Grupo diz ter descoberto novo estado da matéria
Boulder, EUA
Cientistas informam ter criado uma nova forma de matéria a partir de meio milhão de átomos de potássio resfriados quase ao zero absoluto, a temperatura mais baixa possível. Segundo os físicos responsáveis pelo estudo, trata-se de um “gás fermiônico”, o que representa a sexta forma conhecida de matéria, junto com os sólidos, líquidos, gases, plasma e o condensado de Bose-Einstein, criado pela primeira vez em 1995.
O feito, descrito na edição atual do periódico especializado Physical Review Letters, foi realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, e do National Institute of Standards and Technology, que juntos formam o laboratório JILA. “O que fizemos foi criar uma nova e exótica forma de matéria”, disse a física Deborah Jin, coordenadora da pesquisa.
A indústria provavelmente não terá uso para o gás fermiônico ainda por algumas décadas. A nova matéria, entretanto, poderá ajudar engenheiros a obter a supercondutividade, estado em que a eletricidade flui sem qualquer resistência, mesmo em temperatura ambiente. Seria uma revolução para a transmissão de energia elétrica - com maior velocidade e sem desperdícios -, assim como o funcionamento de computadores e outros sistemas eletrônicos.
Os férmions representam uma classe de partículas subatômicas elementares que inclui os elétrons. Em condições normais, férmions se repelem entre si. Dois férmions idênticos não podem compartilhar um mesmo estado quântico.
Em 16 de novembro, os pesquisadores do JILA usaram um laser para aprisionar uma pequena nuvem de átomos de potássio, resfriando-os a apenas 50 bilionésimos de um grau acima do zero absoluto (-273,16 ºC), reduzindo ao máximo a energia e a movimentação das partículas. Aplicando um campo magnético ao gás resfriado, os cientistas forçaram os átomos a criar um condensado, movendo-se num padrão único de onda. (AP)
Ministra nega saída caso projeto de Biossegurança seja rejeitado
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que não procede a informação de que deixaria o Ministério caso seja rejeitado no Congresso Nacional o projeto da Lei de Biossegurança - que ajudou a elaborar - em favorecimento do substitutivo do ex-relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que foi encampado pelo atual relator, Renildo Calheiros (PCdoB-PE). A informação chegou a ser publicada por um colunista, em Brasília. “Eu não dei essa declaração em lugar nenhum. Na verdade o que está sendo feito é o diálogo sobre o projeto do governo, o qual ajudei a elaborar, e o substitutivo que agora está sendo trabalhado pelo novo relator”, afirmou.
A ministra debateu a proposta da Lei de Biossegurança, nesta manhã, com o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Enio Candotti, e com a ex-presidente da sociedade, Glaci Zancan. Nesse encontro, segundo os cientistas, procurou-se chegar a um consenso entre o projeto e o substitutivo da Lei de Biossegurança.
Segundo eles há o temor de que eventuais dúvidas possam abrir espaço para dispositivos da lei serem contestados na Justiça. Candotti defendeu um prazo maior para o debate do substitutivo, cuja aprovação está prevista para a próxima semana: terça-feira na Comissão Especial e na quarta-feira no plenário da Câmara. (Rosa Costa)
Grupo diz ter descoberto novo estado da matéria
Boulder, EUA
Cientistas informam ter criado uma nova forma de matéria a partir de meio milhão de átomos de potássio resfriados quase ao zero absoluto, a temperatura mais baixa possível. Segundo os físicos responsáveis pelo estudo, trata-se de um “gás fermiônico”, o que representa a sexta forma conhecida de matéria, junto com os sólidos, líquidos, gases, plasma e o condensado de Bose-Einstein, criado pela primeira vez em 1995.
O feito, descrito na edição atual do periódico especializado Physical Review Letters, foi realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, e do National Institute of Standards and Technology, que juntos formam o laboratório JILA. “O que fizemos foi criar uma nova e exótica forma de matéria”, disse a física Deborah Jin, coordenadora da pesquisa.
A indústria provavelmente não terá uso para o gás fermiônico ainda por algumas décadas. A nova matéria, entretanto, poderá ajudar engenheiros a obter a supercondutividade, estado em que a eletricidade flui sem qualquer resistência, mesmo em temperatura ambiente. Seria uma revolução para a transmissão de energia elétrica - com maior velocidade e sem desperdícios -, assim como o funcionamento de computadores e outros sistemas eletrônicos.
Os férmions representam uma classe de partículas subatômicas elementares que inclui os elétrons. Em condições normais, férmions se repelem entre si. Dois férmions idênticos não podem compartilhar um mesmo estado quântico.
Em 16 de novembro, os pesquisadores do JILA usaram um laser para aprisionar uma pequena nuvem de átomos de potássio, resfriando-os a apenas 50 bilionésimos de um grau acima do zero absoluto (-273,16 ºC), reduzindo ao máximo a energia e a movimentação das partículas. Aplicando um campo magnético ao gás resfriado, os cientistas forçaram os átomos a criar um condensado, movendo-se num padrão único de onda. (AP)
Ministra nega saída caso projeto de Biossegurança seja rejeitado
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que não procede a informação de que deixaria o Ministério caso seja rejeitado no Congresso Nacional o projeto da Lei de Biossegurança - que ajudou a elaborar - em favorecimento do substitutivo do ex-relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que foi encampado pelo atual relator, Renildo Calheiros (PCdoB-PE). A informação chegou a ser publicada por um colunista, em Brasília. “Eu não dei essa declaração em lugar nenhum. Na verdade o que está sendo feito é o diálogo sobre o projeto do governo, o qual ajudei a elaborar, e o substitutivo que agora está sendo trabalhado pelo novo relator”, afirmou.
A ministra debateu a proposta da Lei de Biossegurança, nesta manhã, com o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Enio Candotti, e com a ex-presidente da sociedade, Glaci Zancan. Nesse encontro, segundo os cientistas, procurou-se chegar a um consenso entre o projeto e o substitutivo da Lei de Biossegurança.
Segundo eles há o temor de que eventuais dúvidas possam abrir espaço para dispositivos da lei serem contestados na Justiça. Candotti defendeu um prazo maior para o debate do substitutivo, cuja aprovação está prevista para a próxima semana: terça-feira na Comissão Especial e na quarta-feira no plenário da Câmara. (Rosa Costa)
Ação preventiva reduz riscos de incêndios florestais em Roraima
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou ontem que a ação preventiva do Ibama está reduzindo os riscos de incêndios florestais em Roraima. A ministra informou que a implantação de um calendário de queima controlada, definido com as comunidades, e a ampliação do treinamento de brigadas de incêndio está facilitando o trabalho de fiscalização do Ibama e permitindo direcionar o combate a eventuais incêndios. “Estamos trabalhando para nos antecipar ao máximo a qualquer acidente”, disse a ministra.
Pela primeira vez é realizado um trabalho preventivo de combate a incêndios florestais em Roraima. O Ministério do Meio Ambiente está atuando em conjunto com os ministérios da Defesa, Integração Nacional (Defesa Civil), Justiça (Funai), Agricultura e desenvolvimento Agrário. Além das ações preventivas, o governo planeja uma série de ações estruturantes na região, dando instrumentos aos produtores para reduzirem a utilização do fogo como instrumento.
Entre as diversas ações preventivas, a principal é o estabelecimento de um calendário de queima controlada, definindo o período em que os produtores podem utilizar o fogo em cada município do estado. O objetivo é permitir ao Ibama agilidade na fiscalização, pois caso sejam detectados focos de calor em um determinado município fora do período de queima é indício de crime ambiental. O calendário evita, ainda, a concentração de queimadas em uma determinada região, reduzindo os riscos de perda de controle do fogo.
O Calendário de Queima Controlada foi definido em outubro por autoridades ambientais e representantes de produtores rurais, e oficializado pelo Comitê Estadual de Prevenção, Controle de Queimadas e Combate a Incêndios Florestais. Em dezembro equipes do Ibama percorreram diversos municípios de Roraima recebendo os pedidos. Foram criados 36 grupos de queima controlada em seis municípios para dar assistência técnica para a realização da queima com a maior margem de segurança possível. (Ascom/MMA)
Embrapa mostra trabalho sobre pragas em feira botânica
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) vai expor seu trabalho de quarentena vegetal na 22ª Feira Botânica do Shopping CasaPark, em Brasília, neste fim de semana (dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro). A unidade é responsável pela análise da entrada de espécies vegetais no país. Todas são analisadas para verificar se contêm pragas que podem contaminar as culturas agrícolas brasileiras. O objetivo é afastar a possibilidade de um ataque por inseto, fungo, vírus, bactéria, ácaro ou nematóide.
Quando alguma praga é detectada, os pesquisadores tratam a planta para que seja encaminhada às instituições de pesquisa. Se aparecer alguma praga para a qual não exista tratamento, a planta então é incinerada. Para evitar o aparecimento de pragas, é importante também a conscientização de pessoas que viajam ao exterior e que podem trazer na bagagem alguma espécie exótica inadvertidamente. A atitude pode causar danos irreparáveis à agricultura ou aos ecossistemas brasileiros. Em conseqüência disso, a unidade procura divulgar seu trabalho como forma de esclarecer a sociedade sobre os efeitos da entrada de material vegetal no país, em eventos como a feira botânica e também por meio de campanhas periódicas feitas pelo Ministério da Agricultura, em portos e aeroportos.
O Cenargen apresentará, na feira, o livro “Fungos de Expressão Quarentenária para as Fruteiras de Clima Temperado no Brasil”, editado por equipe de pesquisadores e estudantes de pós-graduação, coordenada pela fitopatologista Marta Aguiar Sabo Mendes. A obra descreve 29 espécies de fungos exóticos que ocorrem em uva, maçã, ameixa, pêssego, pêra, cereja e em algumas outras plantas hospedeiras de clima temperado. Outro produto à disposição do público será o CD-Rom “Insetos de importância quarentenária”, desenvolvido por pesquisadores e pós-graduandos coordenados pela entómologa (especialista em insetos), Maria Regina Vilarinho de Oliveira. O material digital lista 502 insetos considerados de expressão quarentenária para o Brasil.
Risco
O risco da entrada de pragas é econômico, ecológico e até mesmo cultural. A banana, por exemplo, fruta de alto consumo no país, já teve seus dias contados depois que pesquisadores estrangeiros divulgaram pesquisa sobre a Sigatoka Negra, em 2003. A notícia assustou os brasileiros amantes da fruta, rica em potássio, vitaminas e nutrientes. Doença causada por um fungo que se transmite pelo ar, a Sigatoka Negra ataca bananeiras da América Central, África e Ásia e, no Brasil, está restrita à região Norte. Estudos da Embrapa mostram que a ameaça não se restringe à banana. Mais de 200 frutas e hortaliças podem estar em vias de extinção devido ao ataque de pragas. (Ascom Embrapa)
Ação preventiva reduz riscos de incêndios florestais em Roraima
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou ontem que a ação preventiva do Ibama está reduzindo os riscos de incêndios florestais em Roraima. A ministra informou que a implantação de um calendário de queima controlada, definido com as comunidades, e a ampliação do treinamento de brigadas de incêndio está facilitando o trabalho de fiscalização do Ibama e permitindo direcionar o combate a eventuais incêndios. “Estamos trabalhando para nos antecipar ao máximo a qualquer acidente”, disse a ministra.
Pela primeira vez é realizado um trabalho preventivo de combate a incêndios florestais em Roraima. O Ministério do Meio Ambiente está atuando em conjunto com os ministérios da Defesa, Integração Nacional (Defesa Civil), Justiça (Funai), Agricultura e desenvolvimento Agrário. Além das ações preventivas, o governo planeja uma série de ações estruturantes na região, dando instrumentos aos produtores para reduzirem a utilização do fogo como instrumento.
Entre as diversas ações preventivas, a principal é o estabelecimento de um calendário de queima controlada, definindo o período em que os produtores podem utilizar o fogo em cada município do estado. O objetivo é permitir ao Ibama agilidade na fiscalização, pois caso sejam detectados focos de calor em um determinado município fora do período de queima é indício de crime ambiental. O calendário evita, ainda, a concentração de queimadas em uma determinada região, reduzindo os riscos de perda de controle do fogo.
O Calendário de Queima Controlada foi definido em outubro por autoridades ambientais e representantes de produtores rurais, e oficializado pelo Comitê Estadual de Prevenção, Controle de Queimadas e Combate a Incêndios Florestais. Em dezembro equipes do Ibama percorreram diversos municípios de Roraima recebendo os pedidos. Foram criados 36 grupos de queima controlada em seis municípios para dar assistência técnica para a realização da queima com a maior margem de segurança possível. (Ascom/MMA)
Embrapa mostra trabalho sobre pragas em feira botânica
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) vai expor seu trabalho de quarentena vegetal na 22ª Feira Botânica do Shopping CasaPark, em Brasília, neste fim de semana (dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro). A unidade é responsável pela análise da entrada de espécies vegetais no país. Todas são analisadas para verificar se contêm pragas que podem contaminar as culturas agrícolas brasileiras. O objetivo é afastar a possibilidade de um ataque por inseto, fungo, vírus, bactéria, ácaro ou nematóide.
Quando alguma praga é detectada, os pesquisadores tratam a planta para que seja encaminhada às instituições de pesquisa. Se aparecer alguma praga para a qual não exista tratamento, a planta então é incinerada. Para evitar o aparecimento de pragas, é importante também a conscientização de pessoas que viajam ao exterior e que podem trazer na bagagem alguma espécie exótica inadvertidamente. A atitude pode causar danos irreparáveis à agricultura ou aos ecossistemas brasileiros. Em conseqüência disso, a unidade procura divulgar seu trabalho como forma de esclarecer a sociedade sobre os efeitos da entrada de material vegetal no país, em eventos como a feira botânica e também por meio de campanhas periódicas feitas pelo Ministério da Agricultura, em portos e aeroportos.
O Cenargen apresentará, na feira, o livro “Fungos de Expressão Quarentenária para as Fruteiras de Clima Temperado no Brasil”, editado por equipe de pesquisadores e estudantes de pós-graduação, coordenada pela fitopatologista Marta Aguiar Sabo Mendes. A obra descreve 29 espécies de fungos exóticos que ocorrem em uva, maçã, ameixa, pêssego, pêra, cereja e em algumas outras plantas hospedeiras de clima temperado. Outro produto à disposição do público será o CD-Rom “Insetos de importância quarentenária”, desenvolvido por pesquisadores e pós-graduandos coordenados pela entómologa (especialista em insetos), Maria Regina Vilarinho de Oliveira. O material digital lista 502 insetos considerados de expressão quarentenária para o Brasil.
Risco
O risco da entrada de pragas é econômico, ecológico e até mesmo cultural. A banana, por exemplo, fruta de alto consumo no país, já teve seus dias contados depois que pesquisadores estrangeiros divulgaram pesquisa sobre a Sigatoka Negra, em 2003. A notícia assustou os brasileiros amantes da fruta, rica em potássio, vitaminas e nutrientes. Doença causada por um fungo que se transmite pelo ar, a Sigatoka Negra ataca bananeiras da América Central, África e Ásia e, no Brasil, está restrita à região Norte. Estudos da Embrapa mostram que a ameaça não se restringe à banana. Mais de 200 frutas e hortaliças podem estar em vias de extinção devido ao ataque de pragas. (Ascom Embrapa)
Gaúchos aceitam pagar royalties para grãos transgênicos à Monsanto
Depois de muitas idas e vindas, os produtores gaúchos fecharam acordo com a Monsanto, detentora dos direitos de patente da soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul. O valor dos royalties cobrados pela empresa será de R$ 0,60 por saca de 60 quilos, confirmou Ezídio Pinheiro, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag). Outro líder do setor presente à reunião realizada nesta terça-feira, dia 27, garantiu que o acordo está fechado.
Estimativas da Fetag apontam que apenas a safra gaúcha renderá entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões à multinacional. Uma pequena parte desses recursos será revertida para entidades de pesquisa do Estado. O anúncio oficial está previsto para esta quinta-feira, mas a assessoria da Monsanto informou que nesta quarta-feira a empresa já deverá se manifestar sobre o acordo.
A negociação foi comandada pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS). Os presidentes da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, e da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto, evitaram confirmar a definição dos termos. Polidoro preferiu dizer que o acordo está “bem encaminhado”. Sperotto, ao comentar o valor negociado, afirmou:
- Até pode bater, mas ainda estamos decidindo.
Conforme um produtor que acompanha desde o início as negociações, mas não quis se identificar, as tratativas partiram de um valor de R$ 2,20 por tonelada. Segundo Pinheiro, nas últimas etapas já havia caído para R$ 1,30 por saca, baixou para R$ 0,90 e finalmente chegou aos R$ 0,60.
- Nossa posição era de não pagar mais de R$ 0,50, mas nesse caso a última palavra é a da Monsanto – observou Pinheiro.
Vários argumentos fizeram os produtores gaúchos concordar com o pagamento dos royalties. O principal foi a ameaça da Monsanto de embargar a comercialização dos grãos plantados no Estado. Pinheiro lembrou um episódio ocorrido no ano passado, em que dois navios carregados com soja gaúcha foram ameaçados de não poder descarregar em portos dos Estados Unidos.
- Nós nos batemos, porque considerávamos injusto, mas quando a soja transgênica foi liberada para plantio, sabíamos que isso ia acontecer (a cobrança de royalties). Temos de ver o café no bule que temos – ponderou Pinheiro.
Também ajudou no convencimento dos produtores acenos de novas tecnologias por parte da Monsanto. Conforme um interlocutor da indústria no Estado, a multinacional teria prontos para lançar no mercado grãos resistentes a lagarta e a seca (que necessita 30% menos umidade) e com mais proteína (com maior valor no mercado).
Com o acordo, os gaúchos ficam aptos a receber esses produtos. Quanto à polêmica sobre as origens da soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul - muitos produtores contrabandearam grãos da Argentina - o presidente da Fetag explicou: -
Para a Monsanto, é possível rastrear e identificar o gene da soja resistente ao glifosato.
Gaúchos aceitam pagar royalties para grãos transgênicos à Monsanto
Depois de muitas idas e vindas, os produtores gaúchos fecharam acordo com a Monsanto, detentora dos direitos de patente da soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul. O valor dos royalties cobrados pela empresa será de R$ 0,60 por saca de 60 quilos, confirmou Ezídio Pinheiro, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag). Outro líder do setor presente à reunião realizada nesta terça-feira, dia 27, garantiu que o acordo está fechado.
Estimativas da Fetag apontam que apenas a safra gaúcha renderá entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões à multinacional. Uma pequena parte desses recursos será revertida para entidades de pesquisa do Estado. O anúncio oficial está previsto para esta quinta-feira, mas a assessoria da Monsanto informou que nesta quarta-feira a empresa já deverá se manifestar sobre o acordo.
A negociação foi comandada pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS). Os presidentes da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, e da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto, evitaram confirmar a definição dos termos. Polidoro preferiu dizer que o acordo está “bem encaminhado”. Sperotto, ao comentar o valor negociado, afirmou:
- Até pode bater, mas ainda estamos decidindo.
Conforme um produtor que acompanha desde o início as negociações, mas não quis se identificar, as tratativas partiram de um valor de R$ 2,20 por tonelada. Segundo Pinheiro, nas últimas etapas já havia caído para R$ 1,30 por saca, baixou para R$ 0,90 e finalmente chegou aos R$ 0,60.
- Nossa posição era de não pagar mais de R$ 0,50, mas nesse caso a última palavra é a da Monsanto – observou Pinheiro.
Vários argumentos fizeram os produtores gaúchos concordar com o pagamento dos royalties. O principal foi a ameaça da Monsanto de embargar a comercialização dos grãos plantados no Estado. Pinheiro lembrou um episódio ocorrido no ano passado, em que dois navios carregados com soja gaúcha foram ameaçados de não poder descarregar em portos dos Estados Unidos.
- Nós nos batemos, porque considerávamos injusto, mas quando a soja transgênica foi liberada para plantio, sabíamos que isso ia acontecer (a cobrança de royalties). Temos de ver o café no bule que temos – ponderou Pinheiro.
Também ajudou no convencimento dos produtores acenos de novas tecnologias por parte da Monsanto. Conforme um interlocutor da indústria no Estado, a multinacional teria prontos para lançar no mercado grãos resistentes a lagarta e a seca (que necessita 30% menos umidade) e com mais proteína (com maior valor no mercado).
Com o acordo, os gaúchos ficam aptos a receber esses produtos. Quanto à polêmica sobre as origens da soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul - muitos produtores contrabandearam grãos da Argentina - o presidente da Fetag explicou: -
Para a Monsanto, é possível rastrear e identificar o gene da soja resistente ao glifosato.
