Farinha será enriquecida com ferro e ácido fólico
Brasília – Uma em cada 800 crianças nascidas no Brasil apresenta problemas por má formação do tubo neural, estrutura precursora do cérebro e da medula espinhal que se desenvolve entre o 22º e o 28º dia depois da concepção. Para reduzir essa estatística, as farinhas de trigo e de milho, bem como os produtos derivados do milho, serão enriquecidos com ferro e ácido fólico, uma vitamina do complexo B, importante no desenvolvimento do tubo neural do feto.
Os fabricantes têm até junho de 2004 para se adequar à determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pela resolução, publicada no último dia 19, eles terão que adicionar 150 microgramas de ácido fólico e 4,2 miligramas de ferro a cada 100 gramas de farinha. Estão excluídas, por limitações de processamento tecnológico, a farinha de biju, a farinha de trigo integral, a farinha de trigo durum e também o flocão.
O objetivo é aumentar a quantidade de ácido fólico na dieta da população, beneficiando especialmente as mulheres em idade fértil. É que a vitamina do complexo “B”, também chamada de folato, previne a má formação dessa daily cialis dose estrutura do cérebro que se forma logo no primeiro mês de gestação. Quando o tubo neural não se fecha, o bebê desenvolve deformações como espinha bífida (fendida em duas partes), anencefalia (ausência de cérebro) e meningo-miocele (problemas da coluna). Alguns bebês morrem e os que sobrevivem apresentam problemas como paralisia dos membros inferiores, hidrocefalia e retardo mental.
A recomendação é de que toda pessoa faça ingestão de 0,2 miligramas de folato diariamente. As gestantes devem ingerir o dobro. Mulheres com diabete ou que tenham epilepsia devem ingerir 5 miligramas, todos os dias, durante a gravidez. O mesmo é recomendado para aquelas que já tiveram uma gestação em que o bebê desenvolveu algum defeito no tubo neural e também para as que têm histórico familiar de deformação do tubo.
Por isso, o enriquecimento de produtos tão presentes na mesa do brasileiro com folato e ferro tem caráter preventivo. Para as mulheres em idade fértil, por exemplo, o benefício não é só nutricional. A maioria delas não sabe que está grávida até o 28º dia depois da concepção, período em que o tubo neural do embrião se forma. Por isso, recomenda-se que as mulheres em idade fértil tomem vitaminas contendo ácido fólico, principalmente se não estiverem usando nenhum método anticoncepcional. Pesquisa realizada por cientistas britânicos já provou que a suplementação alimentar com ácido fólido evita até 70% dos casos de defeitos do tubo neural. A vitamina é encontrada em vegetais verde escuros como espinafre, rúcula e brócolis, frutas cítricas, fígado, grãos, carnes em geral, feijão e lentilha. O folato também é importante durante a amamentação.
Já a inclusão do ferro nas farinhas de trigo e milho visa purchase drugs online a prevenir a anemia ferropriva (causada pela deficiência do mineral no organismo). A gestante também é beneficiada neste caso, pois a demanda por ferro na gravidez é maior. Se a grávida apresenta deficiência de ferro, o bebê pode nascer com peso abaixo da média. “Numa gestação, onde a necessidade de nutrientes é muito maior para atender à demanda do feto, a alimentação normal não consegue suprir a quantidade necessária, que é dobrada no período. Daí, a necessidade de complementar”, explica a biomédica da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Gizele Thame.
A anemia ferropriva atinge cerca de 45% das crianças de até cinco anos de idade, segundo estimativa do Ministério da Saúde. São 10 milhões de meninos e meninas com algum grau de anemia, problema que causa apatia e interfere no desenvolvimento e no desempenho intelectual. Além disso, a anemia deixa o organismo vulnerável a infecções. A alimentação do brasileiro é normalmente pobre em ferro e, quase sempre, o mineral está presente na dieta de uma maneira que é de difícil absorção pelo organismo. Por isso, a anemia por carência de ferro independe de classe social. O custo da inclusão de ferro e folato nas farinhas é de R$ 0,05 para cada 100 quilos. Os fabricantes que não atenderem aos requisitos da resolução serão notificados e poderão pagar multas de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.
Lana Cristina
Um estrutura para o Meio Ambiente
*Roberto Messias Franco
Desde que, em 1973, o Governo brasileiro criou pela primeira vez um órgão público responsável por cuidar do meio ambiente no Brasil, diversos foram os modelos institucionais adotados e que foram sendo paulatinamente aperfeiçoados, para dar conta desta enorme tarefa. Isto num País de dimensões continentais, com uma dinâmica de devastação avassaladora, e com uma população que, apesar dos avanços na consciência ambiental de alguns segmentos da sociedade, ainda está longe de ter uma cultura de conservação e de preocupação com um desenvolvimento ecologicamente prudente.
A importância de tal conceito – que podemos chamar de ecodesenvolvimento ou de desenvolvimento sustentável – é ainda maior quando se verifica a fantástica riqueza em recursos naturais que temos, e a urgência em se criar e distribuir riqueza para uma sociedade que ainda é pobre, injusta e excludente, e que tem que buscar novos caminhos, que se construa novas oportunidades de emprego e renda, sem destruir o patrimônio que temos que legar a nossas futuras gerações.
Tem razão a futura Ministra do Meio Ambiente Marina Silva quando aponta como sua preocupação prioritária trabalhar de maneira trans-setorial, fazendo os outros ministérios e áreas do Governo federal se preocuparem e participarem também da proteção ambiental e da criação das práticas ambientalmente corretas, mas a questão é: como fazê-lo? Como organizar sua própria estrutura para torná-la adequada para esta missão, sabendo que há uma sociedade complexa social e polìticamente, com Estados e Municípios com atribuições constitucionais que não têm cumprido em relação ao ambiente, e com recursos humanos, financeiros e materiais escassos?
Numa breve revisão da história das estruturas ambientais do Governo Federal, vemos que nos primeiros anos (de 1973 a 1985), a então Secretaria Especial do Meio Ambiente, vinculada ao Ministério do Interior, tinha uma estrutura mínima e optou por uma “estratégia de guerrilha”, estabelecendo uma rede de alianças com os nascentes órgãos estaduais de controle ambiental, onde se destacavam a Cetesb, em São Paulo, a Feema, no Rio de Janeiro, e nascia em Minas Gerais a estrutura participativa do Conselho de Política Ambiental (Copam), que se tornaria modelo para a criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), na Lei 3.938, a Lei Nacional do Meio Ambiente, de 1981.
Entre 1985 e 1988, fortalece-se a presença dos Estados no sistema nacional, aparecendo como protagonistas importantes Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Brasília, entre outros; é criada a Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) e posteriormente a Associação Nacional dos Municípios para o Meio Ambiente (Anama), já em 1988. E, no final de 88, o efêmero Ministério do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente desaparece, é criado o Ibama e a política ambiental volta ao Ministério do Interior até que, no Governo Collor, é instituída a Secretaria do Meio Ambiente ligada diretamente à Presidência da República e que dura até 1992 .
Quando, então, é criado o Ministério do Meio Ambiente – que já teve em seu nome e hoje tem entre suas responsabilidades “recursos hídricos e Amazônia Legal” – consolida-se um “lugar institucional” no primeiro escalão de Governo, fortalecido na opinião e na esperança de muitos ambientalistas quando Lula anuncia does female cialis work a cabeça indicada para dirigir o Sistema entre os primeiros do seu Gabinete, junto com o futuro Ministro da Fazenda. Símbolo ou coincidência, de toda maneira não poderia ter sido melhor .
Certamente há ajustes a serem feitos e cuidados a serem tomados para que o setor funcione melhor, para que seja um real instrumento de uma política eficiente, responsável ambiental, social e economicamente. Por exemplo, será vital que o fortalecimento da área de recursos hídricos se dê sem que se instale a tentação do centralismo autoritário de épocas passadas, mas siga no caminho da implantação dos comitês de bacia sugerido na lei. A recém-criada Agência Nacional das Águas – lembremo-nos que 2003 é o seu ano internacional – terá muito que fazer, coordenada com a Secretaria Nacional correspondente, existente no âmbito do próprio Ministério .
Será também crucial que se integrem melhor a formulação das políticas – de proteção à biodiversidade, florestal, de controle de poluição industrial, das atividades minerarias e de geração de energia, por exemplo – e sua execução. Secretarias setoriais e o Ibama deverão trabalhar cada vez mais em harmonia, sem se esquecerem dos demais atores – estaduais, municipais e a própria sociedade, a quem afinal devem satisfação e para quem devem trabalhar enquanto servidores públicos.
Também deverão ser reforçados o funcionamento e a transparência generic drugs without prescription dos Conselhos vinculados ao Ministérios – o Conama e o Conselho Nacional dos Recursos Hídricos – para que sejam cada vez mais os instrumentos democráticos da política ambiental que toda a sociedade almeja.
Finalmente, que a Secretaria, hoje existente mas ainda pouco protagônica, de Desenvolvimento Sustentável, seja o canal por onde passem as construções de sinergias com outros setores do governo e da sociedade – por exemplo, o quanto há por se fazer em parceria com o recém criado Ministério das Cidades, com as associações de classe de produtores e profissionais e tantas mais.
Enfim, muito há por fazer e todos os brasileiros esperam que seja feito, para que a política ambiental seja um instrumento de crescimento da “felicidade nacional bruta” – e não só do produto interno, no Brasil que queremos.
*Roberto Messias Franco (roberto.messias@principecharles.com.br) é secretário-geral do WWF-Brasil
MMA cria 15 áreas sob proteção especial na Mata Atlântica
O Ministério do Meio Ambiente publicou, nesta semana, cialis herbal alternative três portarias criando 15 Áreas Sob Proteção Especial (Aspe) nos estados de Santa Catarina, Paraná, Bahia e Minas Gerais. Segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, José Pedro de Oliveira Costa, a medida tem o objetivo de proteger importantes remanescentes de Mata Atlântica enquanto estão em andamento os estudos para a criação de unidades de conservação. “São regiões sob forte pressão, mas onde não tivemos tempo de concluir os processos legais para criar uma unidade de conservação. Com a medida, as áreas ganham um status especial e a fiscalização é intensifica. Se entrarem nas prioridades do novo governo, as novas áreas protegidas estarão aptas a serem decretadas em poucos meses”, diz Oliveira Costa. As prescription drugs without prescription áreas incluídas nas portarias abrigam os principais remanescentes de floresta ombrófila mista (matas de araucárias) no Paraná e Santa Catarina, onde a exploração madeireira foi comprovada por ambientalistas, no início do mês, através de sobrevôos e visitas de campo. “A araucária é a formação de Mata Atlântica em estado mais crítico em termos de proteção da biodiversidade, pois está reduzida a cerca de 2% de sua área original”, explica o secretário. Denúncias de desmatamento e transporte ilegal de madeira no sul da Bahia, região do Corredor Central da Mata Atlântica, também levaram ambientalistas a entrar na Justiça contra o Ibama no Estado e a conseguir a suspensão da emissão de autorizações para transporte de produtos florestais (ATPFs). As futuras unidades de conservação, atualmente sob proteção especial, totalizam 528.930 hectares. Na Bahia, estão as seguintes áreas: Serra das Lontras (nos municípios de Arataca e Uma); Santo Antônio e Belmonte (Santa Cruz Cabrália e Belmonte); Taquara (Belmonte), Ponta Grande (Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália); Taipe e Rio do Frade (em Porto Seguro); e Serras de Itamaraju e Guaratinga (Itamaraju, Guaratinga, Itabela e Jucuruçu). Em Minas Gerais, foi declarada Aspe o Alto Cariri, nos municípios de Salto da Divisa e Santa Maria do Salto. Para preservar as araucárias, foram destinadas quatro áreas no Paraná e três em Santa Catarina: Água Doce e Abelardo Luz (em Abelardo Luz) e Ponte Serrada (em Ponte Serrada e Passos Maia), em Santa Catarina; e, no Paraná, Tumeiras do Oeste (Tumeiras do Oeste e Cianorte), Candói (Candói), Palmas (Palmas) e Guarapuava (Guarapuava, Inácio Martins e Cruz Machado), a maior delas, com 120 mil ha. Maura Campanili
Paraná lança atlas da cobertura vegetal
SEMA/Divulgação O Paraná conta com 4,5 milhões de hectares cialis soft tablets de vegetação natural, considerando todos os estágios de sucessão. A informação faz parte do Atlas da Vegetação e do Sistema de Informações Ambientais do Estado, lançados ontem, pelo governador Jaime Lerner e o secretário estadual do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto. Segundo Andreguetto, este é o primeiro mapeamento oficial da cobertura florestal do Paraná. “O maior destaque é que 41% da vegetação mapeada é composta por áreas em estado inicial de recuperação, com idade média de nove anos”, explica. Estão incluídos neste processo trechos de matas ciliares e áreas de preservação permanente, abrangendo as mais variadas regiões do Estado. Ao todo, são 1,8 milhão de hectares (ha) de vegetação que estão voltando a integrar a paisagem natural, incluída no bioma Mata Atlântica. order drugs online O mapeamento mostrou ainda que as florestas em estágio médio de sucessão, com cerca de 20 anos, correspondem a 2 milhões de ha e, as mais antigas, acima de 25 anos, totalizam 600 mil ha. A porção do território com o maior índice de cobertura vegetal é formado pela Região Metropolitana de Curitiba e o Litoral, com 1,3 milhão de ha de floresta com araucária e floresta atlântica costeira. O centro-sul possui cobertura de 683 mil ha, fortemente alterada, principalmente pelo ciclo de exploração do pinheiro. Conforme o secretário, a menor cobertura florestal fica nas regiões oeste, noroeste e norte do Estado, onde ocorre a floresta estacional semidecidual. Somadas, as três regiões contam com 1,2 milhão de hectares. No oeste, onde está o Parque Nacional do Iguaçu, a cobertura florestal é de 517 mil ha; no norte, é de 517 mil ha e, no noroeste, 227 mil ha. Executado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o mapeamento da cobertura vegetal do Paraná levou três anos para ser concluído e reúne dados coletados por três projetos: o mapeamento da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica Costeira), o projeto Conservação do Bioma Floresta com Araucária e o Mapeamento e Quantificação dos Remanescentes de Floresta Estacional Semidecidual. “O atlas servirá tanto para o planejamento ambiental como para o monitoramento destes remanescentes”, avalia Andreguetto. Os dados do trabalho estão disponibilizados na internet (www.pr.gov.br/sema). Maura Campanili
Usina do Rio vai gerar energia a partir do lodo do esgoto
A Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo e a Companhia de Água e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) assinaram na semana passada acordo de cooperação técnica para a instalação de uma usina piloto de geração de energia a partir do lodo de esgoto. O projeto custará US$ 2 milhões e contará com recursos da UTE Norte Fluminense. A unidade piloto será instalada na Estação de Tratamento da Penha, no Rio, e deverá entrar em funcionamento dentro de nove meses. Ela prescription drugs online without a prescription vai cialis da 5 mg operar de forma experimental por 24 meses e deverá gerar 1 megawatt de energia. Com este projeto, a UTE vai se beneficiar de um programa que concede um diferimento do Imposto sonbre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para usinas termelétricas que se instalem no Estado e invistam em projetos que utilizem fontes alternativas de energia. A Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio informou que a tecnologia utilizada na usina permitirá a instalação de novos geradores para ampliar a sua capacidade, depois dos 24 meses de operação experimental. Renata Stuani

