Ibama regulamenta criação de pássaros
Campinas - As normas e instruções para cadastramento de novos criadores amadores de pássaros acabam de ser regulamentadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O registro, antes feito através de associações e federações, agora é exclusividade do órgão federal, de quem os cadastrados receberão suas listas de aves autorizadas e respectivas anilhas, diretamente. São considerados criadores amadores todos os que mantém aves em cativeiro sem o objetivo de comercializar, apenas para preservação e conservação do patrimônio genético. As transações entre criadores, sejam trocas ou doações de aves, também precisam ser autorizadas. Quem não estiver em dia com a lei corre o risco de ter suas aves apreendidas, além da aplicação de multas variando entre R$500 e 5 mil, por animal irregular. Todo o chamado Sistema de Passeriformes (Sispass) está disponível via Internet, no site http://www.ibama.gov.br/sispass. Os criadores sem acesso à rede de computadores ainda podem fazer seus cadastros nas unidades estaduais do Ibama. Liana John
Água do Paraíba começa a ser cobrada em março
A cobrança pelo uso da água do Rio Paraíba do Sul começará em março. Dos três Estados que captam água do rio, São Paulo foi o que mais cadastrou empresas, segundo balanço fechado no dia 20 pela Agência Nacional de Águas (ANA). Foram 3.013 empresas paulistas que se comprometeram a pagar pela água retirada do rio, 596 de Minas e 403 do Rio. O número em São Paulo corresponde a 75% do total de empresas cadastradas. No Vale do Paraíba - onde existem cerca de 2.500 estabelecimentos usuários da água do Paraíba do Sul - apenas 113 preencheram o cadastro. Apesar do baixo porcentual (4,5%), o índice não preocupa o Comitê para Integração das Bacias Hidrográficas (Ceivap). “Quem não se cadastrou foram as pequenas empresas. As grandes, que representam mais de 80% da utilização da água, fizeram o cadastramento”, informou o secretário do Ceivap, Edílson Andrade. O problema encontrado no Vale do Paraíba é semelhante ao do Rio. Apenas 10% das empresas fluminenses que utilizam a água se inscreveram para a cobrança. “Porém, a grande usuária de água, a Companhia Siderúrgica Nacional, que consome 8 mil litros por segundo, fez o cadastramento.” Os usuários que fizeram o cadastro terão desconto de 18% sobre a alíquota cobrada. Os que se inscreverem a partir deste mês não terão a mesma redução. “A intenção não é punir e sim educar”, disse Andrade, informando que não haverá multa para os novos cadastrados. Na tarde desta quarta-feira, o Ceivap reuniu-se com a ONG Vale Verde, em São José dos Campos, para discutir maneiras de atrair novas empresas para a cobrança. “A ANA vai acionar as empresas que não se cadastraram e a ONG vai ajudar até no preenchimento da ficha.” Indústrias e empresas de saneamento pagarão R$ 0,02 para cada mil litros de água captada e devolvida suja ao rio. O valor cai para R$ 0,008 se a mesma quantidade for tratada antes de ser despejada. Para os agricultores, a taxa é de R$ 0,0005 por mil litros consumidos. Com a arrecadação, a ANA espera em um ano atingir a cifra de R$ 11 milhões, que vai ajudar na despoluição do rio. Simone Menocchi
Governo vai criar gabinete de segurança ambiental
Brasília - O governo vai criar um gabinete de segurança ambiental, formado por representantes do Ministério do Meio Ambiente, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O principal objetivo é combater os crimes ambientais, inclusive casos de corrupção dentro de instituições públicas ligadas ao setor. Hoje os integrantes da futura força-tarefa tiveram a primeira reunião oficial. A idéia de criação do gabinete partiu da própria ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, há duas semanas. Marina discutiu o tema com o titular da Senasp, Luiz Eduardo Soares, que incluiu a PF e PRF. O grupo deverá ser diretamente ligado à ministra, que ainda esta semana deverá se reunir com os dirigentes de todas as instituições que irão compor o novo gabinete. Esta é a primeira medida a ser anunciada pelo governo para combater o crime ambiental. Até agora apenas a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atuavam nesta área. A novidade é a inclusão da própria estrutura da Senasp e da Polícia Rodoviária Federal, que deverá trabalhar em ações nas rodovias, enquanto as operações de campo continuarão por conta da PF e do Ibama. Hoje existe apenas a coordenação de combate a crimes ambientais dentro da PF, que é ligada à Coordenação-Geral de Polícia Fazendária. Ela foi responsável por quase todas as grandes operações desenvolvidas no Pará, principalmente na proibição da extração ilegal de mogno. O setor, formado por delegados e agentes especializados na questão ambiental, atua inclusive em cooperação com a área de inteligência da PF. No ano passado, por exemplo, o grupo de combate ao crime ambiental conseguiu identificar a cadeia de contrabandistas de mogno, chegando a nomes de cinco chefes das quadrilhas que, apesar de serem distintas, atuam utilizando os mesmos métodos de trabalho. O diagnóstico mostra que uma árvore de mogno pode valer um quilo de sal dentro da floresta, mas cada metro cúbico da madeira chega na Europa a US$ 850. Para a PF, o mecanismo de atuação dos grupos é semelhante ao do narcotráfico. Edson Luiz
Feijão transgênico depende de legislação definitiva
Os defensores do desenvolvimento da biotecnologia brasileira poderão amargar novo revés caso o país continue sem uma legislação definitiva de biossegurança. A próxima vítima pode ser a pesquisa para produzir um tipo de feijão resistente à seca, que vem sendo feita pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pelas universidades federais de Viçosa (MG) e do Ceará. Os estudos para o desenvolvimento do feijão transgênico estão avançados, mas podem ser paralisados quando entrarem na fase de testes de campo, que estão praticamente proibidos em todo o país. O feijão está na base da alimentação dos brasileiros e é um dos principais produtos do semi-árido nordestino. Melhorado geneticamente, defende a Embrapa, poderá resistir aos períodos de estiagem da região, atendendo principalmente à agricultura familiar de subsistência. Nos primeiros testes, os cientistas conseguiram desenvolver plantas de tabaco transgênicas que resistiram até seis semanas sem irrigação. O feijão convencional, por sua vez não agüenta mais de uma semana sem água. Eduardo Romano, cientista da Embrapa que participa da pesquisa, explicou que essa tecnologia também pode ser utilizada em culturas como soja e cana de açúcar, de grande importância econômica para o agronegócio brasileiro. “Isso vai permitir também que se use a irrigação de forma mais racional. Com irrigações mais espaçadas, estaremos economizando água, preservando os recursos hídricos”, explicou. Mas esse trabalho pode ficar comprometido caso não sejam removidos os empecilhos à pesquisa com organismos geneticamente modificados. Na Embrapa, vários projetos estão parados por falta de licença. A pesquisa para desenvolver um tipo de feijão resistente ao “mosaico dourado”, principal vírus que afeta a cultura, está parada há três anos. Também não avança a pesquisa de uma batata resistente a doenças. Os cientistas não podem multiplicar esses organismos em laboratório e há o risco de que o material biológico seja perdido. Foi o caso do desenvolvimento de bananas resistentes a fungos. Como os pesquisadores da Embrapa não conseguiram autorização para fazer a multiplicação das bananas no campo, todo o material biológico foi perdido. Em contrapartida, a Índia investiu em projeto semelhante, desenvolveu bananas resistentes e as patenteou. “O governo precisa tomar uma decisão. Essa tecnologia está sendo utilizada por todos os grandes produtores agrícolas do mundo. Nós temos que decidir se vamos comprar essa tecnologia de meia dúzia de multinacionais ou se vamos investir na pesquisa brasileira”, afirmou Romano. A polêmica envolvendo a liberação dos transgênicos acabou criando uma situação paradoxal. Mesmo recebendo financiamento de R$ 2 milhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), o programa de biossegurança da Embrapa está parado porque os cientistas estão proibidos de testar no campo os produtos desenvolvidos pela empresa. O programa envolve mais de cem pesquisadores que deveriam fazer a análise da segurança alimentar e ambiental dos produtos desenvolvidos em laboratório. A necessidade de investir nesse tipo de estudo antes de liberar os transgênicos é justamente uma das principais reivindicações dos ambientalistas. (Vinicius Doria)
Feijão transgênico depende de legislação definitiva
Os defensores do desenvolvimento da biotecnologia brasileira poderão amargar novo revés caso o país continue sem uma legislação definitiva de biossegurança. A próxima vítima pode ser a pesquisa para produzir um tipo de feijão resistente à seca, que vem sendo feita pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pelas universidades federais de Viçosa (MG) e do Ceará. Os estudos para o desenvolvimento do feijão transgênico estão avançados, mas podem ser paralisados quando entrarem na fase de testes de campo, que estão praticamente proibidos em todo o país. O feijão está na base da alimentação dos brasileiros e é um dos principais produtos do semi-árido nordestino. Melhorado geneticamente, defende a Embrapa, poderá resistir aos períodos de estiagem da região, atendendo principalmente à agricultura familiar de subsistência. Nos primeiros testes, os cientistas conseguiram desenvolver plantas de tabaco transgênicas que resistiram até seis semanas sem irrigação. O feijão convencional, por sua vez não agüenta mais de uma semana sem água. Eduardo Romano, cientista da Embrapa que participa da pesquisa, explicou que essa tecnologia também pode ser utilizada em culturas como soja e cana de açúcar, de grande importância econômica para o agronegócio brasileiro. “Isso vai permitir também que se use a irrigação de forma mais racional. Com irrigações mais espaçadas, estaremos economizando água, preservando os recursos hídricos”, explicou. Mas esse trabalho pode ficar comprometido caso não sejam removidos os empecilhos à pesquisa com organismos geneticamente modificados. Na Embrapa, vários projetos estão parados por falta de licença. A pesquisa para desenvolver um tipo de feijão resistente ao “mosaico dourado”, principal vírus que afeta a cultura, está parada há três anos. Também não avança a pesquisa de uma batata resistente a doenças. Os cientistas não podem multiplicar esses organismos em laboratório e há o risco de que o material biológico seja perdido. Foi o caso do desenvolvimento de bananas resistentes a fungos. Como os pesquisadores da Embrapa não conseguiram autorização para fazer a multiplicação das bananas no campo, todo o material biológico foi perdido. Em contrapartida, a Índia investiu em projeto semelhante, desenvolveu bananas resistentes e as patenteou. “O governo precisa tomar uma decisão. Essa tecnologia está sendo utilizada por todos os grandes produtores agrícolas do mundo. Nós temos que decidir se vamos comprar essa tecnologia de meia dúzia de multinacionais ou se vamos investir na pesquisa brasileira”, afirmou Romano. A polêmica envolvendo a liberação dos transgênicos acabou criando uma situação paradoxal. Mesmo recebendo financiamento de R$ 2 milhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), o programa de biossegurança da Embrapa está parado porque os cientistas estão proibidos de testar no campo os produtos desenvolvidos pela empresa. O programa envolve mais de cem pesquisadores que deveriam fazer a análise da segurança alimentar e ambiental dos produtos desenvolvidos em laboratório. A necessidade de investir nesse tipo de estudo antes de liberar os transgênicos é justamente uma das principais reivindicações dos ambientalistas. (Vinicius Doria)
Seringueiros diversificam extrativismo com produtos certificados
Os seringueiros do Acre estão aprendendo a valorizar a diversificação de produção, após duas décadas de crise. Nos anos 80 e 90, a queda do preço internacional da borracha os deixou à mercê de madeireiros e negociantes inescrupulosos de produtos florestais, extraídos da mata de forma predatória. Agora, várias comunidades vêm trabalhando com organizações não-governamentais para racionalizar a extração de madeira, óleos, essências, sementes e frutos e agregar valor a tais produtos. E uma das vias para tal mudança é a certificação, não só da matéria-prima, mas de toda a cadeia de custódia. Selo verde Foi o que fez a Associação dos Seringueiros de Porto Dias, do município de Acrelândia, na fronteira do Acre com a Bolívia, que, nesta quinta-feira, recebeu do Conselho de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council ou FSC) sua certificação. O selo verde atesta o manejo sustentável de 27 espécies de madeira de terra firme, com as quais os seringueiros estão trabalhando, e a cadeia de custódia dos produtos de uma serraria e uma marcenaria comunitárias. A certificação abrange uma área de 4.209 hectares de um assentamento extrativista, beneficiando 13 famílias, que haviam recebido a titularidade das terras em 1991. Produção certificada A produção de madeira certificada deverá ser de 700m3/ano, parte dos quais será vendida em tora e parte serrada na comunidade ou transformada em objetos de decoração e utilitários, da nova marcenaria. “Além disso, a comunidade está buscando a certificação para o óleo de copaíba e castanha”, diz Marcelo Arguelles de Souza, do Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA), que apoiou os seringueiros durante os dois anos necessários para a obtenção da certificação. Porto Dias é a segunda comunidade de seringueiros do Brasil a obter selo FSC. A primeira foi a do Projeto Agroextrativista Chico Mendes, de Xapuri, certificada no ano passado. E já existe uma outra comunidade interessada, iniciando o processo, em São Luiz do Remanso, no município de Vila Capixaba, também no Acre. Mercado “Fizemos um levantamento junto aos compradores do mercado de São Paulo, que consome 6 milhões de m3 de madeira em tora por ano”, diz Leonardo Sobral, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). “Detectamos uma demanda de 20% deste mercado – ou 1,2 milhões de m3 – de madeira certificada, mas não há oferta: atualmente a Amazônia produz 28 milhões de m3 de madeira em tora e apenas algo entre 280 e 360 mil m3 possui certificação”. Livro e vídeo O estudo do Imazon, feito em conjunto com a Amigos da Terra e a certificadora Imaflora, tendo resultado na edição do livro “Acertando o Alvo 2”, lançado também nesta quinta, no Acre, na cerimônia de certificação dos seringueiros de Porto Dias, com o objetivo de estimular novos produtores a buscar a certificação. Na oportunidade, ainda foi realizado um seminário e lançado o vídeo “Ouro Verde”, produzido pelo Imazon, em conjunto com o WWF-Brasil, com apoio da Usaid, e dirigido a empresários interessados no manejo sustentável de madeira na Amazônia. “O WWF-Brasil acredita que o futuro da Amazônia passa pela proteção do seu patrimônio natural e por uma economia de base florestal moderna e sustentável, capaz de gerar renda e melhoria de qualidade de vida para a população local, sem deixar de ser uma floresta nem abrir mão de sua cultura própria”, afirma Luiz Menezes, coordenador do do Programa Amazônia do WWF-Brasil, sediado em Rio Branco. Liana John
São Bernardo quer erradicar pocilgas urbanas
Oito pocilgas irregulares, instaladas em área urbana próxima à Represa Billings, em São Bernardo do Campo, fizeram um acordo com órgãos ambientais e sanitários para remover ou vender seus animais e encerrar as atividades naquele local, num p razo de 18 meses. O prazo acaba de se esgotar e apenas uma pocilga transferiu os suínos para Bragança Paulista. As demais serão objeto de um inquérito policial, a ser instaurado no início da próxima semana, a pedido da Prefeitura de São Bernardo. O inquérito também deverá incluir outras 3 pocilgas, que se instalaram na região, após o acordo, celebrado em 20 junho de 2001, na presença de representantes do Ministério Público. “Queremos eliminar a criação de porcos na zona urbana, devido aos impactos ambientais e sanitários”, explica Sônia Lima, diretora do Departamento de Meio Ambiente da prefeitura. As pocilgas estão infringindo a Lei de Proteção aos Mananciais e a Lei Estad ual de Controle de Poluição. “Além disso, são indutoras de um círculo vicioso: causam a poluição do solo e da água, exalam mau cheiro, contribuem para a proliferação de insetos vetores de doenças, favorecem o abate e comercialização clandestina dos anima is, sem inspeção sanitária, sujeitando os consumidores a doenças como cistocercose e outras”. Segundo ela, os moradores vizinhos à pocilgas apresentam alto índice de dermatites e incidência de bicho de pé. Questão de segurança pública “Após o inquérito policial temos a expectativa de que os responsáveis sejam indiciados criminalmente, já que esta se tornou uma questão de segurança pública”, acrescenta Sônia. Fiscais da prefeitura visitaram sete das 10 pocilgas em funcionamento, no últ imo dia 15, juntamente com representantes da Vigilância Sanitária, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Guarda Civil Municipal e agentes da polícia ambiental. Todas foram autuadas, sendo que duas estão prestes a se adequar e as outras cinco vem recebend o multa diária de R$500, desde então. As 3 pocilgas restantes serão vistoriadas nos próximos dias. Os estabelecimentos, que continuarem irregulares, serão fechadas e os animais confiscados vão passar por uma vistoria do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Os doentes serão encaminhados para incineração e os saudáveis para instituições beneficentes. Estes criadores de porcos alimentam seus animais com resíduos de restaurantes industriais in natura, o que é proibido pela Vigilância Sanitária. Os dejetos dos suínos são despejados sem tratamento junto a cursos d´água, tendo motivado a prefeitura a iniciar um levantamento dos índices de coliformes fecais nas áreas do entorno do reservatório, além de outros indicadores de qualidade da água. A Billings, vale lembrar, é responsável pelo abastecimento de 6,5% da Região Metropolitana de São Paulo e em suas margens vivem cerca de 1 milhão de pessoas. “É preciso desarmar a degradação ambiental aos poucos, porque é uma teia muito intrincada”, observa Sônia Lima. “O impacto do fechamento das pocilgas pode parecer pequeno, em meio a tantas irregularidades, que há nas áreas de mananciais, mas opera uma lenta mudança. Além disso, favorece a integração dos órgãos municipais e estaduais e polícias, porque depende da atuação conjunta para ter legitimidade, impor respeito e garantir a co-responsabilidade”. Exceção à regra O único criador, que cumpriu o acordo e removeu seus animais de São Bernardo do Campo, José Carlos Cucchiara, instalou-se em Bragança Paulista e já aumentou o plantel, de 1.200 para 1.500 suínos. Ele continua a receber os resíduos de restaurantes industriais, mas aprendeu a processá-los adequadamente. “Fazemos uma triagem, retirando restos de copos plásticos ou papéis e alimentos inadequados; depois fazemos uma cocção, conforme exigido pela Vigilância Sanitária; então colocamos o alimento em tambores e enviamos para o interior”, conta Cucchiara. As novas instalações são visitadas anualmente por representantes das empresas, que fornecem os resíduos. Como têm certificação ambiental ISO 14000, tais indústrias precisam dar conta do destino final de seus dejetos, mesmo depois de repassá-los a terceir os. O criador ainda instalou uma caixa de decantação para os resíduos orgânicos dos suínos, onde faz a fermentação e produz adubo para pastagens e plantações de milho e café. Liana John
Presidente do Ibama empossa diretoria e define prioridades
O governo federal vai investir no uso de satélites para monitorar as florestas e na educação ambiental das crianças para combater a fome e os danos ao ecossistema. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Barros, disse nesta quarta-feira que esses são dois dos principais projetos do órgão. Segundo Barros, a educação ambiental terá ligações com o programa Fome Zero, que deverá ser lançado no dia 30 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O dano ambiental pode levar à fome e nós queremos quebrar esse círculo vicioso”, disse o presidente do Ibama. Barros afirmou que, além de detectar danos ao meio ambiente, será necessário recuperar eventuais prejuízos já sofridos. Natural de Eirunepé, no Amazonas, Barros disse que o seu primeiro desafio no Ibama foi construir uma diretoria formada por representantes de todas as regiões do País e com grande participação de mulheres. Nesta quarta, ele empossou os novos diretores do órgão em uma cerimônia que contou com a participação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A ministra defendeu a integração entre os órgãos ambientais para que os objetivos sejam alcançados. O novo diretor de florestas, Antonio Carlos Hummel, disse que, junto com o Ministério do Meio Ambiente, fará uma avaliação sobre a situação das florestas brasileiras. “Vamos enfocar a necessidade do uso sustentável das florestas”, afirmou Hummel. Além dele, tomaram posse nesta quarta-feira como diretores do Ibama Carlos Morales (Gestão Estratégica), Cecília Foloni Ferraz (Ecossistemas), Rômulo José Fernandes Barreto Mello (Fauna e Recursos Pesqueiros), Nilvo Luiz Alves da Silva (Licenciamento e Qualidade Ambiental), Edmundo Antonio Taveira Pereira (Administração e Finanças), Flávio Montiel da Rocha (Proteção Ambiental) e Sebastião Azevedo (Procuradoria Geral), entre outros assessores do presidente do Ibama. Mariângela Gallucci
Ribeirão Preto aterra e impermeabiliza lixão de Serrana
Após um acordo de recuperação, firmado com a Promotoria de Meio Ambiente, a Prefeitura de Ribeirão Preto está fazendo o aterramento e a impermeabilização do antigo lixão de Serrana, usado entre 1979 e 1989. A medida evitará que as águas da chuva aumentem o chorume (material orgânico do lixo) e contaminem o Aqüífero Guarani - seu ponto de afloramento e recarga está a cerca de 40 metros do local do aterro. O trabalho deve terminar até abril. O diretor da Secretaria de Planejamento e Gestão Ambiental do município, Marco Aurélio da Silva Carvalho, disse que a impermeabilização está sendo feita com o solo argiloso da própria área, que era terreno de extração de saibro antes virar lixão. Os buracos deixados na época estão sendo aterrados. O trabalho começou em dezembro. “Depois disso, o risco de contaminação estará cessado”, diz Carvalho. A área do lixão, de 95 mil metros quadrados, deverá ainda ser reflorestada. No local, é proibido construir. “A área é da prefeitura e de exclusão.” Carvalho garante que não há perigo de a população consumir água poluída. “O fluxo da água contaminada não avançou para a cidade. Está sob o próprio lixão e desaparecendo.” A água da chuva será drenada para uma área próxima, que não afetará o aqüífero. A contaminação do aqüífero foi detectada pela primeira vez em 1995, quando a prefeitura encomendou um estudo geofísico. A partir do resultado, o geógrafo Elias Antônio Vieira se interessou pelo assunto e fez a tese de mestrado A Questão Ambiental do Resíduo/Lixo em Ribeirão Preto, defendida em 2002 na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro. Em seu trabalho de campo, ele detectou os problemas no lixão de Serrana e até de outros antigos, como os dos Jardins Juliana e Palmeiras 1 e 2, que, após encerrados, serviram de terreno para a construção de casas. Esses imóveis, no entanto, tiveram várias rachaduras, por onde saíam gases do lixão. Várias pessoas entraram na Justiça. “No mínimo em 30 anos não se deve construir nada sobre os lixões”, diz Vieira. O geógrafo também analisou o atual aterro sanitário, à beira da rodovia que liga Ribeirão Preto a Dumont, que só deveria receber lixo doméstico. Ali, no entanto, constatou algumas irregularidades, como o depósito de carcaças de animais, cinzas de materiais hospitalares e pneus. Catadores de lixo moravam no local. Alguns problemas foram resolvidos e os catadores não estão mais lá: foram empregados pela prefeituras numa usina de reciclagem. Mas Vieira afirma que são necessárias outras melhorias, como sistema de drenagem da água pluvial, tratamento paisagístico e arborização, entre outros. “Falta também educação ambiental, conscientização dos moradores para a reciclagem do lixo.” Carvalho diz que, atualmente, só lixo doméstico é depositado no local e que a base do aterro é impermeabilizada, com drenos de chorume e de gases. “É um deposição controlada”, diz o diretor de Gestão Ambiental da prefeitura. Ele informou que o lixo hospitalar é incinerado em Paulínia. Para resolver outro problema, como um aterro para deposição de lixos industriais, Carvalho disse que Ribeirão Preto deverá liderar um consórcio regional com São Carlos e Araraquara. Um estudo geológico está em andamento. “Uma cidade sozinha não conseguiria fazer um aterro desses.” Brás Henrique
Produção agropecuária sustentável
Um dos maiores desafios do ser humano é a produção de alimentos, principalmente em uma época como a atual, em um planeta “lotado” com mais de seis bilhões de habitantes e com uma população que, de um modo geral, ainda cresce bastante, todos os anos.
Este desafio fica cada vez mais difícil, pois temos que aumentar a produção, a produtividade e, ao mesmo tempo, não agredir a natureza e não esgotar os recursos naturais, tanto da terra, quanto da água e do ar.
As atividades agropecuárias sempre atingiram grandes áreas e afetaram muitos ecossistemas, em todas as partes do planeta. Devido à necessidade de produção, o ser humano acaba destruindo florestas, animais, recursos hídricos, polui e esgota o solo, além de causar alterações muito sérias na atmosfera, no clima global, etc.
Desta forma, com a crescente conscientização de governos, organizações não-governamentais e, em última estância, de produtores rurais, os esforços pora mudar o modelo produtivo estão começando a surtir os primeiros efeitos relevantes. Todo este esforço levou à criação de um conceito, relativamente novo, que é a produção sustentável, que representa a implementação de métodos produtivos que não agridam ou que possam coexistir com os ecossistemas que estão preservados.
Para se ter uma idéia do que isso significa, podemos exemplificar com um fato corriqueiro que acontece nas lavouras de cana-de-açúcar: as queimadas de palha. Existem esforços crescentes para “convencer” os produtores de cana a pararem com estas queimadas e oferecer alternativas viáveis. Com isso, não haverá a emissão de gases de efeito estufa e a atmosfera terrestre será mais preservada.
Outro exemplo de produção sustentável é comum nos apiários, nos quais os apicultores “forçam” uma integração das abelhas com as matas e florestas próximas. Nestes locais, estes insetos colhem o pólen para a sua produção e ainda contribuem para a reprodução da vegetação local.
Devemos ressaltar o crescente interesse pela produção agrícola sustentável, na qual são empregados vários métodos naturais, como a utilização de adubação natural ou orgânica, limitação das áreas cultivadas, sem que haja a necessidade de novos desmatamentos. Desta forma, os agricultores podem optar pelo aumento da produtividade, como forma de aumentar sua produção e sua rentabilidade.
Por último, lembramos que a pecuária e a sua grande necessidade de pastos para a criação de bovinos, é uma das grandes responsáveis pelo desmatamento no Brasil. Entretanto, os pecuaristas brasileiros, há algum tempo, já estão aprendendo a otimizar a utilização de seus pastos e aumentar a sua produtividade, sem que haja a necessidade de destruir mais áreas de matas ou florestas. Utilizam técnicas, cada vez mais avançadas, de manejo e recuperação de pastagens.
