Fumaça mata um a cada 20 segundos nos países pobres
A fumaça resultante de cozinhar dentro de casa ou de outro ambiente fechado mata uma pessoa a cada 20 segundos nos países em desenvolvimento, de acordo com uma ONG britânica.
Segundo o Grupo de Intermediação do Desenvolvimento Tecnológico (ITDG, na sigla em inglês), a fumaça dentro de casa mata mais gente do que a malária e quase tantas quanto a água contaminada e a falta de saneamento básico.
O problema afeta mais de 2 bilhões de pessoas que queimam madeira, carvão, vegetação e esterco para aquecer alimentos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que fogões ineficientes podem ser tão prejudiciais à saúde quanto fumar dois maços de cigarro por dia.
Fornos de carvão
O ITDG afirma que 2,4 bilhões de pessoas queimam biomassa (matéria orgânica) para cozinhar ou aquecer o ambiente. Segundo a organização, a fumaça doméstica é a quarta maior causa de morte e doença nos países mais pobres do mundo, matando anualmente 1,6 milhão de pessoas. Quase um milhão dos óbitos ocorre entre crianças.
De acordo com o ITDG, a incidência de câncer de pulmão em mulheres na China está diretamente ligada ao uso de fornos de carvão.
Mais da metade das pessoas que cozinham com biomassa vive na Índia e na China, mas, em muitos países da África Subsaariana, mais de 90% adotam essa prática.
Em partes da Ásia Central, onde gás e eletricidade costumavam ser acessíveis nos dias da antiga União Soviética, as pessoas estão sendo obrigadas a voltar a utilizar biomassa.
A resposta para o problema é que se passe a utilizar combustíveis menos poluentes, mas a maioria das pessoas que usam biomassa não têm poder aquisitivo para fazer a troca.
Fumaça mata um a cada 20 segundos nos países pobres
A fumaça resultante de cozinhar dentro de casa ou de outro ambiente fechado mata uma pessoa a cada 20 segundos nos países em desenvolvimento, de acordo com uma ONG britânica.
Segundo o Grupo de Intermediação do Desenvolvimento Tecnológico (ITDG, na sigla em inglês), a fumaça dentro de casa mata mais gente do que a malária e quase tantas quanto a água contaminada e a falta de saneamento básico.
O problema afeta mais de 2 bilhões de pessoas que queimam madeira, carvão, vegetação e esterco para aquecer alimentos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que fogões ineficientes podem ser tão prejudiciais à saúde quanto fumar dois maços de cigarro por dia.
Fornos de carvão
O ITDG afirma que 2,4 bilhões de pessoas queimam biomassa (matéria orgânica) para cozinhar ou aquecer o ambiente. Segundo a organização, a fumaça doméstica é a quarta maior causa de morte e doença nos países mais pobres do mundo, matando anualmente 1,6 milhão de pessoas. Quase um milhão dos óbitos ocorre entre crianças.
De acordo com o ITDG, a incidência de câncer de pulmão em mulheres na China está diretamente ligada ao uso de fornos de carvão.
Mais da metade das pessoas que cozinham com biomassa vive na Índia e na China, mas, em muitos países da África Subsaariana, mais de 90% adotam essa prática.
Em partes da Ásia Central, onde gás e eletricidade costumavam ser acessíveis nos dias da antiga União Soviética, as pessoas estão sendo obrigadas a voltar a utilizar biomassa.
A resposta para o problema é que se passe a utilizar combustíveis menos poluentes, mas a maioria das pessoas que usam biomassa não têm poder aquisitivo para fazer a troca.
MCT destina recursos para o programa RIOBIODIESEL
O Ministério da Ciência e Tecnologia(MCT) destinará ainda este ano R$ 600 mil para investimentos nos módulos rural e industrial do Programa RioBiodiesel. O objetivo é possibilitar o repasse dos recursos ao governo fluminense por intermédio da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e do ministério, representado pela Finep - Financiadora de Estudos e Projetos. Segundo informou a assessoria de imprensa do governo, o convênio foi firmado nesta sexta-feira (28), na sede da Finep, na zona sul do Rio.
O RioBiodiesel produz 200 mil litros de combustível por dia. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Pelegrino, informou que os recursos serão utilizados no plantio das matérias-primas do biodiesel, nos municípios de Piraí, Seropédica, Macaé, Campos, Itaocara, Silva Jardim e Nova Friburgo, e na área já cultivada da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
MCT destina recursos para o programa RIOBIODIESEL
O Ministério da Ciência e Tecnologia(MCT) destinará ainda este ano R$ 600 mil para investimentos nos módulos rural e industrial do Programa RioBiodiesel. O objetivo é possibilitar o repasse dos recursos ao governo fluminense por intermédio da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e do ministério, representado pela Finep - Financiadora de Estudos e Projetos. Segundo informou a assessoria de imprensa do governo, o convênio foi firmado nesta sexta-feira (28), na sede da Finep, na zona sul do Rio.
O RioBiodiesel produz 200 mil litros de combustível por dia. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Pelegrino, informou que os recursos serão utilizados no plantio das matérias-primas do biodiesel, nos municípios de Piraí, Seropédica, Macaé, Campos, Itaocara, Silva Jardim e Nova Friburgo, e na área já cultivada da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Conferência Nacional do Meio Ambiente
As cachoeiras de Foz do Iguaçu, na foto, são exemplo da fartura de água à disposição do país
O Brasil é detentor das maiores reservas de uma das riquezas minerais mais importantes do planeta no século XXI. Não estamos falando de ouro, petróleo ou urânio. Nada menos do que 12% da água doce de todo o mundo estão no País, concentrados principalmente na Bacia Amazônica. O Aqüífero Guarani, que se estende por 7 estados brasileiros, além de Paraguai, Uruguai e Argentina, numa área de 1,8 milhões de quilômetros quadrados, é a maior reserva subterrânea de água potável no planeta. Apesar do volume expressivo, nem todos os brasileiros têm acesso a esse bem natural.
A Organização Mundial da Saúde avalia que um ser humano precisa de no mínimo 50 litros de água por dia para sobreviver dignamente. Enquanto a população da Amazônia dispõe água em abundância, a do Nordeste sofre as conseqüências de sua falta - sem falar na desertificação que atinge o semi-árido. Ali, aparece em destaque o debate sobre o projeto de transposição do rio São Francisco, o mais importante da região, ameaçado pela superexploração de seus recursos, bem como pelo desmatamento de suas margens e conseqüente assoreamento.
Além da desigualdade regional na distribuição dos recursos hídricos, o País enfrenta o problema do desperdício provocado por problemas no sistema de abastecimento e do próprio usuário no consumo doméstico. Outra questão se refere à qualidade. O crescimento desordenado das cidades, o processo de industrialização e a agricultura com técnicas inadequadas têm provocado poluição nos mananciais. Isso acaba impedindo o desenvolvimento de outras atividades, além de provocar perda na qualidade de vida, principalmente das populações ribeirinhas.
Esses fatores, aliados ao desafio de elaborar o Plano Nacional de Recursos Hídricos, previsto desde 1997, mobilizam a discussão sobre a gestão das águas na Conferência Nacional do Meio Ambiente, que deve se iniciar na próxima sexta-feira, em Brasília. O objetivo do evento é debater com os diversos segmentos da sociedade civil uma Política de Meio Ambiente voltada para a sustentabilidade, o que implica apostar no desenvolvimento sem descuidar da preservação ambiental.
Nos últimos dois meses, entidades da sociedade civil, representantes dos governos, prefeituras, universidades e setor empresarial se reuniram nas pré-conferências realizadas em todos os estados e no Distrito Federal. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, mais de 65 mil pessoas debateram as propostas que definirão as diretrizes para a Política Nacional do Meio Ambiente.
O tema Recursos Hídricos ganhou destaque, principalmente nas pré-conferências realizadas nas regiões Nordeste e Sudeste, que mostraram preocupação com os aspectos de saneamento básico, racionamento de água e tratamento de resíduos sólidos industriais.
Durante os encontros preparatórios, foram eleitos 912 delegados que representarão seus estados na plenária final da 1ª Conferência Nacional. Eles têm a tarefa de votar nas propostas apresentadas no texto-base editado pelo Ministério que aponta ações para a sustentabilidade. Entre elas, a valorização de empresas com responsabilidade social e ambiental no uso dos recursos hídricos. Outra proposta é a implementação da cobrança pelo uso da água nas diversas bacias hidrográficas do país e aplicação dos recursos na própria bacia.
Os participantes da Conferência, com direito a voto, também decidirão sobre incentivos a projetos de revitalização de bacias que incluam a implementação de sistemas de tratamento de efluentes e de manejo dos resíduos sólidos. Existe ainda a previsão de ações em parceria com outras pastas. Com o Ministério de Minas e Energia, a proposta é a promoção da gestão das águas subterrâneas que contribua para a sustentabilidade, o uso racional e o aumento da disponibilidade hídrica. Com o Ministério das Relações Exteriores, a ação se refere à realização de estudos para o gerenciamento de recursos hídricos transfronteiriços.
A Conferência Nacional do Meio Ambiente e as atividades paralelas serão acompanhadas pelas equipes de jornalismo da Radiobrás. A Rádio Nacional AM de Brasília contará com um estúdio no local do evento. E a TV Nacional fará transmissão ao vivo da abertura da Conferência, que terá a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos ministros da Cultura, Gilberto Gil, e da Educação, Cristovam Buarque.
Cobrança
Segundo a Agência Nacional de Águas, encarregada de organizar a discussão sobre o tema na Conferência em parceria com a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos do MMA, a cobrança pelo uso da água foi o tema que mais recebeu emendas no capítulo de recursos hídricos do texto-base da Conferência Nacional de Meio Ambiente.
A ANA relata que houve estados que se manifestam contra a cobrança, enquanto outros defendem a medida apenas para usuários poluidores. Uma discussão geral, segundo a agência, foi sobre a melhor forma de aplicar os recursos arrecadados - se integralmente na despoluição das bacias ou em outras atividades, como recuperação de matas ciliares.
Em parceria com o Comitê pela Integração da Bacia do Paraíba do Sul - Ceivap - a ANA iniciou em março deste ano uma experiência piloto na cobrança pelo uso da água em um rio de domínio da União (por passar por mais de um estado). O rio Paraíba do Sul, que passa pelos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, sofre há anos com efluentes industriais e o esgoto urbano.
A Lei 9.433 - de 1997 - prevê a instituição da cobrança como forma de arrecadar recursos para recuperar as bacias. Pela Lei, a decisão da cobrança, assim como a forma de aplicação dos recursos, é dos comitês de bacia. Até agora, a arrecadação no Paraíba do sul foi de R$ 4,6 milhões. Por decisão do próprio Ceivap, os recursos vêm sendo aplicados em trabalhos de despoluição da bacia.
Já existem em todo o Brasil 97 comitês de bacias instituídos em rios municipais, estaduais e federais. Na conferência, a discussão sobre a cobrança girará em torno da Implementação da cobrança pelo uso da água nas diversas bacias hidrográficas do País - o que já vem se concretizando - e a aplicação dos recursos oriundos na bacia de origem e de acordo com as prioridades estabelecidas pelos respectivos comitês.
Fungos e bactérias são usados para degradar líquidos poluentes
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (Fea) da Unicamp buscam na própria natureza a solução para uma das formas de poluição ambiental enfrentada hoje pela população de muitas cidades. Em escala laboratorial, eles empregam fungos e bactérias para reduzir ou até mesmo eliminar substâncias potencialmente nocivas para o solo, a água e o ar.
Uma das vertentes dessa linha de pesquisa está voltada para degradação de corantes sintéticos utilizados pela indústria têxtil. A expectativa é que dentro de alguns anos o processo, conhecido tecnicamente como biorremediação, possa complementar e otimizar os atuais sistemas de tratamento de efluentes das empresas, diminuindo assim a agressão ao meio ambiente.
De acordo com a professora Lúcia Regina Durrant, coordenadora dos estudos, os corantes sintéticos são muito usados pela indústria têxtil. Hoje, existem cerca de 10 mil tipos, cada um com uma estrutura molecular diferente. Quando lançadas num curso d’água, essas substâncias provocam graves danos ambientais. A presença de apenas 1 miligrama de corante por litro de água já é suficiente para colorir pelo menos parcialmente um manancial. Um dos resultados é que a luz solar deixa de atingir as plantas aquáticas bloqueando a fotossíntese e a sua consequente reprodução. Como conseqüência, os peixes têm a oferta de alimentos e oxigênio reduzida.
Os corantes, que contêm elementos tóxicos, também podem atingir uma estação
de captação e tratamento de água, situação que comprometeria o abastecimento da população. Além disso, essas substâncias tendem a contaminar o solo próximo ao manancial. Nesse aspecto, surge um outro problema, esclarece Lucia. Segundo ela, algumas bactérias presentes no solo ajudam a degradar o corante, porém podem produzir compostos carcinogênicos. Estes, ao atingirem a água e o solo, representarão uma ameaça para as culturas agrícolas, uma das bases da alimentação de homens e animais.
Cogumelos
Uma das alternativas para tentar evitar essa seqüência de problemas, conforme estudos da Fea, está no uso de microrganismos para degradar os corantes sintéticos. Em sua tese de doutorado, Hélio Kamida utilizou cogumelos comestíveis para essa finalidade. O fungo, em seu estágio vegetativo, produz uma enzima capaz de “devorar” as substâncias poluentes. Kamida partiu de uma coleção de 14 espécies anteriormente selecionadas por uma colega que também fazia o doutorado, para trabalhar com apenas duas. De acordo com ele, a degradação provocada pelas enzimas, confirmada por testes químicos, pode ser acompanhada visualmente.
Para realizar seu experimento, Kamida coletou amostras de efluentes de uma indústria têxtil de Americana (SP). Em seguida, usou um substrato a base de bagaço de cana para aplicar o fungo. Por último, misturou ambos. “O que pudemos verificar foi que, conforme o fungo cresce, a água vai descolorindo. Não chega a ficar translúcida, mas o tom azul marinho cai para um alaranjado”, explica. Além de comprovar a capacidade de degradação dos fungos, Kamida também tomou o cuidado de verificar se o processo produziria compostos tóxicos. Na opinião dele, esse método é especialmente indicado para ser utilizado junto ao lodo gerado pelo tratamento dos efluentes industriais.
A empresa que colaborou com os estudos de Kamida, por exemplo, produz entre 6 e 8 toneladas desse material ao dia. Os rejeitos normalmente são recolhidos por empresas especializadas e levados para um aterro industrial. “Essa solução é complicada, pois além de ajudar a reduzir a vida útil dos aterros, ainda aumenta o risco de contaminação do solo e do lençol freático pelo corante presente no lodo, por meio da lixiviação”, afirma. Também preocupada com a destinação dos rejeitos da indústria têxtil, Elisângela Franciscon, que está elaborando sua dissertação de mestrado, tem usado bactérias para degradar o lodo. Ela partiu de 60 microrganismos, que mais tarde foram reduzidos para 17.
Hoje, ela está selecionando aqueles que se prestam melhor à biorremediação. Alguns sequer foram identificados ainda. Além disso, a aluna de pós-graduação também pesquisa maneiras de reduzir o volume do lodo. O material, ensina Elisângela, nada mais é do que uma massa celular composta por inúmeros microrganismos. Para combatê-los, ela investiga que nutrientes podem ser adicionados ao lodo, de modo a aumentar a produção das bactérias “faxineiras”. Estas, em maior número, “devorariam” as inimigas, reduzindo assim o volume total dos rejeitos industriais.
Em tese defendida recentemente pela pesquisadora Suelma Feijó, verificou-se que essas bactérias produzem biosurfactantes, uma espécie de emulsificante, que também é empregado pelas indústrias alimentícias e de cosméticos, na produção de sorvetes e cremes. Em contato com os poluentes, a substância torna-os solúveis, facilitando assim a sua remoção por medida complementar. De acordo com a professora Lúcia, esses estudos deverão ser complementados por outros, até atingirem uma escala piloto, que reproduzirá as condições encontradas na indústria.
O passo seguinte já compreenderá a transferência de tecnologia para a iniciativa privada. “Mas isso ainda requerer alguns anos”, prevê. Ela destaca, porém, que a biorremediação já é aplicada em larga escala em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e algumas nações européias. (JUnicamp)
Conferência Nacional do Meio Ambiente
As cachoeiras de Foz do Iguaçu, na foto, são exemplo da fartura de água à disposição do país
O Brasil é detentor das maiores reservas de uma das riquezas minerais mais importantes do planeta no século XXI. Não estamos falando de ouro, petróleo ou urânio. Nada menos do que 12% da água doce de todo o mundo estão no País, concentrados principalmente na Bacia Amazônica. O Aqüífero Guarani, que se estende por 7 estados brasileiros, além de Paraguai, Uruguai e Argentina, numa área de 1,8 milhões de quilômetros quadrados, é a maior reserva subterrânea de água potável no planeta. Apesar do volume expressivo, nem todos os brasileiros têm acesso a esse bem natural.
A Organização Mundial da Saúde avalia que um ser humano precisa de no mínimo 50 litros de água por dia para sobreviver dignamente. Enquanto a população da Amazônia dispõe água em abundância, a do Nordeste sofre as conseqüências de sua falta - sem falar na desertificação que atinge o semi-árido. Ali, aparece em destaque o debate sobre o projeto de transposição do rio São Francisco, o mais importante da região, ameaçado pela superexploração de seus recursos, bem como pelo desmatamento de suas margens e conseqüente assoreamento.
Além da desigualdade regional na distribuição dos recursos hídricos, o País enfrenta o problema do desperdício provocado por problemas no sistema de abastecimento e do próprio usuário no consumo doméstico. Outra questão se refere à qualidade. O crescimento desordenado das cidades, o processo de industrialização e a agricultura com técnicas inadequadas têm provocado poluição nos mananciais. Isso acaba impedindo o desenvolvimento de outras atividades, além de provocar perda na qualidade de vida, principalmente das populações ribeirinhas.
Esses fatores, aliados ao desafio de elaborar o Plano Nacional de Recursos Hídricos, previsto desde 1997, mobilizam a discussão sobre a gestão das águas na Conferência Nacional do Meio Ambiente, que deve se iniciar na próxima sexta-feira, em Brasília. O objetivo do evento é debater com os diversos segmentos da sociedade civil uma Política de Meio Ambiente voltada para a sustentabilidade, o que implica apostar no desenvolvimento sem descuidar da preservação ambiental.
Nos últimos dois meses, entidades da sociedade civil, representantes dos governos, prefeituras, universidades e setor empresarial se reuniram nas pré-conferências realizadas em todos os estados e no Distrito Federal. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, mais de 65 mil pessoas debateram as propostas que definirão as diretrizes para a Política Nacional do Meio Ambiente.
O tema Recursos Hídricos ganhou destaque, principalmente nas pré-conferências realizadas nas regiões Nordeste e Sudeste, que mostraram preocupação com os aspectos de saneamento básico, racionamento de água e tratamento de resíduos sólidos industriais.
Durante os encontros preparatórios, foram eleitos 912 delegados que representarão seus estados na plenária final da 1ª Conferência Nacional. Eles têm a tarefa de votar nas propostas apresentadas no texto-base editado pelo Ministério que aponta ações para a sustentabilidade. Entre elas, a valorização de empresas com responsabilidade social e ambiental no uso dos recursos hídricos. Outra proposta é a implementação da cobrança pelo uso da água nas diversas bacias hidrográficas do país e aplicação dos recursos na própria bacia.
Os participantes da Conferência, com direito a voto, também decidirão sobre incentivos a projetos de revitalização de bacias que incluam a implementação de sistemas de tratamento de efluentes e de manejo dos resíduos sólidos. Existe ainda a previsão de ações em parceria com outras pastas. Com o Ministério de Minas e Energia, a proposta é a promoção da gestão das águas subterrâneas que contribua para a sustentabilidade, o uso racional e o aumento da disponibilidade hídrica. Com o Ministério das Relações Exteriores, a ação se refere à realização de estudos para o gerenciamento de recursos hídricos transfronteiriços.
A Conferência Nacional do Meio Ambiente e as atividades paralelas serão acompanhadas pelas equipes de jornalismo da Radiobrás. A Rádio Nacional AM de Brasília contará com um estúdio no local do evento. E a TV Nacional fará transmissão ao vivo da abertura da Conferência, que terá a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos ministros da Cultura, Gilberto Gil, e da Educação, Cristovam Buarque.
Cobrança
Segundo a Agência Nacional de Águas, encarregada de organizar a discussão sobre o tema na Conferência em parceria com a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos do MMA, a cobrança pelo uso da água foi o tema que mais recebeu emendas no capítulo de recursos hídricos do texto-base da Conferência Nacional de Meio Ambiente.
A ANA relata que houve estados que se manifestam contra a cobrança, enquanto outros defendem a medida apenas para usuários poluidores. Uma discussão geral, segundo a agência, foi sobre a melhor forma de aplicar os recursos arrecadados - se integralmente na despoluição das bacias ou em outras atividades, como recuperação de matas ciliares.
Em parceria com o Comitê pela Integração da Bacia do Paraíba do Sul - Ceivap - a ANA iniciou em março deste ano uma experiência piloto na cobrança pelo uso da água em um rio de domínio da União (por passar por mais de um estado). O rio Paraíba do Sul, que passa pelos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, sofre há anos com efluentes industriais e o esgoto urbano.
A Lei 9.433 - de 1997 - prevê a instituição da cobrança como forma de arrecadar recursos para recuperar as bacias. Pela Lei, a decisão da cobrança, assim como a forma de aplicação dos recursos, é dos comitês de bacia. Até agora, a arrecadação no Paraíba do sul foi de R$ 4,6 milhões. Por decisão do próprio Ceivap, os recursos vêm sendo aplicados em trabalhos de despoluição da bacia.
Já existem em todo o Brasil 97 comitês de bacias instituídos em rios municipais, estaduais e federais. Na conferência, a discussão sobre a cobrança girará em torno da Implementação da cobrança pelo uso da água nas diversas bacias hidrográficas do País - o que já vem se concretizando - e a aplicação dos recursos oriundos na bacia de origem e de acordo com as prioridades estabelecidas pelos respectivos comitês.
Fungos e bactérias são usados para degradar líquidos poluentes
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (Fea) da Unicamp buscam na própria natureza a solução para uma das formas de poluição ambiental enfrentada hoje pela população de muitas cidades. Em escala laboratorial, eles empregam fungos e bactérias para reduzir ou até mesmo eliminar substâncias potencialmente nocivas para o solo, a água e o ar.
Uma das vertentes dessa linha de pesquisa está voltada para degradação de corantes sintéticos utilizados pela indústria têxtil. A expectativa é que dentro de alguns anos o processo, conhecido tecnicamente como biorremediação, possa complementar e otimizar os atuais sistemas de tratamento de efluentes das empresas, diminuindo assim a agressão ao meio ambiente.
De acordo com a professora Lúcia Regina Durrant, coordenadora dos estudos, os corantes sintéticos são muito usados pela indústria têxtil. Hoje, existem cerca de 10 mil tipos, cada um com uma estrutura molecular diferente. Quando lançadas num curso d’água, essas substâncias provocam graves danos ambientais. A presença de apenas 1 miligrama de corante por litro de água já é suficiente para colorir pelo menos parcialmente um manancial. Um dos resultados é que a luz solar deixa de atingir as plantas aquáticas bloqueando a fotossíntese e a sua consequente reprodução. Como conseqüência, os peixes têm a oferta de alimentos e oxigênio reduzida.
Os corantes, que contêm elementos tóxicos, também podem atingir uma estação
de captação e tratamento de água, situação que comprometeria o abastecimento da população. Além disso, essas substâncias tendem a contaminar o solo próximo ao manancial. Nesse aspecto, surge um outro problema, esclarece Lucia. Segundo ela, algumas bactérias presentes no solo ajudam a degradar o corante, porém podem produzir compostos carcinogênicos. Estes, ao atingirem a água e o solo, representarão uma ameaça para as culturas agrícolas, uma das bases da alimentação de homens e animais.
Cogumelos
Uma das alternativas para tentar evitar essa seqüência de problemas, conforme estudos da Fea, está no uso de microrganismos para degradar os corantes sintéticos. Em sua tese de doutorado, Hélio Kamida utilizou cogumelos comestíveis para essa finalidade. O fungo, em seu estágio vegetativo, produz uma enzima capaz de “devorar” as substâncias poluentes. Kamida partiu de uma coleção de 14 espécies anteriormente selecionadas por uma colega que também fazia o doutorado, para trabalhar com apenas duas. De acordo com ele, a degradação provocada pelas enzimas, confirmada por testes químicos, pode ser acompanhada visualmente.
Para realizar seu experimento, Kamida coletou amostras de efluentes de uma indústria têxtil de Americana (SP). Em seguida, usou um substrato a base de bagaço de cana para aplicar o fungo. Por último, misturou ambos. “O que pudemos verificar foi que, conforme o fungo cresce, a água vai descolorindo. Não chega a ficar translúcida, mas o tom azul marinho cai para um alaranjado”, explica. Além de comprovar a capacidade de degradação dos fungos, Kamida também tomou o cuidado de verificar se o processo produziria compostos tóxicos. Na opinião dele, esse método é especialmente indicado para ser utilizado junto ao lodo gerado pelo tratamento dos efluentes industriais.
A empresa que colaborou com os estudos de Kamida, por exemplo, produz entre 6 e 8 toneladas desse material ao dia. Os rejeitos normalmente são recolhidos por empresas especializadas e levados para um aterro industrial. “Essa solução é complicada, pois além de ajudar a reduzir a vida útil dos aterros, ainda aumenta o risco de contaminação do solo e do lençol freático pelo corante presente no lodo, por meio da lixiviação”, afirma. Também preocupada com a destinação dos rejeitos da indústria têxtil, Elisângela Franciscon, que está elaborando sua dissertação de mestrado, tem usado bactérias para degradar o lodo. Ela partiu de 60 microrganismos, que mais tarde foram reduzidos para 17.
Hoje, ela está selecionando aqueles que se prestam melhor à biorremediação. Alguns sequer foram identificados ainda. Além disso, a aluna de pós-graduação também pesquisa maneiras de reduzir o volume do lodo. O material, ensina Elisângela, nada mais é do que uma massa celular composta por inúmeros microrganismos. Para combatê-los, ela investiga que nutrientes podem ser adicionados ao lodo, de modo a aumentar a produção das bactérias “faxineiras”. Estas, em maior número, “devorariam” as inimigas, reduzindo assim o volume total dos rejeitos industriais.
Em tese defendida recentemente pela pesquisadora Suelma Feijó, verificou-se que essas bactérias produzem biosurfactantes, uma espécie de emulsificante, que também é empregado pelas indústrias alimentícias e de cosméticos, na produção de sorvetes e cremes. Em contato com os poluentes, a substância torna-os solúveis, facilitando assim a sua remoção por medida complementar. De acordo com a professora Lúcia, esses estudos deverão ser complementados por outros, até atingirem uma escala piloto, que reproduzirá as condições encontradas na indústria.
O passo seguinte já compreenderá a transferência de tecnologia para a iniciativa privada. “Mas isso ainda requerer alguns anos”, prevê. Ela destaca, porém, que a biorremediação já é aplicada em larga escala em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e algumas nações européias. (JUnicamp)
Curitiba sedia seminário sobre mercado de crédito de carbono
Com organização do Senai-Cic/Cetsam, o evento que ocorre no dia 03 de dezembro de 2003, irá tratar das questões relacionadas à mudança climática, mercado de carbono, emissões de gases de efeito estufa (GEE) e ainda apresentar oportunidades quanto aos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), a partir do aproveitamento do gás metano existente nos aterros sanitários.
Para isso, o programa terá palestras e debates voltado para os profissionais ligados à indústria e Prefeituras Municipais.
O local do evento será na unidade do Senai - Cic/Cetsam, na Rua Nossa Senhora da Cabeça,1371 - CIC - Curitiba PR - Cep: 81.310-010. O custo da inscrição é de R$ 75,00 (inclui certificado, coffee break e coquetel de encerramento).
Para maiores informações favor entrar em contato pelo telefone: (41) 346-4500 ramal: 108/167 - Fax: 346-4898 - E-mail: bolsafiep@bolsafiep.com.br.
Produção mais limpa permite redução nos custos de produção
“A idéia da eco-eficiência na indústria implica em maior e melhor qualidade ambiental na produção, com redução do uso de recursos naturais e das emissões”, explica a engenheira química Zeila Chittolina Piotto. A unidade reduziu o custo de sua produção de celulose em 30% entre 1992 e 2002.
Em sua tese de doutorado Eco-eficiência indústria de celulose e papel - estudo de caso, orientada pela professora Dione Morita, Zeila analisou os impactos da evolução tecnológica por intermédio do uso de tecnologias mais limpas e da implementação de outras ferramentas de gestão, no desempenho ambiental da empresa e nos custos de produção. Segundo ela, a unidade investiu cerca de US$ 900 milhões em novas tecnologias de produção. Deste valor, aproximadamente US$ 160 milhões foram destinados às estratégias com foco na eco-eficiência.
Zeila utilizou também outras ferramentas da eco-eficiência como a contabilização ambiental, a avaliação da performance ambiental e o relatório de desempenho ambiental. “Com técnicas como estas pudemos atingir resultados satisfatórios na busca de uma produção mais limpa e com ganhos econômicos”, destaca a engenheira.
Entre as medidas adotadas, a otimização do processo de cozimento, que resultou em maior rendimento na separação das fibras. “Com essa modificação, reduzimos o uso de madeira o que implicou em redução de custos”, explica. Outro processo de produção alterado, foi a utilização da deslignificação com oxigênio, ou seja, o pré-branqueamento da celulose passou a ser feito com o oxigênio, reduzindo o uso de produtos químicos, aumentando a recuperação de sódio e enxofre com ganhos energéticos associados.
Além disso, há também menor carreamento (arraste) de matéria orgânica nos efluentes. Por fim, o branqueamento com ozônio e isento de cloro permitiu maior reaproveitamento da água usada na lavagem da polpa (pasta de celulose). “Isso reduziu o consumo de água e geração de compostos orgânicos clorados”, conta Zeila.
Mais economia
Além de economizar milhões de dólares, a unidade da VCP reduziu seu consumo de água em quantidades equivalentes a uma cidade de cerca de 160 mil habitantes. Na maioria das indústrias do setor, de toda a água captada para a produção, entre 90% e 95% - após ser utilizada nas diferentes etapas do processo produtivo - é enviada as estações de tratamento de efluentes industriais. “No caso da VCP, houve uma redução de 50% no consumo de água e, conseqüentemente, na geração de efluentes”, contabiliza Zeila.
Segundo ela, em 2003 a empresa produziu apenas 30 metros cúbicos (m3) de efluentes por tonelada de celulose produzida. “Trata-se de uma média anual, bem abaixo da média das indústrias norte-americanas, que é de 77 m3. No mês de outubro, o número ficou em apenas 23 m3 por tonelada”, conta. Em 1992, a VCP chegava a produzir cerca de 105 m3 de fluentes por tonelada.
O estudo de Zeila na VCP teve início em 1999, quando ela resgatou os dados dos diversos projetos de otimização da produção por intermédio do uso de tecnologias mais limpas, que foram implementados na empresa, relacionando-os com os ganhos ambientais e financeiros. Além disso, coordenou a implementação de outras ferramentas da eco-eficiência como avaliação de desempenho ambiental e sistema de gestão ambiental. Esta estratégia, de acordo com a engenheira, ainda é incipiente na maioria dos setores industriais. “Mesmo nas universidades o conceito de eco-eficiência e da prevenção à poluição ainda é pouco estudado”, adverte.(Antonio Carlos Quinto)
