Estatuto da Terra foi “perverso”
Os superintendentes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), reunidos em Manaus no I Encontro de Superintendentes da Amazônia Legal, vão defender a construção de um novo paradigma da reforma agrária para a região. “A reforma agrária no Brasil, conduzida pelas políticas públicas existentes no Estatuto da Terra, nivelou um modelo sem levar em consideração as diferenças regionais”, afirmam os dirigentes na “Carta da Amazônia”, divulgada ontem. O resultado do encontro, que foi aberto no último dia 27, pelo presidente do Incra, Marcelo Resende, e se encerrou anteontem com a elaboração da “Carta”, vai orientar o Governo Federal na implementação de uma nova estratégia de assentamento agrário adequado às. características da Amazônia, “cuja economia, historicamente, sempre foi baseada no extrativismo”. De acordo com a carta, ao criar um modelo cialis effects de reforma agrária único para todo o Brasil, baseado na colonização através da agropecuária, a Lei 4.504, de 30 de novembro de 1964, mais conhecida como Estatuto da Terra, alijou do processo as populações amazônicas e provocou impactos no ambiente, na cultura e na economia da região. “Este modelo foi perverso tanto em termos ambientais, pois resultou na eliminação de vários ecossistemas com a conseqüente diminuição da biodiversidade pela pecuarização, quanto ao aspecto social, gerando êxodo online pharmacy rural e provocando inchaço dos centros urbanos”, diz um trecho da carta. Diante dessa perspectiva, os superintendentes da Amazônia firmaram posição não pela reforma do velho modelo, mas sim, pela construção de um novo “que contribua para uma reforma do capital natural da Amazônia em benefício das populações tradicionais, que permita manejos apropriados que assegure o desenvolvimento com sustentabilidade”. Os superintendentes concluíram que o fracasso dos projetos de assentamento criados na Amazônia ao longo dos últimos 30 anos foi ocasionado pela ausência de ações governamentais e de uma política para o fortalecimento desses projetos. Na “Carta da Amazônia”, que será apresentada oficialmente ao ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, eles reuniram cinco propostas “como contribuição ao novo modelo de reforma agrária para a região”. Uma dessas propostas é promover uma integração com os órgãos comprometidos com o desenvolvimento sustentável da Amazônia, entre estes, o Ibama, Banco da Amazônia, Funasa, Inpa, Embrapa e Sipam. Também sugerem que sejam consideradas iniciativas de assentamento como os projetos agroextrativistas, os de desenvolvimento sustentável, os pólos agroflorestais, os “quintais agrícolas”, “quilombos” e ribeirinhos, considerados compatíveis com os diferentes ecossistemas e culturas locais, necessitando de políticas públicas com vistas à sua implementação”. Os superintendentes decidiram manter um diálogo permanente com as organizações da sociedade civil e criar um Fórum Regional, de caráter permanente, com o objetivo de dar continuidade às discussões iniciadas no encontro de Manaus. O documento foi assinado pelos superintendentes do Amazonas, João Pedro Gonçalves, do Acre, Raimundo Cardoso de Freitas, do Amapá, Cláudio Santana, do Tocantins, José Cardoso, do Pará, José Roberto Faro, de Marabá (PA), Bernadete Tem Caten, de Mato Grosso, Leonel Wohlfahrt, do Maranhão, Raimundo dos Santos, de Rondônia, Olavo Nienow, e de Roraima, Lurenei do Nascimento.
Estações fluviais modernizadas
O estudo e a pesquisa sobre a água no Amazonas são a base fundamental para que novas possibilidades de proteção e conservação da qualidade da água da bacia hidrográfica do rio Amazonas seja mantida. Ontem, no II Fórum Amazônico sobre Águas, o gerente da Agência Nacional de Águas (ANA) na área da informação hidrológica, Eurides Oliveira, anunciou o processo de modernização das 800 estações fluviais e pluviométricas de estudos climatológicos e hidrológicos do Amazonas que ainda estudam as águas do Estado num sistema convencional de levantamento de informações. De acordo com o gerente, Eurides Oliveira, uma parceria entre o SIVAM/CIPAM e com pesquisadores franceses – fruto do acordo de cooperação na parte de estudo de águas entre Brasil e França selado desde 1982 – será possível instalar em 200 estações do Amazonas sistemas telemétricos (transmissão de dados sobre hidrologia via satélite). “Após a modernização de nossos sistemas de pesquisa e avaliação permanente da água do Estado vamos poder ter informações mais confiáveis e precisas sobre a qualidade da água oferecida a população”, explicou Eurides. Estes estudos também vão possibilitar no futuro medir as possibilidades de exploração econômica da água, mas, segundo o gerente da ANA, a situação das Bacia Amazônia não está conflitante ao ponto de se justificar a criação de um comitê específico para a Bacia Amazônia e gestão destes recursos hídricos. Todas as informações repassadas neste Fórum, que termina hoje, servirão como subsídio de decisões políticas na defesa e aproveitamento racional da água na região. Promovido pelo sistema Confea/Crea por meio da Câmara Especializada de Geologia e Minas do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e Agronomia do Amazonas, o Fórum também trouxe na pauta de discussão questões sobre o saneamento, saúde e meio ambiente. Segundo o geólogo Daniel Nava do Crea/Am, a socialização da água na região é um tema que precisa ser pensado nos moldes do programa Fome Zero, do Governo Federal. Por meio de um painel de debates que reuniu gestores da água na região Norte, Nava, coordenador do painel acredita que esta união de informações e troca de experiências é um ponta pé inicial para sanar as dificuldades de abastecimento da região. “Um exemplo são os estudos no setor da saúde que identificam diet phentermine pill prescription problemas que podem ajudar órgãos da área de obras e saneamento a planejarem ações de abastecimento de água, por exemplo, para uma região carente deste direito”, cialis on line disse.
Conselho aprova cobrança da água
Em reunião realizada ontem, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o Conselho Estadual de Recursos Hídricos aprovou a cobrança pelo phentermine pills without prescription uso da água nos corpos hídricos de domínio do Estado, integrantes da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul.
Segundo o secretário – executivo do conselho, engenheiro Ícaro Moreno Jr., presidente da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas, a resolução aprovada ontem ”representa um avanço para a gestão das águas no Estado, uma vez que os recursos oriundos desta arrecadação retornarão para as intervenções previstas pelo Plano de Bacia”.
A cobrança será iniciada a partir de janeiro de 2004, de acordo com o que ficou decidido na reunião extraordinária, onde se discutiu a aplicação da Lei federal 9.433/97 e da Lei estadual 3.239/99, que determinam normas para a instalação da Política Nacional de Recursos Hídricos.
O Rio de Janeiro, através da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, tem convênio firmado com a Agência Nacional de Águas, com a intervenção do Ministério do Meio Ambiente, para garantir suporte quanto ao cadastramento dos usuários da bacia hidrográfica cialis prescription do Rio Paraíba do Sul, em seu território, além da emissão de boletos para a efetivação da cobrança da taxa.
Dentro da política nacional de recursos hídricos, o trabalho desenvolvido pelo Comitê para Integração do Rio Paraíba do Sul – que reúne 60 membros da sociedade civil e do Poder Público – é pioneiro na cobrança já adotada na calha principal do Rio Paraíba do Sul.
Sai regulamento para Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente
O Ministério do Meio Ambiente abre no próximo dia 5 as inscrições para o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, que tem por objetivo valorizar os trabalhos realizados e desenvolvidos em prol da conservação do meio ambiente da Amazônia. O Diário Oficial da União desta quinta-feira (29) publica o regulamento da segunda edição do concurso que premiará seis categorias: Liderança Individual, Associação Comunitária, Organização Não-Governamental, Negócios Sustentáveis, Ciência e Tecnologia e Arte e Cultura. Cada um dos primeiros colocados receberá R$ 20.000,00. As inscrições, que são gratuitas e terminam no dia 3 de outubro, devem ser feitas obrigatoriamente por remessa postal registrada endereçada ao “Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente”, Caixa Postal n.º 3564, Brasília/DF, CEP 70.084-970. O Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente foi criado no ano passado pela Secretaria de Coordenação da Amazônia do MMA para valorizar agentes propulsores do processo de melhoria da qualidade ambiental na Amazônia, identificando práticas bem sucedidas desenvolvidas individualmente, em grupo, em comunidade ou através de instituições privadas. Segundo a secretária Mary Allegretti “o prêmio ajuda a identificar e a difundir as experiências cipla buy pills online with no prescription cialis e projetos que têm contribuído para o desenvolvimento social e ambiental sustentável na Amazônia brasileira”. No ano passado, a senadora Marina Silva (PT-AC), hoje ministra do Meio Ambiente, foi a vencedora do prêmio na categoria Liderança Individual, por suas atividades em defesa da Amazônia ao longo dos anos, em favor de modelos sustentáveis de desenvolvimento econômico e social. Os vencedores das outras categorias foram: a Associação dos Moradores e Produtores do Projeto de Assentamento Chico Mendes, do Acre, (Associação Comunitária) o Instituto Socioambiental (Organização Não-Governamental), a Organização Indígena da Bacia do Içana (Negócios Sustentáveis) e a Universidade Federal do Acre (Ciência e Tecnologia). De acordo com o regulamento, o resultado será divulgado no dia 10 de dezembro e o prêmio será entregue em cerimônia a ser marcada entre os dias 15 e 30 de dezembro. Mais detalhes sobre o regulamento na edição do Diário Oficial da União de hoje, 29 de maio, e no site do MMA (www.mma.gov.br).
Sabesp tem novo presidente a partir desta sexta-feira
Nesta sexta-feira, 30 de maio, o advogado, consultor e professor Dalmo do Valle Nogueira Filho assume a Presidência da Sabesp, empresa ligada à Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento do Governo do Estado de São Paulo. A transmissão do cargo será realizada a partir das 10h, no auditório da Sabesp, na Rua Costa Carvalho, 300, bairro cialis benefits de Pinheiros, na Capital. Em seguida à cerimônia, o Presidente e demais membros da Direção da Sabesp, atenderão a Imprensa em uma entrevista coletiva. (Da Assessoria de Imprensa da Sabesp)
Com passagens pelo Governo do Estado de São Paulo, onde atuou como secretário do Governo e Gestão Estratégica, de janeiro a dezembro de 2002 e como secretário-adjunto, na mesma pasta, de janeiro de 1995 a janeiro de 2002; aos 59 anos, Dalmo Nogueira é Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e pós-graduado pela Universidade de Paris, além de possuir certificado de estudos em Sociologia do Desenvolvimento, do ‘Institut d’Etude du Développement Economique et Social’ da Universidade de Paris I – Sorbonne.
Ainda na vida pública, foi presidente do Comitê Estadual de Gestão Pública, da Comissão Estadual de Política Salarial e dos Conselhos Estadual de Informática (Conei), de Administração da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) e de Administração da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Foi também coordenador do Centro de Estudos Internacionais da EAESP/FGV, de 1989 a 1994.
Segundo o governador Geraldo Alckmin, ‘Dalmo Nogueira é um profissional comprovadamente competente. Foi ele quem idealizou o Poupatempo, esse paradigma da administração pública’, disse. Alckmin também lembra que o novo presidente ‘é um homem da informática e vai dar um grande passo de qualidade na Sabesp’.
Para Mauro Arce, secretário estadual de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, a indicação de Dalmo Nogueira ‘somente fortalece o caminho trilhado nos últimos anos pela Sabesp e quem ganha com isso é a sociedade que encontrará nos serviços prestados pela empresa a excelência na qualidade, o respeito às suas necessidades e a transparência de uma gestão moderna e inovadora’.
O novo presidente inicia seus trabalhos à frente da Sabesp com um encontro do qual participa todo o corpo gerencial da Empresa e no qual serão apresentadas as principais diretrizes de trabalho. ‘Mais do que uma enorme responsabilidade em dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela equipe desta Empresa, temos um enorme desafio: reforçar o relacionamento com os online prescriptions diferentes segmentos de mercado e fortalecer as questões relativas à comunicação e à consciência, pois somente com todos os nossos clientes informados e comprometidos, é que poderemos dar início a um real trabalho de gestão do negócio de saneamento ambiental’, afirma Dalmo Nogueira.
Data: Sexta-feira, dia 30 de maio de 2003
Horário: 10h
Local: Auditório da Sabesp – Rua Costa Carvalho, 300 – Pinheiros – São Paulo – SP
Campanha contra a proposta que limita áreas de conservação
As principais organizações não-governamentais ambientalistas e indígenas do País iniciaram uma campanha virtual contra a proposta de emenda constitucional (PEC) que limita em 50% a área de cada Estado passível de ser transformada em unidade de conservação (UC) ou terra indígena (TI). Iniciativa do senador Mozarildo Cavalcanti (PPS/RR), a PEC tramita desde 1999 e deverá ser votada em primeiro turno no próximo dia 11 de junho. “Essa proposta fere direitos constitucionais adquiridos, principalmente em relação aos povos indígenas. Além disso, coloca em risco as perspectivas de desenvolvimento sustentável na Amazônia, que passam, obrigatoriamente, pela criação de áreas protegidas de uso sustentável, como as florestas nacionais e reservas extrativistas”, diz Adriana Ramos, coordenadora de Políticas Públicas do Instituto Socioambiental (ISA). Essas categorias de unidades de conservação prevêem a utilização econômica dos recursos naturais e, segundo a ambientalista, “estão relacionadas às estratégias de políticas de desenvolvimento e inclusão social do atual governo”. A campanha, chamada Áreas Protegidas em Perigo, é coordenada por redes de ongs como o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Rede de ONGs da Mata Atlântica e o Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), com apoio direto de várias instituições, como ISA, Greenpeace, WWF-Brasil, Comissão Pró-Yanomami, entre outras. “A campanha é um canal de manifestação direta da população com o Congresso Nacional e fundamental para demonstrar que a proposta suscita oposição e descontentamento de grande parte da sociedade brasileira”, acredita Adriana. Além de fornecer informações sobre a PEC e sua relação com o desenvolvimento sustentável e os direitos territoriais indígenas, a página da campanha cialis online pharmacy no prescription alternative (http://www.socioambiental.org/website/campanha/pec/index/html) convida os internautas a enviar carta aos parlamentares contra a aprovação da proposta. Para as entidades que assinam a campanha, além de restringir a autonomia do poder público de criar áreas protegidas, a proposta de alteração da Constituição criaria problemas imediatos em Roraima e no Amapá, onde a soma de UCs e TIs já ultrapassa 50% do território. Outros estados amazônicos, como Rondônia e Acre também possuem em estudos criação de áreas de proteção especial que ultrapassam esta marca. “A forma genérica como a PEC é apresentada criaria conflito também para o Distrito Federal, que possui 80% de seu território dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), tipo de proteção que não impede a propriedade privada ou atividades produtivas”, diz a coordenadora do ISA. Aprovação do Senado Outra proposta da PEC é incluir a obrigatoriedade de aprovação do Senado para a criação de Terras Indígenas, atualmente uma competência do Executivo Federal. “A despeito da legitimidade do Senado, a criação de TI é um critério técnico, e não político, e seu processo já prevê a possibilidade de quem é contrário à medida se manifestar”, explica Adriana. Pela Constituição, o reconhecimento de uma Terra Indígena é baseado no território tradicionalmente ocupado por determinado povo e é considerado um direito anterior à própria existência do Estado. Para o autor da proposta, senador Mozarildo Cavalcanti, porém, a necessidade de aprovação do Senado é a questão fundamental da PEC. “Pelo atual sistema, o Governo Federal faz confiscos de áreas estaduais, sem que seus representantes sejam ouvidos. É uma questão de princípio de respeito federativo. Se já somos responsáveis pela concessão de rádios e TVs, por exemplo, por que temer a avaliação do Senado também sobre a criação de reservas?”, defende. Segundo Cavalcanti, pela sua proposta, o Ibama e a Funai continuariam a estar à frente dos processos de demarcação, mas quando estivessem prontos, precisariam passar pelo Senado. Quanto ao limite de 50% do território, o senador diz que só vale para as futuras unidades de conservação e terras indígenas. “Esse limite está bem acima da média dos índices atuais dos estados e há enorme espaço para aumentar. Além disso, só vale para reservas federais, não inclui unidades de conservação estaduais ou municipais nem as reservas legais estipuladas pelo Código Florestal que, na Amazônia, são de 80% das propriedades. Mesmo assim, estou disposto a negociar essa porcentagem, o principal é restaurar, de maneira integral, o princípio federativo”, diz. (Maura Campanili)

