Estudo do governo britânico diz que efeito estufa é pior que o previsto

janeiro 30, 2006 by ibps  
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O estudo diz que icebergs da Groenlândia podem derreter


O aumento da concentração de gases do efeito estufa pode ter impacto muito maior do que se pensava, segundo estudo do governo britânico.


Existe apenas uma pequena chance de que as emissões de gás sejam mantidas abaixo dos níveis “perigosos”, de acordo com o relatório, que reúne evidências apresentadas por cientistas do mundo inteiro em uma conferência organizada pelo Departamento de Meteorologia da Grã-Bretanha, em fevereiro de 2005.

“Fica claro pelo trabalho apresentado que os riscos de mudança climática podem ser maiores do que pensávamos”, diz o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na apresentação do estudo.

“Agora está claro que a emissão de gases do efeito estufa, associada a industrialização e crescimento econômico de uma população mundial que aumentou seis vezes em 200 anos, está provocando o aquecimento global a um ritmo insustentável.”

Impactos

Parte dos estudos científicos mostram os impactos associados com vários níveis de aumento de temperatura.

“Uma elevação de 1ºC aumenta os risco de forma significativa, com freqüência rapidamente para ecossistemas vulneráveis”, diz Bill Hare, do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático Potsdam na Alemanha, que produziu e avaliou mais de 70 estudos sobre impacto em fontes de água, agricultura e vida selvagem.

“Na faixa entre 1ºC e 2ºC, os riscos em todas as regiões aumentam significativamente e são substanciais em nível regional”.

“Acima de 2ºC, os riscos aumentam muito substancialmente, envolvendo potencialmente um grande número de extinções ou mesmo colapso de ecossistemas, grande aumento de riscos de escassez de água e fome, bem como prejuízos sócio-econômicos, particularmente em países em desenvolvimento.”

Um aumento de 2ºC seria suficiente para iniciar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia.

Isso teria um enorme impacto sobre os níveis do mar no mundo inteiro, embora levasse até 1 mil anos para que subissem os 7 metros previstos.

Um aumento de 2ºC na temperatura, segundo os pesquisadores, seria suficiente para provocar:



  • Queda nos rendimentos de plantações do mundo desenvolvida e em desenvolvimento;
  • Triplicar as colheitas ruins na Europa e na Rússia;
  • Deslocamento em larga escala de pessoas no norte da África por causa de desertificação;
  • Até 2,8 bilhões de pessoas com risco de sofrer escassez de água;
  • Perda de 97% dos corais de recife;
  • Perda total do gelo do verão no Ártico, com extinção do urso polar e do cavalo marinho;
  • Disseminação de malária na África e na América do Norte.

Terra indígena protege mais que parque

janeiro 27, 2006 by ibps  
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Se você acha que os índios do Brasil já têm terra demais, como afirmou o presidente da Funai, mas também quer ver a floresta amazônica preservada, pense duas vezes. Será preciso escolher uma das duas opiniões. Segundo um estudo publicado na edição de fevereiro do periódico “Conservation Biology”, as terras indígenas são tão boas -ou melhores- que parques nacionais para conter a destruição da mata.

É a primeira vez que se mede, de fato, um efeito que já era conhecido. Basta olhar fotos de satélite ou mesmo sobrevoar áreas em torno do Parque Indígena do Xingu em Mato Grosso, por exemplo, para ver que a devastação é muito menor dentro do que fora dele. Havia, no entanto, uma convicção difundida entre algumas correntes ambientalistas de que parques eram melhores que reservas indígenas para proteger a biodiversidade. A nova pesquisa prova que não é bem assim.

A base do estudo são imagens de satélite. Para quantificar o efeito inibidor do desmatamento de um dos quatro tipos mais importantes de reserva do país (parque, terra indígena, reserva extrativista ou floresta nacional), pesquisadores de sete instituições brasileiras e americanas compararam o desmatamento e a ocorrência de queimadas dos dois lados da linha demarcatória de cada área. O método foi escolhido para diminuir o peso daquelas reservas que, por ficarem muito longe da fronteira agrícola, só estão preservadas por falta de pressão (atividades econômicas, como agricultura e extração de madeira).

“A idéia de que muitos parques nos trópicos existem somente “no papel” precisa ser reexaminada, assim como a noção de que as terras indígenas são menos eficazes do que os parques na proteção da natureza”, afirmou o ecólogo Daniel Nepstad num comunicado do Centro de Pesquisa de Woods Hole (Massachusetts, EUA). Ele é o autor principal do estudo, ao lado de vários americanos e de Ane Alencar, geógrafa do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), uma ONG de pesquisa de Belém, e de Márcio Santilli e Alicia Rolla, do ISA (Instituto Socioambiental), de São Paulo.

É uma antiga controvérsia: reservas inabitadas (parques) são mais eficazes que as habitadas ou aquelas que permitem alguma exploração (terras indígenas, reservas extrativistas e florestas nacionais)? Os autores concluem que não, e se apóiam em números.

Há cerca de 1 milhão de km2 de terras indígenas (TIs) no Brasil, a maior parte na Amazônia. É muita terra: 1/5 da floresta e metade de tudo que existe como área protegida. Foram consideradas no estudo 121 TIs (40% do total de sua área na Amazônia), no caso do desmatamento, e 87 TIs (35% da área total), no das queimadas.

Entraram na comparação 15 parques, 10 Resex (reservas extrativistas) e 18 Flonas (florestas nacionais), na primeira amostra, e 11 parques, 4 Resex e 12 Flonas, na segunda. Das imagens de satélite extraíram-se dados sobre desmatamento numa faixa de 10 km de largura de cada lado da fronteira da área protegida. No caso do fogo, as faixas foram mais largas, de 20 km (as discrepâncias entre as duas amostras decorrem de minúcias metodológicas, como a resolução espacial do satélite).

À primeira vista, os parques parecem proteger mais contra desmatamento: comparando áreas sem cobertura registradas em 1997 e 2000, observou-se 20 vezes mais destruição na faixa de 10 km fora dos parques do que na de dentro. Para TIs, o coeficiente não foi tão alto (8,2 vezes), similar ao das Flonas (9,5 vezes). No quesito inibição de queimadas, as TIs se saíram melhor: o coeficiente de pontos de fogo identificados por satélite foi quase duas vezes mais positivo no caso das reservas indígenas do que na zona equivalente em unidades de conservação.

A razão disso deve ser buscada na maior pressão que sofrem as TIs, pois os parques em geral são criados pelo governo federal longe das frentes agrícolas e madeireiras, como o de Tumucumaque -um dos maiores do mundo, com 38.867 km2, mas nos confins da fronteira norte do país. Já a TI Mãe Maria, dos índios gaviões (Pará), é cortada por uma rodovia estadual e uma linha de transmissão elétrica e tem como vizinha a estrada de ferro de Carajás.

Se quiser conter a sanha devastadora de pecuaristas, madeireiros e sojicultores, parece que o melhor que o governo federal tem a fazer é dar mais terra para os índios, porque sabem protegê-la.

2005, ano de extremos e calor sem precedente

janeiro 26, 2006 by ibps  
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O ano passado foi o mais quente já registrado na História, informou ontem a agência espacial americana, a Nasa. Os cinco anos mais quentes desde o início dos registros climáticos modernos, em 1890 ocorreram nos últimos 10 anos, indício de uma preocupante tendência de aquecimento do planeta. Os anos com maior média de temperatura foram, em ordem decrescente, 2005, 1998, 2002, 2003 e 2004, informou a agência em um comunicado.

— É justo dizer que provavelmente é o ano mais quente desde o início dos registros meteorológicos modernos — disse Drew Shindell, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa. — Usando medições indiretas que vão ainda mais longe, penso que também é justo dizer que é o ano mais quente em alguns milhares de anos.

Alguns pesquisadores acreditavam que 1998 permaneceria sendo o ano mais quente em razão do El Niño — fenômeno climático determinado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico que eleva as temperaturas globais. Mas, segundo Shindell, o ano passado foi levemente mais quente do que 1998, mesmo sem qualquer evento climático extraordinário.

— Aquele ano anormalmente quente (1998) tornou-se o padrão — afirmou Shindell. — A velocidade de aquecimento foi tão rápida que esta temperatura que ocorreu apenas quando houve um El Niño muito forte foi registrada num ano sem qualquer distúrbio climático global.

Nos últimos 30 anos, a elevação média das temperaturas da Terra foi de 0,6 grau Celsius, de acordo com a Nasa. Nos últimos cem anos, o aquecimento foi de 0,8 grau. Shindell atribui o fato ao aumento das emissões de gases do efeito estufa. Ele afirmou que o século XXI poderá registrar um aumento da temperatura do planeta de três a cinco graus.

— Isso realmente vai nos levar às mais altas temperaturas que o mundo já experimentou provavelmente no último milhão de anos — disse.

Europa enfrenta onda de frio intenso

A despeito da elevação média das temperaturas globais, o início deste ano vem sendo marcado por uma onda de frio polar dos mais intensos na Europa, com as mínimas variando de -10 graus Celsius a -40 graus Celsius. De acordo com especialistas, são as mais baixas temperaturas já registradas na região desde 1930. Pelo menos 200 pessoas já morreram em razão do frio. O frio severo é condizente com as previsões do impacto de mudanças climáticas associadas ao aquecimento global. As previsões incluem anos de extremos, como verões tórridos e invernos gelados.

Mesmo países mediterrâneos, onde os invernos costumam ser amenos enfrentam nevascas. Na Grécia, pelo menos 300 cidades tiveram ontem seu acesso bloqueado. A Acrópole foi fechada em razão da nevasca. No norte da Itália, as mínimas chegaram a 35 graus Celsius negativos.

Usina nuclear compra terrenos vizinhos após contaminação

janeiro 25, 2006 by ibps  
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Uma usina nuclear americana está comprando uma propriedade e negociando indenizações financeiras com 14 outros proprietários, depois que níveis elevados de uma substância radioativa foram descobertos nas proximidades onde, em 1998, houve o rompimento de uma válvula. Níveis elevados de trítio, uma variedade radioativa de hidrogênio, foram descobertos nas águas subterrâneas.

Um poço da Usina Elétrica Braidwood , da Exelon Corp., 90 km ao sul de Chicago, apresentou níveis de trítio 11 vezes superiores ao limite máximo fixado em norma federal.

Testes em mais de 200 localidades dentro da área da usina e em terras particulares dos arredores não revelaram riscos para a saúde na região, disse um porta-voz da empresa, Graig Nesbit. Ele disse que a companhia decidiu indenizar os proprietários das terras vizinhas porque “não queremos que essas pessoas sofram por algo que fizemos”.

Congresso discute a importância da educação ambiental para a sustentabilidade

janeiro 24, 2006 by ibps  
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O Brasil sedia este ano o V Congresso Ibero-Americano de Educação Ambiental. O evento, promovido pelos ministérios do meio Ambiente e Educação, acontecerá de 5 a 8 de abril, em Joinville, Santa Catarina, e deve reunir cerca de quatro mil pessoas de mais de trinta países.

O tema do evento é “A Contribuição da Educação Ambiental para a Construção da Sustentabilidade Planetária”. O assunto será discutido por um público que inclui desde representantes de governos ibero-americanos e instituições públicas e privadas, organizações não-governamentais e empresários, até comunidade acadêmica, ativistas, movimentos sociais, educadores e estudantes.

O encontro dá seqüência à série de Congressos Ibero-americanos de Educação Ambiental realizados anteriormente no México, em 1992 e 1997, na Venezuela, em 2000, e em Cuba, em 2003.

A programação de trabalhos começa no dia 6 de abril, pela manhã, com a um painel sobre Educação, Meio Ambiente e Globalização no contexto Ibero-americano, a ser apresentado pelo geógrafo carioca Carlos Walter Porto Gonçalves. O frei Leonardo Boff fará uma conferência sobre Educação Ambiental, Ética e Sustentabilidades, no dia 7 de abril. Outro destaque é a palestra de Enrique Leff, coordenador da Rede de Formação Ambiental para a América Latina e o Caribe, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no dia 8 de abril.

O V Congresso Ibero-Americano terá um evento paralelo dedicado a reunir propostas para revisão do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, construído pelos movimentos sociais durante a Rio-92.

Também estão programados uma série de eventos integrados, como o Simpósio de Educação Ambiental dos Países de Língua Portuguesa, Educação Ambiental no Mundo Corporativo, Feira de Tecnologias Ambientais, Gestão e Educação Ambiental Portuária, Projetos e Economia Solidária Rumo ao Desenvolvimento Sustentável.

As pessoas interessadas em participar com apresentação de trabalhos poderão se inscrever no site www.5iberoea.org.br até o dia 17 de fevereiro. Os trabalhos podem ser em português e espanhol.

Mais de cem centrais químicas ameaçam meio ambiente chinês

janeiro 24, 2006 by ibps  
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Mais de cem centrais químicas no litoral e nos rios chineses representam um “risco evidente” para a segurança ecológica, assinalou o principal responsável pelo meio ambiente do país, Zhou Shengxian. “A China tem 21 mil centrais químicas, mais de 50% delas às margens dos rios Yang Tse e Amarelo. Nesta situação, caso surgisse um problema as conseqüências seriam inimagináveis”, advertiu Zhou, diretor da Administração Estatal de Proteção do Meio Ambiente.

O número de centrais químicas, um perigo sobre o qual as organizações ecológicas nacionais e internacionais alertam há anos, foi divulgado hoje pela primeira vez, após a avaliação implementada pelo governo por causa do desastre ecológico no rio Songhua, em novembro. Zhou ressaltou que muitas centrais supervisionadas não efetuaram estudos de impacto ambiental e, além disso, estão localizadas em lugares “inadequados”.

Também assegurou que os resultados finais da investigação sobre essas centrais serão publicados depois das festas do Ano Novo Lunar, que começam neste domingo.

Durante a entrevista coletiva, Zhou anunciou que a segurança dos peixes e do gado que bebe a água do Songhua está garantida, e que não foi encontrado nitrobenzeno nos poços subterrâneos. No entanto, fontes de organizações internacionais explicaram que o degelo poderia lançar ao rio toxinas que neste momento estão “congeladas” na corrente.

“A concentração de nitrobenzeno no rio pode aumentar (com o degelo), mas não superará os padrões nacionais em grande escala”, assegurou durante a conferência Chen Jining, da Universidade de Tsinghua. Mais de cem investigadores participam da avaliação sobre o impacto ecológico causado pelo despejo tóxico no rio Songhua, provocado em 13 de novembro pela explosão em uma central petroquímica.

Quatro milhões de pessoas ficaram sem água devido à contaminação, que chegou até Rússia e gerou uma onda de críticas contra o governo chinês, por ter omitido o caso durante dez dias.

Brasil é 34º em desempenho ambiental

janeiro 24, 2006 by ibps  
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O Brasil ocupa a 34ª posição, no mesmo grupo de países como os Estados Unidos, a Rússia e a Venezuela, num índice-piloto criado para medir o desempenho ambiental das nações do planeta. Segundo o levantamento, produzido por pesquisadores da Universidade Columbia e da Universidade Yale, nos Estados Unidos, a Nova Zelândia é o país cujo desempenho ambiental mais se aproxima do ideal.

O estudo, que será apresentado durante o próximo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, é uma tentativa de quantificar a atuação de cada nação na área ambiental, usando indicadores disponíveis e razoavelmente confiáveis, coisa ainda relativamente escassa nesse campo.

Os pesquisadores também decidiram usar como valores de referência os Objetivos do Milênio das Nações Unidas -índices propostos pela ONU como metas mundiais na área de desenvolvimento sustentável para o século 21. Assim, dentro da “nota” de 0 a 100 atribuída a cada país, cumprir totalmente as metas equivalia ao valor máximo. Alcançar a meta em relação ao acesso a água potável dos Objetivos do Milênio, por exemplo -100% das residências com acesso ao recurso- equivalia à nota 100 nesse quesito. Cada item tinha um peso diferente.

Dois em um

O índice criado por Esty e seus colegas leva em consideração duas grandes variáveis, que eles batizaram de saúde ambiental e vitalidade de ecossistemas. No primeiro quesito encaixam-se indicadores como mortalidade infantil, poluição do ar e saneamento básico, enquanto o segundo inclui desde consumo de água até a porcentagem de matas protegidas e a emissão de gases-estufa, responsáveis pelo aquecimento global. A falta de dados fez com que o ranking contasse com apenas 133 países, deixando mais de 60 fora da lista.

Depois da Nova Zelândia, os países mais bem-colocados são do norte e centro da Europa: Suécia, Finlândia, República Tcheca, Reino Unido e Áustria. Os cinco últimos, previsivelmente, estão entre os mais pobres da África: Etiópia, Mali, Mauritânia, Chade e Níger. Há uma correlação clara entre renda per capita e posição no ranking, mas alguns países conseguem inverter essa relação em pelo menos alguns quesitos.

Dentro da América Latina, a Costa Rica (15ª), a Colômbia (17ª), o Chile (26ª) e a Argentina (30ª) ficaram à frente do Brasil. Os Estados Unidos ocupam a 28ª posição, principalmente por usarem muitos combustíveis fósseis (cuja queima produz gases-estufa) e por causa da pesca predatória e dos subsídios agrícolas, considerados hoje uma das grandes causas de degradação ambiental.

O Brasil vai relativamente nas áreas de saúde, água, energia e biodiversidade, segundo o levantamento, mas fica devendo em relação à qualidade do ar e ao uso responsável dos recursos naturais. Como o caso brasileiro sugere, os critérios e os dados disponíveis acabam favorecendo países tropicais com abundância de água doce, os quais, além de não sofrerem com a escassez do líquido, também podem usar seus rios como fonte de energia hidrelétrica, que não costuma ser contada como produtora de gases-estufa.

A categoria de uso sustentável de energia é a única em que os países mais pobres do globo têm desempenho bom -em grande parte porque seu consumo energético é tão baixo que quase não chega a ser detectado.

Plano Nacional de Recursos Hídricos entra na reta final

janeiro 23, 2006 by ibps  
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O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) vota na próxima segunda-feira (30) o Plano Nacional de Recursos Hídricos, instrumento que norteará as ações para o uso racional da água no País até 2020. O documento já foi aprovado em duas câmaras técnicas do CNRH e, se for aprovado pelos conselheiros, colocará o Brasil entre os primeiros do mundo a ter uma iniciativa deste porte planejada sob a ótica da gestão integrada.

A matéria é de vital interesse para o País, que concentra 12% das reservas mundiais de água doce, percentual que aumenta para 18% quando considerada a água que também cruza seus limites em direção a outros países. “Isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade na gestão do recurso”, afirma o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra.

O documento traz metas de curto, médio e longo prazos e propõe a implementação de programas nacionais e regionais, bem como a harmonização e a adequação de políticas públicas, visando estabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda de água. O objetivo é assegurar as disponibilidades hídricas em quantidade e qualidade para o seu uso racional e sustentável.

O secretário explica que o plano não foi construído apenas sob a perspectiva da água, mas leva em conta aspectos sociais, culturais, éticos, técnicos, econômicos, entre outros. “Alguns países da Europa já estão refazendo seus planos para incorporar essa metodologia e essa perspectiva de gestão”, acrescenta.

O plano foi elaborado pela Secretaria de Recursos Hídricos do MMA, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), CNRH, e a participação de cerca de sete mil pessoas, por meio de oficinas e seminários realizados em todo o Brasil. O plano tem como base a Divisão Hidrográfica Nacional, que define define 12 regiões hidrográficas para o território brasileiro, compostas por bacias hidrográficas próximas entre si, com semelhanças ambientais, sociais e econômicas.

O plano brasileiro será apresentado no México, durante o 4° Fórum Mundial das Águas, que se realizará entre os dias 16 e 22 de março de 2006. De acordo com o MMA, essa é uma ação estratégica para facilitar a divulgação da iniciativa e, conseqüentemente, a atração de recursos para sua implementação.

Ao elaborar o plano, o Brasil cumpre uma das metas dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU estabeleceu o ano de 2005 para iniciar a Década Mundial da Água, com o tema “Água, fonte de vida”, estimando que os países reduzam pela metade, até 2015, a proporção de pessoas sem acesso à água potável segura e ao saneamento básico. O governo brasileiro, por compreender a relevância do tema, também estabeleceu a Década Brasileira da Água, de 2005 a 2015.

Biodiesel em escala

janeiro 20, 2006 by ibps  
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Miniusina desenvolvida em Brasília pode produzir até 250 litros de biodiesel por dia

O protótipo de uma miniusina capaz de produzir 250 litros de biodiesel por dia acaba de ficar pronto na Capital Federal. Por causa do método escolhido pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que demorou três anos para ficar pronto, as vantagens dessa planta são ainda maiores do que apenas gerar um combustível considerado como limpo. Elas também são geográficas.


“O objetivo é tornar disponível a patente dessa planta de craqueamento de óleos vegetais para que ela seja instalada em locais onde a população não tenha acesso a combustíveis derivados de petróleo”, disse Joel Rubim, professor do Instituto de Química (IQ) da UnB, um dos coordenadores da construção da miniusina, à Agência FAPESP.

Como a técnica usada na nova planta permite a obtenção de combustível a partir de qualquer óleo vegetal, sem a necessidade de utilizar metanol ou etanol, como ocorre na transesterificação, ela poderá se espalhar mais pelo Brasil. O modelo construído no campus da UnB pode ser adaptado tanto em propriedades rurais como em empreendimentos urbanos.

Dentro da usina, o óleo vegetal é submetido a uma temperatura de até 380ºC. Com isso, ele literalmente se quebra em uma mistura de várias moléculas. Parte desse material vai gerar o bioóleo, mais conhecido como diesel renovável. “Esse produto apresenta propriedades químicas praticamente idênticas ao diesel de petróleo. Por conta disso, ele pode ser utilizado exatamente para as mesmas finalidades”, explica Rubim.

O rendimento obtido também não é desprezível. Segundo o pesquisador, aproximadamente 10 litros de óleo de soja, por exemplo, produzem seis litros do bioóleo, que pode ser usado em qualquer tipo de motor a diesel. “É um rendimento garantido de 60%”, afirma o pesquisador. Atualmente, além da soja babaçu, a mamona, o girassol, o dendê, o nabo forrageiro e o algodão são as espécies vegetais oleaginosas encontradas no Brasil utilizadas na produção do biodiesel.

O projeto da miniusina contou com financiamentos de R$ 200 mil do Ministério da Ciência e Tecnologia, R$ 250 mil do Ministério do Desenvolvimento Agrário e R$ 400 mil da Fundação Banco do Brasil. O reator de craqueamento inaugurado na UnB tem um custo aproximado de R$ 30 mil. “Mas esse valor tende a reduzir quando a planta começar a ser produzida em escala comercial”, afirma Rubim.

Concentração de mercúrio no sistema estuarino Santos - São Vicente preocupa

janeiro 19, 2006 by ibps  
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Estudo feito no sistema estuarino Santos-São Vicente mostra que o Canal do Porto (no centro) é uma das áreas mais críticas em termos de contaminasção por mercúrio no sedimento


A situação das águas do sistema estuarino Santos - São Vicente, e do sedimento presente lá no fundo, é motivo constante de preocupação. A região, atualmente com 1,2 milhão de pessoas aproximadamente, tem históricos terríveis de contaminação também do ar e do solo, por causa da alta concentração de indústrias, principalmente no Pólo de Cubatão. E ainda da presença de um dos maiores portos da América Latina.


Pesquisadores do Laboratório de Oceanografia Costeira da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – mas com grande ligação com a Baixada Santista – e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) acabam de divulgar um estudo que serve de alerta para os responsáveis pelo monitoramento ambiental do litoral paulista.

Análises metodológicas refinadas, feitas em 31 amostras de sedimentos, mostraram que a concentração de mercúrio na região pode ser preocupante. Em 90% dos pontos de coletas, segundo os resultados apresentados pela edição atual do Journal of the Brazilian Chemical Society, os índices estão acima dos considerados ideais pela Cetesb, agência de controle ambiental paulista. O valor dado como aceitável pelas normas internacionais, também seguidas em São Paulo, é de 0,13 micrograma por grama de material coletado.

“Esse estudo foi baseado em dados coletados em 1996. Portanto, eles refletem as condições ambientais daquela época. Há dez anos os teores eram realmente preocupantes”, explica Jarbas Bonetti, cientista paulista hoje radicado em Florianópolis. Apesar de existir a hipótese de que a situação esteja melhor agora, por causa do controle de efluentes feitos na região, isso ainda é uma mera conjectura. “Somente novas análises poderão determinar se e como o substrato estuarino está se recuperando”, disse.

O fato de existir mercúrio em grande quantidade no sedimento, explica o pesquisador da UFSC, é diferente de ele estar disponível para a comunidade aquática de seres vivos que vivem no fundo da coluna d´água. “Mas os processos de dragagem, por exemplo, podem suspender novamente os compostos metálicos associados aos sedimentos de fundo e torná-los disponíveis para os demais níveis da cadeia alimentar”, explica Bonetti. “Por isso é sempre importante monitorar a qualidade do sedimento em áreas portuárias como a de Santos.” O mercúrio, ao ser ingerido, por um peixe, por exemplo, pode facilmente chegar aos seres humanos.

Em termos geográficos, o estudo feito na Baixada Santista não deixa dúvidas. “As áreas mais interiorizadas apresentaram os maiores níveis de concentração de mercúrio”, explica Bonetti. Os trechos de manguezais – onde os sedimentos são naturalmente aprisionados – e as áreas de maior circulação entre o porto e o parque industrial podem ser considerados os mais críticos. “Também merecem destaque os níveis elevados encontrados nas proximidades do largo de Pompeba, em São Vicente, onde a circulação estuarina é bastante restrita”, disse.

O artigo Evaluation of mercury contamination in sediments from Santos - São Vicente Estuarine System, São Paulo State, Brazil, está disponível na biblioteca eletrônica SciELO.

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