Brasil volta a apostar na alternativa do biodiesel

junho 28, 2004 by ibps  
Filed under Notícias

Quase 30 anos após a criação do maior programa de combustível renovável do mundo, o Proálcool, o Brasil volta a apostar num novo projeto de energia limpa: o biodiesel, uma alternativa para reduzir a dependência do petróleo, melhorar a qualidade do ar e contribuir para a inclusão social.

Se a regulamentação sair em novembro, como previsto, a partir de 2005 os veículos brasileiros movidos a óleo diesel (caminhões, locomotivas e ônibus) já estarão circulando com um porcentual de biodiesel.

A ministra de Minas de Energia, Dilma Rousseff, afirmou que o combustível renovável deverá ser um dos principais focos do governo Lula.

Segundo o secretário-executivo do ministério, Maurício Tolmasquim, a intenção é começar o Programa de Biodiesel com o chamado B2, ou seja, misturar 2% do combustível renovável no diesel, o que significará cerca de 800 milhões de litros de biodiesel na frota brasileira. O aumento deverá ser gradual, podendo chegar a 5% em 2010.

O combustível renovável é produzido com óleos vegetais, novos ou usados, gorduras animais, resíduos industriais e esgoto sanitário reagidos com um porcentual de metanol ou etanol (álcool extraído da cana-de-açúcar). O processo resulta em biodiesel e glicerina - matéria prima empregada na indústria de cosméticos e explosivos.

Mas no Brasil o foco está, especialmente, nos óleos vegetais, obtidos a partir da soja, mamona, dendê, milho, girassol, babaçu, palma, algodão e colza reagidos com álcool etílico. “Assim, teremos um combustível 100% renovável”, afirma o professor da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Dabdoub, responsável pela fórmula do biodiesel com álcool da cana-de-açúcar.

Mas além da questão ambiental, o uso do biodiesel - que praticamente não emite enxofre - também deve ser estratégico do ponto de vista econômico. Segundo Tolmasquim, o diesel representa um grande gargalo para o País, que tem de importar 15% do combustível consumido (6 bilhões de litros, que custam cerca de US$ 1,2 bilhão). Mesmo que o Brasil alcance a auto-suficiência em petróleo, haverá necessidade de importar diesel comum.

Isso porque o óleo extraído não tem qualidade para a produção daquele combustível. “A adoção do biodiesel tende, aos poucos, a diminuir nossa dependência do diesel comprado no mercado internacional”, diz Tolmasquim.

Ele afirma que a intenção do governo é voltar-se principalmente para a produção de biodiesel de óleo de mamona. Cerca de 50% do combustível que será consumido no País deve vir dessa matéria-prima, por causa do apelo social.

A plantação, cultivo e colheita da mamona são intensivos em mão-de-obra, contribuindo para a criação de empregos e distribuição de renda para milhares excluídos nas regiões mais carentes, argumenta o assessor da presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Roberto Rodrigues Peres. Além disso, a mamona é facilmente adaptável ao semi-árido do Nordeste.

Brasil volta a apostar na alternativa do biodiesel

junho 28, 2004 by ibps  
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Quase 30 anos após a criação do maior programa de combustível renovável do mundo, o Proálcool, o Brasil volta a apostar num novo projeto de energia limpa: o biodiesel, uma alternativa para reduzir a dependência do petróleo, melhorar a qualidade do ar e contribuir para a inclusão social.

Se a regulamentação sair em novembro, como previsto, a partir de 2005 os veículos brasileiros movidos a óleo diesel (caminhões, locomotivas e ônibus) já estarão circulando com um porcentual de biodiesel.

A ministra de Minas de Energia, Dilma Rousseff, afirmou que o combustível renovável deverá ser um dos principais focos do governo Lula.

Segundo o secretário-executivo do ministério, Maurício Tolmasquim, a intenção é começar o Programa de Biodiesel com o chamado B2, ou seja, misturar 2% do combustível renovável no diesel, o que significará cerca de 800 milhões de litros de biodiesel na frota brasileira. O aumento deverá ser gradual, podendo chegar a 5% em 2010.

O combustível renovável é produzido com óleos vegetais, novos ou usados, gorduras animais, resíduos industriais e esgoto sanitário reagidos com um porcentual de metanol ou etanol (álcool extraído da cana-de-açúcar). O processo resulta em biodiesel e glicerina - matéria prima empregada na indústria de cosméticos e explosivos.

Mas no Brasil o foco está, especialmente, nos óleos vegetais, obtidos a partir da soja, mamona, dendê, milho, girassol, babaçu, palma, algodão e colza reagidos com álcool etílico. “Assim, teremos um combustível 100% renovável”, afirma o professor da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Dabdoub, responsável pela fórmula do biodiesel com álcool da cana-de-açúcar.

Mas além da questão ambiental, o uso do biodiesel - que praticamente não emite enxofre - também deve ser estratégico do ponto de vista econômico. Segundo Tolmasquim, o diesel representa um grande gargalo para o País, que tem de importar 15% do combustível consumido (6 bilhões de litros, que custam cerca de US$ 1,2 bilhão). Mesmo que o Brasil alcance a auto-suficiência em petróleo, haverá necessidade de importar diesel comum.

Isso porque o óleo extraído não tem qualidade para a produção daquele combustível. “A adoção do biodiesel tende, aos poucos, a diminuir nossa dependência do diesel comprado no mercado internacional”, diz Tolmasquim.

Ele afirma que a intenção do governo é voltar-se principalmente para a produção de biodiesel de óleo de mamona. Cerca de 50% do combustível que será consumido no País deve vir dessa matéria-prima, por causa do apelo social.

A plantação, cultivo e colheita da mamona são intensivos em mão-de-obra, contribuindo para a criação de empregos e distribuição de renda para milhares excluídos nas regiões mais carentes, argumenta o assessor da presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Roberto Rodrigues Peres. Além disso, a mamona é facilmente adaptável ao semi-árido do Nordeste.

Fim do fórum de mudanças climáticas alarma especialistas

junho 22, 2004 by ibps  
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A denúncia sobre a desativação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, feita na segunda-feira pelo jornal Estado, causou críticas e grande preocupação entre especialistas no País. “O assunto é da mais alta importância para o futuro do planeta e, deve-se ressaltar, países em desenvolvimento como o Brasil são os mais vulneráveis às projetadas mudanças”, afirmou Carlos Nobre, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP).

Criado em 2000, o fórum reúne representantes dos governos federal, estaduais e municipais, empresas, cientistas, ambientalistas e organizações da sociedade para definir medidas que vão desde a prevenção a catástrofes causadas pelas mudanças climáticas - ciclones e enchentes, por exemplo - até incentivos fiscais a projetos que reduzem a emissão de poluentes. Presidido pelo presidente da República, o fórum não foi mais convocado desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, e ninguém no atual governo se responsabiliza por ele.

“Esperemos que este governo entenda a importância da questão e a necessidade de não ficar somente intramuros, tornando o fórum novamente ativo e lhe dando as condições operacionais para atuar”, disse Nobre, que é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em mensagem enviada dos Estados Unidos, o membro do IPCC lembrou que “no fórum estão (estavam?) representados todos os setores da sociedade”, o que foi feito justamente para “trazer a questão das mudanças climáticas a um saudável debate democrático”, incluindo o interesse da população, que antes era tratado como “marginal”.

Omissão

Coordenador-adjunto do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP e membro do Observatório do Clima, Mario Monzoni lamentou a falta de liderança de Lula, fruto de “desarticulação ou desinteresse” em relação ao tema. “Antes do 11 de Setembro, em Davos os líderes mundiais elegeram as mudanças climáticas como principal assunto a ser tratado neste século”, comentou. “Depois do terrorismo, o tema continua sendo o mais importante, mas este governo não tem dado o devido tratamento.”

Segundo Monzoni, sem a coordenação geral do governo federal o fórum não se viabiliza. “É o governo o ator que discute com a ONU, é o governo que deve articular as discussões sobre o MDL (sistema de compensações a projetos que reduzem as causas do efeito estufa) com o setor privado, e a omissão do governo paralisa as coisas”, observou.

Propostas do Brasil

O secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, José Goldemberg, disse que a desarticulação do fórum vai fragilizar a posição do Brasil em conferências internacionais sobre o meio ambiente. “Na conferência de Joanesburgo, em 2002 (Rio+10), o Brasil teve posições fortes e respeitadas, e o foi o fórum que promoveu aqui uma pré-conferência em que foram formuladas estas proposições brasileiras”, lembrou. “No mês passado, em Bonn (Alemanha), o Brasil foi à conferência de energias renováveis sem discutir suas posições com a sociedade, e despertou muitas queixas.”

Goldemberg se refere à polêmica proposta levada pela ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, de incluir usinas hidrelétricas entre os projetos classificados como geradores de energia renovável. “A idéia não causou nenhum entusiasmo e poucos delegados manifestaram apoio, como os de Uganda, por exemplo.”

Para o secretário, o fato de o fórum ter sido criado durante o governo FHC não justifica o fato de o governo petista tê-lo deixado num “buraco negro”, como agora. “O fórum não é partidário e não é órgão da burocracia. É da sociedade, é institucional”, afirmou.

Fim do fórum de mudanças climáticas alarma especialistas

junho 22, 2004 by ibps  
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A denúncia sobre a desativação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, feita na segunda-feira pelo jornal Estado, causou críticas e grande preocupação entre especialistas no País. “O assunto é da mais alta importância para o futuro do planeta e, deve-se ressaltar, países em desenvolvimento como o Brasil são os mais vulneráveis às projetadas mudanças”, afirmou Carlos Nobre, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP).

Criado em 2000, o fórum reúne representantes dos governos federal, estaduais e municipais, empresas, cientistas, ambientalistas e organizações da sociedade para definir medidas que vão desde a prevenção a catástrofes causadas pelas mudanças climáticas - ciclones e enchentes, por exemplo - até incentivos fiscais a projetos que reduzem a emissão de poluentes. Presidido pelo presidente da República, o fórum não foi mais convocado desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, e ninguém no atual governo se responsabiliza por ele.

“Esperemos que este governo entenda a importância da questão e a necessidade de não ficar somente intramuros, tornando o fórum novamente ativo e lhe dando as condições operacionais para atuar”, disse Nobre, que é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em mensagem enviada dos Estados Unidos, o membro do IPCC lembrou que “no fórum estão (estavam?) representados todos os setores da sociedade”, o que foi feito justamente para “trazer a questão das mudanças climáticas a um saudável debate democrático”, incluindo o interesse da população, que antes era tratado como “marginal”.

Omissão

Coordenador-adjunto do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP e membro do Observatório do Clima, Mario Monzoni lamentou a falta de liderança de Lula, fruto de “desarticulação ou desinteresse” em relação ao tema. “Antes do 11 de Setembro, em Davos os líderes mundiais elegeram as mudanças climáticas como principal assunto a ser tratado neste século”, comentou. “Depois do terrorismo, o tema continua sendo o mais importante, mas este governo não tem dado o devido tratamento.”

Segundo Monzoni, sem a coordenação geral do governo federal o fórum não se viabiliza. “É o governo o ator que discute com a ONU, é o governo que deve articular as discussões sobre o MDL (sistema de compensações a projetos que reduzem as causas do efeito estufa) com o setor privado, e a omissão do governo paralisa as coisas”, observou.

Propostas do Brasil

O secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, José Goldemberg, disse que a desarticulação do fórum vai fragilizar a posição do Brasil em conferências internacionais sobre o meio ambiente. “Na conferência de Joanesburgo, em 2002 (Rio+10), o Brasil teve posições fortes e respeitadas, e o foi o fórum que promoveu aqui uma pré-conferência em que foram formuladas estas proposições brasileiras”, lembrou. “No mês passado, em Bonn (Alemanha), o Brasil foi à conferência de energias renováveis sem discutir suas posições com a sociedade, e despertou muitas queixas.”

Goldemberg se refere à polêmica proposta levada pela ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, de incluir usinas hidrelétricas entre os projetos classificados como geradores de energia renovável. “A idéia não causou nenhum entusiasmo e poucos delegados manifestaram apoio, como os de Uganda, por exemplo.”

Para o secretário, o fato de o fórum ter sido criado durante o governo FHC não justifica o fato de o governo petista tê-lo deixado num “buraco negro”, como agora. “O fórum não é partidário e não é órgão da burocracia. É da sociedade, é institucional”, afirmou.

Governo desmonta Fórum de Mudanças Climáticas

junho 21, 2004 by ibps  
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O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas está numa espécie de limbo. Criado em agosto de 2000 para estudar os impactos do aquecimento global sobre o País, para definir incentivos fiscais a projetos de energia renovável e para formular as propostas do Brasil em temas polêmicos nas conferências sobre o planeta, entre outras tarefas, o colegiado sumiu. É difícil localizar em Brasília quem responda sobre ele, apesar de seu presidente ser ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República.

O fórum é composto por representantes do governo federal, Estados e municípios, empresas, cientistas, ambientalistas e outras organizações da sociedade, condição que permitiu ao Brasil despontar nas principais assembléias mundiais como um dos líderes em questões de desenvolvimento sustentável, aprovando medidas como a criação dos créditos de carbono. Mas isso foi até 2002. No governo atual, não houve sequer uma reunião, o que só pode ocorrer por convocação do presidente.

O alerta sobre a extinção do fórum foi feito em carta endereçada ao próprio Lula, no fim de abril, pelo então secretário-executivo do colegiado, Fábio Feldmann. Empossado em 2000, o ambientalista, ex-deputado tucano e ex-secretário paulista do Meio Ambiente esperava desde janeiro de 2003 sua substituição por alguém indicado pelo governo petista, mas ninguém foi nomeado para o cargo - não-remunerado.

Feldmann deixou o fórum. “Pedi minha exoneração em dezembro passado e me disseram ‘fique enquanto a gente escolhe alguém para o seu lugar’. Em abril mandei uma carta ao presidente pedindo novamente minha exoneração, porque estão matando o fórum e não tem cabimento continuar”, disse ele.

Ninguém sabe

Ao longo da semana passada, o jornal Estado procurou contatar em ministérios e no Palácio do Planalto algum encarregado de questões ligadas ao fórum, mas nenhum assessor soube dizer quem seria. O colegiado sempre esteve ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), que tem em seu site uma área especial para ele (www.mct.gov.br/clima/brasil/forum.htm), entretanto a assessoria de comunicação informou que a pasta não tem vínculo jurídico ou administrativo com o fórum. Ninguém fala sobre o assunto.

A busca envolveu o Ministério do Meio Ambiente e até a Casa Civil, também sem resultado. Por último, a Secretaria de Comunicação do Planalto foi mobilizada para localizar alguém do governo que saiba do fórum, mas não houve resposta até a noite de sexta-feira.

A pouca ou nenhuma importância dada ao fórum e sua “extinção na prática” é a principal acusação do ex-secretário-executivo. A maior preocupação de Feldmann, porém, é que isso representaria a “falta de noção do governo sobre a urgência do tema” das mudanças climáticas. “É o principal tema no mundo, depois do terrorismo, e o Brasil tem muito com o que se preocupar depois do ciclone Catarina”, apontou, referindo-se ao fenômeno que foi classificado como o primeiro furacão a atingir o Sul do Brasil, em março, deixando vítimas e muitos prejuízos.

Sem a sociedade

As câmaras temáticas do fórum iniciaram estudos, por exemplo, sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos no País e sobre a regulamentação jurídica do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) - o sistema de cotas de emissão de poluentes trocadas por financiamento a projetos de preservação ambiental - no Brasil. “Há questões importantes a serem definidas: os projetos do MDL terão uma taxa de retorno maior ou menor se o incentivo fiscal for sobre o ICMS ou sobre outro tributo”, citou Feldmann.

E estas questões, lembrou ele, não podem ser definidas sem a participação ativa da sociedade, dos empresários e das organizações civis, além do governo. “O governo não pode decidir sozinho essas coisas, e o fórum era a única instância onde havia equilíbrio e representatividade.”

Segundo o ex-secretário-executivo, a falta de definições, com a desarticulação do fórum, começa a criar problemas com interlocutores internacionais e mesmo com investidores. “O investidor que pode escolher entre Brasil, Índia e China vai optar por aquele país que tem políticas claras de incentivos fiscais para projetos vinculados ao MDL.”

Liderança e defensiva

A composição pluralista e representativa do fórum, segundo Feldmann, também deu cacife a Fernando Henrique Cardoso para colocar o Brasil como protagonista das soluções para os desafios ambientais do planeta. “Agora, o governo está sozinho, sem a sociedade, e vem perdendo o protagonismo”, alertou.

“O governo está assumindo uma posição defensiva, como a que vimos em Bonn, neste mês, com a ministra de Minas e Energia (Dilma Rousseff) tentando justificar a inclusão das hidrelétricas entre os projetos de energia renovável.” A posição da ministra foi duramente criticada por organizações internacionais.

O fórum se reunia com o presidente, lembra Feldmann, antes de todo evento internacional importante. E era o presidente quem falava sobre o tema. “Nos Estados Unidos, quem fala sobre mudanças climáticas é (o presidente George W.) Bush, e não um ministro; no Reino Unido, é (Tony) Blair; no Brasil, isso deixou de ser assunto no governo”, criticou. (David Moisés)

Para Meirelles, Brasil está na rota de crescimento sustentável

junho 21, 2004 by ibps  
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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o país está entrando em rota sustentada de expansão e que o próximo passo agora é aumentar a “taxa de crescimento potencial”.

Segundo Meirelles, os últimos dados econômicos sugerem que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no início do ano se mantém no segundo trimestre.

“É a primeira vez na história que o Brasil está crescendo e tendo superávit em conta corrente”, disse Meirelles na comemoração dos vinte anos da Associação de Bancos Brasileiros (ABBC), nesta segunda-feira, na capital paulista.

“É um desempenho de excepcional robustes”, acrescentou ele, citando ainda os resultados dos três trimestres consecutivos de desempenho positivo do PIB.

A economia brasileira cresceu 1,6 por cento no primeiro trimestre de 2004 em relação ao trimestre anterior e 2,7 por cento na comparação com o mesmo período de 2003.

“Os índices do segundo trimestre, como o de produção industrial, também são positivos e mostram que a economia… está mantendo seu impulso de crescimento”, disse.

O presidente do BC também citou resultados positivos do superávit fiscal e comercial como demonstrações do bom desempenho econômico.

“Temos um superávit fiscal e um saldo comercial que é o maior da história, portanto é um ritmo de crescimento que nos dá condições de sustentá-lo”, disse.

Segundo o presidente do BC, o desafio do país agora é aumentar a taxa de crescimento potencial. “A atenção começa a sair da macroeconomia que está boa e ir para a microeconomia.”

O crescimento sustentável para o qual o país caminha, segundo Meirelles, levará, “com o tempo, a mudanças no padrão de vida da população”.

Governo desmonta Fórum de Mudanças Climáticas

junho 21, 2004 by ibps  
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O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas está numa espécie de limbo. Criado em agosto de 2000 para estudar os impactos do aquecimento global sobre o País, para definir incentivos fiscais a projetos de energia renovável e para formular as propostas do Brasil em temas polêmicos nas conferências sobre o planeta, entre outras tarefas, o colegiado sumiu. É difícil localizar em Brasília quem responda sobre ele, apesar de seu presidente ser ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República.

O fórum é composto por representantes do governo federal, Estados e municípios, empresas, cientistas, ambientalistas e outras organizações da sociedade, condição que permitiu ao Brasil despontar nas principais assembléias mundiais como um dos líderes em questões de desenvolvimento sustentável, aprovando medidas como a criação dos créditos de carbono. Mas isso foi até 2002. No governo atual, não houve sequer uma reunião, o que só pode ocorrer por convocação do presidente.

O alerta sobre a extinção do fórum foi feito em carta endereçada ao próprio Lula, no fim de abril, pelo então secretário-executivo do colegiado, Fábio Feldmann. Empossado em 2000, o ambientalista, ex-deputado tucano e ex-secretário paulista do Meio Ambiente esperava desde janeiro de 2003 sua substituição por alguém indicado pelo governo petista, mas ninguém foi nomeado para o cargo - não-remunerado.

Feldmann deixou o fórum. “Pedi minha exoneração em dezembro passado e me disseram ‘fique enquanto a gente escolhe alguém para o seu lugar’. Em abril mandei uma carta ao presidente pedindo novamente minha exoneração, porque estão matando o fórum e não tem cabimento continuar”, disse ele.

Ninguém sabe

Ao longo da semana passada, o jornal Estado procurou contatar em ministérios e no Palácio do Planalto algum encarregado de questões ligadas ao fórum, mas nenhum assessor soube dizer quem seria. O colegiado sempre esteve ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), que tem em seu site uma área especial para ele (www.mct.gov.br/clima/brasil/forum.htm), entretanto a assessoria de comunicação informou que a pasta não tem vínculo jurídico ou administrativo com o fórum. Ninguém fala sobre o assunto.

A busca envolveu o Ministério do Meio Ambiente e até a Casa Civil, também sem resultado. Por último, a Secretaria de Comunicação do Planalto foi mobilizada para localizar alguém do governo que saiba do fórum, mas não houve resposta até a noite de sexta-feira.

A pouca ou nenhuma importância dada ao fórum e sua “extinção na prática” é a principal acusação do ex-secretário-executivo. A maior preocupação de Feldmann, porém, é que isso representaria a “falta de noção do governo sobre a urgência do tema” das mudanças climáticas. “É o principal tema no mundo, depois do terrorismo, e o Brasil tem muito com o que se preocupar depois do ciclone Catarina”, apontou, referindo-se ao fenômeno que foi classificado como o primeiro furacão a atingir o Sul do Brasil, em março, deixando vítimas e muitos prejuízos.

Sem a sociedade

As câmaras temáticas do fórum iniciaram estudos, por exemplo, sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos no País e sobre a regulamentação jurídica do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) - o sistema de cotas de emissão de poluentes trocadas por financiamento a projetos de preservação ambiental - no Brasil. “Há questões importantes a serem definidas: os projetos do MDL terão uma taxa de retorno maior ou menor se o incentivo fiscal for sobre o ICMS ou sobre outro tributo”, citou Feldmann.

E estas questões, lembrou ele, não podem ser definidas sem a participação ativa da sociedade, dos empresários e das organizações civis, além do governo. “O governo não pode decidir sozinho essas coisas, e o fórum era a única instância onde havia equilíbrio e representatividade.”

Segundo o ex-secretário-executivo, a falta de definições, com a desarticulação do fórum, começa a criar problemas com interlocutores internacionais e mesmo com investidores. “O investidor que pode escolher entre Brasil, Índia e China vai optar por aquele país que tem políticas claras de incentivos fiscais para projetos vinculados ao MDL.”

Liderança e defensiva

A composição pluralista e representativa do fórum, segundo Feldmann, também deu cacife a Fernando Henrique Cardoso para colocar o Brasil como protagonista das soluções para os desafios ambientais do planeta. “Agora, o governo está sozinho, sem a sociedade, e vem perdendo o protagonismo”, alertou.

“O governo está assumindo uma posição defensiva, como a que vimos em Bonn, neste mês, com a ministra de Minas e Energia (Dilma Rousseff) tentando justificar a inclusão das hidrelétricas entre os projetos de energia renovável.” A posição da ministra foi duramente criticada por organizações internacionais.

O fórum se reunia com o presidente, lembra Feldmann, antes de todo evento internacional importante. E era o presidente quem falava sobre o tema. “Nos Estados Unidos, quem fala sobre mudanças climáticas é (o presidente George W.) Bush, e não um ministro; no Reino Unido, é (Tony) Blair; no Brasil, isso deixou de ser assunto no governo”, criticou. (David Moisés)

Para Meirelles, Brasil está na rota de crescimento sustentável

junho 21, 2004 by ibps  
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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o país está entrando em rota sustentada de expansão e que o próximo passo agora é aumentar a “taxa de crescimento potencial”.

Segundo Meirelles, os últimos dados econômicos sugerem que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no início do ano se mantém no segundo trimestre.

“É a primeira vez na história que o Brasil está crescendo e tendo superávit em conta corrente”, disse Meirelles na comemoração dos vinte anos da Associação de Bancos Brasileiros (ABBC), nesta segunda-feira, na capital paulista.

“É um desempenho de excepcional robustes”, acrescentou ele, citando ainda os resultados dos três trimestres consecutivos de desempenho positivo do PIB.

A economia brasileira cresceu 1,6 por cento no primeiro trimestre de 2004 em relação ao trimestre anterior e 2,7 por cento na comparação com o mesmo período de 2003.

“Os índices do segundo trimestre, como o de produção industrial, também são positivos e mostram que a economia… está mantendo seu impulso de crescimento”, disse.

O presidente do BC também citou resultados positivos do superávit fiscal e comercial como demonstrações do bom desempenho econômico.

“Temos um superávit fiscal e um saldo comercial que é o maior da história, portanto é um ritmo de crescimento que nos dá condições de sustentá-lo”, disse.

Segundo o presidente do BC, o desafio do país agora é aumentar a taxa de crescimento potencial. “A atenção começa a sair da macroeconomia que está boa e ir para a microeconomia.”

O crescimento sustentável para o qual o país caminha, segundo Meirelles, levará, “com o tempo, a mudanças no padrão de vida da população”.

Integração Necessária

junho 20, 2004 by ibps  
Filed under Sem categoria

Estivemos na Argentina participando da I Jornada sobre Ferramentas para a Sustentabilidade. O evento foi organizado pela Universidade Tecnológica Nacional. Esta Universidade, a maior do país, reúne 63.000 alunos, e metade dos estudantes de engenharia daquele país. Possui 29 faculdades regionais, distribuídas pelas províncias, mais o Instituto Nacional Superior de Professorado Técnico.

O encontro representou marco inicial do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável, que tem por finalidade difundir as tendências regionais e mundiais em matéria de produção e consumo, com especial ênfase nos processos tecnológicos envolvidos, e difundir ferramentas analíticas, como estudos de sustentabilidade tecnológica e análise dos ciclos de vida, para avaliar e gestionar a demanda de bens e serviços na linha da sustentabilidade.

Nossos vizinhos estão conscientes de nosso potencial comum na adoção do paradigma do desenvolvimento sustentado. Estão se apercebendo com clareza da necessária integração efetiva dos países do Mercosul, com preocupação constante em definir políticas de gestão estratégica tecnológica para os sistemas de produção, formuladas sobre a organização das cadeias produtivas, com visão mercadológica prospectiva global e resultado de acurado estudo de viabilidade técnica e econômica.

Argentina e Brasil detêm o maior potencial na produção de alimentos e o agro-negócio mundial já se tornou o maior negócio do mundo, tendo movimentado mais de 10 trilhões de dólares no último ano. Entretanto, se considerarmos as pautas de exportação de nossos países, somadas, equivalem, em valor, àquela da Holanda. Exemplo escandaloso está acontecendo com o café, que, ano passado, movimentou 70 bilhões de dólares. Os países produtores ficaram com apenas 8% deste valor, tendo tocado aos importadores nada menos que 92% do global. Exportamos café em grão, que os importadores processam com tecnologia e re-exportam com alto valor agregado. Estes países já se alinham entre os maiores exportadores da rubiácea. Assim é com o cacau, o couro, a carne e as commodities agrícolas. Aos países produtores toca percentual cada vez menor do que é movimentado por cada produto.

É importante que o Mercosul entenda a necessidade de real integração em bases tecnológicas e mercadológicas, evoluindo de simples acordo comercial que hoje representa, para bloco regional rico e influente, podendo então, contemplar os outros dois pilares da sustentabilidade: o social e o ambiental.

Carlos Adilio Maia do Nascimento

Presidente do IBPS

Integração Necessária

junho 20, 2004 by ibps  
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Estivemos na Argentina participando da I Jornada sobre Ferramentas para a Sustentabilidade. O evento foi organizado pela Universidade Tecnológica Nacional. Esta Universidade, a maior do país, reúne 63.000 alunos, e metade dos estudantes de engenharia daquele país. Possui 29 faculdades regionais, distribuídas pelas províncias, mais o Instituto Nacional Superior de Professorado Técnico.

O encontro representou marco inicial do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável, que tem por finalidade difundir as tendências regionais e mundiais em matéria de produção e consumo, com especial ênfase nos processos tecnológicos envolvidos, e difundir ferramentas analíticas, como estudos de sustentabilidade tecnológica e análise dos ciclos de vida, para avaliar e gestionar a demanda de bens e serviços na linha da sustentabilidade.

Nossos vizinhos estão conscientes de nosso potencial comum na adoção do paradigma do desenvolvimento sustentado. Estão se apercebendo com clareza da necessária integração efetiva dos países do Mercosul, com preocupação constante em definir políticas de gestão estratégica tecnológica para os sistemas de produção, formuladas sobre a organização das cadeias produtivas, com visão mercadológica prospectiva global e resultado de acurado estudo de viabilidade técnica e econômica.

Argentina e Brasil detêm o maior potencial na produção de alimentos e o agro-negócio mundial já se tornou o maior negócio do mundo, tendo movimentado mais de 10 trilhões de dólares no último ano. Entretanto, se considerarmos as pautas de exportação de nossos países, somadas, equivalem, em valor, àquela da Holanda. Exemplo escandaloso está acontecendo com o café, que, ano passado, movimentou 70 bilhões de dólares. Os países produtores ficaram com apenas 8% deste valor, tendo tocado aos importadores nada menos que 92% do global. Exportamos café em grão, que os importadores processam com tecnologia e re-exportam com alto valor agregado. Estes países já se alinham entre os maiores exportadores da rubiácea. Assim é com o cacau, o couro, a carne e as commodities agrícolas. Aos países produtores toca percentual cada vez menor do que é movimentado por cada produto.

É importante que o Mercosul entenda a necessidade de real integração em bases tecnológicas e mercadológicas, evoluindo de simples acordo comercial que hoje representa, para bloco regional rico e influente, podendo então, contemplar os outros dois pilares da sustentabilidade: o social e o ambiental.

Carlos Adilio Maia do Nascimento

Presidente do IBPS

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