Lixões de hoje são sambaquis do futuro

novembro 29, 2002 by  
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Florianópolis – Plásticos, metais, isopor, papéis, lâmpadas, pilhas, baterias, vidro, louças, disquetes, tecidos, fraldas, absorventes higiênicos, cotonetes, pneus, eletrodomésticos, móveis, restos de comida, materiais de construção, rejeitos hospitalares, filtros de café, lentes de contato, caixinhas de sanduíches, pratos e talheres de plástico, copos de papelão, caixas longa- vida, embalagens de todo tipo.
Talvez nunca na história o ser humano tenha sido capaz de produzir uma quantidade tão grande e tão variada de rejeitos, restos de seu consumo ou utensílios considerados inúteis, que são simplesmente descartados. Que poderiam dizer os arqueólogos do futuro sobre nosso modelo de sociedade, ao escavarem um dos nossos milhares de lixões, atopetados de materiais tóxicos, de composição complexa e não- perecíveis? Que espécie de sociedade esses arqueólogos poderiam imaginar que somos, como fazem os estudiosos de hoje a respeito dos homens dos sambaquis?
Ao se depararem com a grande quantidade de materiais plásticos presente nos nossos lixões – material que certamente será o último a se decompor, daqui a algumas centenas de anos – poderiam talvez deduzir a importância econômica do petróleo para a nossa sociedade. Poderiam também, sem dificuldade, imaginar que as sociedades urbanas do início do século 21 basearam seus padrões de consumo num modelo que privilegia o descarte e o desperdício, em nome da praticidade e do conforto.
Bem diferente dos nossos não muito distantes antepassados, que no início do século 20 viviam majoritariamente no meio rural e reaproveitavam praticamente todos os resíduos de seu modo de vida quase auto-sustentável, os sambaquis do futuro certamente denunciarão a nossa cultura basicamente cialis shipped overnight comodista e predatória. Estarão lá as sacolinhas de supermercado, como prova da nossa total dependência dos templos do consumismo.


Hábitos


Esses hábitos de consumo, entretanto, não foram adquiridos de uma hora para outra, embora tenham se difundido e consolidado no decorrer do século 20. Paulo Jorge Moraes Figueiredo, no livro “A Sociedade do Lixo” (editora Unimep, 1995), situa o período após a Segunda Guerra Mundial como crucial para a “exportação” dos padrões de consumo norte-americanos. Com a Europa devastada, os Estados Unidos passaram a representar o modelo ideal de sociedade.
“Centrados na associação de qualidade de vida com o consumo de bens materiais, estes padrões alimentaram o consumismo, incentivaram a produção de bens descartáveis, difundiram a utilização de materiais artificiais e intensificaram as técnicas de propaganda”. A partir dos anos 60, entretanto, os efeitos do comportamento consumista começaram a aparecer. Até março de 1987, 95% dos resíduos sólidos gerados nos Estados Unidos tiveram os aterros (a maioria não-licenciados) como destino final. Apenas 5% retornaram ao ciclo do planeta através de métodos como a compostagem ou a reciclagem, segundo o mesmo autor.
Com a “exportação” desses hábitos de consumo dos Estados Unidos para todo o planeta – inclusive para os países pobres -, o ser humano chegou ao final do século 20 com uma capacidade inigualável de produzir lixo. Estima-se que os 6 bilhões de habitantes da Terra produzam uma média superior a 300 milhões de toneladas de resíduos por ano – nem todos os países têm esses dados calculados -, sendo que as maiores montanhas de rejeitos continuam sendo formadas nos Estados Unidos, onde são descartados 217 milhões de toneladas anualmente. Outros países desenvolvidos, como Japão, Alemanha, Inglaterra, França e Espanha também são grandes geradores de lixo, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). Com o aumento populacional e o desenvolvimento de cada vez mais produtos descartáveis, a montanha só tende a crescer.


Descaso com destino
de resíduos é antigo


Embora o descaso do ser humano com o destino dos seus resíduos seja bastante antigo – consta que nas cidades medievais os cidadãos iam elevando os telhados das suas casas à medida que o lixo amontoado aumentava o nível da rua -, foi no século 20 que o desenvolvimento da indústria e a evolução nos hábitos de consumo fizeram o problema do lixo urbano tornar-se tão complexo. Para Lester Brown, do Worldwatch Institute, além do uso energético de combustíveis fósseis, o aumento amplo no uso de materiais foi um dos fatores que marcaram o desenvolvimento econômico no século 20.
Só o uso de metais passou de 20 milhões de toneladas anuais para 1,2 bilhão de toneladas, entre 1900 e 1999; o uso de papel, só entre 1950 e 1996, aumentou seis vezes, chegando a 281 milhões de toneladas por ano; a produção de plástico, quase desconhecido em 1900, chegou a 131 milhões de toneladas em 1995; em 1900, apenas 20 elementos naturais da tabela periódica eram utilizados pela economia humana, que hoje encontra utilidade para todos os 92 elementos.
Os números impressionantes apresentados por Brown no livro “Estado do Mundo – 1999″ (UMA Editora, 1999) não param aí. No início do século 20, o mundo tinha “alguns milhares” de automóveis, que em 1999 já somavam 501 milhões. Como conseqüência da era da informática, desenvolveram-se as tecnologias da comunicação: as linhas telefônicas convencionais eram 89 milhões em 1960 e 740 milhões em 1996; os telefones celulares, 10 milhões em 1990 e 135 milhões apenas seis anos depois; em 1950, havia aparelhos de televisão em 4 milhões de domicílios, contra 1 bilhão na virada para o século 21; os computadores ligados à Internet, que eram 376 mil em 1990, passaram para mais de 30 milhões em 1998.
Para Brown, as estatísticas apontam que a urbanização é a tendência demográfica dominante no encerramento do século 20: em 1900, 16 cidades do mundo tinham 1 milhão de habitantes ou mais, e cerca de 10% da humanidade habitavam as cidades. Hoje, 326 cidades possuem cerca de 1 milhão de habitantes e 14 megacidades têm mais de 10 milhões de pessoas.
“Se as cidades continuarem a crescer como projetado, mais da metade de nós estará morando nelas em 2010, tornando o mundo mais urbano que rural, pela primeira vez na história. Efetivamente, nos tornaremos uma espécie urbana, longe de nossas origens caçadoras/colhedoras e mais separados do que jamais estivemos das nossas bases naturais”, observa.


Panorama


Esses dados compõem o panorama que Brown chama de “aceleração da história” – os grandes acontecimentos do século 20 ocorreram num período que corresponde a apenas 1% do tempo, desde que a humanidade iniciou a prática da agricultura. Com a aceleração da história, vêm as crescentes pressões sobre a natureza, da qual continuamos totalmente dependentes.
Surgem novas formas de distúrbio ambiental, como a redução da camada de ozônio e o efeito estufa. “A economia global em desenvolvimento entrou em choque com muitos dos limites naturais da Terra. Essas colisões podem ser vistas em tendências como a redução das florestas, a exaustão dos aqüíferos e o colapso da pesca”, sinaliza o autor. Para ele, para que seja deflagrada a necessária mudança para uma economia ambientalmente sustentável, deverá ocorrer uma transição tão profunda quanto a Revolução Industrial.
“O modelo econômico ocidental – a economia do descarte, centrada no automóvel, baseada em combustível fóssil – que elevou dramaticamente o padrão de vida de parte da humanidade durante este século, não poderá expandir-se indefinidamente se os ecossistemas dos quais depende continuarem a deteriorar. Estamos entrando em um novo século, phentermine without prescription com uma economia que não nos pode levar aonde desejamos ir. O desafio é projetar e construir outra que possa sustentar o progresso da humanidade sem destruir seus sistemas de sustentação – e que proporcione uma vida melhor para todos”, escreve Brown. (APL)


Discurso em prol da
reciclagem ganha destaque


Por mais que esses rejeitos sejam aterrados, depositados na periferia dos centros urbanos, lançados nos rios e oceanos ou incinerados, foi inevitável que nos últimos anos o fenômeno despertasse interesse nos meios acadêmicos e nas próprias administrações públicas, responsáveis por dar jeito nos detritos produzidos nas cidades. Em meio a essa discussão, crescente nas últimas décadas, tem recebido destaque o discurso em prol da coleta seletiva e da reciclagem dos materiais.
Apesar do alto custo da viabilização de programas públicos nesse sentido, a reciclagem é apontada como prioridade por especialistas como o economista Sabetai Calderoni, autor de “Os Bilhões Perdidos no Lixo”. Segundo ele, só no ano de 1996 o Brasil jogou no lixo pelo menos R$ 4,6 bilhões – dos R$ 5,8 bilhões de economia que se poderia fazer através da reciclagem, apenas R$ 1,2 bilhão foi efetivamente poupado.
O valor foi detectado após considerados todos os ganhos possíveis com a reciclagem de lixo – desde a simples venda do material para o atravessador até as economias energéticas, de recursos hídricos e de controle ambiental. A cifra fica ainda mais impressionante se for considerado que, na época da pesquisa, havia paridade entre o dólar e o real – ou seja, se os números forem atualizados para um câmbio otimista onde US$ 1 vale R$ 3,60, o desperdício chega a R$ 16,56 bilhões. (APL)


Ana Paula Lückman

Jornal recebe prêmio de ecologia

novembro 29, 2002 by  
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Florianópolis — O jornal A Notícia recebe amanhã, em solenidade programada para as 12 horas, na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o Prêmio Expressão de Ecologia de 2002, que comemora sua décima edição. A empresa foi destacada na categoria gestão ambiental — gráficas e editoras, de acordo com os critérios de avaliação técnica decididos do júri designado pela revista “Expressão”, promotora do evento.

Cento e cinqüenta e oito cases foram apresentados à comissão julgadora, sendo que dos 28 ganhadores do Prêmio Expressão nove são catarinenses e serão homenageados na Fiesc. Além de A Notícia, foram vencedores: Agrícola Fraiburgo (agropecuária — setor privado), Epagri (agropecuária — setor público), Ilha do Papagaio (turismo e qualidade de vida), Malwee (controle de poluição — têxtil), Ceusa (controle de poluição — não-metálicos), Dalquim (controle de poluição — químico), Tractebel Energia cheap online cialis (conservação de recursos naturais — setor privado), Apremavi (conservação de recursos naturais — ONG).

Pouso Redondo decreta calamidade pública

novembro 29, 2002 by  
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A rua 23 de Julho, a principal da cidade de Pouso Redondo, na região do Alto Vale do Itajaí, permanece alagada apesar do nível rio das Pombas ter baixado significativamente. A inundação desta natureza meds online without prescription nunca ocorreu, segundo os moradores mais antigos. Os prejuízos são incalculáveis. É que a água subiu repentinamente e no espaço de 15 minutos todas as casas ficaram alagadas. A BR-470 ficou interrompida por quase uma hora porque a água passou por cima da pista. Quando o tráfego foi liberado, houve congestionamento nos dois sentidos. Várias comunidades do interior permanecem isoladas. Informações não confirmadas pela Polícia Militar é que três pessoas foram arrastadas pela água e teriam cialis effect morrido. O sistema de telefonia celular permanecia interrompido até as 14h30. O prefeito Hans Fritsch (PSDB) decretou inicialmente situação de emergência e logo em seguida de calamidade pública. (Orlando Pereira – especial para AN Agora)


Compensação ambiental beneficia RPPN em Minas Gerais

novembro 29, 2002 by  
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A mineradora Samarco deverá investir R$ 400 mil, nos próximo seis meses, em um projeto de recuperação ambiental na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Caraça, localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, em Minas Gerais. Os recursos são referentes à compensação ambiental de cinco empreendimentos da empresa licenciados pelo Governo Estadual, que pela primeira vez no País serão destinados à uma propriedade particular.

O projeto, que começa a ser operacionalizado hoje, é uma parceria com a organização não-governamental Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) e a Província Brasileira da Congregação da Missão (PBCM), proprietária do Parque do Caraça, e prevê a construção de um Centro de Apoio à Pesquisa e Visitação, uma estação de tratamento de água e a remodelagem da estação de tratamento de esgoto. Além disso, os alojamentos de pesquisadores serão reformados e haverá a recuperação de 10 hectares de voçorocas e áreas alteradas do Parque.

Segundo Vítor Feitosa, gerente geral de Meio Ambiente da Samarco, a empresa já colaborava com projetos pontuais na reserva, já que ficam na mesma região, na Serra do Caraça, e conhecia os problemas enfrentados pelo parque, o segundo mais visitado de Minas gerais, com cerca de 40 mil turistas por ano. “Nossa intenção era atender à legislação, que obriga a destinação de pelo menos 0,5% do valor dos empreendimentos para unidades de conservação, mas trabalhar em uma reserva na qual já estávamos envolvidos e localizada na área de impacto da mineradora”, explica.

O projeto foi apresentado à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fiam) em 2000, mas precisou de um ano de negociações e pareceres jurídicos para que fosse aceito e aprovado pelo Comitê de Política Ambiental (Copam), pois o entendimento geral era de que os recursos deveriam ser destinados para áreas públicas. “Acreditamos next day cialis que esse seja um precedente importante, que pode incentivar a criação de novas RPPNs”, disse Feitosa.

Para o gerente da mineradora, outra inovação é o caráter de parceria do programa, tendo a empresa como instituição financiadora, os proprietários como gestores e a Anda, uma entidade medicine online without prescription ambientalista, como responsável pela elaboração do plano de trabalho e funcionamento do centro de visitantes e pela assessoria técnica ambiental do projeto.


Patrimônio histórico e ambiental

A RRPN do Caraça tem uma área de 11.233 hectares, sendo 1.046 hectares de área de manejo. Encravada aos pés da Serra do Caraça, cercada por morros cobertos pela Mata Atlântica, a reserva abriga o santuário do Caraça, a primeira igreja em estilo neogótico do Brasil, de 1883, tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico (Iphan). A igreja possui obras de arte e vitrais franceses, além de pinturas de mestre Ataíde.

Propriedade da Congregação dos Lazaristas, o Parque tem sofrido as conseqüências do turismo predatório, como problemas com lixo e queimadas, ameaçando espécies raras e em extinção, como o lobo-guará. Em 1997, a Amda começou a dar suporte na área de educação ambiental para os visitantes, o que deve ser intensificado agora, com o centro de visitação.

Vítor Feitosa explica que o convênio deverá durar quatro anos, com possibilidades de renovação. “Esperamos que outros projetos venham se juntar ao nosso, não apenas para garantir o fortalecimento do turismo adequado, mas para dar continuidade às pesquisas ligadas à biodiversidade do local”.

Maura Campanili

Ibama recomenda fechamento de 5 zoológicos em MG

novembro 28, 2002 by  
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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Minas Gerais, recomendou nesta quinta-feira o fechamento de cinco zoológicos do interior do Estado por apresentarem diversas irregularidades.

A decisão é resultado de uma vistoria feita nas unidades mineiras pelo órgão federal, com o auxílio da Sociedade dos Zoológicos do Brasil (SZB) e a organização não-governamental (ONG) Fundação Relictos.

Durante dois meses – de 24 de junho a 24 de agosto – a equipe formada por técnicos visitou 20 zoológicos municipais de Minas.

Segundo o gerente-executivo do Ibama no Estado, Jader Figueiredo, o principal problema detectado pela fiscalização foi a falta de segurança para os visitantes e tratadores. Além disso, as unidades não tinham técnicos especializados, como biólogos e veterinários.

Os zoológicos de Caratinga, João Monlevade, Pará de Minas, Timóteo e Estrela Dalva estão em situação alarmante e deverão ter as atividades suspensas. Os animais serão transferidos para outras unidades do Estado ou do País. O Ibama catalogou 3.834 espécimes nos zôos mineiros.

Segundo Figueiredo, foram constatadas outras irregularidades, como o não atendimento da legislação específica em relação ao espaço físico e adequação dos recintos onde vivem os animais. Os abrigos apresentavam ainda condições sanitárias precárias e a alimentação fornecida foi considerada inadequada.

Durante as visitas, o próprio zoológico de Pouso Alegre solicitou o seu fechamento, alegando não ter mais condições de funcionar. A vistoria constatou que somente quatro unidades – os zoológicos de Belo Horizonte, Uberaba, Uberlândia e Sete Lagoas – estão devidamente registradas.

Os relatórios das vistorias, de acordo com o gerente executivo do Ibama, serão entregues ao Ministério Público Estadual. Os estabelecimentos serão advertidos e obrigados a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP, comprometendo-se a regularizar a situação ou correrão também o risco de serem fechados.

Tal comprometimento é considerado pelo órgão “a chance derradeira para que se adequem à legislação pertinente”.

Dois zoológicos do Estado já haviam sido desativados antes do início da operação do Ibama: o de Andradas, no sul de Minas, e o de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, “tendo em vista a situação lastimável em cialis soft tabs review que se encontravam os animais”.

O projeto mineiro de vistoria, batizado de “Operação Zoológico Legal”, faz parte de um diagnóstico nacional sobre a situação dos 137 zoológicos do País. Em São Paulo, segundo o Ibama, onde ocorreu a primeira fiscalização, foram fechadas três unidades.

Outras seis foram interditadas e seis tiveram de regularizar suas condições às normas vingentes. De acordo com o último censo realizado buy meds online without prescription pela SZB, em 1999, os zoológicos brasileiros abrigam aproximadamente 50 mil animais e recebem, por ano, cerca de 33 milhões de visitantes.

Eduardo Kattah

Mais 2,5 t de peixes mortos na Represa do Funil

novembro 28, 2002 by  
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over the counter cialis face=arial,helvetica color=#606060 size=2>Mais de sete toneladas de peixes morreram nos últimos dias na Represa do Funil, no Rio Grande, entre os municípios de Lavras e Perdões, no sul de Minas Gerais. Cerca de 2,5 toneladas de peixes, a maioria mandis e mandijubas, apareceram mortos na madrugada desta quinta-feira, a segunda mortandade registrada nesta semana na represa.

Na última terça-feira, aproximadamente cinco toneladas de peixes morreram no reservatório. O presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Willer Pos, afirmou que os peixes morreram por falta de oxigênio devido a “um procedimento técnico mal elaborado” durante o fechamento de uma comporta da represa para testes. “Foi um erro operacional”, disse.

Segundo Pos, o Ibama já multou em R$ 200 mil o Consórcio do Funil, formado pelas empresas Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia Vale do Rio Doce para a construção da hidrelétrica. A Feam irá aplicar também uma multa de 77 mil Ufir’s aos responsáveis.

Técnicos da Feam foram enviados ao local para avaliar a extensão da mortandade e irão exigir do consórcio a reposição de alevinos da mesma espécie na área atingida.

Eduardo prescription drugs without a prescription Kattah

Incêndio atinge reserva biológica no RJ

novembro 28, 2002 by  
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Um incêndio está destruindo desde esta quinta-feira parte da Reserva Biológica da Fazenda União, em Casimiro de Abreu, a duas horas do Rio. O fogo começou por volta das 14h30 e até o fim da tarde desta quinta não havia sido controlado.

A reserva, que é uma das áreas de preservação de micos-leões-dourados, tem 3.126 hectares e corta os municípios de Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé. Ainda não é possível saber a extensão do fogo, segundo informações da administração da Fazenda União.

Cerca de 30 homens cialis maximum effect do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e da Brigada de Combate a incêndios da reserva se mobilizaram para controlar as chamas. O fogo teria começado na parte mais próxima à BR-101 (Rio-Campos) e se alastrado para o interior da fazenda, que tem vegetação de Mata Atlântica.

O parque também abriga bichos do tipo preguiça-de-coleira e tamanduá-mirim. Ainda não há informações sobre animais mortos.

Carolina Iskandarian

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Costa da Galícia se prepara para segunda maré negra

novembro 28, 2002 by  
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Madri - Os fortes ventos continuavam empurrando para a costa da Galícia a gigantesca mancha de óleo combustível que vazou do petroleiro “Prestige”. A região espanhola se prepara para receber nos próximos dias a segunda maré negra. Cerca de 8.000 metros de barreiras de proteção já foram instalados e outros 20.000 estão sendo preparados diante do risco da chegada do óleo.

Um relatório secreto do governo espanhol eleva a quantidade de combustível vazado para 20.000 toneladas. Anteriormente, o vice-presidente da Espanha, Mariano Rajoy, havia dito que a quantidade vazada era de 11.000 toneladas.

Segundo informações do governo autônomo galego, a mancha principal ocupa uma superfície de 500 quilômetros quadrados e se encontrava hoje a menos de 61 quilômetros de Finisterra (Cabo da Galícia, o ponto mais ocidental da Espanha), depois de ter avançado ontem 25 quilômetros em direção da costa. O número de pessoas que fazem o trabalho de limpeza das 141 praias afetadas cresceu para 800 e a quantidade de óleo recolhida atingiu 2.100 toneladas.

Também hoje, autoridades francesas e portuguesas advertiram que continua vazando óleo dos tanques do “Prestige”, o que poderia piorar ainda mais catástrofe ecológica. No entanto, o governo espanhol garantiu que a substância é o combustível do próprio cheap diet pills online navio, que afundou há duas semanas.

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Esgoto da Barra fica para depois

novembro 28, 2002 by  
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            O esgoto da Barra e do Recreio ainda está bem distante do emissário. O secretário estadual de Saneamento, Agostinho Guerreiro, afirmou ontem que a primeira fase das obras de saneamento da região, iniciadas no governo passado, contempla apenas o esgoto da Baixada de Jacarepaguá, a estação de tratamento e os emissários submarino e terrestre. As obras de instalação da rede coletora e dos troncos nos dois bairros fazem parte de uma segunda etapa, ainda sem previsão de verba disponível no estado. Problema semelhante acontece com o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), em que estações de tratamento de esgoto foram construídas sem que haja rede coletora e troncos.


            A exclusão da Barra e do Recreio das obras é confirmada num relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE).


            – Com o dinheiro que temos, só é possível tocar, e em ritmo lento, a primeira fase da obra. Estamos quase conseguindo um financiamento de cerca de R$ 80 milhões na Caixa Econômica para adiantá-la. Queremos entrar ainda com outro pedido, de mais cerca de R$ 80 milhões, para fazer a rede de esgoto da Barra e do Recreio, não prevista no projeto – afirma Guerreiro.


            O secretário diz ainda que assumiu o saneamento do estado sem saber que o esgoto da Barra e do Recreio não estavam contemplados com verbas:


            – O governo anterior nunca deu a informação de que a Barra e o Recreio seriam incorporados à obra apenas num segundo momento. Que todos saibam disso agora. Dinheiro não cai do céu, o governo hoje não tem verba para isso, nem através dos recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam). Não sei como fica na próxima gestão.


Bióloga critica falta de transparência


            A bióloga Patrícia Mousinho, da ONG Ecomarapendi, lamenta a sucessiva sonegação de informação observada em obras do poder público.


            – Todas as obras têm que ser conhecidas. Não há transparência. O poder público tem medo da reação da população, prefere vender como solução total um projeto parcial – diz a bióloga, cuja tese de mestrado trata de comunicação relacionada ao meio ambiente.


            O secretário espera que o próximo governo consiga concluir as duas fases da obra até o segundo semestre de 2003, prazo dado pela governadora Benedita da Silva após alguns adiamentos. Mas Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra, não acredita no discurso do governo Benedita da Silva nem tampouco no da gestão de Anthony Garotinho:


            – A Barra não estar contemplada é mais um conto da carochinha para esconder o problema principal, que é a falta de verba numa obra que tinha orçamento aprovado. A rede coletora já foi iniciada no bairro e agora está interrompida, por falta de verba que deveria ter vindo do governo Garotinho. Era o caso de Benedita processar o antecessor.


            Delair diz ainda que as obras da Barra estão licitadas e que parte da rede coletora já estava instalada desde a década de 80. Ele lembra que em regiões como a do Jardim Oceânico a tubulação já está praticamente pronta, faltando apenas a manutenção e a instalação de troncos que se pills online conectem com a estação de tratamento.


            O sanitarista Otto Ruback, que teve acesso ao primeiro projeto, confirma cialis soft tabs cheap a informação de Delair. Ele diz que pelo menos 80 quilômetros de malha fina de esgoto, entre outras tubulações, foram instalados na Barra entre 1985 e 1989, mas até hoje estão secos:


            – Na época, uma ação civil pública impediu que as obras prosseguissem porque não havia previsão de estação de tratamento, apenas de um emissário. Mais tarde, passou a ser impossível ligar as tubulações porque uma lei proibiu definitivamente o despejo de esgoto in natura no mar.


            Ruback, hoje gerente da Secretaria municipal de Meio Ambiente, lembra, no entanto, que parte da região do Recreio já conta com um sistema de esgotamento da prefeitura, com cerca de 100 quilômetros de rede de esgoto, três elevatórias e uma estação secundária, hoje administrada pela Fundação Rio Águas.


            – À exceção dos grandes condomínios, que têm ou deveriam ter suas próprias estações de esgoto, boa parte do bairro está na rede, que é independente do emissário.


            Em meio a tantos problemas, a obra do emissário prossegue na Praia da Barra. Guerreiro afirmou que a implosão do bloco de arenito subterrâneo que impede o avanço da construção da tubulação submarina será feita na semana que vem. A data, no entanto, não será divulgada com antecedência como medida de segurança, para evitar a presença de curiosos.


            Enquanto isso, a poluição das lagoas da região só aumenta. A proximidade do verão, com o aumento da temperatura e da luminosidade, trouxe de volta um antigo problema: a proliferação das cianobactérias Microcystis . A proliferação exagerada desses microorganismos tingiu ontem as águas das lagoas da Tijuca e de Jacarepaguá de verde, exalando forte mau cheiro.


            O esgoto e o lixo despejados nas lagoas são o principal aditivo para o crescimento acelerado das cianobactérias. Por causa do perigo que elas representam para a saúde pública, o biólogo Mário Moscatelli, da ONG Ser Consciente, estará encaminhando até amanhã uma carta à governadora eleita, Rosinha Matheus, pedindo urgência no tratamento das lagoas.


            – O esgoto lançado in natura abastece esses microorganismos. A concentração de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, propicia a proliferação, que a cada ano que passa é maior e mais alarmante. Se nada for feito imediatamente, as lagoas vão morrer – alertou o biólogo.


Algas quase já atingem o mar


            Ontem, as cianobactérias chegaram até o Canal da Joatinga. Só não avançaram em direção à praia porque o mar estava calmo e a maré, baixa. No entanto, observou Moscatelli, as lagoas de Jacarepaguá, Tijuca, Camorim e parte da Lagoa de Marapendi já tinham sido atingidas. Ao todo, segundo ele, são 14 quilômetros quadrados de lagoas poluídos pelo lixo e pelo esgoto e contaminado pela Microcystis , que produz toxinas. A concentração de microorganismos, segundo o pesquisador, está muito acima dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


            – É preciso que a futura governadora explique que medidas vai tomar para salvar as lagoas. Vamos solicitar o cronograma de obras para a implantação de saneamento básico na Baixada de Jacarepaguá. Precisamos saber em quanto tempo e qual o percentual da população que será atendido. Sem esgoto tratado, as lagoas estão em situação cada vez mais críticas, pois a população da região vem crescendo rapidamente. Hoje, estima-se que haja um milhão de pessoas morando na Baixada de Jacarepaguá – disse Moscatelli.


            Para a bióloga Sandra Azevedo, do Instituto de Biofísica da UFRJ, uma das maiores especialistas no assunto, o estado crítico das lagoas da Barra não é novidade. Em agosto de 1996, ela desenvolveu um projeto, que foi apresentado à Secretaria municipal de Meio Ambiente, mostrando a situação das lagoas. Já naquela época, o caso requeria atenção das autoridades, pois a proliferação – que normalmente ocorre no verão – já estava se estendendo por todo o ano.


            – O fenômeno das Microcystis já vem sendo evidenciado há cerca de cinco anos. As lagoas estão em processo de degradação avançado. Para recuperá-las serão necessários muitos anos de trabalho, pois a natureza é lenta. É preciso parar de sujar agora. A biomassa de cianobactérias nas águas é elevadíssima. Se nada for feito imediatamente, as lagoas se transformarão em pântanos – alertou a especialista.


Alba Valéria Mendonça e Túlio Brandão

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