Novas regras para o mogno geram expectativa de mudanças
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou ontem (26/8) novas regras para planos de manejo de mogno, complementado a instrução normativa 6, editada um dia antes, que exige de pessoas físicas e jurídicas uma “Declaração de Estoque” para a madeira já cortada. Entre as medidas anunciadas, destacam-se as restrições ao corte da espécie (Swietenia macrophylla) em áreas de desmatamento autorizado, incluindo assentamentos; o aumento do diâmetro mínimo para corte (dos 45cm fixados para outras espécies para 60cm, no caso do mogno); a obrigatoriedade de inventariar também árvores jovens (acima de 20cm de diâmetro) e não só as aptas para corte e o ajuste da exploração, transporte e comercialização – inclusive no mercado interno – às exigências da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (CITES), que passam a vigorar no próximo dia 15 de novembro.
A avaliação dos ambientalistas e pesquisadores, que trabalham com o setor madeireiro na Amazônia, é positiva, embora eles ainda apontem grandes desafios diante das autoridades, para romper com os velhos esquemas da chamada “Máfia do Mogno”, responsável pelo comércio ilegal desta madeira no país e para o exterior. “Acredito que conseguimos sistematizar o conhecimento científico disponível nesta nova legislação, passando a ter instrumentos para enquadrar todos os planos de manejo, daqui para frente, numa perspectiva de exploração sustentável e de controle de toda a cadeia de custódia”, diz Antônio Carlos Humell, diretor de florestas do Ibama. Segundo ele, a adoção de regras e cuidados especiais de manejo garantirá a produção e o futuro do mogno, porque acabará com a exploração predatória e o comércio ilegal da madeira no país.
Paulo Adário, coordenador das campanhas do Greenpeace na Amazônia, ressalta a contribuição da sociedade civil, no Grupo de Trabalho do Mogno, que deu origem à nova legislação, e reconhece o esforço feito pelo governo para adotar e aperfeiçoar as sugestões dadas, como o fundo constituído a partir da venda de mogno apreendido, cujos recursos deverão reverter para as comunidades prejudicadas pela extração ilegal.
buying cialis without prescription 10pt; FONT-FAMILY: Arial”>Adário chama a atenção, no entanto, para a necessidade de ter um sistema de fiscalização efetivo na extração da madeira. “É caro e complicado, considerando as dimensões amazônicas, mas tem que ter”. No transporte, ele diz ser preciso testar de fato o Sistema Integrado de Controle e Monitoramento dos Recursos e dos Produtos Florestais (SISPROF). “É um plano bonito, no papel, tomara que funcione em condições de campo”. E, na comercialização, é importante qualificar os fiscais e agentes aduaneiros, tornando-os capazes de reconhecer o mogno, que chega aos portos identificado como cedro, louro vermelho ou outros nomes de espécies não ameaçadas de extinção, para burlar a fiscalização. “Em resumo, estamos no meio do jogo, vamos ver quem vai ganhar. Espero que seja a floresta”, complementa o coordenador do Greenpeace.
Regras unificadas
Garo Batmanian, presidente do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC-Brasil), destaca o fato das novas medidas aplicarem ao mercado interno as regras do Apêndice II da CITES, que regulam apenas exportações. “O acordo internacional submete todo lote de mogno a ser comercializado a uma avaliação de autoridades científicas independentes, que vão dizer se o corte daquela madeira é sustentável, de forma complementar à autoridade administrativa – no caso o Ibama – que diz se a madeira é legal ou não”, explica Batmanian. “Com isso, o Brasil não vai ter duas classes de mogno, o de exportação e o de consumo interno, mas uma só, o que facilita a fiscalização e, devido à avaliação científica, é quase como uma certificação”.
antibiotics buy online style=”MARGIN: 0cm 0cm 0pt”>Os detalhes técnicos das novas normas – como o diâmetro de corte de 60cm e a obrigatoriedade de inventariar árvores acima de 20cm – são igualmente enfatizados pelo agrônomo e mestre em Ciências Florestais, Edson Vidal, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Ele acredita que as informações do inventário ajudarão a conhecer melhor a espécie e manter um número mínimo de matrizes para assegurar a renovação. Vidal alerta, porém, para a falta de conhecimento sobre detalhes importantes, como a polinização natural do mogno, que podem influenciar a efetividade das restrições ao corte de árvores em desmatamentos autorizados.
“No caso das castanheiras, que ficam isoladas em meio a pastagens, sabemos que não funciona, pois se trata de uma espécie de polinização cruzada, e reprodução inviável, se não há matas próximas. No caso do mogno, ainda não sabemos muito, de modo que o ideal seria preservar blocos de mata dentro das propriedades ao invés de árvores isoladas”, observa. Como a distribuição do mogno é bem conhecida no Brasil – do Sul do Pará e Norte de Mato Grosso a Rondônia e Acre – melhor seria não autorizar desmatamentos onde há ocorrência. Ou, conforme previsto pelo Ibama, autorizar desmatamentos apenas com planos de manejo específicos para o mogno. (Liana John)
Bush dispensa fábricas e usinas de cumprir leis ambientais
Washington
O governo do presidente George W. Bush dispensou nesta quarta-feira milhares de fábricas, refinarias e usinas de energia de instalarem custosos equipamentos antipoluentes ao modernizarem suas instalações.
buying online FONT-FAMILY: Arial”>A agência americana de Proteção Ambiental permitirá que as empresas considerem como “manutenção de rotina” 20% dos gastos em modernização – o que as exime de implantar normas de proteção ao meio ambiente de alto custo, segundo documento obtido pela Associated Press.
best price for cialis Arial”>A nova política implica em uma mudança radical em relação aos parâmetros impostos em 1971.
A nova norma aprovada nesta quarta-feira pela administradora em exercício da agência ambiental, Marianne L. Horinko. (AE-AP)
Ruralistas deixam luta sobre transgênicos para o Congresso
Os deputados favoráveis à biotecnologia desistiram de convencer o Executivo a enviar ao Congresso um projeto de lei que facilite a pesquisa e o plantio de transgênicos no País. Depois de analisar o esboço da Lei de Biossegurança e considerá-lo severo demais, ruralistas torcem para que o texto chegue o mais rapidamente possível à Câmara.
“Vamos desburocratizá-lo e flexibilizá-lo”, disse o deputado Leonardo Vilela (PP). O deputado Darcísio Perondi (PMDB) concorda. “Se o governo Lula optou por não ser coerente na questão da biotecnologia, o Congresso será.”
O ministro da Casa Civil, José Dirceu, prometeu em reunião com parlamentares ruralistas que o projeto seguirá em regime de urgência constitucional. “Nesse caso, o texto será votado em 45 dias”, enfatizou o presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados, Waldemir Moka (PMDB).
EIA-Rima
Do mesmo cheapest cialis order antibiotics online prices modo que os deputados ruralistas se movimentam, os parlamentares mais resistentes à transgenia analisam o esboço e já estudam alterações. Uma delas é acrescentar ao texto a obrigatoriedade de estudo e relatório de impacto ambiental (EIA-Rima) para as variedades geneticamente modificadas. “No texto, a necessidade de estudo está implícita. Queremos que a exigência tenha destaque”, afirmou o deputado João Alfredo (PT).
Segundo ele, a última versão do projeto deixa claro que as autorizações dependem dos ministérios. A Resolução 305 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) exige como pré-requisito para a liberação o EIA-Rima. A necessidade ou do não do estudo já causou um impasse jurídico relacionado à soja Roundup Ready, da Monsanto.
Alfredo lembra que é preciso esperar a versão final do texto, mas numa análise preliminar os deputados são favoráveis ao princípio da precaução, defendido pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “Sem uma certeza sobre os riscos dos transgênicos para a saúde e para o meio ambiente, a moratória é uma necessidade”, afirmou. Ele lembrou que há na Câmara dos Deputados um projeto de lei, número 216/99, da então senadora Marina Silva, que propõe, entre outros pontos, cinco anos de espera para aprovação de alimentos geneticamente modificados.
Recursos
O Ministério Público Federal e o Greenpeace recorreram contra o despacho da juíza federal Selene Maria de Almeida, que suspendeu a proibição de estudos, plantio e comercialização de soja geneticamente modificada no Brasil. A procuradora regional da República Deborah Macedo Duprat quer que Selene reconsidere o despacho e o tribunal anule imediatamente os efeitos da liminar. As conseqüências do despacho foram interpretadas de maneira diferente pelas autoridades e pelas partes envolvidas. A Monsanto sustentava que a soja transgênica havia sido liberada. O TRF também divulgou esta versão.
Já o advogado-geral da União, Alvaro Augusto Ribeiro Costa, avaliou que a medida não liberou a soja porque a legislação prevê uma série de restrições para o plantio e a venda do produto e prévias autorizações de órgãos competentes, incluindo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “A decisão não altera a lei”, afirmou anteriormente. (Fabiola Salvador e Mariângela Gallucci)
Ribeirão Pires, município em área de manancial, lança Agenda 21 Local
A cidade de Ribeirão Pires, município da Região Metropolitana de São Paulo totalmente dentro da área de manancial prescription cialis da Represa Billings, lança hoje sua Agenda 21 Local, documento com propostas para o desenvolvimento sustentável da cidade para os próximos 20 anos. Refúgio turístico para moradores de Santos e Santo André até os anos 60, Ribeirão passou, a partir dos anos 70, a pegar carona na industrialização do ABC e se tornar cidade dormitório, através da conurbação com os municípios vizinhos, como Mauá.
Apesar disso, conseguiu manter a maior parte de sua paisagem de Mata Atlântica e, agora, tenta reverter esse processo de ocupação “natural” e investir na vocação turística e de indústrias não-poluentes, como a extração e industrialização de água mineral. A Agenda 21 tem a finalidade de indicar os caminhos para o município atingir esse objetivo.
Através da Agenda 21, instrumento de planejamento participativo criado durante a Rio-92, poder público e comunidade definem as prioridades para o desenvolvimento da cidade respeitando o meio ambiente. O documento de Ribeirão foi elaborado a partir de propostas apresentadas em plenárias regionais e temáticas organizadas pelo Fórum da Cidade, espaço criado pela prefeitura em 2001 para debater o futuro do município, e envolveu cerca de 800 pessoas.
Entre as metas na área de qualidade ambiental, o documento prevê a universalização do abastecimento e tratamento de água buy drugs online e de esgoto em cinco anos, utilizar a água de reuso, implantar programa para eliminar áreas de risco nas áreas urbanas, implantar unidades de entrega voluntária para coleta seletiva de lixo e recuperar áreas degradas. (Maura Campanili)
Audiência pública discute política de resíduos para São Paulo
purchase antibiotics online style=”FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; cialis purchase mso-bidi-font-size: 12.0pt”>A gestão dos resíduos sólidos foi tema de uma audiência pública realizada hoje, na Assembléia Legislativa de São Paulo, pelo grupo de trabalho que está elaborando uma proposta de Política Estadual de Destinação de Resíduos Sólidos. Criado em maio último, o grupo é presidido pelo deputado Arnaldo Jardim (PPS) e deverá apresentar o projeto até o fim de setembro.
Segundo o deputado Rodolfo Costa e Silva (PSDB), a idéia do grupo de trabalho é apresentar uma proposta conjunta, a partir dos quatro projetos que tramitam na Assembléia sobre o assunto (dos deputados Donisete Braga, Luís Carlos Gondim, Jorge Caruso e do próprio Costa de Silva), do projeto de Política Nacional apresentada na Câmara dos Deputados, pelo deputado Emerson Kapaz, além das sugestões colhidas em eventos e audiências públicas promovidos sobre o assunto. “Nossa preocupação é criar uma lei que garanta a competência e independência dos municípios, mas mostrando as responsabilidades de todos os setores envolvidos”, disse.
Entre as preocupações que deverão nortear o projeto, estão os princípios de sustentabilidade, responsabilidade pós-consumo, poluidor-pagador e da precaução. Além disso, os participantes da audiência salientaram a importância de garantir a formação de gestores públicos capacitados para escolher as melhores soluções e tecnologias, assim como incentivos, principalmente fiscais, para empresas que trabalhem com reciclagem. Lady Virgínia Rodrigues Menezes, assessora da diretoria de Engenharia, Tecnologia e Qualidade Ambiental da Cetesb, recomendou ainda incentivos para os municípios adotarem planos de ação integrada, com a ajuda do Estado, e a criação de um seguro ambiental, para garantir a recuperação de áreas degradadas e passivos ambientais.
Sônia Lima, gerente de Meio Ambiente de São Bernardo do Campo, sugeriu que a proposta adote uma visão social para a gestão dos resíduos domiciliares. “Estes são os mais difíceis de ser recolhidos e reaproveitados e necessitam da sociedade mobilizada e informada. As cidades brasileiras já contam com uma gestão informal que dá conta de 25% dos resíduos, através dos catadores. Esse componente precisa ser incluído e incorporado na gestão”, disse.
Para Sônia, além de importante para a limpeza urbana, essa população movimenta recursos, que também precisam ser trazidos para a formalidade, e pode alavancar negócios. O desperdício de material reciclável é calculado, atualmente, em R$ 300 milhões ao ano no Estado.
As discussões sobre a Política Estadual de Resíduos prosseguem amanhã, com o tema Resíduos da Construção Civil, a partir das 9 horas, na sede do Sindicato da Indústria da Construção (Rua D. Veridiana, 55, São Paulo), e no próximo dia 28, com mais uma audiência pública, na Assembléia, com o tema Instrumentos Econômicos de uma Política Estadual de Resíduos Sólidos. (Maura Campanili)
Unindo esportes de aventura, educação ambiental e construções sustentáveis
Deficiente visual pratica arvorismo, no Alphavillage, em Itu.
Em meio à proliferação de operadoras e pousadas, que trabalham com destinos de turismo de aventura e ecoturismo no Brasil, algumas se destacam pela preocupação com conceitos e posturas ecologicamente corretas em infra-estrutura e nos serviços menos evidentes para o público. Um desses casos é o do ecoresort Alphavillage, que ocupa 70 hectares no município de Itu, a 75 km de São Paulo. Inaugurado em maio último para atividades diárias, o empreendimento acaba de abrir os sete chalés – todos construídos de forma sustentável, com madeira certificada – para fins de semana e eventos.
A propriedade, adquirida há 9 anos, é objeto de um intenso programa de recuperação ambiental e paisagístico, do qual atualmente best price cialis participam também as crianças e visitantes interessados no plantio de mudas de árvores nativas. Abriga ainda um criadouro conservacionista de aves e mamíferos apreendidos pelo Ibama, com um espaço destinado à recuperação dos animais e outro, à readaptação ao ambiente natural, quando há condições de soltura.
Algumas trilhas suspensas permitem a realização de caminhadas, com impactos ambientais reduzidos. E há estruturas adequadas para a prática do arvorismo (travessia entre plataformas instaladas nas copas das árvores), trekking (caminhadas em terrenos acidentados), tirolesa (travessia suspensa em cabo de aço, neste caso sobre um lago, com um total de 180 metros) e rapel (descida em cordas, numa encosta de pedra de 14 metros).
Selo verde
Mas o grande diferencial está nas construções, todas feitas de acordo com conceitos arquitetônicos ecologicamente corretos e madeira certificada, proveniente da Amazônia e aparelhada numa marcenaria, localizada dentro do ecoresort. A marcenaria é da Ecolog, empresa do mesmo proprietário do Alphavillage, o engenheiro civil Fábio de Albuquerque. Além de estar em fase de obtenção do selo verde – do Forest Stewardship Council (FSC), uma das maiores certificadoras do setor madeireiro – a empresa trabalha com conceitos ambientalmente corretos em toda a cadeia de custódia, isto é, da extração das árvores, no município de Boa Vista do Abunã, em Rondônia, até o produto final.
Isso inclui treinamento de recursos humanos e beneficiamento parcial das toras ainda na comunidade extrativista, agregando valor à madeira, e, na outra ponta, envolvimento de jovens das vizinhanças do ecoresort em cursos profissionalizantes, no trabalho de marcenaria. As peças produzidas foram utilizadas nos chalés, agora inaugurados, que funcionam como uma espécie de showroom para os interessados.
“O aproveitamento da madeira é o melhor possível, com a racionalização dos cortes para construção – reduzindo o desperdício – e aproveitamento de retalhos para produzir pequenas peças como candelabros ou até canetas”, conta Albuquerque. “Nos chalés, a preocupação é interferir o mínimo possível no ambiente e proporcionar o máximo de conforto, então construímos sobre pilotis, o que dispensa a terraplenagem, preserva a paisagem e evita problemas comuns em casa cercadas de vegetação, como umidade e mofo”. Uma série de outros detalhes garante luz, ventilação e temperaturas internas adequadas, de modo natural, sem gastos extras de energia, além de facilitar a manutenção.
Trilhas para tatear e ouvir
Neste final de semana o ecoresort Alphavillage recebe o Grupo Terra, de São Paulo, para um programa ecoturístico diferente: 70 deficientes visuais vão percorrer as trilhas, visitar o criadouro conservacionista e praticar arvorismo, acompanhados por 60 voluntários “videntes”. O grupo existe desde outubro do ano passado e se reúne uma vez por mês – com um número sempre crescente de participantes – para passeios em áreas preservadas.
“Já fomos para a Riviera de São Lourenço, no litoral norte de São Paulo, para cidades do interior, como Jaguariúna, e sítios, como Itupeva” conta buy amoxicillin online a publicitária Isabela de Abreu, uma das idealizadoras do Terra. O grupo reúne amigos de 24 a 40 anos em passeios animados, onde os “videntes” narram tudo o que vêem, identificam os sons ao longo das trilhas e orientam os deficientes visuais em relação ao que pode ser tocado. Esta será a primeira vez que eles fazem arvorismo, já testado por alguns integrantes do grupo mais corajosos, no próprio ecoresort.
Serviço: O Alphavillage fica na Rodovia Castello Branco, km 75, em Itu, SP. Os telefones são (11) 4026 1050 ou 4026 1030 e site www.alphavillage.com.br (Liana John)
Abuso compromete abastecimento de água no DF
Por mais de 20 anos, a agressão não teve freio. Depois de abrir ruas e fincar postes de energia, furar um poço era o passo seguinte para inaugurar mais um condomínio clandestino no DF. A água que chega hoje às casas de 300 mil moradores de ocupações irregulares é sugada de uma profundidade média de 150m e, em 90% dos casos, sem os cuidados técnicos exigidos pela lei para evitar danos à natureza, como a contaminação do próprio reservatório natural no subsolo.
Só agora, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), órgão que autoriza e fiscaliza a perfuração dos poços, começa a mapear o tamanho do estrago (leia quadro), por meio de fotos de satélites. O trabalho começou em março e deve ficar pronto em três meses, mas estima-se que existam cinco mil poços tubulares profundos, ou artesianos. Apenas 434 foram autorizados.
”Cerca de 80% estão nas áreas dos condomínios”, afirma o secretário Jorge dos Reis Pinheiro, da Semarh. A maioria, no Bairro Grande Colorado, em Sobradinho, que tem 57 loteamentos irregulares. Outros 14% estão em locais abastecidos pela Caesb, como Lago Sul e Park Way, onde moradores furam poço para economizar dinheiro e manter os jardins verdes e as buy doxycycline online piscinas sempre cheias. Os demais ficam em áreas agrícolas e a água é usada para irrigar plantações.
Nesses 20 anos de exploração clandestina, o desperdício imperou. Os condomínios retiram hoje do subsolo pelo menos 1,7 bilhão de litros d’água por mês para abastecer 300 mil moradores – 14% do volume que a Caesb usa para abastecer 1,9 milhão de habitantes do DF. O cálculo levou em consideração o consumo diário de 189 litros/habitante – a média do brasiliense. Mas como não há medição da água dos poços, o gasto pode ser significativamente maior.
Negócio rentável
Em áreas mais pobres, a água do subsolo virou negócio rentável. Redes clandestinas abastecem as casas. As famílias pagam ao dono do poço. É assim nos arredores de Planaltina. O mineiro Laércio Moraes de Castro, 60, comprou há três anos quatro poços que distribuem água aos loteamentos Estância Mestre D’Armas e Residencial Sarandy. E construiu mais três.
Os poços funcionam 24h por dia. Cerca de 750 famílias pagam uma taxa mensal, de R$ 19 a R$ 24. ”No final do Mestre D’Armas, na área de brejo, nossos funcionários não conseguem entrar para cortar as ligações clandestinas. São expulsos por gente armada”, conta. Por conta das ligações irregulares e da taxa única, o morador não economiza. Segundo Laércio, o consumo diário de cada usuário dos seus poços é de 3,5 mil litros – no Lago Sul, a média é de 600 litros/dia.
Na periferia de Planaltina, o consumo de quem recebe água dos poços e mora em casas simples, é quase seis vezes maior.”Antes, a gente usava água da cisterna. Era barrenta, não prestava nem para lavar louça”, lembra Geraldo Leite, 42 anos, cozinheiro casado com Maria Izabel Jesus da Silva, 36, e pai de Daniel, o menino de 10 anos que joga pelada descalço num campinho de poeira. Na vizinhança, moradores usam o esguicho da mangueira para apagar a poeira farta nas ruas.
Só depois de problemas com o abastecimento, moradores de condomínios passaram a se preocupar com o desperdício. Alguns já começaram a racionar água e a instalar hidrômetros para que o morador pague pelo consumo e se eduque a gastar menos. É o caso do Solar de Athenas, em Sobradinho. Desde 2000, as 265 casas e os 30 prédios comerciais do condomínio têm medição do gasto de água. ”O consumo baixou muito. Não há mais necessidade de racionar água”, explica o administrador generic cialis buy online Pedro Teles.
Água de chuva
A taxa de condomínio de R$ 140 inclui gasto de 30 mil litros de água por residência. Quem excede o limite, paga extra. A vazão de cada um dos cinco postos do Solar de Athenas é de 2,5 mil litros/hora – média próxima à vazão dos poços do Nordeste (2 mil litros/hora) e bem abaixo à média no DF – de 8 mil litros/hora. Por conta do problema, os moradores se conscientizaram da importância de repor a água do subsolo.
Caixas de recarga – um buraco de um 1,5m de profundidade coberto por cascalho – foram construídas no quintal de casas para coletar a água da chuva. O estatuto do condomínio determina que 40% do terreno sejam reservados para área verde. ”Ao contrário do que muita gente acredita, o DF tem pouca disponibilidade de água subterrânea. Se você retira mais água do que a capacidade de reposição natural, o poço seca”, explica José Elói Campos, professor de Hidrogeologia da Universidade de Brasília (UnB).
Uma das medidas para permitir a recarga do aqüífero (reservatório de água no subsolo) é não manter o poço funcionando as 24 horas do dia. O que quase nunca é obedecido. No Condomínio Ville de Montagne, no Lago Sul, os cinco poços ficam ligados o dia todo. E não dão conta da demanda. É preciso revezar o fornecimento de água nas quadras para garantir o abastecimento diário nas 620 casas e 210 construções.
Como não há medição do consumo, o gasto é alto – 964 litros/dia por habitante – acima do consumo no Lago Sul (600 litros/habitante), o mais elevado do DF. ”Mas em setembro, todas as casas terão hidrômetro e o morador pagará pelo que consumir”, avisa José Lurtiz Alves de Lima, presidente da associação de moradores do condomínio.
Depois do mapeamento, os técnicos da Semarh visitarão os locais para orientar sobre a regularização e interditar os poços sem condições de operar. Mas a indústria da água e o desperdício devem acabar, com a regularização dos condomínios. ”Aos poucos, os poços de todos os condomínios serão substituídos pelas redes da Caesb. O problema não é só a contaminação ambiental, mas riscos de saúde para os moradores que recebem água sem tratamento”, comenta Fernando Leite, presidente da Caesb. Em Planaltina, já foram investidos R$ 90 milhões para abastecer bairros de baixa renda. A promessa é levar água a todas as casas do DF até 2006. (Rovênia Amorim / Da equipe do Correio)
Sabesp promete eliminar mau cheiro do Pinheiros
Uma avaliação da Segunda Etapa do Projeto Tietê, realizada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), responsável pelas obras, estima que cerca de 300 milhões de litros de esgoto deixarão de ser despejados por dia nos buy buy antibiotics online no prescription cialis online usa rios e córregos da Bacia do Alto Tietê até 2005. Entre as conseqüências aparentes da conclusão desta etapa estão o fim do mau cheiro no Rio Pinheiros e a diminuição de 40 quilômetros do trecho do Rio Tietê sem oxigênio, que hoje vai até a Barragem do Rasgão e recuará até a Barragem de Pirapora.
Antes da primeira etapa do Projeto, segundo Antonio Marsiglia Netto, diretor de produção e tecnologia do Projeto Tietê, a mancha de poluição chegava até Barra Bonita e recuou 120 quilômetros. Para a população da Região Metropolitana, porém, essa diminuição não foi “visível” . Iniciadas no ano passado, as obras desta fase incluem o término da construção de interceptores no Rio Pinheiros (tubos de grandes diâmetros que recebem os esgotos dos coletores antes que cheguem ao rio), além de 1,2 mil quilômetros de redes coletoras e 290 mil ligações domésticas de esgoto.
“Para que se atinja essa meta, porém, é preciso que a população faça sua parte, solicitando a ligação ao ramal”, diz Marsiglia. Quando a rede coletora é instalada em uma determinada rua, os moradores são avisados e têm um prazo para pedir a ligação gratuita ao ramal. A partir daí, passam a pagar pelo esgoto coletado (calculado conforme o consumo de água). Conforme o diretor do Projeto Tietê, a Sabesp avisa que o serviço está disponível, mas não tem poder de polícia para forçar as ligações. “No município de São Paulo, existe uma lei obrigando a ligação à rede de esgoto, mas nem todas as cidades têm legislação sobre o assunto. A Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, também pode ser acionada e fiscalizar”, explica.
Segundo Marsiglia, com a terceira etapa do Projeto Tietê, prevista para começar em 2007 e terminar em 2010, apenas o trecho central de São Paulo, de Guarulhos até o encontro com o Pinheiros, terá falta total de oxigenação. “Ainda não teremos solução para os esgotos de Guarulhos, que dependem de obras municipais e de interceptores que só começarão a ser construídos na terceira etapa, e na foz do Tamanduateí, que também continuará poluído.” O diretor do Projeto Tietê destaca ainda que, cerca de um terço da sujeira que chega atualmente à Bacia é poluição difusa, ou seja, lixo jogados nos rios e córregos ou nas galerias pluviais das cidades.
Os resultados concretos das obras estarão sendo monitorados pela população, através do Observando O Tietê, programa da Fundação SOS Mata Atlântica, que atualmente é o componente oficial de educação ambiental e mobilização social do Projeto Tietê. Atualmente, já estão atuando 220 grupos (na maior parte formados por alunos de escolas), que monitoram a água do Alto e Médio Tietê duas vezes ao mês. A meta é atingir 300 grupos, que utilizam um kit de monitoramento para medir os principais indicadores de qualidade da água.
“Embora a meta estimada pela Sabesp, de acabar com o odor do Pinheiros até 2005, não seja algo que se possa medir cientificamente, é um indicador importante da qualidade da água para a população. No Médio Tietê, várias comunidades deixaram de realizar festas, que aconteciam nas margens do rio, por causa do mau cheiro. Algumas dessas festas já voltaram a acontecer”, conta Fabrizio Violini, coordenador dos grupos do Observando.(Maura Campanili)
Juiz exclui todo banco de Abrolhos de exploração de petróleo
O juiz substituto Marco Antonio Barros Guimarães, da Justiça Federal em Ilhéus, na Bahia, concedeu liminar suspendendo os 243 blocos referentes à exploração de petróleo no Banco de Abrolhos da 5ª rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
A liminar é uma medida cautelar preparatória de uma ação civil pública a ser movida, num prazo de 30 dias, pelo Ministério Público Federal (MPF), também de Ilhéus, devido aos riscos ambientais buy antibiotics without prescription potenciais da pesquisa, perfuração e operação de poços de petróleo, na região. A própria ANP já havia retirado 162 destes 243 blocos do leilão, mas o juiz ampliou a vitória dos ambientalistas.
De acordo com informações da Justiça Federal de Ilhéus, a medida cautelar não se refere apenas ao presente leilão da ANP, em curso hoje e amanhã, mas a qualquer rodada de licitações que eventualmente inclua estes blocos. Conforme alertam pesquisadores e ambientalistas – que em maio publicaram um relatório técnico sobre o assunto, coordenado pela Conservation International – qualquer atividade de mineração no banco coralíneo é potencialmente impactante.
O Banco de Abrolhos tem uma área rasa, de até 200 metros, com um total de 32 mil km2, dos quais 913 km2 pertencem ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Em volta dos corais, ainda existe um banco de algas calcáreas, fixadoras naturais de carbono, e, ao Sul, uma extensa cadeia de montanhas submersas, conhecida como Vitória-Trindade. O conjunto constitui a região de mais alta biodiversidade do Atlântico Sul, além de ser local de reprodução das baleias jubartes e de diversas espécies de aves marinhas.
Além do risco de acidentes com vazamentos de petróleo e dos impactos da perfuração dos poços de petróleo – devido à liberação de fluidos tóxicos e sedimentos no mar – a operação normal dos poços também é fonte de problemas. Tanto as conexões das sondas com os depósitos de petróleo submarino como as conexões dos poços com os navios de transporte vazam de modo contínuo. Embora as quantidades não sejam grandes, frente à massa de água do oceano, a situação particular das correntes marinhas em Abrolhos pode favorecer o acúmulo de poluentes, em alguns locais, potencializando seus impactos.
“A chamada corrente do Brasil – que circula no sentido Nordeste-Sudeste, perto da costa, proveniente da corrente sul equatorial África-Brasil encontra um grande obstáculo no cialis soft tabs vs cialis Banco de Abrolhos e na cadeia de montanhas Vitória-Trindade”, diz Milton Campbell, especialista em sensoriamento remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Ali, a corrente se divide em duas, com o canal principal fluindo entre Abrolhos e o litoral e um ramo secundário dando a volta por fora do banco. Mas não é sem turbulências: vários rodamoinhos (ou vórtices) se formam e se desmancham, para dispersar toda esta energia, chegando a ter entre 50 e 150 km de diâmetro, com duração variando entre 7 e 30 dias”.
De acordo com o pesquisador, os rodamoinhos têm um papel importante na distribuição de nutrientes, tanto no sentido horizontal, como vertical, funcionando como grandes misturadores. Um vazamento de petróleo ou outros poluentes, nesta região, “estaria longe de ser uma coisa simples”, alerta Campbell, admitindo que os rodamoinhos podem funcionar como armadilhas e concentrar poluentes nas frentes oceânicas, que são as áreas onde se encontram as águas de densidades diferentes. “A avaliação dos efeitos de cada vazamento dependeria da elaboração de modelos, simulando a circulação local e considerando ainda os ventos e a direção das correntes”, diz. (Liana John)
Governo não chega a acordo sobre transgênicos
Terminou sem acordo a reunião do ministro-chefe da buy antibiotics Casa Civil, José Dirceu, com outros quatro ministros para definir a posição do governo Lula sobre a liberação ou não do plantio de alimentos transgênicos no País. Segundo a assessoria de Imprensa da Casa Civil, o encontro não foi conclusivo e serviu para Dirceu recolher informações que serão apresentadas ao presidente, a quem caberá a decisão final. O ministro-chefe da Casa Civil deverá reunir-se com representantes do Núcleo Agrário do PT para how to get cialis tratar da questão. O governo prepara projeto de lei que será enviado ao Congresso regulamentando o plantio de transgênicos. O encontro de Dirceu com os ministros começou por volta das 18h30 e terminou às 20 horas. (Fabíola Salvador)

