Nacional, é um dos conflitos mais escancarados existentes hoje na sociedade brasileira. Enquanto o grupo das organizações não-governamentais bate o pé na aprovação do texto escrito pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama, outro grupo, formado principalmente pelos donos de terras em áreas florestais, tenta alterar a medida provisória 2.166. Pelo Código Florestal que ainda está em vigor, 80% das florestas em terras privadas não podem ser modificadas. A principal discussão, claro, está nesta alíquota de cialis doses preservação, que um grupo quer aumentar e o outro preservar.
A falta de um interesse único quando se trata da manutenção de ações favoráveis ao desenvolvimento sustentável acaba criando problemas, muitas vezes, até dentro do próprio governo. A questão da transposição do rio São Francisco é um claro exemplo destas divergências. O projeto saiu das pranchetas do Ministério da Integração Nacional, mas o Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, ainda não mostrou muito interesse em abraçar esta mesma causa.
Segundo o cientista alemão que esteve esta semana na USP, os conflitos de interesses dentro da Amazônia acabam até extrapolando o limite legal. E isto, na maior parte das vezes, resulta nos distúrbios sociais provocados pela questão agrária, pelo tráfico de drogas e até pelos casos de corrupção como os que ocorreram recentemente na Sudam. O órgão, inclusive, foi extinto pelo governo.
Conforme atestam os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a floresta Amazônica tem hoje 15% de sua área total destruída. Em números absolutos isto representa 590 mil quilômetros quadrados, o que eqüivale a uma área um pouco maior que a do território francês. A cronologia do desmatamento nos últimos 30 anos revela um conflito ainda maior. Os números apresentados no IEA mostram que até o ano de 1975 apenas 0,6% do território amazônico tinha sido desmatado. Em 1988 esta porcentagem havia subido para 9,2% antes de chegar até os números atuais.
Na visão do cientista europeu, não apenas a questão interna, mas também a externa contribuíram para esta gigantesca destruição florestal. O adjetivo cabe, principalmente, quando se coloca, frente a frente, o número de quilômetros quadrados desmatados em relação ao tempo que este processo ocorreu. Dentro do contexto dos anos 70, do milagre econômico, por exemplo, a Amazônia era vista como um grande Eldorado. Tudo que se pretendia fazer era explorar, ao máximo, aquela grande reserva de recursos naturais. “E os próprios países industrializados ainda precisam fazer uma reflexão. Muitos ainda visualizam as florestas tropicais apenas como reserva de matéria-prima.”
O PPG7, programa que entrou em ação no ano de 1995, prevê um investimento em projetos de preservação ambiental das florestas tropicais, e das suas comunidades, da ordem de US$ 350 milhões. A Alemanha e a União Européia são as maiores participantes. O Brasil vai entrar com 10% deste total. O mecanismo escolhido pelo grupo do G7 foi o da doação. As ONGs, por exemplo, que tiverem o seu crédito aprovado, vão retirar o dinheiro direto de uma conta do programa, aberta no exterior. A intenção dos doadores é terminar com entraves burocráticos e, além disso, acelerar o resultado dos projetos escolhidos.
Conforme informa o cientista alemão, os resultados conquistados são excelentes. Mesmo assim, algumas falhas precisam ser corrigidas segundo o próprio Kohlhepp, e, ainda mais, mesmo nos casos de sucesso ainda existe muita coisa a ser feita. Três tópicos, segundo o conferencista, precisam ser melhorados dentro das diretrizes do PPG7. Como existem várias cidades dentro da floresta, uma maior preocupação com as questões urbanas é um dos grandes déficits apresentados até agora. Os pequenos produtores e a questão delicada do combate à pobreza são outros dois problemas menos enfocados pelos programas nacionais apoiados pelos países ricos nestes sete anos de funcionamento.
No cerne do conflito entre os grupos “desenvolvimentistas” e os “sustentabilistas” a mediação parece ser uma das chaves da questão. O cientista europeu defende que todos os projetos que interfiram de alguma forma na floresta apresentem algum tipo de classificação. Dois itens precisam ser pesados. O desenvolvimento que aquilo vai provocar e, de outro lado, os custos ecológicos que aquilo terá. Se a retórica for deixada de lado, e os preceitos ecológicos forem colocados à frente de tudo, vários destes conflitos vão desaparecer. A questão, em 100% dos casos, será escolher os óculos certos.

Uma nova estratégia

setembro 27, 2002 by  
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É muito preocupante verificar que os últimos relatórios sobre a situação do planeta, assim como as discussões e os pronunciamentos que ocorreram na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), em Johannesburg, não tenham tido conseqüências internas, no Brasil; não tenham levado as lideranças nacionais a pensar em adequar a estratégia do País às circunstâncias; não tenham tido o condão de afetar minimamente as discussões sobre a sucessão presidencial, ora em curso.
Recapitulando o que foi comentado neste espaço nas últimas semanas:
Vários relatórios internacionais, entre eles o do Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente e o do WWF, afirmam que já foi ultrapassado cialis cheap o limite da sustentabilidade planetária em matéria de consumo de alimentos, de recursos naturais, de energia, de ocupação de solos e exploração do mar, etc.; o último desses relatórios assinala que já estamos mais de 20% além da capacidade de reposição da biosfera, com o déficit aumentando ano a ano (relatórios anteriores falam em até 40%); outro relatório (mencionado pelo presidente francês, Jacques Chirac, na África do Sul) lembra que, se todos os habitantes da Terra consumissem como norte-americanos ou europeus, seriam necessários pelo menos mais dois planetas; o próprio Brasil já está além da disponibilidade média (1,9 hectare/habitante), ao precisar de 2,38 hectares por habitante para atender às necessidades médias; essa situação tende a agravar-se, na medida em que até meados do século mais 2,5 bilhões de pessoas se somarão aos atuais 6,1 bilhões, ampliando o consumo; por outro ângulo, parece insustentável supor que persistirá o atual quadro de desigualdade, com mais de 800 milhões de pessoas passando fome, quase metade da população terrestre vivendo com menos de US$ 2 por dia – ao mesmo tempo em que se concentra nos países industrializados, com pouco mais de 15% da população mundial, a maior parte da produção, do consumo e da renda (relatórios da ONU têm mencionado entre 56% e 80% do consumo total, ali); da mesma forma, tudo indica que se acentuará a pressão em favor de mudanças nos padrões de produção e consumo, de modo a torná-los mais consentâneos com a capacidade de suporte do planeta; também parece indiscutível que Recursos Hídricos tenderão a tornar-se um fator estratégico decisivo, tendo em vista que 40% das pessoas no mundo já sofrem de alguma forma com a escassez/má qualidade da água e o quadro vai agravar-se em poucas décadas, segundo as advertências da ONU; disponibilidade de solo e outros serviços naturais igualmente verão seu papel acrescido, ao mesmo em tempo em que a diversidade biológica – área em que o Brasil desfruta de posição privilegiadíssima – terá valor cada vez maior, com a evolução das biotecnologias; a possibilidade de energias “alternativas” – solar, eólica, da biomassa – será também fator estratégico.
Tudo buy antibiotics isso recomendaria repensar a estratégia brasileira, para colocar essas questões no centro e no início de qualquer formulação econômica e/ou social, seja para políticas internas, seja para relações externas. Estranhamente, entretanto, parecem ser consideradas questões secundárias, marginais, apenas “ambientais” (como se isso existisse).
Seria indispensável, de saída, que esses fatores ocupassem o centro do planejamento governamental e empresarial. E que a chamada “contabilidade ambiental” viesse a ser implantada em todos os lugares, para todas as atividades – de modo a que se conhecessem os custos envolvidos, para saber quem arcará com eles, interna ou externamente, se decidir levar adiante qualquer coisa, apesar deles.
Em seguida, formular estratégias fundadas nesses fatores.
Se não for assim, tudo continuará fora de lugar. Continuaremos a utilizar “fatores espúrios” (sobreuso de recursos naturais, depreciação da mão-de-obra, etc.) – como os qualifica um relatório da ONU – para conquistar mercados internacionais. Continuaremos a absorver internamente – seja na agropecuária, seja na exportação de eletrointensivos e em vários outros setores – custos ambientais, sociais, energéticos e econômicos, subsídios. E ainda submetidos a mecanismos de formação de preços controlados por importadores. Que, em contrapartida, nas suas exportações cobram cada centavo, segundo seus padrões internos de remuneração e renda, na formação de preços dos produtos tecnológicos que nos vendem. Isso quando não obrigam, por meio de barreiras, a que exportemos os produtos sem nenhum beneficiamento interno, para que a agregação de valor, inclusive na reexportação, seja feita lá, com todas as suas vantagens (caso do café solúvel, para citar apenas um produto).
Talvez o Brasil esteja dando um primeiro e tímido passo nessa direção ao pleitear que os importadores de nossa madeira certificada arquem com os custos da certificação – como anunciou na África do Sul o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho. Mas será preciso estender esse pleito a todos os produtos de exportação. E não temer, ao contrário da área diplomática, que a aplicação do chamado princípio da precaução nos possa prejudicar, abrir margem a um suposto “protecionismo verde” (felizmente, essa posição, esboçada em Johannesburg por nossa diplomacia, acabou sendo retirada, permitindo aprovar a menção do princípio no plano de implementação ali discutido).
O novo patamar de discussões em que se está entrando no mundo – não apenas proteger o meio ambiente, e sim respeitar limites planetários de suporte e reposição -, assim como a escassez já vivida na área dos recursos e serviços naturais, impõem essa nova visão estratégica. Já virá atrasada. E é lamentável que ainda não esteja no centro das cogitações numa campanha pela sucessão presidencial e nos Estados.


Washington Novaes

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