Alimento orgânico ganha espaço no mercado
A liberação da safra de soja transgênica na semana passada por medida provisória dividiu os produtores orgânicos. Contrários por princípio aos grãos geneticamente modificados, os agricultores orgânicos temem que a certificação de suas culturas pelos órgãos que estabelecem o padrão de qualidade orgânica seja dificultada diante da possibilidade de contaminação de suas lavouras por sementes transgênicas. Por outro lado, a rejeição a alimentos transgênicos por consumidores mais exigentes e preocupados com responsabilidade sócio-ambiental poderá levar, assim como ocorreu na Europa, a um aumento da procura por orgânicos - produtos de maior valor agregado que costumam dar mais lucros para quem os produz e, sobretudo, os comercializa.
Um dos poucos segmentos a registrar crescimento de vendas nos supermercados no último ano, o orgânico movimenta hoje R$ 300 milhões. É ainda muito pouco diante do tamanho do mercado global, de US$ 25 bilhões, e do fato de que a maior parte da produção nacional (área estimada em 500 mil hectares) é voltada para o exterior. No caso dos 3.800 agricultores certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD), uma dos mais importantes certificadoras de orgânicos do País, 80% da produção é exportada.
Na Europa, sucessivas crises alimentares resultantes de processos massificados de produção - como “vaca louca”, salmonela e contaminação de Coca-Cola, na Bélgica -, além da briga dos ambientalistas contra os transgênicos, levaram ao boom do mercado de orgânicos. Na década de 90, as taxas de crescimento eram de 40% a 50% ao ano. Agora, a taxa está estabilizada em 15%. Diante da alta margem paga inicialmente pelos orgânicos, produtores saíram correndo atrás de conversão e hoje já há superoferta de itens como açúcar, soja e café.
Ainda que as taxas de crescimento do mercado doméstico sejam baixas, o orgânico está passando por uma fase de transição importante. “O conceito está sendo submetido à profissionalização: saiu das feirinhas e foi para o supermercado”, avalia o diretor comercial da Native, marca de açúcar e alimentos orgânicos industrializados do grupo Balbo, Leontino Balbo Junior.
“Estamos entrando na fase de embalagens, industrialização, grandes empresas.
O mercado de hotéis, restaurantes e hospitais está virando um sério consumidor.”
O grupo Balbo, dono da Usina São Francisco, começou exportando açúcar orgânico há seis anos e hoje detém a maior produção mundial do produto, fornecendo o ingrediente para mais de cem grandes clientes nos Estados Unidos, Europa e Ásia. A participação dos orgânicos no faturamento do grupo tem crescido 20% ao ano e este ano deve chegar a R$ 36 milhões de uma receita total de R$ 225 milhões do grupo. Agora, a empresa está investindo na ampliação da linha da Native, que já oferece açúcar, café e suco de laranja, e também na sua internacionalização.
No grupo de supermercados Pão de Açúcar, a venda de orgânicos cresce 15% ao ano e hoje representa 3,7% das vendas de frutas, legumes e verduras (FLV).
“Até o fim de 2004, nossa expectativa é chegar a 5%”, diz o diretor comercial de FLV do Pão de Açúcar, Leonardo Myiao. O grande entrave para esse crescimento, segundo Myiao, é a oferta de produtos que obedeçam aos padrões de qualidade do supermercado. “Falta produto em quantidade e qualidade. Eu tenho consumo para uma base de oferta pelo menos o do que tenho hoje.”
Para aumentar a oferta de produtos, o Pão de Açúcar tem estimulado a conversão de seus fornecedores tradicionais para orgânicos. Prática similar tem sido adotada pela GaMa, produtora de soja orgânica do Paraná que é uma das maiores exportadoras do produto no País. A empresa investe, por ano, US$ 30 mil na conversão de lavouras em seu entorno, processo que costuma levar de dois a quatro anos, dependendo da cultura, e já conta com 350 produtores associados. Com 80% da produção própria e dos associados destinada ao mercado externo, a GaMa quer aumentar a presença no mercado doméstico com outros produtos, chegando diretamente ao consumidor com a marca própria Brasil Organics. “Temos arroz, feijão e milho para pipoca e estamos lançando salgadinho de soja, doces de banana e caju”, conta o diretor de marketing da GaMa, Leonardo Gardemann.
Dificuldades
A busca pela ampliação do mercado doméstico reflete a saturação do mercado internacional. Com 4,3 mil hectares, o agricultor Clodoveu Franciosi, da Fazenda Céu Azul, em Mato Grosso, o maior produtor de soja orgânica do mundo, está com dificuldades para vender sua produção deste ano lá fora. “Espero que o fato de agora termos transgênicos no Brasil acabe ajudando a aumentar a procura por orgânicos”, espera Franciosi.
Apesar do interesse despertado pelos produtos cultivados sem agrotóxicos, defensivos ou hormônios e do potencial de consumo, o preço alto é um dos principais inibidores do crescimento desse mercado. “Os varejistas exageram nos preços, com margens de lucro exorbitantes”, reclama o vice-presidente do IBD, Alexandre Harkaly. “Não há justificativa técnica para cobrar 300% a mais.” Pelas contas do IBD, os custos de produção orgânica variam entre 30% a 50% a mais, dependendo da cultura.
Além do fator preço, o mercado de orgânicos enfrenta a falta de política pública. A produção e o processo de certificação de lavouras não são regulamentados por lei - há apenas duas instruções normativas no Ministério da Agricultura. O resultado é que existem mais de 20 certificadoras no País - enquanto nos países desenvolvidos não passa de uma ou duas. “Falta estrutura, por parte do governo, para monitorar as certificadoras e o mercado. Há muita fraude e faltam instrumentos para dar segurança ao crescimento do mercado”, diz Harkaly. Na sua avaliação, o tema está pulverizado em diferentes órgãos da administração federal, e sob a responsabilidade de alguns poucos técnicos dos ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente.
Garoto-propaganda
O mercado de orgânicos tem um garoto-propaganda especial, o ator global Marcos Palmeira, dono da fazenda Vale das Palmeiras, em Teresópolis (RJ), onde a produção é irrigada com água de mina e os animais tratados com homeopatia. O ator começou produzindo leite convencional, há sete anos e, ao ver que seus funcionários não comiam a alface que plantavam por causa dos agrotóxicos, acabou convertendo toda a propriedade. “A fazenda ainda não dá dinheiro, pois eu quis fazer a coisa de forma rápida e reinvesti tudo”, diz o ator, que tem uma renda anual de R$ 300 mil. “Meus custos estão quase ali, mas dentro de um ano devo estar tendo lucro. Acabamos de atingir o equilíbrio ecológico no controle de pragas, o que levará a uma redução grande de custos.”
Crítico dos altos preços cobrados pelos varejistas, Palmeira tem como meta vender seus produtos pelo mesmo preço dos não orgânicos. “Meu maior custo é com logística e distribuição, e não mais com a produção”, diz. Indignado com a liberação dos transgênicos, o ator resolveu que, depois de acabar as gravações de Celebridades, a próxima novela das oito da Rede Globo, passará um ano viajando pelo País, visitando assentamentos e terras indígenas e divulgando os princípios da agricultura orgânica. “Minha fazenda está transcendendo minhas fronteiras, quero ajudar a viabilizar o desenvolvimento da agricultura orgânica sustentável no Brasil”. (Mariana Barbosa)
Mancha de minério de ferro polui Praia do Além
Fiscais do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) constataram ontem, por volta das 11 horas, que a Praia do Além, em Anchieta, foi atingida por uma mancha de minério de ferro. Eles foram comunicados sobre o acidente ambiental por meio de uma denúncia anônima.
A mancha alcançou toda a extensão da praia - aproximadamente, 2,5 quilômetros - e 50 metros de largura. De acordo com o gerente da Fiscalização do Iema, Eliezer Cunha, é grande a possibilidade do minério de ferro ter sido proveniente de um navio que estava sendo carregado no porto da Samarco, que fica próximo à praia.
A Samarco foi notificada do acidente ontem pelo Iema. A empresa terá cinco dias para apresentar um relatório ao órgão ambiental, com informações relativas à emissão de minério de ferro no porto e as ações que poderão minimizar o impacto ambiental na área.
Prejuízos
Na avaliação do gerente de Fiscalização do Iema, a limpeza da praia será apenas viável, caso não provoque grandes prejuízos ao meio ambiente. Segundo ele, o vento pode remover o minério de ferro da praia. Cunha destacou que a vegetação de restinga e o mar também foram afetados pelo acidente.
“Logicamente, há um prejuízo ambiental. Em relação, ao mar, a cadeia alimentar pode ser prejudicada. A vegetação também ficará com impurezas”, salientou.
Os fiscais do Iema levaram não apenas amostras da areia e da vegetação da praia, como também do navio que estava carregando minério no porto da Samarco. Elas serão comparadas para verificar se a empresa tem alguma responsabilidade no acidente. O resultado dessa análise será divulgado na próxima semana. Cunha enfatizou que existe a possibilidade de a Samarco ser multada por causa do acidente.
Segundo ele, as atividades do porto da empresa apenas serão paralisadas, caso a emissão de minério de ferro atinja níveis alarmantes. “Sem dúvida, nunca vi tanto minério numa praia como hoje (ontem). É difícil precisar a quantidade que deve ter saído do porto, porque o minério que atinge o mar fica invisível. (Eric Menequini)”.
José Alencar assina MP que autoriza o plantio de transgênicos
A polêmica Medida Provisória que autoriza o plantio de soja transgênica na safra agrícola deste ano foi assinada no fim da noite de ontem pelo presidente interino José Alencar. Alencar relutou em assinar a MP por vários dias, e não escondeu o desconforto em ter de decidir sobre um tema que divide o governo, o Congresso Nacional e vários setores da sociedade. Diante de tamanha pressão, Alencar foi cauteloso. Antes de dar a palavra final sobre o tema, ouviu a posição das várias entidades envolvidas na questão dos transgênicos.
A MP valerá para todo o país, mas limita a plantação de soja transgênica à safra 2003/2004. As sementes geneticamente modificadas que não forem plantadas ou comercializadas até o dia 31 de dezembro de 2004, segundo a MP, terão que ser incineradas. Os agricultores também terão que assinar um termo de compromisso, responsabilidade e ajustamento de conduta para garantir que a plantação siga as normas estabelecidas pelo governo.
Entre as normas previstas, está a que proíbe que os agricultores comercializem sementes transgênicas em estados distintos aos que elas tenham sido produzidas. Esse item, na prática, limita o plantio ao estado do Rio Grande do Sul, mas foi a solução encontrada pelo governo para evitar que a MP fosse considerada inconstitucional ao permitir a plantação a um único estado.
Os agricultores que não seguirem as determinações da MP vão pagar multa da ordem de R$ 16 mil, prevista na Lei 10.688 de 2003 - que regulamentou o plantio de soja transgênica na safra 2002/2003. Os produtores rurais terão o prazo de 30 dias para assinar o termo de compromisso, que poderá ser adquirido nas agências do Correio, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Os agricultores que não assinarem o documento e não seguirem as determinações da MP ficarão impedidos de obter empréstimos e financiamentos de instituições oficiais de crédito, assim como não terão acesso a benefícios fiscais do governo. Além disso, os produtores que causarem danos ao meio ambiente ou a terceiros - por contaminação decorrente de cruzamento de sementes transgênicas - responderão pela indenização ou pela reparação integral do dano, independente de existência de culpa do produtor.
A Medida Provisória também proíbe o plantio de soja transgênica nas áreas de unidades de conservação e proteção ambiental, e em terras indígenas.
A edição da MP frustrou a expectativa de setores ambientalistas que defendiam um estudo de impacto ambiental antes da liberação do plantio da soja transgênica. O texto não obriga a realização do estudo, apenas institui uma comissão de acompanhamento integrada por vários ministérios e órgãos de defesa do meio ambiente, como o Ibama e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para supervisionar as determinações da MP.
Tema polêmico
A quinta-feira foi de intensas negociações no Palácio do Planalto. José Alencar ficou reunido do final da manhã até o início da noite com ministros e uma comissão de parlamentares que discute o tema junto ao governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reiterou sua posição contrária à liberação dos transgênicos. Já o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, defendeu o plantio para evitar prejuízos aos agricultores do Sul do país, que já possuem estoques de sementes geneticamente modificadas.
Os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Frei Sérgio (deputado estadual do PT-RS), integrantes da comissão de parlamentares que se reuniu com Alencar ao longo do dia, chegaram a abandonar o encontro depois de José Alencar ter revelado que realmente teria que assinar a MP. “Saímos de forma fraternal. Apenas os nossos caminhos se separaram. Cada um com a sua história. Abandonamos o barco, agora vamos recuperá-lo adiante para evitar um estrago maior”, disse Gabeira ao deixar a reunião.
À noite, houve mais uma tentativa de sensibilizar o presidente interino para não assinar a medida. Uma comissão de integrantes do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) foi ao Palácio do Planalto entregar a José Alencar uma moção, aprovada durante reunião do órgão, que faz um último apelo pela não liberação do plantio de transgênicos nesta safra. O Conama também entregou outra moção à ministra Marina Silva elogiando a sua postura contrária aos transgênicos.
Mesmo diante de tantos apelos contra a liberação dos transgênicos, Alencar acabou seguindo a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ontem, por telefone, já havia dado a orientação para que tomasse a decisão de liberar o plantio. A íntegra da Medida Provisória está publicada no Diário Oficial de hoje.
Campanha deve ressaltar características ambientais do biodiesel
Dez entidades debateram hoje durante quase seis horas, na Câmara dos Deputados, a utilização de biodiesel, principalmente aqueles derivados de óleos vegetais extraídos da soja, como substitutos graduais de combustíveis derivados de petróleo no “Seminário Internacional sobre Políticas Públicas para Biocombustíveis. Concluiu-se que a política de implementação de biodiesel deve ser inicialmente facultativa, para estimular os consumidores com maciças informações sobre seus custos mais baixos, sobre sua performance como combustível e, principalmente, sobre os benefícios ecológicos do seu uso, para somente depois tornar-se impositiva, em percentuais a serem definidos oportunamente pelo governo.
Durante o seminário, houve a posição unânime de que o biodiesel representa uma revolução para o futuro, em termos de Brasil, como foi a implantação do programa nacional do álcool nos anos 70, principalmente pelas condições existentes no país para a sua exploração e ampliação. “O Brasil é o pioneiro mundial na produção de biocombustíveis, o Proálcool, e pode tornar-se a principal referência mundial também na produção de biodiesel”, disse o representante da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Juan Diego Ferres.
Dados por ele apresentados destacaram que o Brasil é responsável por 26% da produção mundial de soja, com safra estimada de 51 milhões de toneladas em 2003, sendo o segundo exportador mundial de soja em grão, farelo e óleo vegetal, em valores projetados de US$ 8 bilhões este ano.
Em nome do governo, no debate, a representante do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Foster, informou que nos próximos dias, possivelmente no dia 1º de outubro, o grupo de trabalho sobre biocombustíveis, coordenado pela Casa Civil, deverá apresentar suas conclusões sobre a sua implantação. Ela acredita que, em um primeiro momento, a implantação de biodiesel derivado da soja e de outras oleaginosas (como mamona, caroço de algodão, amendoim, grirassol, colza, gergelim, palmiste e linhaça) deve ser feita de forma facultativa, não impositiva, estimulando o consumidor a mudar gradualmente sua preferência, como, no passado, houve a opção pelo álcool e hoje se usa o álcool misturado (em 25%) à gasolina.
Luiz Carlos Caio Carvalho, da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), disse que o petróleo, como fonte de energia, acabará neste século, “dentro de 40 ou 60 anos”, e que novas fontes alternativas de energia devem ser procuradas. Para o Brasil, segundo ele, a fonte mais adequada é a natural, que tenha como principal matéria-prima o óleo de soja e, a partir de sua implantação, estimule a crescente a utilização de outros óleos de outras oleaginosas.
Para o professor norte-americano Housein Shapouri, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, com a crescente produção agrícola em todo o mundo, “a conversão dos óleos vegetais em biodiesel é uma excelente alternativa para fazer escoar essa produção”. Shapouri alertou que, para o desenvolvimento da indústria de biocombustível, os incentivos são fundamentais, porque a produção de bioenergia custa mais caro do que a de produtos derivados de petróleo, com a vantagem de ser um produto renovável, ao contrário do petróleo, cujas reservas são limitadas.
Do longo debate ficou a proposta, apresentada pelo coordenador do evento, o deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), de que uma frente parlamentar deve ser formulada para melhor examinar o assunto e discutir com os órgãos decisórios do governo na área as formas de incentivar a implantação de uma política de utilização de biodiesel. A maioria dos debatedores concordou, também, que o governo deve definir o mais rápido possível sua política para a implementação do biodiesel derivado dos óleos vegetais. (Antônio Arrais / Repórter da Agência Brasil)
Conama aprova resolução para proteger dunas
O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) aprovou resolução nesta quinta-feira estabelecendo novas regras e critérios para atividades e empreendimentos turísticos em dunas sem vegetação na Zona Costeira do país. O texto modifica a Resolução 303/2002 do Conselho, que trata dos parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente.
De acordo com a nova Resolução, “somente poderá ser ocupada com atividade ou empreendimento turístico sustentável até 20% da extensão das dunas desprovidas de vegetação, limitada a ocupação a 10% do campo de dunas, recobertas e desprovidas de vegetação”. Além disso, as dunas que vierem a ser ocupadas deverão estar previamente definidas e identificadas pelo órgão ambiental competente e serem aprovadas pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente.
Ibama capacita técnicos em planejamento estratégico no RS
Na próxima segunda-feira, (29/09), a Diretoria de Gestão Estratégica do Ibama inicia o Seminário de Capacitação para Servidores Públicos, sobre técnicas de planejamento da gestão pública em Porto Alegre (RS). O curso, que vai até 3 de outubro, será realizado no Hotel Everest (Rua Duque de Caxias, 1357) das 9h às 12h30 das 14h às 18h.
O Seminário envolverá os funcionários da Sede do Ibama, de Brasília, e da Gerência do Rio Grande do Sul. Participarão os agentes dos escritórios de Tramandaí, Bagé, Rio Grande, Caxias do Sul, Passo Fundo, Santa Maria e da sede, em Porto Alegre. Também estarão no curso servidores dos Parques Nacionais Aparados da Serra, Serra Geral e Lagoa do Peixe, da Estação Ecológica do Taim, da Reserva Ecológica da Ilha dos Lobos, das Florestas Nacionais de São Francisco de Paula, Canela e Passo Fundo.
Hidrogênio, diesel e híbridos se destacam como tecnologias limpas
Sonoma, EUA
Os resultados dos testes de eficiência energética e emissões de poluentes e carbono, divulgados hoje, no Michelin Challenge Bibendum 2003, em Sonoma, nos Estados Unidos, colocaram os veículos movidos a hidrogênio, diesel e híbridos nos primeiros lugares, em contraste com as competições do ano passado, em que os destaques foram para motores a gás natural comprimido (CNG), gás natural líquido (LNG) e elétricos. Os 108 veículos competidores foram comparados através de sensores de última geração, em condições de uso, ou seja, ao ar livre e com o motor em movimento. Dados de laboratório, como os utilizados para a homologação de veículos comerciais, também integraram as avaliações.
Trinta e dois veículos foram premiados com ouro, pelo excelente desempenho na redução de emissões, com os índices de poluentes e gás carbônico (o principal gás do efeito estufa relacionado às mudanças climáticas) muito próximos de zero. Entre estes há modelos em produção como o Honda FCX (célula de combustível); o Civic GX (gás natural comprimido), também da Honda e o Prius 2003, da Toyota (híbrido de combustão interna a gasolina).
Dos protótipos, que receberam ouro em emissões de poluentes e carbono, três eram elétricos a bateria: o Courrèges La Bulle R, AC Propulsion Tzero e Zap Heibao HV. Também conseguiram a primeira colocação, nos dois quesitos, o protótipo de Mercedes-Benz Classe A (célula de combustível); o Suzuki Esteem (híbrido célula de combustível e bateria) e as duas versões do Hyundai Santa Fé (célula de combustível e híbrido de célula de combustível e bateria).
Parcialmente limpos
Alguns veículos obtiveram ótimo desempenho na redução de poluentes (hidrocarbonetos, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio), mas continuam emitindo níveis altos de carbono ou não realizaram os respectivos testes. Foi o caso do Nissan Sentra (combustão interna a gasolina), do Ford Focus FCV (célula de combustível), do Solar SoMo (solar); dos veículos de combustão interna a gasolina Honda Accord EX, Toyota Prius e Camry PZEV, Nissan Altima e Volvo S60 PZEV; além do híbrido de combustão interna e gás natural comprimido Volvo S80 e o híbrido de célula de combustível e bateria Toyota FCHV. E também as minivans de combustão interna a gasolina: Element 2 WD EX e Acura MDX Touring, da Honda; Sienna e Lexus RX 330, da Toyota; a híbrida Toyota FCHV (célula de combustível e bateria) e o protótipo da Isuzu, Elf (híbrido de combustão interna e gás natural comprimido).
Outros veículos reduziram significativamente as emissões de carbono, mas ainda não resolveram a questões dos poluentes da baixa atmosfera, como o Volkswagen Jetta TDI (biodiesel), o Ford Focus H2ICE (híbrido de combustão interna e hidrogênio), o Mercury Sable “Aluminium Cow” (combustão interna a diesel e bateria) e a Toyota Tacoma (híbrida de combustão interna e hidrogênio).
Nos testes de eficiência energética, 6 carros receberam o primeiro prêmio, com o Honda FCX novamente em destaque ao lado deVolkswagen Jetta TDI, dos elétricos a bateria Courrèges La Bulle R, AC Propulsion Tzero e Zap Heibao HV e do híbrido Mercury Sable “Aluminium Cow”. A minivan Hyundai Sante Fe FCHEV alcançou o mesmo desempenho, assim como os protótipos Isuzu Elf e Ford F550 e o caminhão Freightliner FL70, movido a gás natural comprimido, da companhia elétrica californiana PG&E. E a eficiência energética, a par da redução de poluição, conferiu ouro ainda aos ônibus da GM (híbrido diesel e bateria) e dos elétricos da Daimler Chrisley, Thor/ISE e da Escola do Distrito de Napa Valley.
Diesel “inteligente”
O avanço tecnológico dos motores de combustão interna, a diesel ou gasolina, no controle de emissões, são surpreendentes. “Há uma década se acreditava que os motores diesel e gasolina haviam chegado ao topo do desenvolvimento tecnológico e, para melhorar o desempenho dos veículos nas emissões e energia seria preciso mudar completamente de tecnologia, agora se vê um progresso impressionante e ainda não chegamos ao topo”, observa Edouard Michelin, presidente da Michelin e anfitrião do evento. Tais melhorias, sobretudo dos motores a diesel, abrem uma perspectiva real de redução da contribuição do setor de transportes para poluição dos grandes centros urbanos e para o aquecimento global da atmosfera. Na Europa, já há diretrizes políticas e leis de incentivo à adoção de veículos a diesel, relacionadas ao compromisso de redução de emissões do Protocolo de Kyoto.
Segundo John Boesel, presidente da organização não governamental Calstart, que promove a eficiência energética, 60% das emissões de carbono do estado da Califórnia, são provenientes do setor de transportes. “Nos últimos anos, trocamos a economia de combustível pelo aumento do peso, potência e performance dos nossos veículos, em termos de investimento tecnológico”, acrescenta Daniel Sperling, professor e diretor da Universidade da Califórnia, em Davis. Ele estima que o aumento médio de peso dos veículos norte americanos foi de 24% entre 1981 e 2003; os aumentos de potência da ordem de 93% nestes 22 anos e os veículos também ficaram 29% mais rápidos. “Agora é hora de investir na eficiência energética e redução de emissões”. (Liana John)
Promotoria acusa Rhodia de contaminação
As águas subterrâneas sob o terreno da fábrica da Rhodia em Santo André (ABC Paulista) estão poluídas por arsênio e outras substâncias, segundo relatório encomendado pela empresa por exigência do Ministério Público, que, desde 1999, investiga uma denúncia de contaminação da área.
Em medições de maio de 2002, as concentrações de arsênio, considerado carcinogênico pela Organização Mundial da Saúde, superaram o limite da Cetesb (agência ambiental do Estado) - 10 microgramas por litro de água - em dois dos oito poços perfurados: 28 microgramas por litro em um e 31 microgramas por litro em outro. Em abril de 2000, foram encontrados ferro e manganês acima do limite em todos os poços, e, em alguns, os fenóis também estavam além do padrão.
A Rhodia diz que não há contaminação porque os limites da Cetesb para o arsênio se baseiam em padrões para água potável, ou seja, são mais rigorosos do que deveriam.
(Da reportagem local)
Planos para agricultura na Amazônia legal
O ministro da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, Roberto Rodrigues, recebe hoje em Manaus uma proposta de política agrícola para a Amazônia, elaborada em conjunto pelos secretários de agricultura dos nove estados da chamada Amazônia Legal, técnicos do Ministério da Agricultura, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A proposta - que tem por base estudos sobre política agrícola feitos pelo Mapa e por um grupo interministerial, além do Programa Amazônia Sustentável desenvolvido pela Embrapa - seguirá principalmente as diretrizes do Programa Nacional de Florestas do MMA.
Esse programa contém quatro recomendações básicas: a política de fomento agrícola na Amazônia deve se concentrar na utilização das áreas desmatadas, objetivando aumentar a produtividade atual e recuperar áreas já degradadas; o desenvolvimento agropecuário não deve provocar desmatamento de novas áreas na região; o processo de mudança no modelo agrícola deve ocorrer por intermédio da agricultura ecológica e dos sistemas agroflorestais; e a política agrícola deve estimular o cumprimento da legislação ambiental, especialmente em relação à manutenção das áreas de preservação permanente e reserva legal.
Os secretários de Agricultura do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Rondônia, Roraima e Tocantins estão reunidos na capital amazonense desde segunda-feira, finalizando a proposta que será entregue hoje a Roberto Rodrigues. O secretário de Apoio Rural e Cooperativismo do Mapa, Manoel Valdemiro Rocha, coordena esse trabalho.
Feira no Norte
Além da reunião com os secretários de Agricultura da região Amazônica, Rodrigues visitará o Amazontech, que termina no próximo sábado. Promovida pela Embrapa e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Amazontech reúne mais de 100 expositores de diferentes setores, como mineração, piscicultura e fruticultura.
A Embrapa montou um estande no evento, durante a qual serão realizados fóruns, seminários e palestras. A superintendência do Sebrae no Amazonas estima que a feira movimentará cerca de R$ 30 milhões em negócios este ano.
Expedição recolherá 30 toneladas de lixo do leito do São Francisco
Os pescadores profissionais do Norte de Minas começam, a partir das 6 horas de hoje, a “II Expedição de Limpeza do São Francisco”. O objetivo é coletar 30 toneladas de lixo do leito do rio. O presidente da Colônia dos Pescadores de Januária, Milton Ribeiro Neves, ressalta que a operação será encerrada as 14 horas de amanhã. Serão mobilizados 400 pescadores em 16 lanchas e 40 barcos.
Os pescadores partirão hoje das cidades de Manga e São Francisco, percorrendo 257 quilômetros pelo leito do rio. Além da limpeza, o objetivo da expedição é comemorar o ressurgimento do surubim no rio, peixe símbolo do Vale do São Francisco que corria o risco de desaparecer da região. Várias entidades ambientalistas estão envolvidas na operação.
Os pescadores que partirem de Manga percorrerão 147 quilômetros, enquanto os que largarem de São Francisco percorrerão 112 quilômetros. Milton Neves lembra que, no ano passado, foram coletadas nove toneladas de lixo do leito do rio. Por isso, neste ano foi ampliado o número de pescadores envolvidos, visando chegar a 30 toneladas recolhidas.
“Queremos dar um grito de alerta contra a situação do Rio São Francisco, que está bastante degradado, tomado pelo lixo. Os pescadores precisam do rio para sobreviver”, afirma. Ele lembra que, na Colônia de Pescadores de Januária, que envolve nove municípios, são 1.140 pescadores profissionais cadastrados. Existem outras colônias nas cidades de São Francisco e Pirapora, mas Milton Neves desconhece o número de pescadores cadastrados.
A elevação da temperatura das águas do Rio São Francisco neste período do ano, quando o calor toma conta da região, beneficia os pescadores. Os peixes sobem para a superfície do leito, o que facilita a pesca. Milton Neves ressalta que, nessas condições, cada pescador obtém, em média, de dez a 15 quilos de peixe por dia. Na região, o surubim é vendido a R$ 7,50 o quilo; o dourado a R$ 5,00; e o curimatã a R$ 4,50.
Milton Neves lamenta que a ação de intermediários acabe deixando o peixe mais caro para o consumidor. Em Montes Claros, distante somente 160 quilômetros de Januária, o quilo do surubim é vendido de R$ 12,00 a R$ 15,00 nas peixarias.
