Europa registra maior alteração climática em 5.000 anos

novembro 30, 2005 by ibps  
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O clima na Europa está passando pelas maiores mudanças dos últimos 5.000 anos, segundo o relatório anual da Agência Européia do Meio Ambiente publicado ontem.

O documento analisou a situação ambiental em cerca de 30 países, que incluem os da UE (União Européia) e os candidatos e associados do bloco, e avaliou a eficácia das políticas aplicadas nos últimos cinco anos.

Como principal conclusão, o relatório destacou que “a mudança climática já
está em andamento, como demonstra a ocorrência cada vez maior de fenômenos meteorológicos extremos, a escassez de água em algumas regiões e o derretimento do gelo nos pólos”.

O fenômeno também se reflete no aumento médio de 0,95ºC das temperaturas européias, que devem aumentar “de 2ºC a 6ºC ao longo deste século”, alertou o documento.

“A Europa tem a obrigação de olhar para além de 2012 e de suas fronteiras, pois a mudança climática é um problema global”, disse durante a apresentação do relatório a diretora da Agência Européia do Meio Ambiente, Jacqueline McGlade.

Segundo a representante, é preciso haver uma maior redução das emissões de gases de efeito estufa. Embora a UE tenha conseguido limitar o aumento das temperaturas a um máximo de 2ºC, “viveremos em condições atmosféricas jamais experimentadas por seres humanos”.

Apesar de a mudança climática ser o desafio mais imediato, existem outras prioridades ambientais, como a luta contra a poluição atmosférica, o regulamento dos produtos químicos para reduzir seus efeitos sobre a saúde e a conservação do solo como recurso produtivo e reserva da biodiversidade.

Para avaliar a situação, o documento analisou nove indicadores: emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, eletricidade renovável, emissões de substâncias acidificantes e de precursores do ozônio, demanda do transporte de mercadorias, superfície dedicada à agricultura ecológica, resíduos urbanos e uso de recursos hídricos.

Por países, a Espanha registrou o pior desempenho da UE no cumprimento de muitos dos objetivos ambientais do bloco, pois passou por um rápido crescimento econômico que não foi acompanhado de medidas para enfrentar os problemas que surgiram.

O relatório destacou os progressos obtidos nos últimos trinta anos graças à legislação da UE, mas também ressaltou os desafios que ainda devem ser enfrentados. A Europa “deverá usar mais as energias renováveis”, afirmou o documento.

Muitos dos problemas ambientais se devem à forma como a Europa utiliza seu solo, à sua estrutura econômica e ao estilo de vida dos cidadãos, sendo “necessário aumentar a conscientização”. “Em uma economia cada vez mais globalizada, as decisões dos consumidores de qualquer lugar afetam não só o meio ambiente europeu, mas também o de muitas outras partes do mundo”, acrescentou.

Além disso, o texto cita uma análise recente que aponta que, entre 1990 e 2000, as áreas urbanas na Europa se expandiram 6%, com a utilização de mais de 800 mil hectares de solos naturalmente produtivos para a construção de casas, escritórios, comércios e outras superfícies artificiais.

O relatório alertou ainda que o turismo contribui para a expansão dessas áreas, “sobretudo nos limites de aglomerações costeiras como, por exemplo, a costa mediterrânea, muito urbanizada”. Um desenvolvimento mal planejado do turismo “pode aumentar a pressão sobre regiões que já sofrem com a escassez de água”, alertou a Agência Ambiental.

China espera que desastre ecológico não crie problemas com Rússia

novembro 29, 2005 by ibps  
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Poucas horas após a massa de água contaminada com benzeno e nitrobenzeno no rio Songhua ter desembocado no Amur e entrado na Rússia, o Governo da China expressou sua confiança de que o desastre ecológico não prejudicará as relações entre os dois países e que se manterá “a boa aliança estratégia atual”.

O porta-voz do Ministério de Exteriores chinês, Liu Jianchao, reiterou hoje que a China adotou medidas “eficazes” para eliminar a contaminação fluvial e minimizar as perdas e “manteve informada à Rússia diariamente desde 24 de novembro” sobre o problema.

A explosão de uma central petroquímica no alto curso do Songhua, em 13 de novembro, causou cinco mortes e o despejo de cem toneladas de toxinas no rio, o que provocou o corte do fornecimento de água de povoações como Songyuan e Harbin.

A China não informou diretamente a Rússia sobre o acidente até 11 dias depois e demorou dez dias para informar a população chinesa que mora à margem da bacia.

Com relação às críticas que Pequim recebeu pela falta de transparência, Liu limitou-se a assinalar hoje que espera que o incidente “sirva à China como experiência para conduzir incidentes similares no futuro”.

“Quando em uma bacia fluvial o alto curso está na China e o baixo passa por outros países, nosso país sempre atuou com responsabilidade”, assegurou o porta-voz, que acrescentou que Pequim “fará o possível para garantir a segurança do povo russo” (na bacia do rio Amur).

Outros grandes rios, como o Bramaputra e o Mekong, nascem na China mas percorrem depois outros países asiáticos, o que já criou conflitos entre Pequim e outros Governos sobre a exploração de suas águas (por exemplo, no caso da construção de centrais hidroelétricas).

Perguntado pela EFE sobre possíveis pagamentos de indenizações à Rússia, o porta-voz afirmou que o assunto “ainda não foi tratado” por ambas as partes.

Pequim, segundo o chanceler Li Zhaoxing, pediu desculpas à Rússia no fim de semana “pelo dano que possa causar a contaminação do rio”, mas dias antes tinha assinalado que a responsabilidade nas indenizações era da companhia petrolífera estatal CNPC, dona da central química acidentada.

Pobres querem dinheiro para manter floresta de pé

novembro 29, 2005 by ibps  
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A COP-11 (Décima Primeira Conferência das Partes) da Convenção do Clima da ONU começou ontem em Montréal, no Canadá, com o país-anfitrião pedindo uma ação mais ampla contra o aquecimento global.

“Vamos mirar uma abordagem mais eficaz, mais inclusiva e de longo prazo contra a mudança climática”, disse o ministro do Ambiente canadense, Stéphane Dion, na abertura da conferência, que reunirá cerca de 10 mil representantes de 189 países até o dia 9 de dezembro. “É preciso mais ação agora”, afirmou.

Por “abordagem inclusiva” Dion quis dizer que a guerra diplomática a ser travada em Montréal nos próximos dias tem o objetivo de trazer para as negociações de um novo acordo contra o efeito estufa (já que o Protocolo de Kyoto expira em 2012) dois grupos de países: um formado pelos Estados Unidos, maior emissor mundial de gases-estufa, e outro liderado por Índia, China e Brasil. Os EUA de George W. Bush se retiraram de Kyoto em 2001. Os gigantes do Terceiro Mundo não são obrigados a reduzir suas emissões por Kyoto, mas deverão ter de fazê-lo no futuro.

É do Terceiro Mundo que vem a principal novidade da COP-11. Amanhã, um bloco de nações em desenvolvimento liderado por Costa Rica e Papua Nova Guiné deve fazer uma proposta radical à conferência: eles querem receber dinheiro para preservar as florestas tropicais.

O grupo, autodenominado Coalizão das Florestas Tropicais, argumenta que o resto do mundo está se beneficiando da riqueza natural das florestas –inclusive de seu papel como agentes reguladores do clima– sem dividir os custos. Uma forma de corrigir esse desequilíbrio seria fazer com que a manutenção das florestas, o chamado desmatamento evitado, pudesse gerar créditos de carbono negociáveis internacionalmente.

O Protocolo de Kyoto, único acordo internacional existente para reduzir as emissões de gases-estufa como o dióxido de carbono, já permite, por meio do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que países pobres vendam créditos às nações com metas de redução a cumprir. O desmatamento evitado, no entanto, está fora do esquema.

“O objetivo é alinhar os interessas das nações florestadas em desenvolvimento com os das nações industriais -com as últimas fornecendo mercados para créditos de carbono e produtos florestais”, disse Sir Michael Somare, premiê papuano. “Se nós, as nações com florestas, reduzirmos nossas emissões de gases-estufa, deveríamos ser compensados por essas reduções”, afirmou.

O Brasil, país que tem no desmatamento a fonte de dois terços de suas emissões –mas que sempre evitou tratar do tema no âmbito de Kyoto–, deve pegar carona na iniciativa da coalizão para propor também que a redução do desmatamento seja compensada de alguma forma num esquema pós-Kyoto. Mas sem metas obrigatórias de redução.

“O fato de Papua ter colocado [o assunto] na pauta abre o processo de discussão”, disse à Folha o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. “Interessa apoio para o conceito de que a redução do desmatamento faça parte da Convenção [do Clima] –sem reabrir Kyoto.”

EUA dizem ter sucesso com alternativa a Kyoto

novembro 29, 2005 by ibps  
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Um negociador americano disse durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que está acontecendo na cidade canadense de Montreal, que o país está tendo sucesso com medidas alternativas ao Protocolo de Kyoto para a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa.

“No que diz respeito ao que os Estados Unidos estão fazendo para combater a mudança climática, as medidas que temos tomado são diferentes de todas as do resto do mundo”, disse o negociador, Harlan L. Watson. Segundo ele, as emissões de gases de efeito estufa caíram em 0,8% desde que George W. Bush assumiu a presidência.

Delegados participando da Conferência, que começou na segunda-feira, iniciaram as discussões para aprovar medidas para combater o aquecimento global.

Milhares de participantes estão negociando formas de atingir as metas do Protocolo de Kyoto, e quais as medidas que devem se seguir quando o protocolo expirar em 2012.

Os Estados Unidos insistem que querem lutar contra a mudança climática, mas ainda resistem à imposição de metas.

Mudança

Ambientalistas criticaram as alegações do negociador americano.

Steve Sawyer, da organização Greenpeace, disse à BBC que não faz sentido tentar reunir o governo Bush em uma ação mundial contra o aquecimento global.

“O que não podemos permitir é que este governo americano mantenha o resto do mundo como refém enquanto eles continuam falando sobre se voluntariar a fazer isso ou aquilo”, disse.

As negociações entre representantes de 189 países deve se estender por dez dias, antes da chegada dos ministros de cada país para tentar fechar um acordo.

O Canadá quer encontrar uma forma para incluir os países que discordam do Protocolo de Kyoto, como os Estados Unidos, e também países em desenvolvimento que não são cobertos pelo acordo, como o Brasil.

“Os países que enviaram seus delegados querem progresso real. É por isso que, aqui em Montreal, temos que conseguir resultados”, disse o ministro do Meio Ambiente canadense, Stephane Dion.

O ministro afirmou que está tentando uma reaproximação entre os países com diferentes opiniões a respeito do combate ao aquecimento.

Conferência sobre aquecimento global deve aumentar pressão sobre Brasil

novembro 28, 2005 by ibps  
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Redução das emissões é necessária para combater efeito estufa


Representantes de 189 países começam a discutir nesta segunda-feira em Montreal, no Canadá, o futuro do combate ao aquecimento global após 2012, quando termina o período de vigência do protocolo de Kyoto.


A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deve marcar um ponto de inflexão nas discussões sobre o tema, com uma pressão maior sobre os grandes países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil.

O protocolo de Kyoto, acordado em 1997, entrou em vigor apenas em fevereiro deste ano, graças em grande parte à oposição dos Estados Unidos, que alega que as metas de redução de emissão de gases poluentes teriam um efeito prejudicial à economia do país.

O documento, assinado por 156 países, estabelecia metas de redução de ao menos 5% nas emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, para 36 países desenvolvidos. Os demais países em desenvolvimento, apesar de serem encorajados a buscar reduções em suas emissões, não tinham metas estabelecidas pelo protocolo.

Estados Unidos

A oposição dos Estados Unidos, o maior emissor mundial de CO2, praticamente inviabilizou o cumprimento das metas estabelecidas para o controle global da poluição responsável pelo aquecimento global.

Ao lado da Austrália, os Estados Unidos vêm buscando um acordo alternativo a Kyoto, alegando que o problema só deve ser discutido se houver uma garantia de que o desenvolvimento e o crescimento econômico não sejam prejudicados.

A posição americana e australiana acabou ganhando força com uma nova diretriz do governo britânico, expressada pelo primeiro-ministro Tony Blair em entrevista no fim de outubro, de que um novo acordo é necessário para incluir também restrições às emissões de China e Índia, os dois países mais populosos do mundo.

“Estamos em um grande impasse, e é difícil prever como esta conferência pode se desenvolver”, disse à BBC Brasil Stephanie Tunmore, responsável pela Campanha pelo Clima da organização ambientalista Greenpeace, em Londres.

“Os países industrializados querem encontrar maneiras de incluir os países em desenvolvimento nas metas de controle, enquanto os países em desenvolvimento não querem enfrentar restrições enquanto os países desenvolvidos não fizerem sua parte”, diz.

Um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) publicado no início do mês indicava que as emissões dos gases do efeito estufa poderiam aumentar em até 52% até 2030 se não forem tomadas medidas para reduzir o consumo de energia.

O relatório indicava também que as emissões de China e Índia, cujas populações somadas chegam a quase 2,5 bilhões e que apresentam crescimento econômico acelerado, tiveram um crescimento nas emissões de CO2 de 65% e 75%, respectivamente.

Apesar disso, Stephanie Tunmore observa que as emissões per capita de ambos os países continuam muito menores do que as dos Estados Unidos e que os dois gigantes asiáticos, mesmo sem o estabelecimento de metas pelo protocolo de Kyoto, vêm investindo no desenvolvimento de tecnologias mais limpas.

“Novo estágio”

Para Anthony Hall, professor da London School of Economics especialista em questões ambientais, há “claramente um novo estágio (nas discussões sobre o controle do aquecimento global), no qual as pressões mais fortes estão sobre os países em desenvolvimento”.

A tentativa de impor metas de restrição aos países em desenvolvimento será “certamente uma das principais agendas do encontro”, segundo ele.

De acordo com Hall, uma proposta paralela, incentivada pelo governo britânico, deve propor uma generalização das metas de restrições das emissões, mas com um cumprimento voluntário em vez de compulsório, para persuadir os Estados Unidos a aceitarem o novo acordo.

Outra questão em discussão na conferência de Montreal e que pode afetar diretamente o Brasil deve ser uma proposta para que os países com grandes coberturas florestais recebam uma compensação financeira pela conservação destas áreas.

Uma proposta para estabelecer esse tipo de compensação foi apresentada por Papua Nova Guiné e Costa Rica, dois países pequenos mas cujas áreas florestais estão entre as de maior biodiversidade no mundo.

Esta proposta tem a simpatia do governo brasileiro, que não declarou ainda, porém, seu apoio formal. Até agora, os países que manifestaram apoio oficial à proposta são Bolívia, República Centro-Africana, Chile, Congo, Costa Rica, República Democrática do Congo, República Dominicana e Nicarágua.

Biodiesel é o grande projeto do Brasil no momento, afirma presidente

novembro 28, 2005 by ibps  
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (28) em seu programa semanal de rádio que considera o biodiesel o grande projeto do Brasil neste momento. “Ele está pensado para dar uma alavancagem no desenvolvimento do Nordeste, sobretudo na parte mais pobre do Nordeste, através da mamona”, afirmou.

Lula explicou que o biodiesel vai ser produzido também com a soja e com o babaçu. “Na parte mais pobre do Brasil, queremos fortalecer o plantio de mamona, para que a gente possa gerar milhares e milhares de empregos. Eu digo sempre: o emprego é o que dá dignidade ao ser humano”, acrescentou.

Ao comentar projetos que também considera importantes, o presidente citou a integração do Rio São Francisco às bacias do Nordeste setentrional. “É um canal que vai tirar apenas um por cento da água do rio São Francisco para levar água para 12 milhões de brasileiros e brasileiras beberem”. Ele informou que a revitalização envolve um canal de, aproximadamente, 700 quilômetros de extensão. “Na margem direita e na margem esquerda foram desapropriados dois quilômetros e meio para que a gente possa fazer experiência com projeto de cooperativa, com projeto de agricultura familiar, dando ao Nordeste a possibilidade de ter uma experiência exitosa de reforma agrária”.

Para Lula, os investimentos no Nordeste brasileiro contribuem para diminuir as desigualdades e gerar empregos, além de incentivar a instalação de novas empresas na região. Ele destacou a inauguração do açude Arneiroz 2, que terá capacidade de reserva de 200 milhões de metros cúbicos e vai levar água para a região mais seca do Ceará. “O que estamos fazendo é apenas justiça, pegando a parte mais esquecida do Brasil, a parte mais empobrecida, a parte mais sofrida, e dando condições das pessoas poderem sobreviver condignamente”.

Nível do mar se eleva mais rápido

novembro 26, 2005 by ibps  
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Uma pesquisa da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, demonstrou que o nível do oceano está subindo duas vezes mais rápido que há 150 anos. O estudo, publicado na revista Science , é mais uma evidência da influência da ação humana no aquecimento global, dizem cientistas.

Cinco mil anos antes da era industrial, a taxa de elevação do nível do mar era 1 mm por ano, sendo atualmente igual a 2 mm. Nesse ritmo, até o fim do século as águas do oceano vão subir cerca de 1 m.

Os pesquisadores concluíram que a grande mudança ocorreu em meados do século 19, quando a queima de materiais como carvão e petróleo se acentuou, o que contribui para uma liberação intensa na atmosfera dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

A equipe, coordenada pelo professor Kenneth Miller, analisou corais, retirados a uma profundidade de 500 m ao longo da costa de Nova Jersey. Através de uma técnica de datação química, os cientistas conseguiram descobrir como eram os limites do litoral há 100 milhões de anos.

Embrapa deve inaugurar este ano usina que vai produzir biodiesel de dendê na Amazônia

novembro 25, 2005 by ibps  
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A Embrapa Amazônia Ocidental deve inaugurar, ainda neste ano, uma usina com capacidade para processar mil litros de biodiesel produzidos com óleo de dendê (uma palmeira amazônica). O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Instituto de Militar de Engenharia (IME). Por isso, os equipamentos da usina ainda estão no Rio de Janeiro, onde foram construídos.

Com auxílio da logística militar, os equipamentos serão levados a Rio Preto da Eva, no Amazonas, onde a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem 412 hectares de plantação de dendê e um centro de extração do óleo.

“O biodiesel produzido a partir do dendê, como qualquer outro biodiesel, tem uma emissão menor de gases do efeito estufa, além de ser uma fonte renovável de energia. O Brasil importa derivados de petróleo, então, a produção nacional de biodiesel contribuirá para nossa independência em relação à matriz energética”, afirmou Ricardo Lopes, pesquisador da Embrapa, em entrevista à Radiobrás .

O processo que transforma o óleo de dendê em biodiesel recebe o nome de transiterificação. O óleo vegetal é misturado ao álcool etanol e a um catalisador (substância que acelera a reação). “Por meio de agitação, aquecimento e pressão, surge o biodiesel e a glicerina, que pode ser aproveitada pela indústria de cosméticos”, explicou o pesquisador.

O projeto foi iniciado no começo de 2005 e tem duração de dois anos. Seu custo de R$ 806 mil é coberto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). “O biodiesel produzido pela usina será utilizado para gerar energia elétrica para nossa estação experimental, onde há 20 casas, e também para a comunidade de São Francisco do Mainá, na zona rural de Manaus”, informou Lopes.

O pesquisador disse que a estação experimental de dendê foi construída em Rio Preto da Eva em 1982, como parte do Programa de Mobilização Energética do governo federal. “Quando o preço do barril do petróleo diminuiu, o programa foi interrompido, mas continuamos com as pesquisas relativas à cultura do dendê, com o objetivo de aumentar a produtividade por hectare e a resistência da planta a pragas”, acrescentou.

A produção nacional de óleo de dendê gira em torno de 130 toneladas por ano e se destina quase exclusivamente à indústria alimentícia - a gordura vegetal do dendê é utilizada na fabricação de margarinas, sorvetes e bolachas, por exemplo. “O biodiesel do dendê tem um custo de produção baixo, que pode chegar a R$ 1 por litro. Mas o custo de oportunidade é alto, porque você deixa de vender para a indústria alimentícia, o que é mais lucrativo. Então, para usar o dendê como biodiesel, o Brasil tem que seguir o exemplo da Europa e subsidiar a produção”, ponderou Lopes.

Segundo ele, a produção nacional de óleo de dendê representa cerca de 0,5% da produção mundial, liderada pela Malásia e pela Indonésia. “No Brasil, 80% do óleo de dendê vem do Pará. Na América do Sul, o maior produtor é a Colômbia, que está em quinto lugar entre os países que processam o produto. Mas a Malásia e a Indonésia, juntas, respondem por 80% da produção mundial”, informou o pesquisador.

Convenção protege novas espécies e cria alerta de gripe aviária

novembro 25, 2005 by ibps  
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A proteção de cerca de vinte espécies de animais e a criação de um sistema de alarme contra a gripe aviária são algumas das medidas aprovadas hoje pelos países-membros da Convenção sobre Espécies Migratórias (CEM) reunidos em Nairóbi.

Entre as espécies que foram incluídas no anexo I da CEM, que confere a máxima proteção a elas, está a pardela balear, uma ave marinha encontradas em cavidades do litoral das Ilhas Baleares e cuja proteção foi adotada por proposta da Espanha.

Outras espécies como os gorilas, o golfinho listrado, o pássaro peregrino e o esturjão comum também entrarão a partir de hoje no anexo I da CEM, que lista os espécies consideradas muito ameaçadas ou em risco de extinção.

Os Estados-membros da CEM estão legalmente obrigados a dar proteção às espécies no âmbito de seus respectivos países e águas territoriais, assim como proteger os locais de criação dos animais e eliminar os obstáculos que impeçam sua migração.

No anexo II da convenção, que lista as espécies consideradas em menor risco, mas que devem receber proteção para evitar que cheguem a sofrer risco de extinção, estão aves como o galito, incluída por proposta do Paraguai.

Esta espécie pode ser encontrada nesse país e no Brasil, Bolívia e Argentina, mas os campos que são seu habitat natural estão ameaçados devido ao desenvolvimento agrícola.

Além disso, em meio a uma crescente preocupação pela possível expansão da gripe aviária através das aves migratórias, a 8ª Conferência das Partes, que reuniu os membros da CEM nesta semana na capital queniana, chegou a um acordo para desenvolver um sistema de alarme contra a doença.

O objetivo é obter informação para poder alertar as autoridades dos países para onde se dirigem as aves migratórias, e assessorá-los sobre medidas para prevenir focos da gripe aviária.

O sistema, que será coordenado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), incluirá a elaboração de mapas por países indicando os lugares exatos para onde as aves têm mais possibilidades de se dirigir.

Os delegados aprovaram também um plano de sete pontos para tentar entender melhor a gripe aviária e sua relação com as aves migratórias.

“Diferentes espécies têm padrões de migração diferentes, e ainda não se sabe que aves têm mais probabilidades de ser portadoras do vírus”, disse Ward Hagemeijer, da organização “Wetlands International”.

“Também não sabemos o tempo de incubação da doença, por isso é necessário um sistema de alarme antecipado, que reunirá a informação disponível e apontará áreas onde é preciso pesquisar mais”, acrescentou.

Os últimos focos de gripe aviária parecem confirmar que o vírus está se estendendo através da rotas migratórias das espécies avícolas procedentes do sudeste asiático, onde foram sacrificadas mais de 150 milhões de aves de criação e selvagens, e a doença matou mais de 60 pessoas.

O vírus H5N1 - que causa a gripe aviária - afeta principalmente as aves (foi detectado também em mamíferos), mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que através de mutações genéticas passe a ser transmitido entre humanos, o que poderia desatar uma pandemia letal, de enorme impacto sanitário, social e econômico.

A Convenção sobre Espécies Migratórias foi um dos primeiros tratados mundiais sobre conservação e uso sustentável da diversidade biológica, e foi adotada em Bonn, na Alemanha, em 1979.

Gás carbônico bate recorde de 650 mil anos

novembro 25, 2005 by ibps  
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Três dias antes de representantes de 180 países se reunirem no Canadá para debater o futuro do Protocolo de Kyoto, cientistas europeus apresentam um estudo que promete esquentar o debate sobre as mudanças climáticas globais. Eles afirmam que as concentrações de gás carbônico -o principal causador do efeito estufa- no planeta estão mais altas hoje do que em qualquer ponto nos últimos 650 mil anos.

O trabalho resulta da análise química de bolhas de ar aprisionadas no gelo do chamado Domo Concórdia, um platô congelado no interior da Antártida. Dali os pesquisadores obtiveram o maior testemunho de gelo do planeta, usando brocas para escavar a 3.200 metros de profundidade.

O testemunho (um imenso cilindro de gelo) conta como o clima da Terra variou ao longo dos milênios, quando suas várias camadas se precipitaram em forma de neve. No caso do Domo Concórdia (conhecido pelos cientistas como “Dome C”), esse registro se estende por 650 milênios. Até agora, o testemunho mais profundo já obtido vinha do lago Vostok, também no continente antártico: 430 mil anos.

O estudo chefiado pelos franceses Jean Jouzel e Valérie Masson-Delmotte, do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), e publicado hoje na revista “Science” (www.sciencemag.org), mostra que os níveis de gás carbônico (CO2) e metano (CH4) na atmosfera da Terra nesse tempo todo se mantiveram mais ou menos constantes: O CO2, por exemplo, variou entre 180 e 260 partes por milhão nesse período.

Só nos últimos cem anos, a concentração de gás carbônico na atmosfera terrestre subiu de 260 a 380 partes por milhão, devido principalmente à queima de combustíveis fósseis (como carvão, petróleo e derivados). Esses níveis, que continuam a subir, já são 27% mais altos do que o teto em todos os milênios anteriores. “Estamos completamente fora do limite hoje”, disse Thomas Stocker, da Universidade de Berna, Suíça, co-autor do estudo.

Essa elevação rápida produziu um igualmente rápido aumento na temperatura média do planeta, da ordem de 0,7C.

Casamento perigoso

Embora os autores evitem falar em aquecimento global no artigo, o geógrafo Francisco Aquino, do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirma que o trabalho deverá gelar os ânimos dos chamados “céticos” do efeito estufa.

Segundo esses céticos, a Terra já foi mais quente no passado e o fato de tanto gás carbônico quanto temperatura estarem mais altos hoje do que nos últimos 430 mil anos (limite do registro anterior) poderia, ainda, indicar variabilidade natural. “Fica mais difícil defender essa posição com um registro de 650 mil anos”, disse Aquino à Folha, por telefone.

O brasileiro observa, ainda, que durante o Pleistoceno, Período analisado pelo novo estudo, existe uma relação constante entre gases-estufa e temperatura. As concentrações de CO2 eram mais baixas durante as glaciações e mais altas nos períodos interglaciais (de degelo). “A relação entre as concentrações de gás carbônico e a temperatura global ainda continuam amarradas, isto é mais CO2, maior temperatura, e vice-versa.”

Depois de amanhã

O estudo aparece num momento crítico para o debate sobre como mitigar o aquecimento global. Na próxima segunda-feira, uma reunião internacional em Montréal, Canadá, começa a debater o combate aos gases de efeito estufa depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto -acordo global para reduzir as emissões de CO2 e outros gases dos países industrializados.

O mundo pós-Kyoto, no entanto, já nasce ameaçado. Diplomatas que participaram de reuniões preparatórias ao encontro de Montréal afirmam que os Estados Unidos, maior emissor global da gases-estufa -e que já rejeitou Kyoto-, acham “prematuro” abordar o assunto.

A União Européia, principal defensora de Kyoto, acha que é importante negociar um novo acordo que traga não só os EUA mas também os grandes países pobres, como Brasil, China e Índia, desobrigados por Kyoto a reduzir emissões.

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