Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
O mundo está hoje cada vez mais preocupado com a emissão excessiva de gases de efeito estufa. Na tentativa de descobrir mecanismos que possam corrigir ou cessar o problema, surge a necessidade da substituição da matriz energética existente, hoje baseada em sua maioria no petróleo e carvão.
No aspecto ambiental mundial, os Estados Unidos são responsáveis sozinhos por mais de 50% das emissões de gases tóxicos. Apesar do governo americano não ter firmado o Protocolo de Kyoto – não se comprometendo, portanto, em reduzir as emissões de gases tóxicos -, a atividade privada americana já começa a buscar soluções independentes da assinatura do protocolo.
Em entrevista no Canal Rural, o advogado cheap drugs online Ricardo Alfonsin conversou com o presidente do IBPS, Carlos Adilio Maia do Nascimento, profundo estudioso das alternativas para instituição de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo no Brasil, já tendo ministrado diversas palestras sobre o tema.
Com o objetivo de oferecer um maior esclarecimento sobre o que são e para que servem os MDLs, o IBPS transcreveu os melhores momentos da entrevista para você. Confira a seguir.
A função do MDL
CAMN: O mecanismo de desenvolvimento limpo consiste em gerar energia e utilizar energia através de uma matriz que emita menos poluentes, em especial gases de efeito estufa. Acontece que mais da metade da matriz energética mundial é movida por carvão e petróleo. Além da matriz energética, a imensa frota automotiva existente no mundo é predominantemente acionada por motores que usam combustíveis derivados de petróleo. O protocolo de Kyoto, que instituiu este mecanismo de desenvolvimento limpo, foi subscrito em 1997 e, através dele, um número de países se comprometeu em desenvolver tecnologias e métodos no sentido de diminuir as emissões de CO2, que representa o gás maior responsável pelo efeito estufa e em maior quantidade emitida à atmosfera pela queima de combustíveis fósseis. A questão é: como diminuir esta emissão de CO2?
Vamos imaginar uma usina, nos EUA ou na Europa, responsável pela geração de tantos MGW, que funciona à base de carvão ou de petróleo e que movimenta toda uma região industrializada. Esta usina certamente não poderá, em curto ou médio prazo, reduzir a sua emissão, até porque não se converte parte do modelo, se converte uma usina toda. Esta usina precisa, então, ser transformada de uma usina térmica a carvão ou petróleo em uma usina queimando outro combustível. Isto não é fácil. Então, a relutância dos EUA em fazer valer o protocolo de Kyoto é resultante de pressão exercida no Congresso americano para que isto não ocorra.
Por quê? Porque esta reconversão é difícil, demorada e tem custo. O próprio Presidente Bush afirma que diminuir emissões de carbono prejudicaria grandemente a economia dos EUA.
O Brasil, como tem sido historicamente um país de diplomacia competente, propôs uma inclusão ao Protocolo de Kyoto que se refere ao mecanismo de desenvolvimento limpo e que diz mais ou menos o seguinte: Esta usina do Hemisfério Norte, por exemplo, que está emitindo CO2 e que não tem tempo suficiente para fazer uma reconversão dentro dos prazos estabelecidos pelo protocolo, poderá pagar para que alguém aqui no Brasil, na Argentina, ou na África, através de um sistema de produção vegetal, capte carbono da atmosfera e transforme este carbono em celulose. Este sistema de produção vegetal poderá fixar volume de carbono igual ou maior que aquele emitido pela usina em questão e esta deverá financiar o empreendimento agrícola compensador de sua emissão.
Exercício e aplicação do MDL
CAMN: Quando se começou a falar em mecanismo de desenvolvimento limpo, quase que exclusivamente se pensou na fixação de carbono através de florestas pelo fenômeno da fotossíntese, em que o vegetal pega o carbono da atmosfera e transforma em celulose. No entanto, logo se viu que, se esta floresta fosse constituída de uma árvore ou de um arbusto que produzisse uma oleaginosa, um grão que produzisse óleo – como é o caso da mamona, que produz um grão que dá um óleo que substitui o diesel com vantagens, e que emite muito menos CO2 do que o óleo diesel. Se for feita uma plantação de mamona, no ciclo vegetativo da planta está sendo fixado carbono. E depois a mamona produz um grão que vai dar um óleo que vai substituir o diesel e emitir menos CO2. Está sendo feito, neste caso, um duplo MDL .
A partir de então começou a se pensar em vários vegetais que trouxessem esta vantagem, isto é, fixar carbono através de biomassa no seu ciclo vegetativo e desenvolver um grão que produzisse óleo vegetal substitutivo ao óleo diesel. E é nesta hora que cresce a importância do Brasil. A já chamada hoje agricultura energética – aquela que vai se dirigir especificamente para produzir óleos vegetais, bem como álcool e o bagaço da cana.
Cana-de-açúcar, capacidade milagrosa
CAMN: A cana-de-açúcar é considerada um milagre vegetal. Esta gramínea gigante, no Brasil já está com uma produtividade de quase 80 toneladas por hectare. Trezentos e oitenta milhões de toneladas de cana foram produzidas na safra passada em menos de 5 milhões de hectares. Com a tecnologia atual existente, a EMBRAPA se propõe – através de um projeto de extensão de tecnologia de produção – a alcançar uma produtividade acima de 90 toneladas por hectare.
É importante que se saiba, principalmente nós brasileiros, que da biomassa que é a cana, uma terça parte é álcool e açúcar e duas terças partes é bagaço e palha. Esse bagaço e essa palha, deste volume de cana que o Brasil produz, quando queimados adequadamente através de sistemas de queima eficientes produz uma quantidade fantástica de energia.
A cialis tadalafil 5mg COPERSUCAR já fez um estudo que mostrou que o bagaço da cana produzida hoje no Brasil, se queimado adequadamente geraria uma energia equivalente a 400 milhões de barris de petróleo. Isto representa a metade do consumo anual de petróleo no Brasil.
Atualmente, nós temos um consumo no Brasil em torno de 2 milhões de barris por dia. Então nós não chegamos a oitocentos milhões de barris por ano.
O MDL na prática, um título de comercialização mundial
CAMN: No Brasil desenvolve-se um projeto florestal, ou um projeto agrícola de produção de óleo vegetal. Hoje é tudo monitorado, então se sabe neste projeto quantas toneladas de CO2 ele vai fixar. É claro que este projeto tem que ser submetido a uma vistoria técnica e receber um certificado. Este certificado se chama certificado de redução de emissão. O certificado de redução de emissões diz que: determinada floresta ou plantação de grãos que produzem óleo vai fixar tantas toneladas de CO2 por mês ou por ano. Em cima disto é emitido um certificado dizendo que o que está previsto ali é verdadeiro, que realmente vai acontecer. Então esta empresa oferece este certificado através de um banco ou de uma empresa especializada e diz: Eu tenho este certificado e se você compra-lo significa que você está pagando a fixação de tantas toneladas de carbono. Este é o mecanismo, o chamado mercado de carbono.
A mudança da matriz energética e a legislação
CAMN: Vários países possuem legislações recomendando a mistura crescente de combustíveis renováveis como óleo vegetal e álcool ao óleo diesel e gasolina. A Alemanha, Japão e EEUU recomendam a mistura progressiva de óleo vegetal no diesel até chegar a 30% em 2015. Para atingir esta meta, serão necessárias imensas quantidades de óleo vegetal produzidas por agricultura de baixo impacto ambiental e cada vez mais compatível com a harmonia da natureza. Estas lavouras de grãos oleaginosos serão imensos MDL, transformando carbono em biomassa. O óleo por elas produzido, substitui combustível fóssil, emitindo menos CO2. Este sistema se constitui em duplo MDL.
Retirado o óleo de um grão de oleaginosa como soja, dendê ou girassol, sobra proteína e carboidrato que são alimento para o homem. Podemos então pensar que os resíduos da agricultura energética poderão resolver a fome do mundo.
Outros MDL são as usinas eólicas e solares gerando energia limpa e renovável para substituir àquela gerada por combustíveis fósseis, finitos e grandes emissores de gases de efeito estufa.
Atuando há mais de 10 anos com as questões relacionadas ao Meio Ambiente, Produção mais Limpa e Tecnologias Limpas, Carlos Adilio Maia do Nascimento foi coordenador do CODEMA- Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente, da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e membro do COEMA- Conselho Temático de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Indústria.
NO STRESS, muito além da marca
Entrevista com Toshio Targa Tadano
Alguma vez você já viu estampada em camisetas, acessórios, cadernos, entre outros produtos, a frase No Stress? Provavelmente sim. Mas, alguma vez você já se perguntou de onde surgiu?
O Presidente da No Stress Brasil Instituição Ecológica, Toshio Targa Tadano, concedeu uma entrevista ao IBPS aonde conta a história de uma marca que hoje faz sucesso em vários países de mundo e mostra o por quê da No Stress representar, desde a sua criação, muito mais uma mobilização social em prol do meio ambiente do que meramente um ideal comercial.
Nossa intenção é contar a história de uma marca comercial que surgiu de uma iniciativa ecológica e que tem sido um marco na luta pela preservação ambiental. Confira!
No Stress no Brasil
A marca No Stress surgiu originalmente cialis canadian drugs without prescription medicine na Austrália e chegou no Brasil pela primeira vez na praia de Garopaba, SC, durante a transição de 1996 para 97, com o objetivo de ser um símbolo representativo a ser oferecido aos participantes dos passeios ecológicos que eram realizados por um grupo de amigos naquele Estado.
- Nós brincamos, em um de nossos slogans, que a No Stress é mais que uma marca, é uma causa. Isso é a pura verdade, pois a marca no Brasil veio como conseqüência das nossas atividades, e não ao contrário.
- A No Stress veio oriunda de uma atividade. Houve a exigência de uma marca para se visualizar esta atividade.
Espírito empreendedor, trabalho, iniciativa e responsabilidade social
A introdução no Brasil ocorreu através da iniciativa de três amigos que faziam passeios ecológicos em Garopaba, mostrando as cachoeiras, as trilhas e alguns lugares não conhecidos pelos turistas tradicionais.
- Ocorria que ao final das cavalgadas, das trilhas, do rapel, entre outras atividades de ecoturismo, as pessoas ficavam tão entusiasmadas e emocionadas que pediam uma lembrança do passeio. Foi então que a empresa começou a produzir produtos com a marca No Stress no Brasil. O nome, além de traduzir perfeitamente o clima dos passeios, era a mensagem mais apropriada contra a nova doença do milênio: o stress!
Foram encomendadas as primeiras 500 camisetas, que eram oferecidas aos participantes do passeio como um registro físico daquela experiência que havia sido tão emocionante para quem participava.No final daquele verão, foram comercializadas 50.000 camisetas.
- Em cima disso introduziu-se a marca No Stress como uma linha de produtos. A demanda passou a exigir não somente camisas, mas também bonés e outros produtos assinados pela marca. E foi crescendo de forma vertiginosa. Um ano depois se tinha uma loja no centro de Garopaba onde existiam filas com fichas para poder entrar e comprar os produtos. E a empresa foi se qualificando, sempre associada aos passeios e trilhas ecológicas.
A No Stress entidade ecológica, assim como a empresa privada No Stress Ltda., transferiu-se para Porto Alegre, RS, em janeiro de 2000, tornando-se assim uma empresa gaúcha, com seus devidos registros sendo transferidos para o Estado do Rio Grande do Sul.
- Nós montamos uma nova sede em Porto Alegre, com um novo Estatuto. A empresa comercial ficou comercial no mundo e paralelo a isto se começou a tomar atitudes dentro do RS, realizando mutirões em Canela, Gramado, Santa Cruz, nas praias do litoral, palestras nas escolas, e fomos chamados também para fazer uma campanha no centro-oeste contra as queimadas. Assim como ações no Nordeste Brasileiro.
- Hoje, neste processo do novo código civil, mudamos de entidade ecológica No Stress para Instituto No Stress de Meio Ambiente . Houve então um enquadramento da empresa, que passou a ser uma OSCIP (Organização Civil Pública – Utilidade Pública Nacional).
Melhoria Estrutural
Com o crescimento contínuo da No Stress empresa, surge a preocupação com a profissionalização de duas instituições isoladas que corriam paralelas.
- A empresa começou a profissionalizar sua área comercial, sua área de distribuição de produtos, e um leque se abriu. O que antes fazia parte de um produto, passou a fazer parte de trinta, sessenta. Hoje temos mais de 200 produtos licenciados com a marca No Stress.
- A própria entidade ecológica também se estruturou tecnicamente nestes anos, nós começamos a trazer para dentro da instituição geólogos, ambientalistas, pessoas que nos acresceriam, nos dariam fundamentação técnica, incluindo a área do direito e comunicações. Quando vimos, estávamos responsáveis pela organização dos mutirões, pelas palestras nas escolas, coleta de mudas para replantar.
Expansão contínua
O sucesso da marca foi num crescente sempre, até que a empresa tomou um vulto muito maior e começou a se expandir para fora do Brasil.
- Para atender a demanda e entrar neste mercado do consumidor a No Stress partiu para o licenciamento de vários produtos. Hoje, a marca está estampada nas térmicas Termolar que estão nos supermercados, nas capas dos cadernos Tilíbra há 4 anos, compondo mais de 19 capas. Começamos com um país, depois passamos para 6 e agora exportamos para 18 países, mas estando a marca registrada em mais de 40 países no Mundo.
A preocupação ambiental com o produto
Os passeios em si enfatizavam o turismo ecológico e os produtos não eram especificamente desenvolvidos com material reciclado, eram mais uma forma de vincular com a questão ambiental e de oferecer uma memória tangível da experiência vivida nos passeios. Porém, a preocupação com os cuidados ao meio ambiente e com a qualidade do sistema de produção dos produtos licenciados nunca deixou de ser uma constante.
- A nossa intenção é sempre buscar produtos de empresas que possuam em sua filosofia de trabalho uma responsabilidade com o meio ambiente desde o seu processo produtivo, que estejam certificadas. Nós observamos o processo de produção. O produto precisa ser ecologicamente correto desde a sua confecção, precisa atender a uma linha que nós exigimos.
Um exemplo
- Uma fábrica se interessou em licenciar seus colchões. Nós verificamos que o colchão tem uma área de dejetos químicos e tentamos, dentro da fábrica, buscar o reaproveitamento destes dejetos para que não fossem simplesmente excluídos. Começamos a reutilizar estes resíduos – que eram espuma picada – para fazer camadas de colchões que podem ir para presídios, creches, etc. A intenção era conseguir recolocar este material , mesmo com qualidade inferior, novamente no mercado de forma que não vire dejeto. É o processo da Produção mais Limpa.
- Além disso, fizemos com que os produtos que fossem licenciados nossos – logicamente dentro de uma satisfação do cliente – mostrassem que a empresa que o produziu está fazendo algo em benefício ao Meio Ambiente, que tem esta preocupação e que a coloca dentro do sistema produtivo.
A criação da entidade ecológica
- Muitas vezes nos deparávamos durante os passeios com algumas retaliações, alguns maus tratos à natureza. Começamos a encontrar lixo jogado e passamos a organizar mutirões de limpeza, engajando as pessoas que participavam. Nós sugeríamos primeiro uma coleta de lixo, procurando conscientizar as pessoas de uma forma bastante simples da responsabilidade do ser humano com a natureza. Isto se tornou crescente a ponto de nós começarmos de fato a sermos responsáveis pelo estaqueamento, por colocar o lixo determinado no lugar certo, fazíamos reflorestamento, palestras nas escolas.
- E nós começamos a ter uma responsabilidade dentro daquela comunidade em que atuávamos, em cima destas nossas iniciativas. Foi quando tivemos um problema mais sério com relação aos lixos de Garopaba, esgotos, entre outras questões. Nós começamos a ter também, numa área do Rosa, um problema de mata nativa, e passamos a tomar consciência da legislação, do que representava área de preservação permanente, etc. Percebemos que havia movimentos de empresários fortes na praia do Rosa no sentido de ferir estas leis ambientais, e tentamos negociar isto no Ministério Público. Ocorria que não tínhamos sustentação jurídica para denúncias deste porte, foi aí que nós fomos instruídos pelo próprio procurador do Ministério de que deveríamos montar uma entidade ecológica que fosse representativa da comunidade, para que pudessem ser estas denúncias escutadas e estes pleitos respondidos pelos órgãos todos, federais e estaduais.”
Amadurecimento paralelo
- A empresa foi amadurecendo e o Instituto foi amadurecendo paralelamente. Percebemos que algumas atitudes rebeldes começaram a entrar em choque com outros interesses e muitas vezes não surtiam o efeito que nós gostaríamos que tivessem. Começamos então a voltar nossa atenção para projetos educacionais, começamos a enfocar as escolas,as crianças, pois acreditamos que é exatamente neste momento que temos que marcar as crianças. É muito mais difícil educar uma pessoa mais velha, que já está com seus hábitos, com seus costumes. Nós queremos gerar o costume de preservação, a consciência ambiental nos jovens, que são quem acreditamos que poderão educar os pais. Educar o jovem é acima de tudo ensinar a importância de prevenir ao invés de remediar um erro feito por ignorância.
A força das parcerias
- As empresas passaram a mostrar interesse em nossos projetos ambientais, todos os nossos fornecedores são nossos parceiros, patrocinadores de nossos mutirões, nossas palestras em várias universidades e eventos no Brasil inteiro sobre o case No Stress, preservação do meio ambiente, reciclagem de lixo, coleta seletiva,etc.
Trabalhos atuais do Instituto no RS
- Estamos participando do projeto do resíduo hospitalar, que é um grande problema que temos em Porto Alegre. Encontramos uma solução que abrange mais de 90% dos hospitais, incluindo coleta , tratamento e descarte do resíduo hospitalar. É utilizada uma tecnologia que faz o tratamento e reenquadra o resíduo hospitalar em outra categoria de resíduo, que possa ser exposto sem tantos riscos.
Por questões financeiras, os hospitais não estavam conseguindo cumprir a lei. Então, conseguimos trazer uma empresa fornecedora nos hospitais como patrocinadora para subsidiar o custo deste tratamento. Foi a forma encontrada pelo Instituto no stress através de sua atual condição de OSCIP.
A importância do marketing ambiental
- No balanço social que as empresas engajadas e responsáveis socialmente têm hoje, nota-se que estas têm um destaque com o consumidor. O público, se informado, opta por empresas ambientalmente responsáveis. Tudo isto é uma somatória de coisas que absorvemos no mercado e estamos tendo uma experiência positiva neste aspecto.
- A intenção é conscientizar cada vez mais as pessoas de que a No Stress é uma forma de vida, uma atitude. É isso que a No Stress quer dizer às pessoas e é neste sentido que desenvolvemos nosso trabalho, dentro da nossa disponibilidade e da verba que temos.
A questão econômica
- Noventa por cento da verba para nossos projetos ambientais são oriundos da captação que o Instituto No Stress consegue, através de outras instituições que já nos ajudaram e ainda ajudam como: Ipiranga, Grendene, Polibras, Cristiva, Sestini, Mercur , Tilíbra, International Motores, Banco do Brasil, Refap – Petrobrás,etc.; além das próprias Prefeituras dos Municípios nos quais trabalhamos, que se engajaram nos projetos e já nos patrocinaram vários mutirões e palestras. Os outros 10% a própria empresa No Stress Ltda. completa como patrocínio ou doação. Mas já foi diferente, no começo a No Stress Ltda. bancava 100 % destes recursos.
Apesar da restrição econômica, Toshio acredita que a passividade e a omissão definitivamente não trazem soluções, comprovando, através do trabalho realizado no Instituto No Stress, que a questão ambiental só poderá evoluir com criatividade, atitude, boa vontade e participação coletiva.
- Mesmo a nossa força econômica ainda sendo muito pequena para realizar todos os nossos projetos, a No Stress está se qualificando como OSCIP, se qualificando também como entidade Municipal e Estadual de Utilidade Pública, para que possamos acessar novas verbas e cada vez mais realizar todos os nossos trabalhos sem que sejamos paralisados, infelizmente, pela limitação econômica.
- Com criatividade podemos encontrar soluções viáveis, e tomar responsabilidade efetivamente sobre estas iniciativas, em vez de ficarmos simplesmente voltados para nossa vida e reclamando do que o governo deixou de fazer.
Toshio Targa Tadano é Presidente da No Stress Brasil Instituição Ecológica em todo território Nacional, estando a sede da entidade estabelecida em Porto Alegre, RS.
Informações para contato
Internet : www.nostress.org.br
E-mail: ong@nostress.org.br
O Direito Ambiental no Brasil
agosto 24, 2004 by ibps
Filed under Sem categoria
Por Fernanda Zanette Alfonsin
Em virtude dos índices cada vez mais altos de poluição em nosso planeta, o homem percebeu que seus insumos primários de subsistência estavam ameaçados.
Para frear tal situação, percebeu a necessidade da criação de um sistema legal que tutelasse o direito do homem de viver em um meio ambiente saudável, o qual deveria atuar tanto na área preventiva, principalmente através da educação ambiental, bem como possuir um caráter altamente punitivo, penalizando severamente os degradadores do meio ambiente.
Foi, então, que o Brasil criou um das legislações mais modernas do mundo, regulando a relação homem x natureza, indo buscar em todo seu ordenamento jurídico, bases a sua eficácia, constituindo, assim, um verdadeiro direito transdisciplinar.
Foi buscar no Direito Constitucional normas de competência, esculpindo na Lei Maior seus princípios basilares, promulgando o tema como direito fundamental de todo o cidadão, na busca da preservação da presente e das futuras gerações. O Direito Civil regulou a responsabilidade civil ao causador de dano ambiental, com o dever de reparação e indenização dos danos. O Direito Penal forneceu as sanções penais aos crimes causados ao meio ambiente. O Direito Administrativo rege as regras e procedimentos no âmbito administrativo. O Direito Tributário serve ao Direito Ambiental como forma de incentivo fiscal às empresas ambientalmente responsáveis. O Direito Internacional regula a globalização dos problemas ambientais, e, o Direito Processual, fornece o procedimento que deve ser observado visando a proteção do meio ambiente, de acordo com o dano ocorrido.
Igualmente o Direito Agrário possui uma relação muito próxima com o Direito Ambiental, eis que na Constituição Federal do Brasil está previsto que o exercício de propriedade rural deve ser exercida de acordo com a sua função social, tendo como um de seus componentes o aproveitamento racional e adequado e utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente. Além disso, a legislação sobre a Política Agrícola (Lei 8.171/91) possui como um de seus princípios a proteção do meio ambiente.
O Direito Ambiental também caminha junto com o Direito Econômico, no momento em que ambas as ciências buscam o aumento do bem estar individual e coletivo.
Com isso, esse novo ramo do Direito é indissociável dos demais na busca de uma regulamentação viva, em virtude da importância do bem jurídico que tutela, visto que regula fenômenos sociais e ecológicos, os quais estão em uma constante metamorfose.
Entretanto, apesar da sua modernidade, o Direito Ambiental ainda enfrenta dificuldades em sua efetiva implementação, decorrente da sua exclusão das políticas públicas, bem como pelo excesso de burocratização.
Somente quando os governos incluírem esta problemática em suas discussões e fornecerem verbas orçamentárias satisfatórias para os instrumentos legais que visam a proteção de nossa biodiversidade estaremos vivendo em um país com uma democracia sólida, a qual fornecerá o direito fundamental de todo o indivíduo de viver em um ecossistema equilibrado e, conseqüentemente, de ter uma vida digna e saudável.
Fernanda ordering prescription drugs online without a prescription Zanette Alfonsin é advogada e consultora em Direito Ambiental. where to buy cialis online
O que realmente faz a diferença
Por Fernanda site prescription drugs online without cialis Zanette Alfonsin
Basta olharmos pela janela para chegarmos a conclusão de que vivemos uma crise ambiental. Cada vez mais, torna-se imprescindível a consciência social de que esta fonte de riquezas naturais, fundamental a nossa vida, é frágil e não forte e interminável como parece, e, paradoxalmente, essencial a perpetuação da nossa espécie.
Não basta apenas escolhermos os nossos governantes com responsabilidade, temos que repensar nossos hábitos diários, viver racionalmente, como seres humanos que somos.
Pequenas alterações em nosso cotidiano já são de grande valia para a natureza, como, por exemplo, separar o lixo seco do orgânico. Se todos fizessem isso, teríamos um passivo urbano reciclável que poderia ser reutilizado nas cadeias produtivas, o que levaria a menor necessidade de utilização de recursos naturais. Temos que ter a consciência de nossa responsabilidade social, de que apesar de sermos um dentro do todo, nossas atitudes fazem sim a diferença.
Imagine se pensarmos: o que represento eu no meio destas indústrias, a minha atitude, deixar de jogar uma lata pela janela do carro não vai fazer a menor diferença, vai ser só mais uma, tudo já está sujo e poluído mesmo. Em um mês estaríamos vivendo no meio do lixo, no caos.
Temos que sair dessa crise, evoluir, pode ser difícil no começo, mas o resultado seria que todos poderíamos viver em um mundo mais equilibrado.
A mídia tem mostrado iniciativas que estão fazendo a diferença na área ambiental. Atitudes individuais que estão mudando as vidas das pessoas envolvidas, pois estas vivem, agora, integradas com o meio ambiente e felizes por estarem ajudando o planeta a se recuperar, sempre com poucos recursos e muito boa vontade, para que nosso ambiente de vida seja equilibrado e, principalmente, para que a nossa espécie continue a se perpetuar.
Não vamos esperar o último rio secar e a última árvore morrer para chegarmos a conclusão de que plantando pequenas sementes, poderemos colher um mundo mais saudável para a presente e futuras gerações.
Fernanda Zanette Alfonsin é advogada e consultora em Direito Ambiental.
Tratamento de Efluentes
agosto 24, 2004 by ibps
Filed under Entrevistas
O tratamento de efluentes é uma das mais importantes questões ambientais no que diz respeito ao atendimento da legislação e à conseqüente proteção ao meio ambiente.
Apesar de evoluindo, a carência de recursos para investimentos, as políticas oficiais de inovação tecnológica – que parecem não considerar a realidade das micro e pequenas empresas brasileiras, entre outras questões, são entraves que fazem com que o setor de tratamento de efluentes no Brasil ainda deixe muito a desejar.
Para falar sobre o assunto, o IBPS entrevistou o Engenheiro Kleber Hamilton Ferreira Miranda, que atua na área de tratamento de efluentes há dez anos e oferece uma visão honesta e realista da situação do tratamento de efluentes no Estado do Rio Grande do Sul e no Brasil.
IBPS – Como se encontra a situação relativa ao tratamento de efluentes?
Kleber Miranda - Vem evoluindo muito, até pela própria exigência da comunidade, que está se conscientizando da importância que se faça algo no setor de tratamento de efluentes. Isso gera uma ação de pressão pública que afeta a classe política, afeta a classe empresarial e vem criando a consciência de que tratamento de efluentes é necessário.
Há alguns anos pouco se falava sobre isso. Hoje, o tratamento de efluentes na área industrial se encontra bastante adiantado.
Apesar de ainda haver muito a ser feito, a maior parte das indústrias – em especial aquelas de médio e grande porte – possui sistema de tratamento de efluentes.
IBPS – Quais os aspectos negativos ou as falhas que você ainda vê nas empresas ?
KM - Algumas têm que melhorar, pois ainda estão voltadas para uma “mentalidade de fim-de-tubo” , isto é, esperam o resíduo ser gerado para tratá-lo, ou ainda estão com técnicas antigas. Temos estações de tratamento com dez, quinze anos, e as tecnologias atuais já avançaram muito. Portanto, o próprio sistema de tratamento de efluentes dentro das indústrias precisa ser complementado. Primeiro deve-se reduzir ao máximo a geração fim-de-tubo através da produção mais limpa (metodologia preventiva que reduz o resíduo na fonte, para que o mesmo seja minimizado durante o processo de produção), pois tudo que se transforma em efluente tem custo, tanto na água tratada que foi usada, como no efluente gerado a ser tratado. Assim, o encaminhamento atual das indústrias está em direção à redução de efluentes.
IBPS – Existe a possibilidade de reduzir a zero o resíduo gerado?
KM - É praticamente impossível obter zero de emissão residual. Sempre vai existir efluente decorrente de uma produção industrial, como qualquer outro resíduo. Mas, após reduzir ao máximo, nós podemos passar para um segundo passo: o reuso do efluente que não pôde ser evitado. As empresas que passaram por um processo de produção mais limpa e já reduziram o resíduo dentro do possível, estão partindo agora para esta outra etapa. já foi feita produção mais limpa, Já foi feito o tratamento, agora o próximo passo é no sentido de reutilizar aquele resíduo que ainda está sendo gerado como efluente.
IBPS – E isto interfere no preço do produto final?
KM - Em decorrência das exigências de licenciamento e dos órgãos ambientais, seja de FEPAM,SMAM,CETESB, etc., os padrões de lançamento estão tão rigorosos que o custo de tratar para poder lançar os efluentes é bastante elevado, isto é, já que o padrão de qualidade do efluente a ser lançado que a empresa precisa atingir é alto, vale a pena agregar um pouco mais de custo operacional, e reusar aquela água. Desta forma ele agregou valor no tratamento, mas deixou de ter custo na água, porque diminuiu o uso da água que foi captada. Assim, este pouco valor a mais que a indústria agrega no tratamento é compensatório porque ela passa a pagar por um volume menor de água.
IBPS – Muitas empresas já começaram a adotar estes novos padrões?
KM - Até pouco tempo a maioria das empresas não caminhava nesta direção porque não pagava pela água de captação direta, como hoje ainda não paga – exceto o Vale do Paraíba em SP -, mas isso é questão de tempo e as empresas sabem disto. A maioria delas-em especial as grandes empresas – não estão esperando pela lei para fazer o processo, já estão se antecipando. Assim como estão se credenciando em ISO 9000, ISO 14000. O reuso de água hoje já é economicamente viável para muitas empresas que geram grandes volumes de efluentes. Quando falo em reuso de água, me refiro sempre ao reuso para uso industrial. Não estou falando em refazer o processo de potabilidade da água, não é o caso, mas sim no tratamento de água para que ela se torne reutilizável para processo industrial, não necessariamente o próprio processo da indústria, mas para uso em torres de refrigeração, bacias sanitárias, água de lavagem, ou em tudo do que se chama de uso secundário da água.
IBPS – Como está evoluindo o Estado do RS?
KM - Grandes empresas do RS já caminham nesta direção, ainda pouco em relação a SP, onde a grande maioria empresarial hoje já está direcionada para o reuso. Mas no RS também já é uma realidade, vários clientes nossos, por exemplo, já estão usando a água de processo, após tratamento dos efluentes, para reuso no parque industrial.
IBPS – Qual a função do Ministério da Saúde com relação a área de efluentes?
KM - O Ministério da Saúde não entra no enfoque do uso da água industrial não potável, da água de processo, da água de tratamento. Quem rege essa área de efluentes na realidade é o CONAMA e as entidades estaduais e municipais de meio ambiente. O Ministério da Saúde assume o papel de policiar a qualidade de água de captação para uso potável, ou seja, a qualidade da água que é distribuída nos meios públicos. Este ano mesmo nós tivemos um grande problema na qualidade da água do DMAE, que mesmo tratada com qualidade tinha cheiro desagradável. Então este é o enfoque deste Órgão Público: unificar e policiar a qualidade da água que está sendo distribuída, não só pelas Empresas Públicas de Saneamento, mas nas próprias empresas que captam sua própria água.
Ainda temos empresas que captam água de poço artesiano ou diretamente de rios ou córregos, não usando água tratada de empresa pública, fazendo seu próprio tratamento da água e usando-a no processo industrial e no consumo humano. Esta água que está sendo usada por empresas e por diversas entidades é que está no enfoque do Ministério da Saúde.
IBPS – E a qualidade da água que bebemos está realmente adequada?
KM - De acordo com os relatórios de análises que temos acesso, estão dentro dos padrões exigidos. Agora, por mais que se diga que está dentro dos padrões, a água que nós tivemos este ano, agravado pelo problema da seca, e pela contaminação dos mananciais, a qualidade dela não estava boa e o próprio DMAE reconheceu isso, embora tenha feito todos os esforços possíveis para dirimir o problema. Estava dentro dos padrões de potabilidade, mas isso não necessariamente é uma água de qualidade, não afeta a saúde de ninguém, mas é uma água desagradável para o consumo. Então, são estes padrões de qualidade que estão sendo policiados.
IBPS – O que ainda está realmente precário no Brasil com relação a tratamento de efluentes?
KM - No aspecto de tratamento de efluentes, o que ainda está muito precário é o saneamento público. Fala-se muito em saneamento, mas o que existe no Brasil é tratamento de água. Neste aspecto nós estamos razoavelmente bem, mas, quando se passa para o esgoto é caótico, é catastrófico. Em Porto Alegre, RS, mesmo tendo algumas estações de tratamento, ainda não são tratados 30% do esgoto gerado na capital gaúcha. Se estivermos falando de 1 milhão de habitantes, nós estamos tratando o esgoto de 300 mil pessoas. Setenta por cento do esgoto continua indo in natura para o rio Guaíba. E um dos grandes problemas hoje de saúde pública no Brasil o tratamento de efluentes é advindo do saneamento público. A maioria das empresas está fazendo seu dever de casa, e o setor público está ficando para trás. Se nós pegarmos como exemplo a realidade das cidades brasileiras, phentermine online without a prescription gaúchas, etc., a maioria não tem saneamento. Quando muito tem coleta, trata 10%, trata 20%. O grande poluidor atualmente no Brasil é o esgoto doméstico. A indústria já foi a grande vilã, hoje é diferente, porque as empresas estão fazendo por pressão do meio público, do Ministério Público, dos órgãos ambientais.
IBPS – E a atividade agrícola?
KM - A atividade agrícola é um poluidor um pouco diferenciado, porque ela em si é mais contaminante de lençóis freáticos, e essa contaminação nós vamos sentir no futuro próximo, quando nós precisarmos usar, por exemplo, a água do aqüífero Guarani e então veremos que ele estará contaminado por traços de agrotóxicos, pesticidas, e aí pode ser tarde demais. A reserva de água subterrânea não é de fácil visibilidade. É mais complexo se avaliar que tipo de poluição está sendo causada, porque o pesticida é lançado no solo, daí a chuva penetra no lençol freático, se dilui e vai se concentrando em algum aqüífero. Então, o mais imediato que se tem é o decorrente das agroindústrias, principalmente atividades de suinocultura.
IBPS – A suinocultura como agente poluidor
KM - A suinocultura é um grande poluidor, e pela realidade da economia brasileira é quase impossível que o criador de porcos trate os dejetos, porque ele não tem recursos, mal pode sobreviver.
Então, o que acontece? A maioria dos rios e arroios próximos da atividade de suinocultura estão extremamente degradados. Na região do sul de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, por exemplo, é caótica a situação. Porque a suinocultura implica em uma concentração imensa de matéria orgânica, de matéria fecal das grandes criações de suínos que vai toda in natura para os rios. Como o suíno tem a característica de digerir somente 30% do que come, os 70% restantes são eliminados em matéria orgânica pura.
IBPS – O potencial poluidor da galvanoplastia na indústria pode ser comparado com a suinocultura na atividade agrícola?
KM - É um pouco diferente. Eu diria o seguinte, em termos de potencial poluidor sim, mas em termos de agressividade não. Porque a suinocultura acarreta uma poluição grande pelo volume de dejetos, mas é um dejeto orgânico, parando de poluir a natureza em alguns anos se recupera. A matéria orgânica se transforma, é metabolizada, se transforma em gás ,em metano e se recupera.
Já na galvanoplastia nós estamos falando em metais pesados, e best cialis prices metais não têm jeito. Zinco, cobre, chumbo, etc. que são lançados e que não tem recuperação. Toda poluição advinda de metal pesado é progressiva, nunca se recupera. Diferente de uma poluição orgânica, que parando de poluir o meio ambiente se regenera. O metal pesado não, o que foi poluído não tem volta porque é uma agressividade cumulativa. Se nós comermos um peixe ou crustáceo contaminado por mercúrio, chumbo ou qualquer outro metal pesado, o que foi ingerido pelo corpo humano fica no organismo. O próximo peixe que for consumido também, é como uma conta de somar, nunca tem uma diminuição. Esse é o principal diferencial. Se formos avaliar a quantidade de poluição, os dois processos poluem grandemente, só que um tem este fator de recuperação – o que não é justificativa pra poluir, é claro – e o outro não há possibilidade de regeneração do que foi degradado.
IBPS – Qual o setor da indústria que mais preocupa atualmente no RS?
KM - Um dos setores da indústria que ainda está defasado no tempo é o das pequenas metalúrgicas, até pela falta de recursos. As grandes metalúrgicas, por puro controle do setor público, estão se policiando e fazendo tratamento, mas as pequenas ainda representam uma situação complexa. O custo de tratamento é muito elevado. Um outro tipo de empresa ainda problemática no RS é o curtume. Grande parte dos curtumes ainda se encontra extremamente deficitária nos processos de tratamento, e o grande problema é o cromo advindo do tratamento, e que está agregado ao efluente.
Então, no RS eu diria que estas duas áreas ainda estão precárias, algumas metal-mecânicas, não as maiores, estas já estão razoavelmente controladas, mas as pequenas ainda não. E a produção de curtume, pelo problema que o setor teve no RS, em uma época de estagnação econômica muito grande, agora está tendo uma recuperação, mas ainda não foi suficiente para obterem os investimentos necessários nesta área. Há um potencial poluidor grande ainda em atividade no RS. Em um segundo nível ,eu colocaria empresas no setor de frigoríficos, que o Estado do RS tem bastante. Algumas têm um tratamento muito bom, outras de forma mediana e outras extremamente precário, bem longe do que seria necessário atualmente para atender corretamente às leis ambientais.
IBPS – O Rio Grande do Sul comparado a outros estados
KM - Hoje, com a internacionalização, a tecnologia existe, o que não existe é dinheiro para realizar o processo. Realmente, o investimento na área ambiental é caro. O que acontece? Se a empresa está descapitalizada e tem que investir em tratamento de efluentes, mas não existe dinheiro a custo baixo para financiar este investimento, a primeira atitude é ir “empurrando com a barriga” até onde puder, mas felizmente isto não é regra geral.IBPS – A solução pela Produção mais Limpa
KM - O primeiro passo é sempre no sentido de reduzir a geração de efluentes, buscando consertar na fonte o que está sendo desperdiçado, através de um programa de produção mais limpa. Por quê? Porque o custo da instalação da estação de tratamento vai ser menor, o processo operacional do tratamento vai ser menor, enfim, os custos operacionais serão menores. Assim, a empresa investe um pouco na produção mais limpa e lucra durante o resto da vida. É um ganho permanente.
Eu acredito que a maioria das empresas já tem consciência do que precisa ser feito e quer fazer. O grande entrave é o custo. Vamos pegar o exemplo da Alemanha: a Alemanha subsidia imensamente o sistema de tratamento, a empresa que está fazendo o seu processo de tratamento recebe um subsídio imenso do governo alemão, porque naquele país a área ambiental é vista como uma necessidade nacional, então, se determinada empresa precisa implantar gestão ambiental, será subsidiado pelo governo. Por exemplo, a suinocultura que nós falamos há pouco e que é muito grande na Alemanha, apesar do alto custo de tratamento, não é o suinocultor que paga sozinho, ele tem uma linha de crédito subsidiado pelo governo pra fazer. Por quê? Porque é prioridade governamental. O governo sabe que precisa da suinocultura, então toda a população vai pagar para ter suinocultura. Como o que é mais caro na suinocultura é o aspecto ambiental, o governo cuida e dá subsidio a isso. É tudo uma questão de enfoque e sistema de trabalho.
O grande problema de não se fazer o mesmo no Brasil ainda é o aspecto econômico.O governo até quer fazer, mas não consegue porque não tem dinheiro. Hoje, a maioria dos municípios não tem dinheiro nem pra pagar os custos de funcionamento da máquina administrativa, como vai sobrar dinheiro para investir em saneamento?
IBPS – Na sua opinião, qual a saída para o tratamento de efluentes no Brasil frente à limitação econômica?
KM - O grande investimento ainda vem do setor privado. Por isso agora no Brasil, estamos esperando para ver funcionarem as PPP (Parceria Público-Privado), que estão previstas no decreto lei do Governo Federal, estabelecendo as parcerias público-privadas. Eu acredito que isto vá permitir que os Municípios e os Estados que não têm recursos, mas precisam fazer saneamento, chamem um grupo de empresas, estabeleçam um pool. Cria-se então uma empresa mista e esta empresa, com gestão privada, investe o dinheiro, instala o sistema e passa a ser uma concessionária, como é a CORSAN, o DMAE. Na minha opinião não há outro jeito, é a única solução. Porque o Brasil não tem de onde e nem como tirar dinheiro, o Brasil não consegue ter dinheiro nem para básico. Como vamos falar em saneamento enquanto existem milhares de pessoas morrendo de fome? E pior: uma coisa está vinculada à outra. Sem saneamento a população pobre fica doente, fica doente e não tem hospital, e nós entramos num ciclo vicioso que todos já conhecem e que não conseguimos mais sair. A população pobre brasileira, em sua maioria, vai para o hospital por dois motivos: porque não tem alimento e porque não tem saneamento. Então, se faz PPP – e aí entram não só empresários brasileiros, mas do mundo inteiro. Nós temos é que criar as regras para que não se estabeleçam monopólios. De qualquer forma, há todo uma movimentação nesta direção, isto nos deixa sempre numa expectativa de que as coisas comecem a acontecer.E, com certeza, não se faz mais realmente por causa da falta de linhas de crédito, linhas de financiamento, investimento educacional, porque está tudo vinculado.
IBPS – E a questão da educação ambiental?
KM - A gente fala muito em consolidar uma educação ambiental, gastamos em campanha, etc. Em uma campanha de mobilização a coisa precisa ser clara, deve estar em todo lugar. Um bom exemplo é a questão das pilhas e baterias. Existe uma legislação, mas na hora da aplicação desta lei ninguém sabe aonde deixar as pilhas e baterias. Quer dizer, vai funcionar como? Não adianta criar uma alternativa se você não der um meio de aplicação para esta alternativa. Eu não vou ficar rodando a cidade inteira com um saco de pilhas na mão. Eu vou acabar me irritando e o saco vai ser largado na primeira esquina, por mais boa vontade que se tenha.
As escolas precisam estar mais preparadas, com professores mais preparados. Não adianta ficar apenas na linha destes programas ambientais que são apresentados por aí, mostrando as riquezas da floresta ou os animais em extinção. O foco que nós precisamos não é só este. É muito bonito ver ações em defesa da Mata Atlântica, mas isso está longe da realidade do cidadão comum. Nós não temos ação a fazer sobre isso. Isto é mais uma ação governamental. A ação pública que está ao alcance do cidadão é o lixo, o resíduo, a separação, é saber para onde vai, é aquele cidadão que mora ali do lado da vala saber porque não pode jogar nada ali dentro .
A barreira social é um problema. Se o indivíduo não tiver um mínimo de condições de subsistência, de nada adiantará falar a este indivíduo sobre consciência ecológica, ele provavelmente vai olhar e dizer : Eu não como há dois dias.
E o que vamos poder dizer a ele? Nada.
Kleber Hamilton Ferreira Miranda é Engenheiro industrial, consultor da Raiko Engenharia e Consultoria Ltda. e atua na área de tratamento de efluentes desde 1994.
Endereço para contato: kleber@raiko.com.brEditorial
Para garantir a melhor qualidade de acesso, o Boletim do IBPS esteve fora do ar nos últimos meses. Feitos os ajustes necessários, estamos de volta com nosso informativo sobre meio ambiente, abordando questões relativas ao desenvolvimento sustentável, produção mais limpa, ecoeficiência e direito ambiental, em busca da preservação dos recursos naturais existentes e de uma melhor qualidade de vida no planeta.
Considerado um dos problemas de desequilíbrio ambiental mais sérios das últimas décadas, o fenômeno do efeito estufa continua preocupando nações do mundo cialis ordering inteiro e suas conseqüências catastróficas ainda representam um grande perigo à sobrevivência do homem e do planeta.
Nesta edição, você vai acompanhar os melhores momentos de uma entrevista apresentada pelo Canal Rural, onde advogado e apresentador do programa Campo Legal, Ricardo Alfonsin, conversou com o presidente do IBPS, Carlos Adilio Maia do Nascimento, sobre o conceito e implementação de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo.
Também com enfoque especial neste boletim você conta com uma entrevista exclusiva com o Engenheiro Kleber Hamilton Ferreira Miranda sobre tratamento de efluentes, atualmente uma das mais importantes questões ambientais no que diz respeito ao atendimento da legislação e à conseqüente proteção ao meio ambiente.
Alguma vez você já viu estampada em camisetas, acessórios, cadernos, entre outros produtos, a frase No Stress? No especial deste mês, o presidente da No Stress Brasil Instituição Ecológica, Toshio Targa Tadano, conta a história de uma marca que representa, desde a sua criação, um exemplo de iniciativa e mobilização social em prol do meio ambiente.
Em destaque você acompanha ainda o artigo “O Brasil e o Direito Ambiental”, onde a advogada e consultora ambiental Fernanda buy drugs without prescription Zanette Alfonsin fala sobre o conceito e importância do Direito Ambiental , sua interdisciplinaridade e funcionalidade no Brasil e no mundo. Confira!
No mais, desejamos que você tenha uma boa leitura e um ótimo dia! Até o mês que vem!
Incêndio em reserva florestal ameaça São Paulo de blecaut
Um incêndio na reserva florestal Serra do Japi, em Jundiaí, que começou ontem à noite e já destruiu uma área de cerca de 20 campos de futebol, atingiu agora à tarde a região das torres de transmissão de energia elétrica que abastece a Capital. Segundo a Guarda Municipal de Jundiaí, existe uma ameaça de São Paulo sofrer blecaut. O Corpo de Bombeiros tem requisitado o máximo de pessoas para o combate ao fogo, mas não há ferramentas para todo mundo.
O fogo teve início na fazenda Recreio, que fica próxima da Rodovia dos Bandeirantes, e tem seguido mata adentro. Muitos animais estão morrendo queimados. purchase drugs online Já os feridos são socorridos pela Guarda Municipal.
Incêndio em reserva florestal ameaça São Paulo de blecaut
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O fogo teve início na fazenda Recreio, que fica próxima da Rodovia dos Bandeirantes, e tem seguido mata adentro. Muitos animais estão morrendo queimados. Já os feridos são socorridos pela Guarda Municipal. generic drugs without prescription
Crédito de carbono deve somar US$ 500 milhões em 2012
Os créditos de carbono poderão movimentar cerca de US$ 500 milhões em 2012, segundo projeções do Programa Gerbi, uma iniciativa canadense para redução das emissões de gases do efeito estufa na indústria brasileira. Similar a programas desenvolvidos na Índia e na África do Sul, o programa compreende cursos e treinamentos para técnicos e executivos de indústrias brasileiras na área de eficiência energética.
Segundo Raymundo Aragão, diretor do programa no Brasil, houve uma evolução do mercado de contratos de carbono nos últimos anos. Em 2001, foram 10 milhões de toneladas negociadas; em 2002, 30 milhões de toneladas; em 2003, 70 milhões de toneladas e, em 2004, a perspectiva é chegar a 107 milhões.
Instituições financeiras
Segundo ele, ainda falta integração de instituições financeiras no negócio. Apenas o Banco Mundial e instituições estatais da generic prescription drugs without prescription cialis buy Dinamarca e Holanda estão adquirindo os créditos. “Falta ainda uma maior conscientização sobre este mercado”, afirmou.
Segundo ele, é isso que o Programa Gerbi tem feito: oferecido informações e recursos necessários para que a indústria possa utilizar a energia com mais eficiência, para alcançar resultados financeiros mais positivos e reduzir o impacto ambiental.
O consultor Douglas Tripp, responsável pela implementação do programa, disse que para os empresários brasileiros, o principal atrativo do negócio foi a possibilidade de redução de seus custos em mais de 10% na área energética.
A indústria representa 38% do total de emissões de gases do efeito estufa no Brasil, seguida pelo setor de transporte, 33%.
De acordo com estimativas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o Brasil é responsável por 3% das emissões mundiais de gases do efeito estufa – 2% correspondem a queimadas e desmatamento e 1% à queima e utilização de combustíveis para produção de energia e processamento industrial.
Crédito de carbono deve somar US$ 500 milhões em 2012
Os créditos de carbono poderão movimentar cerca de US$ 500 milhões em 2012, segundo projeções do Programa Gerbi, uma iniciativa canadense para redução das emissões de gases do efeito estufa na indústria brasileira. Similar a programas desenvolvidos na Índia e na África do Sul, o programa compreende cursos e treinamentos para técnicos e executivos de indústrias brasileiras na área de eficiência energética.
Segundo Raymundo Aragão, diretor do programa no Brasil, houve uma evolução do mercado de contratos de carbono nos últimos anos. Em 2001, foram 10 milhões de toneladas negociadas; em 2002, 30 milhões de toneladas; em 2003, 70 milhões de toneladas e, em 2004, a perspectiva é chegar a 107 milhões.
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Segundo ele, ainda falta integração de instituições financeiras no negócio. Apenas o Banco Mundial e instituições estatais da Dinamarca e Holanda estão adquirindo os créditos. “Falta ainda uma maior conscientização sobre este mercado”, afirmou.
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O consultor Douglas Tripp, responsável pela implementação do programa, disse que para os empresários brasileiros, o principal atrativo do negócio foi a possibilidade de redução de seus custos em mais de 10% na área energética.
A indústria representa 38% do total de emissões de gases do efeito estufa no Brasil, seguida pelo setor de transporte, 33%.
De acordo com estimativas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o Brasil é responsável por 3% das emissões mundiais de gases do efeito estufa – 2% correspondem a queimadas e desmatamento e 1% à queima e utilização de combustíveis 5mg order drugs online cialis generic para produção de energia e processamento industrial.

