Agropecuária lidera crescimento gaúcho no primeiro trimestre

junho 29, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas

Economia gaúcha avançou 7,3% na comparação com o mesmo período de 2010, aponta FEE.

FREDY VIEIRA/JC
Ritmo de expansão da indústria está estabilizado sem retomar índices anteriores à crise de 2008, diz
Ritmo de expansão da indústria está estabilizado sem retomar índices anteriores à crise de 2008, diz

O Índice Trimestral da Atividade Produtiva (Itap), calculado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), mostrou que as produções de arroz e fumo puxaram o crescimento econômico do Estado durante o primeiro trimestre do ano. O Itap estimou o incremento em 7,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O estudo, coordenado pelo economista Martinho Lazzari, do Núcleo de Contabilidade Social da FEE, mostra que houve expansão nos três setores tradicionais da economia: a agropecuária cresceu 26%, a indústria, 2%, e os serviços, 6,2%. Porém, o detalhamento dos dados mostra que o crescimento está fundamentado na lavoura, que cresceu 33,4%, principalmente nas culturas de arroz (27,6%) e de fumo (38,7%).
"Arroz e fumo sozinhos explicam mais de 30 pontos percentuais do crescimento médio da atividade agrícola no primeiro trimestre e respondem por 2,3 pontos percentuais do Itap total, de 7,3%.", explicou o economista ao dizer que a área cultivada com arroz aumentou 7,6% e a produtividade cresceu 18,9% frente ao ano passado. No caso do fumo, o aumento se deve basicamente à produtividade, que cresceu 42,6%, enquanto a área expandiu 1,2%. O crescimento dos serviços, de 6,2%, reflete o bom momento da construção civil, já que a base da expansão do setor está no comércio (que aumentou, em média, 10,3%), com destaque para a venda de material de construção, que teve crescimento de 43,9%.
Na indústria, o aumento de 2% no primeiro trimestre do ano demonstra um comportamento bastante desigual entre as atividades. Enquanto o bom desempenho das exportações e o amplo mercado interno garantiram crescimento expressivo para máquinas e equipamentos (11,8%), alimentos (8,5%, com destaque para os produtos feitos a partir da soja) e veículos (4%, puxado por autopeças, carrocerias, carretas e reboques), o período foi de perdas para a indústria da celulose (-8,9%) e para o setor moveleiro (-26,1%). "A indústria foi o setor que mais sentiu a crise econômica desencadeada em 2008, voltou a crescer em 2010, mas agora demonstra estabilização no ritmo de crescimento sem ter voltado aos patamares produtivos do terceiro trimestre de 2008, quando foi verificado o auge da produção", pontua
Lazzari.
A supervisora do Centro de Informações Estatísticas, Cecília Hoff, observa que os setores industriais mais ligados a commodities tiveram um crescimento maior. Segundo ela, a alta demanda por commodities brasileiras alavanca o crescimento da indústria alimentícia que, por sua vez, puxa a indústria de máquinas, que tem grande valor agregado e mercado nos países membros do Mercosul.
A economista observa, também, que nos setores em que há uso intensivo de mão de obra, como o coureiro-calçadista e o moveleiro, a concorrência com os produtos chineses é muito grande e, internamente, o Rio Grande do Sul possui custos maiores que os de outros estados. Por isso esses nichos sentem mais a pressão cambial. "O câmbio desfavorável às exportações é prejudicial também para os setores que tiveram crescimento, mas é um fator ao qual essas empresas conseguem se ajustar melhor pelas características de seus mercados. Já para as empresas que fazem uso intensivo de mão de obra, o impacto é maior e o que se vê é a perda de produtividade", explica.
Pela primeira vez desde quando começou a calcular o Itap, em 2003, a FEE fez uma comparação com o trimestre imediatamente anterior ao período da pesquisa. Neste caso, a economia gaúcha cresceu 2,4%, já considerados os ajustes sazonais. Este é o oitavo trimestre seguido de crescimento do índice.

Ministro veta redução de prazo para liberação de transgênicos

junho 17, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte: Valor |  Mauro Zanatta | De Brasília

Biossegurança: Mercadante prega amplo debate e mais transparência

Daniel Wainstein/ Valor

Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia: veto à redução dos prazos de aprovação de transgênicos causou mal-estar entre os membros da comissão

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, interveio diretamente ontem na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ao rejeitar a redução dos prazos máximos de análise de liberação comercial de organismos geneticamente modificados no país. A alteração, feita no novo regimento do colegiado e aprovada pelo plenário da comissão em maio, transformou o prazo mínimo de 90 dias em prazo máximo para análise dos relatores.

Sob o argumento de respeito a questões legais, Mercadante vetou a redução dos prazos e pediu "pluralidade" nas discussões sobre a liberação dos transgênicos. Além da inédita intervenção, o ministro deu novos contornos à atuação da comissão, delimitando o terreno ao grupo majoritário "pró-transgênicos" e determinando o "amplo debate" como regra geral nas próximas reuniões da CTNBio. Foi a primeira que Mercadante esteve na reunião da comissão em seis meses de gestão.

"Quando vi as mudanças [no regimento], pedi não a interferência do MCT, mas uma avaliação com segurança. Não podemos agredir o espírito ou a essência da lei. Há procedimentos para o uso de transgênicos", afirmou o ministro aos membros da comissão. "As mudanças no regimento têm que ter amplo debate e consenso, além de assegurar questões legais". E defendeu o "direito de obstruir" as liberações da minoria que discorda da celeridade na avaliação dos processos. "A maioria tem interesse em dar mais agilidade, mas a minoria tem direito de obstruir. É um instrumento de negociação da minoria", afirmou, comparando o caso ao processo legislativo.

Pouco antes, o presidente da CTNBio, Edilson Paiva, havia dito que o ministro fora "mal orientado" por sua assessoria ao decidir pelo veto às mudanças no regimento. "Ele foi mal orientado, propôs manter o prazo anterior, mas encurtou em 30 dias porque [o prazo máximo] passou de 120 dias para 90 dias. Ele foi mal assessorado. Não vamos mais mexer nisso". As críticas provocaram constrangimento entre os membros.

A posição de Mercadante surpreendeu aos membros da comissão. Em geral, os ministros de Ciência e Tecnologia, ao qual a CTNBio está vinculada, sempre foram mais simpáticos, quando não entusiastas, dos produtos transgênicos, como o ex-ministro Sergio Rezende.

Pela primeira vez, um ministro faz apelos por divergências internas e disputas em nome da transparência. "Vamos manter o diálogo, a disputa entre agricultura e meio ambiente, entre a pressa e a cautela, ou até com quem é contra. Isso é melhor do que ouvir um lado só. Vamos avaliar os dois polos. Não podemos render uma à outra. Seria um erro histórico", afirmou.

Mercadante disse que mudanças no regimento interno precisam seguir um rito. "Isso preserva a comissão na legalidade e o MCT na defesa da lei. Se quiserem mudar, peço antes uma consulta à área jurídica, um parecer jurídico prévio do MCT", orientou o ministro. E reafirmou a necessidade de "cuidados indispensáveis" para evitar "atropelos", uma velha reivindicação de ONGs de defesa do consumidor e dos ambientalistas.

Em sua participação, Mercadante defendeu posições que modificam as relações internas da CTNBio. "Vai ser um espaço de disputa de convicções, mas com amplo espaço para debate. Precisamos de rigor científico com pluralidade e cuidado na análise. Mas também manter o calor do debate e a divergência para avançar nesta fronteira do conhecimento". E foi além no redesenho do colegiado: "Além de aprovar os vetar transgênicos, o papel desse fórum é aprimorar as políticas públicas", disse. "Nas sementes transgênicas, tem gente que acha que o risco já está posto. Não tivemos, até agora, nenhum problema. Mas vamos ser rigorosos, debater e respeitar a pluralidade para dar segurança a quem consome alimentos do Brasil". O ministro lembrou as barreiras não tarifárias impostas à agricultura brasileira. "O rigor é a garantia para o futuro. Essa comissão tem que ser bastante rigorosa com segurança".

Mercadante pediu transparência e disse que enviará cartas a outros ministros para recompor ausências na composição da CTNBio.

Operações de Crédito Rural tem até 30/06 para Liquidação/Renegociação

junho 16, 2011 by  
Filed under Artigos, Notícias

 

Os débitos decorrentes de operações PESA não inscritos em Dívida Ativa da União e aqueles decorrentes de operações de crédito rural cedidas à União e já inscritas em DAU podem ser liquidados ou renegociados até 30 de junho de 2011.

No primeiro caso, os arts. 1º e 2º da Resolução/CMN 3.950/11 permitem que os mutuários que possuem operações PESA em situação de inadimplência, enquadradas no art. 3º da Lei 11.775/2008, ou seja, aquelas que já possuem bônus previsto na Lei nº 10.437/2002, podem efetuar a liquidação, até 30 de junho de 2011, das parcelas vencidas ou vincendas até essa data, ainda não encaminhadas à Secretaria do Tesouro Nacional, pelas instituições financeiras, para inscrição em Divida Ativa da União (DAU).

As condições são as seguintes:

I – apuração do valor das parcelas de juros vencidas, para efeito de liquidação, nas condições estabelecidas contratualmente para situação de normalidade até a data do vencimento de cada parcela, inclusive com incidência de bônus de adimplemento sobre os encargos financeiros; e

II – aplicação, da data do vencimento de cada parcela até a data de sua efetiva liquidação, dos encargos financeiros pactuados para situação de normalidade, exceto quanto à aplicação do bônus de adimplemento sobre os encargos financeiros.

O art. 3º da Resolução 3.950 garante ainda que os mutuários podem contratar, até 30 de junho de 2011, operação de financiamento para liquidação do valor apurado, a critério do agente financeiro, observadas as seguintes condições, para operações lastreadas em recursos das próprias instituições financeiras ou com risco de crédito da União:

a) fonte de recursos: recursos obrigatórios do crédito rural;

b) risco de crédito: integral da instituição financeira;

c) limite de crédito: valor apurado na forma do inciso I do art. 3º da Lei nº 11.775, de 2008, deduzida a amortização efetuada de, no mínimo, 5% (cinco por cento) daquele valor;

d) prazo: até 4 (quatro) anos, com amortizações livremente pactuadas entre o devedor e o agente financeiro, tendo em conta a periodicidade regular de obtenção de receitas por parte do mutuário;

e) encargos financeiros: as taxas vigentes para operações com recursos obrigatórios do crédito rural;

f) garantias: as usuais do crédito rural.

Já as operações PESA em situação de inadimplência, enquadradas no art. 4º da Lei 11.775/2008, ou seja, aquelas que não possuem bônus previsto na Lei nº 10.437/2002, também podem efetuar a liquidação, até 30 de junho de 2011, das parcelas vencidas e, com isso, habilitarem-se aos citados bônus, a partir de 27 de maio de 2008.

A adesão deve ser feita perante às instituições financeiras responsáveis.

Já as operações de crédito rural cedidas à União e já inscritas em Dívida Ativa até 30/10/2010 também podem ser liquidadas ou renegociadas até 30 de junho de 2011, mas nas condições do art. 8º da Lei 11.775/2008.

Para liquidação, esse dispositivo prevê a concessão de descontos, conforme quadro abaixo

Soma dos saldos devedores na data da renegociação (R$ mil) Desconto (em %) Desconto de valor fixo, após o desconto percentual (R$)
Até 10 70 -
Acima de 10 até 50 58 1.200,00
Acima de 50 até 100 48 6.200,00
Acima de 100 até 200 41 13.200,00
Acima de 200 38 19.200,00

Para a renegociação em 10 (dez) anos, com amortizações em parcelas semestrais ou anuais, corrigidas pela SELIC, a Lei também prevê a concessão de descontos, mas menores:

Total dos saldos devedores na data da renegociação (R$ mil) Desconto (em %) Desconto fixo, após o desconto percentual (R$)*
Até 10 65 -
Acima de 10 até 50 53 1.200,00
Acima de 50 até 100 43 6.200,00
Acima de 100 até 200 36 13.200,00
Acima de 200 33 19.200,00

Para a apuração do saldo devedor, em ambos os casos, devem ser somados os saldos por mutuário na data da renegociação/liquidação, sem a taxa de 20% (vinte por cento) a título do encargo legal.

A adesão a essas modalidades deve ser feita pelos telefones 4003-0494 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-880-0494 (demais localidades).

Reciclagem é a estratégia futura da Novelis

junho 9, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte:  Valor | Ivo Ribeiro | De São Paulo

Carol Carquejeiro/ Valor

Almeida, presidente da Novelis América do Sul: "Nos próximos seis a sete anos, a indústria de transformados no país requer uma solução competitiva de suprimento, pois não se prevê nova oferta"

A Novelis, maior fabricante mundial de produtos laminados de alumínio, como chapas para fabricação de latas de bebidas, tem um desafio à frente, em especial no Brasil. Com um projeto de expansão da capacidade em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, a empresa está preocupada com o suprimento futuro de matéria-prima. Um caminho, traçado globalmente, é ampliar o uso de material reciclado. Até 2020, a meta definida é atingir 80%.

No Brasil, a Novelis já conta com 200 mil toneladas de alumínio reciclado por ano, o correspondente a metade dos laminados que produz. A maior parte desse material é proveniente da coleta de latinhas de cerveja e refrigerantes, que são refundidas e transformadas em lingotes. O Brasil é líder mundial na reciclagem desse produto, com mais de 90%, que retorna ao mercado na forma de novas latas.

Mundialmente, a companhia, antiga divisão de laminados da Alcan que foi separada e vendida em 2005, tem 34% da produção feita com matéria-prima reciclada. Esse percentual equivaleu a 1 milhão de toneladas no último ano fiscal da empresa, encerrado no fim de março. Com a corrida e o boom das commodities, a empresa vê como estratégico para o negócio o aumento da matéria-prima fonte de metal reciclado.

"A partir de 2013 teremos de buscar novas fontes de suprimento no Brasil e a expansão da reciclagem é a principal delas", afirma Alexandre Almeida, presidente da Novelis na América do Sul. A situação da empresa se agrava porque, além da expansão em curso, no ano passado teve de fechar a fundição de Aratu (BA), que fornecia mais de 50 mil toneladas de metal por ano. "O custo da energia da Chesf, acima de US$ 60 o MWhora, tornou a produção da nossa fábrica não competitiva".

"Aqui, pagamos US$ 130 o MW hora, enquanto na Alemanha é US$ 70, na Coreia do Sul, US$ 65, e nos EUA até US$ 50"

A Novelis não foi a única a fechar as portas de uma fundição. No início de 2009, a Vale também encerrou as atividades da Valesul, em Santa Cruz (RJ). Com isso, a oferta de metal para transformadores de alumínio no país recuou em 150 mil toneladas – 10% do total que era produzido por ano. A expectativa do setor é que o país se torne já no próximo ano um importador líquido de alumínio. "Em Outro Preto, outra fundição que temos, a produção só é viável porque geramos 60% da energia consumida", informa Almeida.

Por conta disso, neste ano a Novelis prevê importar 40 mil toneladas de metal – da Argentina e Venezuela – para complementar o suprimento interno. Da reciclagem própria e de Ouro Preto sairão 250 mil. A diferença será adquirida de produtores internos de alumínio, como Alcoa e BHP Billiton. Mas com a expansão da empresas, que crescerá 50%, para 600 mil toneladas, terá de buscar mais material no exterior.

Uma alternativa, mas de longo prazo, é uma nova fundição prevista para o Paraguai que o grupo Rio Tinto Alcan está estudando. Lá, a energia – certamente da parte paraguaia de Itaipu – terá um custo bem mais competitivo do que o que a tarifa cobrada no Brasil, afirmam executivos das do setor. "Nos próximos seis a sete anos, a indústria de transformados de alumínio no país requer uma solução competitiva de suprimento, pois, nas condições atuais, não teremos nova oferta".

A Votorantim Metais, dona da CBA e que tem 70% de energia própria, também está investindo na reciclagem para completar suas necessidades e já importa.

A expansão da laminadora da Novelis, conhecida como Pinda, terá investimento de US$ 300 milhões. A obra será concluída até setembro de 2012 e entram em fase comercial em janeiro de 2013. Almeida diz que o Brasil deixou de ser competitivo no custo de energia para a indústria comparado a outros países. "Em Pinda, pagamos US$ 130 o MW hora (na fábrica, com todos os custos e encargos), enquanto na Alemanha é US$ 70, na Coreia do Sul, US$ 65, e nos Estados Unidos varia de US$ 32 a US$ 50".

O investimento, diz ele, se justifica porque a laminadora terá ganho de escala. O alvo é o mercado de embalagens para bebidas, que cresce a dois dígitos por ano e deve atingir 25 bilhões de latinhas antes de 2015. A empresa tem 75% das vendas nesse mercado.

No Brasil, a Novelis vendeu 419 mil toneladas de produtos no ano fiscal encerrado em março, com receita de US$ 1,21 bilhão. Em volume, cresceu 12%, enquanto a receita subiu 28%. Diz que crescer a participação de produtos com maior valor agregado. De janeiro a março, as vendas no país subiram 14%.

A Novelis pertence à indiana Hindalco, companhia que faz parte do conglomerado Aditya Birla. Sua receita alcançou US$ 10,6 bilhões, com vendas de 2,97 milhões de toneladas. Os investimentos, principalmente no Brasil e Ásia (US$ 1,5 bilhão em três anos), visam alcançar capacidade de 4 milhões de toneladas até 2016.

Mais um ajuste para cima na safra recorde de grãos

junho 9, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte:  Valor | De Brasília

 

Ainda há riscos climáticos para as lavouras de milho "safrinha" e de trigo, mas os produtores brasileiros devem mesmo colher a maior safra da história neste ciclo 2010/11, chegando a 161,5 milhões de toneladas.

A 9ª projeção de safra, divulgada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra um resultado 8,2% superior aos 149,3 milhões de toneladas de 2009/10. A produção cresceu, segundo o estudo, embalada por uma expressiva elevação de 4% na produtividade média das lavouras em todas as regiões, sobretudo no Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia, Maranhão e Rondônia.

A soja segue sendo a principal geradora de riqueza no campo. O grão responde por 46,5% de toda a safra nacional, com 74,99 milhões de toneladas, quase 10% acima da última safra. O milho fechou com 56,73 milhões de toneladas na safra de verão, mas a safrinha deve apresentar perdas. Agora, a Conab estimou em 21,7 milhões de toneladas. Mas isso pode mudar.

Em Mato Grosso, há um recuo expressivo de 8,5% e a produtividade total no país teve queda, até aqui, de 9%. Isso deixa em alerta as indústrias processadoras de carne de frango e de suínos, que têm no milho o principal insumo. "Perderemos três ou quatro milhões de toneladas", previu o diretor de Política Agrícola da Conab, Silvio Porto. "Isso é porque temos trabalhado com produtividades mais reais e conservadoras". Mas a expansão da produção no Nordeste, disse ele, deve ajudar no balanço final.

A nova estimativa reacendeu a disputa de bastidores no governo pela "paternidade" das projeções. Desde sempre, Conab e IBGE fazem todo mês uma disputa, com dados conflitantes, para estabelecer quem tem mais influência sobre as estatísticas. Ontem, porém, o ministro da Agricultura Wagner Rossi deixou a política de boa vizinhança de lado e escancarou a briga, em defesa da Conab. "Somos mais realistas e eles, mais conservadores". Rossi defendeu que o IBGE faça um "quadro anual" para o registro estatístico nas contas nacionais. E a Conab cuidaria da previsão a partir da realidade do campo. (MZ)

Brasil faz sua 1 ª colheita de algodão ‘verde’

junho 9, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte: Valor | Bettina Barros | De São Paulo

Ambiente: Práticas sustentáveis na lavoura vão gerar 42 mil toneladas

Sergio Dutti/Valor

Andréa Aragón, da Abrapa: 42 mil toneladas na safra atual e grande potencial de expansão devido à demanda global

O Brasil se prepara para colher a primeira safra de algodão seguindo os padrões do "better cotton", que visam colocar no mercado fibras produzidas de acordo com critérios de sustentabilidade. O projeto-piloto iniciado em quatro Estados do país deverá gerar 42 mil toneladas – volume ínfimo diante da expectativa de 2 milhões de toneladas da fibra este ano. Mas é um começo.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), responsável pela implementação do projeto no país, neste primeiro momento 10 grandes propriedades aderiram ao projeto – quatro em Mato Grosso, quatro em Goiás e duas na Bahia – além de 37 produtores familiares em Minas Gerais, totalizando 27 mil hectares.

"Começamos com poucos produtores, mas eles serão o fermento para outros aderirem", explica Andréa Aragón, coordenadora de sustentabilidade da Abrapa.

Apesar de essas propriedades já terem passado pelo crivo de uma terceira parte independente e, portanto, estarem aptas para colocar no mercado esse novo algodão, a comercialização do BC só deverá ocorrer em 2011/12. Isso porque a maioria da safra de algodão atual já está vendida.

Conhecido internacionalmente pela sigla BCI, de Better Cotton Initiative, a ideia desse algodão foi concebida em 2006 pela organização não governamental de mesmo nome que reúne entre seus membros produtores, indústria, traders e outras ONGs. Atualmente ele é adotado no Brasil, Paquistão, Mali e Índia, com planos de expansão para a China a partir do ano que vem – estratégia compreensível já que o país é o maior produtor e consumidor mundial de algodão.

O BCI determina, por exemplo, a utilização de menos água e pesticidas no plantio e implementa uma colheita rotativa que melhora a qualidade do solo. Além disso, preza relações justas de trabalho e a preservação da natureza. Parece pouco, mas em muitos países em desenvolvimento – onde está uma parte considerável da produção global de algodão – essas recomendações passam longe da realidade.

"Para o Brasil, atender as exigências foi fácil porque a legislação já nos obriga a fazer tudo isso", diz Andréa, alegando que o país tem vantagem competitiva em relação aos concorrentes.

Em 2010/11, a iniciativa global abrangeu 85 mil produtores da Índia, 50 mil do Paquistão, 16 mil em Mali. A ideia é dobrar esse número para 2011/12. No Brasil, foram apenas 10, mas tratam-se de grandes áreas. Por isso, o país é considerado crucial para o sucesso do BCI. "Os outros países não conseguem volume para atender a demanda", afirma Andréa.

"O Brasil certamente puxará esse movimento", diz o trader de algodão Marco Antônio Aluísio, da Interagrícola, do grupo Ecom. Ele diz já ter recebido telefonemas de Bangladesh e da China para encomendas, mas não pode atendê-las já que a fibra que começa a ser colhida no Brasil está praticamente toda contratada.

Segundo ele, a demanda tem aumentado porque os varejistas começam a exigir a inclusão da matéria-prima na composição de seus produtos. A Adidas, por exemplo, anunciou que até 2015 deverá usar algodão BC em 40% de sua produção. Até 2018, a expectativa é que esse material seja usado em 100% dos produtos da marca. Nike, Levi’s e Ikea anunciaram medidas semelhantes.

Para a WWF Paquistão, parceira do projeto no país, a dificuldade de plantio do algodão orgânico deve incentivar a migração das encomendas das empresas para o BC. O orgânico não permite a aplicação de defensivos, e por isso é mais suscetível a pragas.

Daniel Franciosi, produtor de algodão em Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, diz já ter sido sondado a respeito do BC. "Já teve algumas traders interessadas em comprar da gente, mas eles ainda não querem pagar mais", conta. Com 3,7 mil hectares plantados nesta safra – área de que deve repetir em 2011/12 – e uma média de 300 arrobas por hectare, ele espera receber um diferencial pelo produto.

A questão também pode determinar o ritmo de adesão dos produtores. Oficialmente, o programa BCI não defende o prêmio. O raciocínio é que a sustentabilidade no campo será uma condição básica no comércio, e todos deverão se adequar cedo ou tarde. "Daremos a garantia de compra", defende Aluísio, da Interagrícola, sem mencionar que o mercado de algodão está altamente aquecido – e, portanto, garantia de compra não é mais um benefício.

Nas fazendas, a situação é outra. Neste ano, as associações de produtores de algodão estaduais se responsabilizaram pelos custos de verificação das propriedades rurais, que chega a R$ 3 mil. Na próxima safra, os produtores terão de pagar do próprio bolso.

NÓS E O MEIO AMBIENTE

junho 7, 2011 by  
Filed under Artigos, Notícias

Na semana internacional do meio ambiente, muitos temas vêm à público tratando sobre a degradação ambiental do planeta, é o desmatamento, é a energia nuclear, são combustíveis fósseis e suas conseqüências nas mudanças climáticas, no entanto, pouco se fala na nossa responsabilidade individual, nos nossos hábitos, na nossa cultura do desperdício e do mau consumo, ou seja, qual a nossa contribuição para a melhora da qualidade de vida?.

Tanto na nossa atividade doméstica, como na profissional, certamente temos muito a contribuir pelo menos para que a situação não se agrave. Como fazer isto? Está em nós a eleição daquilo que consumimos, como tal podemos escolher produtos menos poluentes, com embalagens que não resultem em resíduos não recicláveis. Nos supermercados passaram a embalar com bandeja de isopor e plásticos, até legumes e verduras. As camisas, vêm com 30 alfinetes, vários plásticos, na gola, nos botões, etc.. Procurar resistir a isto e deixar a embalagem nas lojas para que eles dêem um fim adequado ao resíduo ,e com isto, busquem junto ao fabricante que alterem o produto e suas embalagens. Não descartar óleo comestível na pia. Acondicionar o lixo seletivamente.

Os jornais e revistas estão vindo embalados em plásticos. Quando se adquire um celular da mesma marca e modelo do anterior, o carregador de bateria é outro ficando descartado o antigo. Os cartões de crédito poderiam ser um só para as diversas bandeiras. Devemos nos insurgir contra isto, para que estas práticas mudem.

Racionalizar o consumo de energia e água, não deixar lâmpada acesa, usar lâmpadas econômicas e ecológicas, evitar desperdício de água, bem fundamental da presente e das futuras gerações (lavagem de calçada, banhos demorados, torneiras vazando, descarga desregulada).

No dia a dia, evitar o transporte individual, ir a pé a curtos trajetos. Na atividade profissional, evitar imprimir documentos desnecessários, mantê-los em arquivo digital. Evitar repetidas idas e vindas a um mesmo lugar, onde poderíamos ir uma vez ao dia ou semana.

São exemplificativas e simples atitudes individuais, mas que no conjunto dos cidadãos terão grande significado ambiental. Para tanto, teremos que mudar nossos paradigmas e nossa cultura, com a certeza, de que com isto estaremos contribuindo de forma decisiva para um planeta mais saudável.

 

Ricardo Alfonsin
Presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB/RS

Vídeo: Em defesa da produção de alimentos – CNA

junho 1, 2011 by  
Filed under Notícias

Em defesa da produção de alimentos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, a Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB, e mais 13 entidades do setor agropecuário lançaram nesta terça-feira, 19 de abril, um vídeo para defender a modernização do Código Florestal. Fundamental para que o Brasil continue a produzir alimento de qualidade e barato.

Em nota, ONGs apontam 19 falhas no Código Florestal

junho 1, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte: RODRIGO VARGAS | DE CUIABÁ

Uma nota técnica assinada pelo movimento SOS Florestas, que reúne sete ONGs (entre as quais Greenpeace e WWF Brasil) aponta 19 falhas na proposta do novo Código Florestal e afirma que o texto "incentiva novos desmatamentos" e permite uma "isenção quase generalizada" aos infratores ambientais.

O movimento diz que, nos termos aprovados pela Câmara, o novo código abrirá brechas para a intensificação das ameaças sobre florestas, nascentes, morros, beiras de rio e manguezais.

"A lei dificultará o controle por parte dos órgãos ambientais", diz a nota.

Ao considerar como área rural consolidada desmatamentos ocorridos até julho de 2008, o código abrirá caminho para legalizar mais de 40 milhões de hectares derrubados na Amazônia e no Cerrado após 1998, segundo o documento.

Entre as brechas está o caso das propriedades com até quatro módulos fiscais (20 a 400 hectares, de acordo com a região), que ficarão dispensadas de recompor áreas de reserva legal desmatadas.

A proposta, apontam os ambientalistas, não prevê "limites temporais" para impedir que agricultores se enquadrem nos critérios da isenção.

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do projeto na Câmara, disse que a proposta prevê critérios "claros" para a dispensa de recomposição de reserva legal –entre elas, a impossibilidade de obtenção do benefício por meio do fracionamento de áreas maiores.

Sobre a polêmica "anistia", Rebelo disse que a "suspensão condicionada" das multas já estava prevista em decreto assinado em 2008 pelo então presidente Lula.

Usina vai usar palha de cana-de-açúcar para gerar energia

junho 1, 2011 by  
Filed under Notícias

Fonte: LEANDRO MARTINS | DE RIBEIRÃO PRETO

Além da biomassa do bagaço, a palha que sobra nos canaviais após a colheita da cana-de-açúcar é apontada como de grande potencial de geração de energia.

O material já vem sendo usado por algumas usinas do país na queima atrelada ao bagaço. A iniciativa, porém, deve ganhar força neste ano com um projeto estimado em US$ 68,5 milhões.

O projeto para uso da palha na geração de energia envolve recursos aplicados por três usinas, GEF (Fundo Mundial para o Meio Ambiente), Ministério da Ciência e Tecnologia e o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

Segundo o coordenador de pesquisas do CTC, Suleiman José Hassuani, o uso da palha na geração de energia pelas usinas de cana pode garantir eletricidade para até 13 milhões de residências.

A cada safra, ainda de acordo com ele, são 84 milhões de toneladas de palha deixadas nos canaviais brasileiros.

O projeto prevê que parte da palha seja levada junto com a cana para as usinas.

O processo de separação ocorreria na chegada do produto às unidades, com o uso de ventiladores nas esteiras de cana que vai para a moagem.

A primeira usina a adotar o sistema será a Alta Mogiana, em São Joaquim da Barra (SP), ainda neste ano, diz Hassuani. Ele não informou os nomes das outras duas usinas que devem aderir ao projeto de uso da palha.