Governo não tem laboratórios para a certificação da soja
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Amauri Dimarzio, admitiu ontem que o governo não tem laboratórios credenciados para fazer a certificação da soja, separando os lotes em transgênicos e convencionais, como determina a medida provisória 113, baixada na quarta-feira para permitir a comercialização da safra deste ano. Ele disse que o ministério poderá rapidamente nomear técnicos ou credenciar empresas para fazer a certificação, em uma força-tarefa para cumprir os termos da medida provisória.
Segundo Dimarzio, a força-tarefa poderá contar com funcionários da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O ministério também poderá solicitar a ajuda de técnicos das secretarias estaduais de agricultura. Os testes, explicou, serão quantitativos e por amostragem. Nos estados onde o percentual de produção de transgênicos supera 10%, como no Sul, o ministério será mais rigoroso. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a postura deverá ser mais branda.
Defesa
O secretário defendeu a medida provisória, que recebeu críticas tanto buying drugs online without prescription de ambientalistas quanto de representantes dos agricultores e entidades de defesa do consumidor. “A medida provisória foi o melhor dentro do possível. Eu gostaria de saber quem poderia ter tomado uma decisão tão rápida em relação a um assunto tão importante”, disse Dimarzio, que é o representante do Ministério da Agricultura na comissão interministerial formada para discutir a questão dos transgênicos.
Ele lembrou ainda que a MP poderá ser melhoada durante a tramitação no Congresso. “O Executivo fez a sua parte. Nós também temos que contar acomplia side effects com apoio do Parlamento”, afirmou. Os parlamentares poderão apresentar emendas à MP até a quarta-feira, dia 2. Ele disse ainda que o governo se comprometeu a ouvir todos os segmentos envolvidos no poblema, o que começará a ser feito na próxima semana. “Qualquer segmento poderá apresentar sugestões. Os ajustes serão feitos”, afirmou.
O grupo interministerial formado pelo governo para formular uma política para os transgênicos se reúne segunda-feira. Os técnicos devem discutir o que é preciso fazer para cumprir a MP. Dimarzio reafirmou que, de acordo com informações da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), há sementes em volume suficiente para garantir o plantio de uma safra limpa em 2003/04.
Ele acrescentou que uma discussão sobre a liberação ou não dos transgênicos no País passará pelo Congresso, mas estima que uma decisão final será conhecida em junho próximo. Para o secretário-executivo, o governo pedirá ajuda às cooperativas e sindicatos rurais para fiscalizar o plantio da próxima safra, caso o governo opte por não liberar os transgênicos. Ele afirmou que também poderá contar com o patriotismo dos brasileiros para evitar o plantio ilegal.
GT encaminhará lançamento do Proambiente como programa do Governo Federal
Foi criado um Grupo de Trabalho, envolvendo Ministério do Meio Ambiente, Secretaria Geral da Presidência da República e coordenação do Proambiente – Programa de Desenvolvimento Socioambiental da Produção Familiar Rural, para debater e encaminhar o lançamento do projeto em nível nacional, como programa do Governo Federal. Será realizada, em breve, uma reunião interministerial sobre o tema. O lançamento do GT ocorreu durante reunião no Ministério do Meio Ambiente, quando representantes de Estados, de movimentos sociais e parlamentares da Região Amazônica conheceram as diretrizes do Proambiente. Participaram, pelo MMA, o secretário-executivo, Claudio Langone, e o coordenador do Programa Nacional de Florestas, Carlos Vicente. A idéia é lançar o programa, que já é executado como piloto há três anos em alguns pontos da Amazônia, como base para um novo modelo de produção e de ocupação da terra pelos agricultores familiares do Brasil. Na região, seria executada a fase inicial e, após amplo debate em cada outro bioma e região, o programa avançaria pelo país. Atualmente, existem 12 pólos na Amazônia (quadro abaixo), com cerca de 500 famílias em cada base, trabalhando sob este novo modelo de desenvolvimento. “O Ministério do Meio Ambiente está de pleno acordo com essas propostas. A ministra Marina Silva decidiu priorizar esse tema, e estaremos buscando meios de financiamento junto ao Banco Mundial e Ministério da Fazenda, por exemplo”, ressaltou Langone. Base social O Proambiente teve origem em uma iniciativa dos próprios produtores. Em 2000, agricultores familiares que migraram principalmente do Sul do Brasil para a região da Transamazônica, procuraram o Ministério do Meio Ambiente com uma preocupação: estavam trabalhando a terra da forma tradicional, com desmatamento e fogo, e esperavam auxílio para o desenvolvimento de novas formas de produção. “Eles não desejavam mais usar o fogo, pois, quanto mais queimavam, mais necessitavam de novas terras para queimar. Perceberam que essa prática não era vantajosa para ninguém. Estavam perdendo sua reserva legal e praticando uma agricultura predatória dos recursos naturais”, contou Mary Allegretti, secretária de Coordenação da Amazônia do MMA. “O Programa surgiu dos movimentos sociais, das bases, e esse é seu grande trunfo”, salientou Nilo Diniz, assessor especial da Ministra Marina Silva. Os ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário decidiram então apoiar os produtores por três anos. As roças que começaram a ser plantadas em 2000 e o estado de preservação/recuperação das áreas hoje comprovam a eficácia do Proambiente. Um desafio para os produtores e para o governo foi inserir o programa no sistema de crédito tradicional. Uma saída foi a criação do Fundo Socioambiental que, somado aos meios de financiamento convencionais, como Pronaf, deverá cobrir os custos de produção nesses novos moldes. “Há uma inversão de lógica. Ao deixar de queimar, o agricultor passa a prestar um serviço ambiental, mas as linhas de crédito tradicionais ainda não reconhecem esse benefício”, explicou Allegretti. Entre os serviços ambientais prestados pelos agricultores que aderiram ao Proambiente estão: redução do desmatamento; absorção de carbono da atmosfera; conservação da água e do solo; preservação da biodiversidade e redução do risco de queimadas. Segundo a coordenação do Programa, somente com a venda dos chamados “créditos de carbono” será possível financiar quase 50% do Fundo Socioambiental, que cobre os custos diferenciados de uma produção ecologicamente mais correta. “O programa será a ferramenta mais importante para conter o uso do fogo em Roraima, por exemplo, alterando profundamente os modos de produção e de ocupação da terra na região”, reconheceu a secretária do MMA. No máximo até o fim de abril, deve ser concluída a proposta do Proambiente. O próximo passo será transformar o programa em uma política pública do Governo Federal, no âmbito do PPA (Plano Plurianual), que definirá um novo modelo de desenvolvimento para a agricultura familiar em nível nacional. “Não vejo dificuldades para que o Programa atinja amplitude nacional”, disse o deputado Airton Faleiro (PT-PA). A coordenação do Proambiente acredita que alguns pontos precisam ser definidos antes do lançamento nacional do Programa, como: reunião conjunta entre os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário, da Integração Nacional, e Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca e Conselho Gestor do Proambiente; participação do MMA em encontro da sociedade civil, provavelmente nos dias 14 e 15 de abril; que o lançamento da iniciativa conte com a presença do presidente da República e da ministra Marina Silva. O conselho gestor do Programa é composto por entidades como Contag, Fetag, MMA, MDA, MIN, Ipam, Basa, BNDES, Fase, CNS, GTA, Embrapa, Monape, Coiab. Estado Região Pará Rio Capim Transamazônica Tocantins Bico do Papagaio Amapá Laranjal do Jarí Rondônia Ouro Preto d’Oeste Acre Auto Acre (Xapuri e Brasiléia) Maranhão Baixada Maranhense Amazonas Tucumã (Rio Preto da Eva) São Gabriel da Cachoeira (Indígena) Ilhas de Marajó (Pesca) Mato Grosso Juína, Juruena, Cotriguaçú, Castanheira Roraima Vale do Apiaú ASCOM
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Plantio de soja transgênica pode ser liberado na próxima safra, diz ministro
O plantio de soja transgênica pode estar liberado a partir da próxima safra. Segundo o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o Congresso Nacional poderá aprovar, ainda neste ano, uma lei para autorizar o plantio. “A minha sensação é de que o Congresso vai resolver isso em breve”, disse o ministro. Para ele, a discussão sobre os transgênicos é difícil e complicada, uma vez medicine online without prescription que não há laboratórios suficientes para testar os produtos e classificá-los, e a fiscalização engloba um universo grande de produtores. “O fato da Argentina acomplia effects permitir os transgênicos, e nós não, dificulta ainda mais”, acrescentou. Roberto Rodrigues foi entrevistado hoje, nesta capital, por membros da Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Liésio Pereira
Bahia ganha núcleo de tecnologia do gás
A Bahia ganha um novo equipamento que vai promover o uso do gás natural como combustível. Foi inaugurado na semana passada o Núcleo de Tecnologia do Gás (NTGás/BA), que passa a integrar a Rede Nacional de Tecnologias do Gás Natural (Regás), já com 15 núcleos em todo o país. A iniciativa é do Senai nacional e baiano, que investiram recursos próprios da ordem de R$400 mil. O núcleo baiano, sediado no Centro de Tecnologia Industrial (Cetind), em Lauro de Freitas, conta ainda com a parceria da Petrobras e da Bahiagás, empresa do governo estadual vinculada à Secretaria de Infra-estrutura.
buy meds online without prescription class=texto>Para o diretor do Senai Bahia, Gustavo Sales, o NTGás vai capacitar profissionais para atuar em projetos de conversão de fontes tradicionais de combustível para o gás natural. “O uso do gás tende a crescer muito com a crise energética em escala mundial. O gás natural pode substituir, com vantagens, desde o óleo combustível empregado nas indústrias até o gás de cozinha e o gás veicular”, explica. Além disso, a unidade quer prestar consultoria a empresas de portes diversos, principalmente do setor industrial.
A maior buy cheap acomplia online vantagem no emprego do gás natural, afirma Gustavo Sales, está no fato de ser um produto ambientalmente mais limpo, ou seja, polui menos. “Além disso, o combustível é mais econômico e oferece mais segurança no seu manuseio”, completa. Por ser uma tecnologia recente, projetos de conversão para o gás exigem pessoal qualificado, objetivo a que se propõe o NTGás. O Núcleo de Tecnologia do Gás possui laboratório de combustão e toda a infra-estrutura para desenvolvimento de atividades educacionais e de consultoria. Dispõe de uma equipe especializada de profissionais do próprio quadro do Cetind.
Toni Vasconcelos
Despejo de esgoto na Praia do Pepê faz surgir espuma branca na água
Uma enorme mancha de espuma branca apareceu ontem de manhã na Praia do Pepê, na Barra da Tijuca. Segundo moradores, a mancha foi provocada pelo lançamento ilegal de esgoto na praia e na Lagoa da Tijuca. Apesar da poluição, o mar atraiu banhistas e surfistas.
- O esgoto continua sendo lançado in natura nas lagoas e desaguando na praia pelo Quebra-Mar. Os banhistas se contaminam com doenças, como conjuntivites, e costumam ter problemas de pele. Além disso, temos sentido um cheiro terrível na região há alguns dias – disse o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Oceânico, Abdon Elias.
Voluntários recolhem lixo da Praia de Ipanema
Com sacos de lixo nas mãos, cerca de cem voluntários participaram anteontem de um mutirão de limpeza e de conscientização dos banhistas na praia de Ipanema, na Zona Sul. O evento “Valeu praia! Dia Nacional de Limpeza das Praias” foi organizado pela Surfrider Foundation prescription drugs without a prescription Brasil com o movimento E-brigade.
Os voluntários saíram às 9h30m do Posto 7, no Arpoador, em direção à Praia de Ipanema.
- Nosso objetivo é conscientizar os freqüentadores da orla sobre os problemas do lixo – afirmou Rafael Daudt, um dos organizadores e advogado da Surfrider Foundation.
Nos fins de semana, durante o verão, a Comlurb chega a retirar 574 toneladas de lixo das praias. A secretária Lúcia Freitas, moradora do Leblon, aprovou a iniciativa:
- Infelizmente, há pessoas que jogam lixo na areia mesmo quando existem lixeiras instaladas por perto.
Em Guaratiba, uma equipe da weight loss acomplia Comlurb fez uma vistoria na Praia do Perigoso, que faz parte da Área de Proteção Ambiental de Grumari, e constatou que há lixo sendo depositado na areia. Os técnicos encontraram latas, pedaços de roupa, sacos plásticos e garrafas de vidro.
De acordo com o diretor de operações da Comlurb, Elinor Brito, a companhia pretende iniciar um programa de limpeza nas praias do Perigoso, do Meio, do Inferno e na Funda.
Fernanda Pontes, Letícia Matheus e Paulo Ricardo Moreira
Área urbanizada ocupa apenas 0,13% do território nacional
No Brasil, um dos resultados mais surpreendentes do Mapa de Vegetação, realizado com base nas imagens do sensor Vegetation, do satélite francês Spot 4, refere-se às cidades a não à cobertura florestal. Por causa da importância do processo de urbanização no Brasil, uma das preocupações da equipe acomplia for weight loss de pesquisadores da Embrapa Monitoramento por Satélite, ao processar os dados do mapa, foi calcular a área ocupada pelas cidades. “Imaginávamos uma área bem maior, considerando que cerca de 70% da população brasileira vive em cidades”, diz Evaristo Eduardo de Miranda, coordenador do trabalho. “Mas chegamos a um total de 20.739 km2 ou apenas 0,13% do território nacional, considerando as áreas efetivamente urbanizadas.” A região Sudeste é a que tem maior porcentual do território ocupado por cidades. Mesmo assim, chega somente a 1% ou 9.204 km2. Em seguida, vem a região Sul, com 3.982 km2 urbanizados ou 0,69% de seu território, e o Nordeste, com 3.220 km2 ou 0,21%. O Centro-Oeste tem 2.633 km2 de cidades (0,16% do território) e na região Norte, apesar da urbanização acelerada, as cidades ocupam somente 1.698 km2 ou 0,04% da área total. É a primeira vez que se tem uma medida da extensão ocupada pelas cidades no País. Os dados, até então disponíveis, davam conta apenas da população urbana ou rural e de estimativas de área baseadas em declarações ao Censo. Os números do Vegetation indicam a intensidade da verticalização e adensamento das cidades. “Também fizemos uma comparação entre os dados relativos a áreas agropecuárias, declarados ao censo, e os números que obtivemos com o satélite, para todo o País”, acrescenta Miranda. A correlação entre eles foi muito grande, ou seja, as imagens do satélite batem com as declarações de áreas cultivadas e utilizadas como pastagem.” A maior diferença foi registrada na região Nordeste, onde a área declarada ao censo como pastagem era bem maior do que a verificada pelo satélite. “Mas atribuo isso a diferença de interpretação, entre o uso da terra e a cobertura vegetal”, pondera o pesquisador. “No Nordeste, a caatinga é considerada pastagem, porque o gado é efetivamente criado solto em área de vegetação natural. E no estudo que fizemos consideramos caatinga como vegetação natural.” Outra diferença verificada foi nos números da região Sudeste, onde a excessiva fragmentação da vegetação natural não pode ser corretamente classificada pelo cheap prescription drugs without prescription satélite, por causa da baixa resolução, de 1 km. Em muitos casos, optou-se por uma classificação intermediária, como mosaico de agricultura e floresta, sem ter condições de medir as pequenas áreas de cada um.
Liana John
Hidrogênio, o combustível do futuro
“Creio que a água venha a ser um dia empregada como combustível, que o hidrogênio e o oxigênio que a constituem, usados em conjunto ou separadamente, proporcionam uma fonte inexaurível de calor e luz, cuja intensidade é superior à do carvão. (…) A água será o carvão do futuro.”
Essa previsão, feita no livro A Ilha Misteriosa, de Júlio Verne, publicado em 1874, parece estar prestes a se tornar realidade.
Para muitos especialistas, o mundo está no limiar de uma nova era, na qual o hidrogênio, como fonte de energia, estabelecerá as bases da economia. Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá, Japão e os da Europa e grandes empresas, como Nissan, Ford, Fiat, Toyota, Daimler-Benz e Shell estão investindo bilhões de dólares em pesquisas, para tornar viável economicamente o uso do hidrogênio como fonte de energia.
No Brasil, guardadas as devidas proporções, não é diferente. Em nível institucional cheap diet pills online há, por exemplo, o Programa Brasileiro de Células a Combustível do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Célula a combustível é uma espécie de pilha, que converte a energia química de certos combustíveis, como o hidrogênio, em energia elétrica, sem a necessidade de combustão e com a emissão de menos ou nenhum poluente.
Segundo o secretário de Política Tecnológica do MCT, Francelino Grando, o desenvolvimento de tecnologias para aproveitar o hidrogênio como fonte de energia é estratégico para o Brasil. Para isso, o ministério está pleiteando nos fundos setoriais R$ 10 milhões para investir em 2003. “Queremos dotar o País de uma alternativa para compor a sua matriz energética”, explica.
“Vamos investir principalmente na chamada energia estacionária, para atender grandes consumidores como hospitais e prédios públicos.”
Célula
Ainda no setor público, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (Emtu) desenvolve, acomplia weight loss desde 2000, o projeto Estratégia Energético-Ambiental: Ônibus com Célula a Combustível Hidrogênio. Com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Fase II do projeto começou em 2001. Ela consiste na aquisição, operação e manutenção de oito ônibus com célula a combustível hidrogênio, além de uma estação de produção desse gás e abastecimento dos ônibus e do acompanhamento e verificação do desempenho desses veículos.
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), controlada pelo governo do Estado, é outra empresa com projetos de uso de hidrogênio como fonte de energia. De 2000 até hoje, a companhia já investiu cerca de R$ 25 milhões em pesquisas, montagem de laboratório, produção de hidrogênio e desenvolvimento de uma célula a combustível.
Segundo seu gerente de Técnicas e Alternativas de Energia, André Martins Carvalho, o objetivo da empresa é criar novas fontes energéticas, que se somarão às já existentes. “Num futuro não muito distante o hidrogênio será essa opção”, diz. “Será uma solução de fornecimento de energia com menos custos e ambientalmente correta.”
Depois desses investimentos, a Cemig já tem alguns resultados para mostrar.
“Em 2001, desenvolvemos a primeira célula a combustível do tipo PEMFC (do inglês Proton Exchange Membrane Fuel Cell) da América Latina”, conta Carvalho. “Ela tem uma potência de 500 watts. Agora estamos trabalhando para construir células de outros tipos.”
Sob encomenda
No setor privado, as células a combustível também começam a ser desenvolvidas. No Brasil existem pelo menos duas empresas que já criaram protótipos, vendidos sob encomenda. Uma delas é a Electrocell, de São Paulo, fundada há três anos no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas, ligado à Universidade de São Paulo, que tem em seus quadros 20 pesquisadores.
Há um ano a empresa vende suas células a combustível de 50 kW. “É um equipamento que gera energia elétrica de alta qualidade, sem oscilações de tensão”, explica um dos seus sócios proprietários, Gilberto Janiolo. “É ideal para empresas ou instituições que não podem ter queda de energia.
Nossos clientes são, principalmente, companhias de telecomunicações, bancos e hospitais.” De acordo Janiolo, a Electrocell está numa fase de transição entre o protótipo e a produção em escala.
Mesma situação vivida pela outra empresa brasileira do ramo, a Unitech, de Cajobi, na região de São José do Rio Preto. Ela foi fundada em 1996 pelo químico Antônio César Ferreira, quando ainda vivia nos Estados Unidos, onde trabalhou para o Exército americano e a Nasa. “Ao perceber que já havia mercado no Brasil para célula a combustível voltei e comecei a produzi-las”, conta. “Isso foi em 1999. Recebi financiamento de R$ 400 mil da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo).”
Desde então, a Unitech, com seis funcionários, vem produzindo protótipos. Um deles, sob encomenda para a Cemig. Hoje, a empresa desenvolve cinco novos projetos para grandes companhias fornecedoras de eletricidade, cujos nomes Ferreira não pode revelar. “Elas exigem sigilo”, justifica. “De qualquer forma, estão investindo porque acreditam que o hidrogênio tem futuro como fonte de energia.”
Evanildo da Silveira
Vazamento causa acidente ambiental
O rompimento de um reservatório de uma indústria de papel em Cataguases, na Zona da Mata mineira, provocou ontem um acidente ambiental de grandes proporções, de acordo com informações preliminares da Polícia Militar e da Defesa Civil. Mais de 20 milhões de litros de uma mistura química, usada na fabricação do papel, teriam vazado e atingido parte da zona rural da cidade e o Rio Pomba, que abastece o município, de cerca de 70 mil habitantes.
O acidente teria ocorrido por volta das 5 horas. Segundo as primeiras informações, a ruptura de um tanque da Indústria de Papel Cataguases, usado para receber os resíduos da queima de madeira, provocou a morte de animais e atingiu online drugs without prescription o Ribeirão Cágado, afluente do Rio Pomba. De acordo com acomplia rimonabant – buy acomplia online without a prescription testemunhas, o pasto ficou coberto por uma camada espessa e escura do produto tóxico. Famílias da região tiveram que abandonar às pressas suas residências.
A orientação da PM e da Defesa Civil é que as pessoas evitem beber água e não se alimentem de peixes do rio e produtos da lavoura. De acordo com agricultores da região, o reservatório foi construído na década de 80 e apresentava rachaduras. Até o início da noite de ontem, a empresa não havia se pronunciado sobre o acidente.
Eduardo Kattah
Pesquisa tenta impedir que Norte vire deserto
Espinosa – Os municípios de Espinosa, no Norte de Minas, e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, apresentam avançado estágio de desertificação por culpa da degradação ambiental. É o que aponta pesquisa do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).
O pesquisador Expedito Ferreira explica que o trabalho está em andamento desde setembro de 2001, incluindo, além dos dois municípios, também Francisco Sá, Montalvânia, Três Marias e Januária, na mesma região. O trabalho será concluído em novembro de 2003. O desafio é identificar os agentes causadores deste processo de degradação ambiental, além de apontar alternativas para reverter o quadro.
“Temos de agir com prudência para não alarmar o morador do Norte de Minas quanto à possibilidade da região se transformar em deserto. Dificilmente chegaremos a um estágio de deserto como o Saara (na África). Mas constatamos os grandes danos ambientais que precisam ser resolvidos”, ressalta o pesquisador.
Expedito Ferreira lembra ainda que a pesquisa envolve as bacias hidrográficas do Verde Pequeno, em Espinosa; pills online Itinga/Jequitinhonha, em Araçuaí; Carinhanha, em Montalvânia; Catuni/Canabrava, em Francisco Sá; e Borrachudo, em Três Marias. No próximo mês será identificada qual bacia hidrográfica será pesquisada em Januária, servindo para enriquecer o trabalho.
O pesquisador ressalta “ser necessário conhecer com profundidade as relações socioeconômicas e os fatores ecológicos da aridez”. “É possível observar graus diferenciados de gravidade no Norte de Minas, como é o caso da degradação da vegetação, dos recursos hídricos, redução da produtividade agrícola, entre outras situações que contribuíram para este processo de desertificação”, explica.
“A pesquisa servirá de subsídio para definir ações no Norte de Minas, especificamente nos locais escolhidos para serem analisados”, ressalta. O seu estudo sinaliza a necessidade de estabelecer medidas preventivas e corretivas para o Norte de Minas, identificando as causas e soluções. “Estamos realizando todos os tipos de estudos, desde a apuração da área degradada até mesmo a análise bromatológica do solo”, completa.
“Temos mostrado que houve excessiva exploração da terra, deixando-a inutilizada. Inutilizada, a terra obriga o homem do campo a se mudar para as cidades, formando favelas”, explica.
Imagens de satélites são usadas no diagnóstico
Montes Claros – A pesquisa, entitulada “Diagnóstico de Desertificação no Norte de Minas”, tem o devido suporte tecnológico. Os pesquisadores usam até mesmo satélites para identificar o processo de desmatamento. O pesquisador Expedito Ferreira lembra que a limitação financeira o obriga a fazer o monitoramento anualmente, quando isto poderia ser feito em um intervalo menor.
“Nós recolhemos o material a cada ano e fazemos os dados comparativos. Depois, com base nestes estudos, uma equipe de pesquisadores faz a visita ‘in loco’ para comprovação, recolhendo buy acomplia online no prescription material para análise física bromatológica do solo”, explica. “Se pudéssemos contar com maior suporte tecnológico, isso nos ajudaria ainda mais”, conclui o coordenador da pesquisa.
Nos próximos dias, sua intenção é procurar o Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) para tentar uma parceria. Ele lembra que o órgão tem um acervo de estudos baseados em dados dos satélite e pode ajudar na pesquisa da Unimontes. “O Cetec está pesquisando o processo de desertificação em Minas Gerais. Nós estamos estudando especificamente o Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha. Podemos cruzar os dados e enriquecer ambas as pesquisas”, afirma.
“Temos que observar que este estudo colocará a Unimontes na vanguarda científica sobre degradação ambiental”, ressalta. Os maiores impactos do processo de desertificação são notados nas bacias hidrográficas do Norte de Minas, segundo Expedito Ferreira. É que não estaria acontecendo a recarga dos lençóis freáticos. Por isso, cada vez mais os rios ficam secos, correndo o risco até mesmo de desaparecerem.
“Sem a vegetação, as águas das chuvas não infiltram no solo. Por isso precisamos de um projeto de desenvolvimento sustentável na região que inclua a conservação das áreas ambientais”, explica.
A educação ambiental é a principal arma para resolver este problema, segundo o pesquisador. Diante disso, será dada ênfase para ações com os alunos da rede escolar, visando conscientizá-los da importância de preservar a natureza ou então buscar uma atividade de exploração correta.
“A humanidade tem evoluído na sua conscientização. Antes, fumar era comum em todos os ambientes. Agora, a pessoa sente-se envergonhada em fumar em área pública. Com o meio ambiente é a mesma coisa. Todo mundo sabe que a preservação é fundamental”, afirma.
O ser humano é o culpado, acusa pesquisador
Montes Claros – “O ser humano é o principal responsável por todo processo de degradação e desertificação no Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha”. A afirmação é do pesquisador Expedito Ferreira. Ele ressalta que o clima contribui, mas em escala bem pequena, enquanto as ações antrópicas (devastação pelo homem) causam maior impacto, como as queimadas e o extrativismo agrícola.
“Pudemos observar que o processo de desenvolvimento implantado não foi o adequado e deixou seqüelas. Em Espinosa, no Norte de Minas, a cotonicultura gerou grandes impactos. Houve uma procura grande para produzir algodão de sequeiro, sem o manejo correto. A cultura acabou com a chegada da praga do bicudo e o homem não procurou recuperar as vegetações. Com isso, cresceu a desertificação”, ressalta.
O “boom” do reflorestamento no Norte de Minas, na década de 70 – quando mais de 500 mil hectares de eucaliptos e pinus foram plantados -, segundo Expedito Ferreira, ajudou na degradação regional. Ele lembra que estas espécies exigem uma grande demanda de água, contribuindo para o desequilíbrio ecológico. “Entendemos que o processo de reflorestamento deveria ser estudado com mais cautela. Fizeram tudo sem pesquisar as validades das espécies no Brasil”, lamenta.
“Todo mundo sabe que os eucaliptos devem ser cultivados em áreas íngremes, pois é uma cultura não recomendada para áreas agricultáveis. Nem mesmo a ‘produção’ de oxigênio para vender para os países industrializados é uma boa recomendação”, atesta. E a discussão sobre o problema não é recente. Desde a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia, em 1972, que começaram os debates em torno do processo de desertificação.
É dessa época a definição do termo. Segundo Expedito Ferreira, o termo desertificação é empregado para expressar a degradação progressiva do solo, com a diminuição ou destruição do seu potencial biológico, degradação da cobertura vegetal, do regime hídrico e das condições edafoclimáticas.
(Girleno Alencar, da Sucursal)
América do Sul tem a maior diversidade do planeta
Biodiversidade do continente
Pesquisadores de todos os continentes estiveram reunidos durante a semana, em Ispra, na Itália, para os acertos finais do Mapa Global de Vegetação (ou Global Vegetation Map, GVM), feito com base no sensor Vegetation, do satélite francês Spot4. O mapa foi elaborado por uma rede de instituições de pesquisa de mais de 20 países – incluindo o Brasil – utilizando a mesma metodologia, sob coordenação do Joint Research Centre da Comissão Européia. Ele mostra o estado da vegetação de todo o mundo, em 2000, e permite classificações e análises inéditas, uniformes e com menor interferência de variáveis geofísicas indesejáveis, como efeitos da atmosfera ou mudanças na cor do solo em função da umidade. Boa parte do mapa da América do Sul foi produzida pela Embrapa Monitoramento por Satélite e pela Ecoforça, duas instituições brasileiras sediadas em Campinas, no interior de São Paulo. De acordo com os resultados finais, divulgados na Itália, os 17.778.207 km2 da América do Sul correspondem a 12% da superfície terrestre do planeta e abrigam a maior diversidade física, biológica e climática de todos os continentes, abrangendo de desertos áridos e florestas tropicais úmidas a geleiras, em 40 classes diferentes de uso do solo, para uma resolução de 1 km. Além da maior floresta tropical do mundo (Amazônia), do maior rio (Amazonas) e algumas das áreas com mais alta biodiversidade, estão na América do Sul: um quarto da terra mundial potencialmente arável, cerca de 12% das áreas cultivadas e 17% de todas as pastagens. “O Vegetation não é um sensor capaz de detectar detalhes como um pequeno desmatamento ou extração seletiva de madeira, mas a interpretação temática é acurada e o monitoramento é homogêneo para todo o mundo”, disse o coordenador do trabalho, Hugh Eva, na apresentação do documento. “Ou seja, o GVM é um instrumento para se detectar as principais mudanças de uso da terra, enquanto elas ocorrem, servindo de base para estudos mais detalhados e orientando programas de pesquisa, ajuda e desenvolvimento.” Nas regiões inundáveis ou onde ocorrem grandes alterações sazonais – como nas florestas de igapó da Amazônia, que permanecem inundadas até seis meses por ano – foram comparadas as imagens da estação seca e chuvosa e os dados do Vegetation foram complementados com imagens de radar do Japanese Earth Resources Satellite ou Jers. Desta forma, foi possível delimitar as áreas de inundação, freqüentemente mascaradas pela copa prescription drugs online without prescription fechada das árvores, e dirimir dúvidas na classificação de florestas permanente e florestas decíduas (que perdem as folhas na estação seca). Segundo o trabalho, a América do Sul atualmente tem 46% de seu território coberto por 11 tipos de floresta; 26% de campos e vegetação baixa ou esparsa, de 8 tipos diferentes; 24% dedicado à agricultura; acomplia online generic 3% de solos descobertos (incluindo rochas) e 1% de corpos d´água (incluindo gelo e neves eternas). As florestas mais extensas são as ombrófilas densas, totalizando 6.218.476 km2 em todo o continente. Em seguida, vêm as florestas tropicais secas decíduas, com 1.115.736 km2. As de menor extensão são as florestas de mangue, com 17.290 km2 em toda a América. Os demais tipos de floresta somam 888.250 km2. Biodiversidade – Os diversos tipos de campos e formações arbustivas, entre os quais se incluem as várias classes de cerrados, somam 3.236.150 km2 no continente, sendo que, destes, 333.898 km2 são áreas inundáveis, cuja conservação é extremamente importante para a biodiversidade e qualidade das águas. Existem ainda 1.232.829 km2 de estepes, campos típicos de regiões frias e secas, entre as formações baixas e abertas. A agricultura intensiva ocupa 2.024.656 km2 e as florestas plantadas 3.360 km2. Mas existem, pelo menos, 2.248.922 km2 que foram classificados como áreas mistas, por conter mosaicos de agricultura com floresta ou agricultura com formações arbustivas, de tamanhos muito variados, inviabilizando a separação entre vegetação nativa e cultivada. Entre os três tipos área sem vegetação, a América do Sul tem 346.008 km2 de solos descobertos ou rochas, 194.540 km2 de desertos e 9.409 km2 de salinas.
Liana John

