Relator cobra consenso de Agricultura e Meio Ambiente em Código Florestal
Fonte: Globo Rural
Posições antagônicas das duas áreas dificulta aprovação do tema
por Agência Estado

Senador Jorge Viana (PT/AC) é o relator do projeto
As audiências conjuntas promovidas durante esta semana pelas comissões de Meio Ambiente, Agricultura e Ciência eTecnologia do Senado refletem a falta de consenso em relação ao projeto de reforma do Código Florestal, aprovado em maio deste ano pela Câmara dos Deputados.O texto nesta quarta-feira (24/8) em audiência no Senado, foi duramente criticado pelos ex-ministros do Meio Ambiente, foi alvo de elogios dos ex-ministros da Agricultura no debate desta quinta-feira (25/8).
O senador Jorge Viana (PT/AC), relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente do Senado, observou que as posições antagônicas dos ministros das duas áreas em relação ao tema, alguns dos quais fizeram parte de um mesmo governo, "faz pensar que são de países diferentes". Viana propôs um fórum com a participação de todos os ex-ministros de Agricultura e de Meio Ambiente, para que cheguem a uma posição comum em relação ao Código Florestal.
O ex-ministro da Agricultura e deputado federal Reinhold Stephanes (PMDB/PR) disse durante a audiência que odiálogo é difícil, porque os ambientalistas têm visão política e não levam em consideração aspectos técnicos. Na opinião do deputado, "muitos ambientalistas nem mesmo conhecem o meio ambiente". Stephanes contou que enquanto estava no cabo da enxada no Paraná, "o Minc [Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente] estava na praia. A ex-ministra Marina Silva não conhece a agricultura do Paraná". O deputado também rebateu a crítica dos ambientalistas de que a proposta incentivaria a expansão de novas ocupações em áreas de preservação permanente e, "se houver dúvida, é só melhorar a redação". Em relação à anistia, Stephanes afirmou que existem três casos: são considerados legais os desmatamentos feitos de acordo com a legislação da época; a derrubada de reserva legal até julho de 2008 pode ser compensada com recomposição e pagamento em serviços ambientais; e quem desmatou após aquele ano deve pagar multa.
Durante a exposição, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli declarou que toda proposta do Código Florestal criado em 1965 "foi feita com base no achismo", sem base científica, como o direito de abertura de 50% da área na região Amazônica. Paulinelli contextualizou a evolução da agricultura e os investimentos feitos pelo governo brasileiro na pesquisa, que proporcionaram redução do custo da alimentação no mercado interno e a geração de saldos na balança comercial. Segundo ele, os avanços e contribuições da agricultura não são levados em conta nas críticas dos ambientalistas.
Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), defendeu o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e destacou a necessidade de segurança jurídica e sustentabilidade da produção agropecuária para superar as campanhas feitas nos países importadores contra os produtos brasileiros. Um dos pontos levantados na audiência desta quinta-feira (25/8) foi a possibilidade de exigir de países que exportam para o Brasil a reciprocidade na legislação ambiental.
Ambientalistas criticam atraso na implantação do programa
Fonte: Valor | Por Daniela Chiaretti
A mudança tecnológica nos motores de caminhões e ônibus a diesel, aliada a um combustível com bem menos enxofre, pode significar redução de mais de 40% na emissão de poluentes, o que nos grandes centros significa ganhos em saúde pública. O ponto positivo, no entanto, perde força com o número crescente de veículos nas ruas. E o atraso no cronograma do programa de controle das emissões dos veículos também joga as conquistas ambientais na lama.
"Cada mês que a gente perde é uma consequência para os próximos 30 anos", diz Rudolf de Noronha, gerente de qualidade do Ar do Ministério do Meio Ambiente. "É por isso que ficamos desesperados com os atrasos."
Noronha registra os avanços que estão por vir, tanto na tecnologia mais moderna dos motores de caminhões e ônibus, como na alteração do diesel, com menos enxofre. "Em janeiro entraremos em uma fase revolucionária", diz. A fase P-7 (o P é sigla para veículo pesado, ou seja, caminhões e ônibus), explica, exige motores e diesel muito diferentes dos de hoje. "Esta nova fase muda totalmente a indústria de motores pesados do Brasil e também de combustíveis."
Menos enxofre no diesel significa uma redução de 42% nas emissões de óxido de nitrogênio (NOx), um formador do ozônio, poluente que, no ar dos grandes centros, tem efeito desastroso na saúde de crianças, idosos e gente com problemas respiratórios. "O NOx forma o ozônio que, no ar das cidades, gera inundação de crianças nos postos de saúde", explica. A outra novidade, a inclusão do Arla 32, representa um pós-tratamento dos poluentes depois da combustão do diesel. "A fumacinha que sai do motor, ao invés de ir direto para a atmosfera, transformará o NOx em hidrogênio e água", explica. "Esta é uma grande revolução". Outros poluentes também são reduzidos com as mudanças.
Mas o aumento nas vendas de caminhões e ônibus a diesel que a partir de janeiro terão motores que irão poluir bem mais do que os novos, é, evidentemente, um problema. Noronha, no entanto, lembra que o destino dos veículos velhos é ir parar em cidades menores, com menos fiscalização e menos poluição, o que alivia a pressão nos grandes centros. "Naturalmente os que poluem mais estão saindo das áreas onde produzem o maior impacto." Do ponto de vista ambiental, o problema "é a soma das emissões de tantos veículos."
Noronha deixa claro onde está a dificuldade: "O meu problema ambiental é o caminhão dos anos 90, que vai circular por mais 20, 30 anos e com um potencial de emissão muito mais alto comparado aos de hoje". Ele cita os ganhos obtidos pelo Proconve, o programa de controle de emissões veiculares que o Brasil implantou em 1986. "A comparação entre um carro de passeio de hoje, novo, com um carro que saiu da fábrica nos anos 80 é assim: precisamos de 56 carros de hoje para emitir o que um único dos anos 80 emitia."
O Brasil saltou a fase 6 do Proconve, que deveria ter começado em 2009 e terminado agora, em 2011. O objetivo era reduzir as emissões de material particulado (MP), óxido de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC), trabalhando, principalmente, com um diesel com menos enxofre. Mas a confusão de 2009, com o jogo de empurra entre a Petrobras e as montadoras, adiou a execução do programa. A partir de janeiro irão vigorar limites de emissão ainda mais rígidos com a venda ao mercado de um óleo diesel com teor de 10 partes por milhão de enxofre.
Condomínio adota geração eólica e solar
Fonte: valor | Por Chico Santos
Lima, diretor da Ecoglobal, explica que o projeto não visa autonomia energética, mas economia com a conta de luz
Um condomínio residencial com oito prédios e 512 apartamentos cujas partes comuns são abastecidas com energia de origem eólica, o estacionamento é equipado com tomadas para carregar carros elétricos e a água para uso sanitário (descargas domésticas) vem de captação pluvial.
É o que promete entregar em 2016 a construtora carioca Calper, a partir de um projeto desenvolvido em conjunto com a Ecoglobal, responsável pelo projeto de sustentabilidade, e a Cintrax, que está começando a produzir no país um tipo de aerogerador de uso doméstico que se adapta ao propósito da construtora. Ao menos no Rio de Janeiro, eles garantem que é o primeiro projeto com tamanho grau de sustentabilidade.
O engenheiro Davidson Meira Jr., da Calper, um dos responsáveis pelo projeto, explica que cada edifício do condomínio será equipado com um aerogerador de 1.000 a 1.600 watts/hora e com uma bateria de placas de captação solar com a mesma capacidade. O objetivo é que haja sempre a disponibilidade de alguma energia de origem limpa para uso nas partes comuns, como portaria, corredores e até para alimentar a máquina do exaustor central do edifício, explica o engenheiro José Luiz Bastos, da Cintrax.
Como a produção será limitada, o sistema de geração própria será conectado a uma rede que, de forma automática, passa a utilizar energia da Light sempre que a demanda for superior à geração alternativa. Bastos explica que a energia produzida será convertida diretamente para consumo residencial, sem necessidade de subestações, graças a um aparelho chamado inversor de conexão à rede.
Conectada em um ponto após o relógio que marca o gasto de energia vinda de fonte externa, o sistema de geração própria poderá trazer uma economia de até 50% na conta de luz condominial, estima Bastos. Meira, da Calper, estima em até 20% a economia no custo condominial para o condomínio que será construído no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio).
Meira explica que o projeto de geração de energia elétrica própria vai custar cerca de R$ 400 mil, com impacto de apenas R$ 800 no custo de cada apartamento. Com isso, a construtora pode vender as unidades, de dois e três dormitórios, a preços que não diferem das construções convencionais.
O ambientalista Walter Lima, diretor da Ecoglobal, disse que do ponto de vista energético o projeto não visa a autonomia, mas economia de energia, incluindo o uso de lâmpadas de LED (mais econômicas) e de motores mais econômicos nos equipamentos, como aparelhos de ar condicionado.
Sobre as tomadas para carros elétricos, Lima disse que elas serão baseadas nas especificações de recarga utilizadas por um carro que a montadora Nissan já está trazendo para o Brasil e que é utilizada também por outras montadoras, como a GM. O acesso à tomada será feito com o cartão de acesso do morador ao condomínio, de modo que o custo da recarga será debitado da cota condominial.
O ambientalista disse também que o uso de água pluvial para as descargas domésticas é inédito no Brasil e que a água da chuva será utilizadas também para regar plantas e para outras atividades de uso geral do condomínio, como lavagem de dependências, de veículos, etc. Será usado um sistema de microdrenagem do solo, de tal modo que a captação continua mesmo após a chuva.
Bastos, especializado em eletrônica, disse que até agora a Cintrax só forneceu poucos aerogeradores: para uma fazenda em Santa Catarina, para uma casa em Belo Horizonte, um prédio em Salvador e para o condomínio Via Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Como a demanda é pequena, ele terceiriza a fabricação, mas o plano é montar uma fábrica própria.
Bastos avalia que a fábrica vai se viabilizar quando for votado no Congresso Nacional o projeto 630/2003, regulamentando a microprodução privada de energia elétrica. Com a nova lei, segundo ele, será possível produzir energia em casa e vender o eventual excedente para a distribuidora.
Danone reduz emissão de poluentes
Fonte: Valor | Por Bettina Barros
Lozano, presidente da Danone, que tem metas para 45 fábricas no mundo: "Estamos contribuindo mais que a média mundial"
A filial brasileira da Danone é a que tem mais conseguido reduzir a sua "pegada ambiental" dentre todas as 45 fábricas mundiais da companhia. De 2008 para cá, quando a matriz francesa anunciou metas de sustentabilidade, a fábrica de Poços de Caldas (MG), terceira maior do mundo, tem diminuído a uma média de 10% ao ano o volume total de gases poluentes que joga na atmosfera.
Pelo calendário mundial, todas as fábricas da empresa deverão reduzir emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento do planeta, em 30% no período de 2008 a 2012. "Estamos contribuindo mais que a média mundial. Ninguém conseguiu reduzir tanto as emissões quanto nós por aqui", diz Mariano Lozano, presidente da Danone Brasil.
Reduzir a pegada ambiental parece tão importante para Lozano quanto dobrar o faturamento da companhia e chegar aos R$ 2 bilhões até 2012, missão assumida quando ele chegou ao país. Isso porque um terço do bônus anual concedido aos gerentes da Danone passou a estar atrelado também ao desempenho socioambiental da empresa.
Lozano está se valendo de uma ferramenta que vem de mão beijada para as operações brasileiras: a substituição de sua matriz energética "suja" por fontes alternativas. A maior parte da geração de energia do país vem de origem "limpa" – da água e, mais recentemente, da biomassa gerada no processamento de cana-de-açucar e eucalipto, por exemplo.
Hoje, só 30% da energia consumida pela planta mineira para a produção de 350 mil toneladas de iogurte anualmente é obtida por meio de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Os demais 70% são gerados por três caldeiras movidas a diesel, combustível fóssil altamente poluente.
Isso vai mudar na semana que vem, quando a planta aposentar as caldeiras velhas e começar a operar uma única alimentada por cavaco de eucalipto, pó de serra, galhos e restos de pallet. Com investimento de R$ 7,5 milhões, a iniciativa contribuirá para que o país avance nas metas mundiais de redução de gases. A troca permitirá uma diminuição substancial das emissões de dióxido de carbono (CO2), o mais conhecido dos vilões do clima. Segundo a empresa, isso significará um recuo de 18 mil toneladas por ano para 800 toneladas.
"Tivemos que recorrer a um fundo da Danone, para levantar o dinheiro, porque o retorno é maior que dois anos", diz Lozano. Como o dinheiro era para uma causa central da empresa (a sustentabilidade), o empresário diz não ter tido dificuldades na aprovação.
Além da questão energética, a filial brasileira lançou, neste mês, dois de seus carros-chefes em vendas no país com embalagens "verdes". Os potinhos plásticos dos iogurtes Danoninho Leite Fermentado e Activia de 150 g agora são produzidos a partir da resina desenvolvida pela Brasken que utiliza a cana-de-açucar como matéria-prima.
A olho nu, os frascos não apresentam diferença. A distinção entre as embalagens tradicionais e as novas se dá pela introdução do selo "I’m Green". "A maior diferença está nas vantagens oferecidas ao meio ambiente com a diminuição de CO2 emitido durante o ciclo de vida dos produtos, desde a produção ao descarte", diz Lozano.
De acordo com a empresa, no caso do Activia 150g, a adoção do plástico verde representa uma redução de cerca de 20% das emissões de CO2. As do Danoninho Leite Fermentado, 30%.
EVENTO EXPOINTER – VANTAGENS E ENTRAVES PARA O DESENVOLVIMENTO DO RIO GRANDE
Geração de energia eólica deve crescer sete vezes até 2014, segundo EPE
Fonte: Valor
Nos próximos três anos, a capacidade de geração passará dos atuais 1 gigawatt (GW) para 7 GW
por Agência Brasil

A geração de energia elétrica por usinas eólicas deve aumentar sete vezes no país até 2014, disse nesta segunda-feira (22/8) o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim. De acordo com ele, nos próximos três anos, a capacidade de geração de energia eólica passará dos atuais 1 gigawatt (GW) para 7 GW.
Tolmasquim participou nesta segunda-feira, em São Paulo, de um debate sobre o setor elétrico e as hidrelétricas brasileiras. Ele destacou a importância dos investimentos em usinas elétricas movidas a vento, principalmente no Nordeste.
Segundo o presidente da EPE, a crise econômica na Europaacabou incentivando que empresas estrangeiras se instalassem no país para aproveitar o seu crescimento.
“A crise na Europa paralisou os projetos por lá”, assinalou Tolmasquim. “Na China, só entram empresas que produzem equipamentos na China. As empresas estrangeiras se focaram no Brasil.”
Segundo Tolmasquim, quatro companhias fabricam usinas eólicas no Brasil atualmente. Ele disse também que outras quatro empresas já anunciaram que vão se instalar no país.
Nova regra ambiental sai em setembro
Fonte: Valor | Luciano Máximo
O governo federal anunciará em setembro medidas para aperfeiçoar os processos de licenciamento ambiental de projetos de infraestrutura no país. Conduzidas pelo Ministério do Planejamento e do Meio Ambiente, as mudanças não implicam a revisão do atual princípio de análise dos impactos ambientais e de mitigação de riscos de empreendimentos como uma hidrelétrica ou uma rodovia, mas visam tornar as exigências mais claras e objetivas para facilitar a formulação dos estudos de viabilidade e acelerar aprovações.
Em alusão à área de energia elétrica, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, reiterou ontem que as regras atuais para "o jogo dos leilões" do setor não serão alteradas e que as medidas serão detalhadas em portarias, que começam a ser publicadas a partir do mês que vem. "Estamos trabalhando no foco ambiental para deixar mais claro quais são os termos de referência de cada tipo de empreendimento e, assim, deixar claro para o empreendedor aquilo que ele precisa cumprir e ao mesmo tempo dar maior objetividade, reduzir discricionariedades [no licenciamento] para que o processo corra da maneira mais tranquila, objetiva e adequada ambientalmente", explicou Miriam, em seminário sobre o setor elétrico promovido pela revista "Carta Capital".
Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), há diversos casos de exigências ambientais para empreendimentos do setor elétrico que não estão relacionadas com a finalidade do projeto, o que gera dificuldade na formulação dos estudos de viabilidade e, logo, demora na emissão da licença pelo Ibama.
"Foram muitos atrasos nas licenças das linhas de transmissão do Madeira. Por exemplo: botaram [como critério para o licenciamento ambiental] o levantamento de dados de biodiversidades, o PPBio. Mas é uma coisa que tem que fazer quatro vezes por ano, na cheia, na seca, na vazante, não tem nada a ver com o impacto ambiental da linha de transmissão, embora seja um estudo relevante. Estamos falando de um banco de dados que levou um ano para ser feito e receber a licença, porque foi preciso medir aquela informação. Ora, se for para o setor elétrico fazer, apesar de não ter nada a ver com ele, bota como obrigação para depois que a linha estiver pronta, não precisa botar com pré-requisito para dar licença", ilustrou Tolmasquim.
Walter Cardeal, diretor de geração da Eletrobras, criticou a demora na liberação de licenças ambientais para as linhas de transmissão e grandes barragens. "Esperamos mais racionalidade [com as novas medidas]." Para o especialista em energia Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), "o lado burocrático" do licenciamento pode ser agilizado. "Mas no lado técnico tem que ser feito com muito critério. Não há como relegar os impactos ambientais e os interesses daqueles que são atingidos e devem ser compensados."
Onze cidades já seguem modelo de Paragominas
Fonte: O GLOBO | Cleide Carvalho cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br
Programa Município Verde, do governo do Pará, pode levar à redução do desmatamento em toda a Amazônia
PARAGOMINAS (PA). O município de Paragominas, no Pará, começa a se transformar num modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia. Pelo menos outras 11 cidades paraenses já aderiram ao programa Município Verde, do governo do estado, criado com base nas ações adotadas em Paragominas para reduzir o desmatamento a menos de 40 quilômetros quadrados por ano e sair da lista dos maiores devastadores da Floresta Amazônica no país.
Segundo dados do Sindicato de Produtores Rurais de Paragominas, foram cadastradas 690 propriedades, que ocupam 94% da área rural do município. Desta forma, é possível o poder público fiscalizar. Ao cruzar as imagens dos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com o mapeamento rural, sabe-se exatamente onde está ocorrendo um foco de desmatamento ou queimada e quem é o responsável por aquele espaço.
Segundo Mauro Lúcio Costa, presidente do Sindicato, um dos principais articuladores do pacto pela recuperação ambiental do município, apenas 6% das propriedades não foram cadastradas. Em troca da adesão ao cadastramento, proprietários rurais receberam perdão de parte do valor devido em multas causadas por passivos ambientais do passado. Áreas de Proteção Permanente (APAs) e reservas legais estão sendo recompostas com o auxílio dos próprios fazendeiros, para compensar o abatimento.
- A legalidade das terras é o ponto de partida para a transformação do modelo de desmatamento predatório para o desenvolvimento sustentável da Amazônia – diz Paulo Amaral, pesquisador do Imazon, instituto que trabalha no monitoramento da floresta.
Os que mais devastam no Pará são os que não pagaram pela terra que ocupam. Grileiros transformados em grandes fazendeiros, eles não têm como legalizar terras e produção. Por isso, atuam na clandestinidade, arrancando do solo tudo o que ele pode gerar de riqueza enquanto está sob seu domínio.
Prefeitura aposta em investimento em educação
Mas o modelo de sustentabilidade de Paragominas não é baseado na repressão, e sim na diversificação das atividades econômicas do município e na qualificação dos produtos. Isso significa que Paragominas quer ter propriedades rurais com criação de gado, plantio de GRÃOS, áreas de reflorestamento para produção de madeira e manter preservada a área de floresta nativa, que corresponde a 65% do total.
Para diversificar, é preciso acomodar o que já existe e impedir que tudo isso avance sobre a parte mais frágil e mais valiosa, que é a Floresta Amazônica. Adnan Demacki, prefeito de Paragominas, busca agora verticalizar a produção, do município, atraindo beneficiadoras de GRÃOS, indústrias moveleiras e frigoríficos.
- Uma cidade não pode depender de uma única atividade econômica. É da interação entre os vários setores que poderemos garantir desenvolvimento e evitar crises – diz ele.
Paralelamente ao plano de desenvolvimento econômico, Paragominas investe em educação. O município é um dos poucos a ter em andamento, desde 2010, um Plano Municipal de Educação, elaborado com a participação dos professores.
Com cerca de 100 mil habitantes, o município investe fortemente em educação, com remuneração adicional para professores, inclusive de ensino fundamental, que tenham mestrado e doutorado. Recentemente, foi anunciada a instalação de uma escola técnica federal na cidade, o que deve acelerar a formação de mão-de-obra especializada.
Superarroz combate anemia
Fonte: Globo Rural
Entidade internacional traz ao Brasil o Ultra Rice, grão fortificado com vitaminas e minerais, consumido misturado ao convencional
por Mariana Caetano

Em projeto piloto no Ceará, o índice de anemia em crianças que receberam o superarroz caiu de 27% para 11%
Estima-se que 2 bilhões de pessoas no mundo sofram de deficiência de micronutrientes e que a desnutrição promova uma redução de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) de países em desenvolvimento. Para tentar mudar esses índices no país, está desembarcando por aqui o Ultra Rice – algo como “superarroz”, na tradução para o português. O produto nada tem a ver com engenharia genética: é uma massa feita com farinha de arroz e micronutrientes (ácido fólico, ferro, tiamina e zinco) e que ganha o formato de grãos de arroz.
A tecnologia, que vem sendo desenvolvida desde 1997 pela ONG Path (sigla em inglês para Programa de Tecnologia Apropriada em Saúde), chegou ao Brasil há um ano, sob a forma de um projeto piloto na rede pública de ensino de Sobral (CE). E já há resultados: os índices de anemia nas crianças que receberam o produto recuou de 27% para 11%. Além disso, municípios de Mato Grosso do Sul e São Paulo devem servir o arroz fortificado na merenda escolar. “A iniciativa envolve 60 mil crianças, mas a meta é alcançar 10 milhões de brasileiros”, afirma Dipika Matthias, diretora do Ultra Rice.
O arroz fortificado é consumido misturado ao convencional, na proporção de um para 100 (1:100), mantendo-se a forma de preparo. Em termos de aroma, sabor e textura, o resultado final é semelhante ao do arroz comum.

Dipika Matthias, diretora do Ultra Rice
Os benefícios do Ultra Rice estão relacionados à prevenção de doenças causadas pela falta de micronutrientes na dieta, a exemplo da deficiência de ferro, que pode resultar em dificuldades de aprendizado; de zinco, que causa diarreia; de tiamina e ácido fólico, que pode levar ao retardo no crescimento intrauterino e à deformação de bebês em mulheres grávidas, respectivamente.
Por ora, apenas a empresa de massas Adorella, de Indaiatuba (SP), fabrica o Ultra Rice no Brasil. Mas a Path está em conversações com moinhos e redes varejistas de alcance nacional e a expectativa é que novos contratos sejam fechados em seis meses. A Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, será a responsável por transferir a tecnologia de produção e auxiliar na certificação de qualidade do arroz produzido.
Como, a princípio, o Ultra Rice é fabricado em pequenas quantidades, o preço é 5% maior que o do arroz comum. Mas, com a entrada de novos produtores, a diferença pode cair para 1% ou 2%.
Empresas de café buscam soluções ecológicas para descarte de cápsulas
Fonte: Globo Rural
A tecnologia contribui para aumentar o consumo da bebida, mas gera resíduos que podem causar danos ao meio ambiente
por Agência EFE

O café embalado em cápsulas rende boa bebida e praticidade, mas é necessário cuidado na hora de descartar o material
Segundo a Organização Internacional do Café (ICO, na sigla em inglês) "o café é o segundo produto que mais se comercializa depois do petróleo". É uma das bebidas mais consumidas do planeta. Reunir tantos consumidores faz com que as empresas invistam sempre em novas fórmulas de produção, distribuição e consumo.
A forma como é servido variou muito ao longo da história. Desde os antigos bules, nos quais se utilizava um recipiente que não transmitisse seu próprio sabor à bebida como o barro e o ferro esmaltado, até as modernas cafeteiras espresso. As máquinas que facilitam o consumo evoluíram e hoje abre espaço para as famosas cafeteiras de cápsula.
São muitas as vantagens deste tipo de produto: prático, rápido e fácil de preparar. Com o sucesso da tecnologia, as cápsulas têm alcançado muitos amantes da bebida e, por isso, são várias as empresas que passaram a comercializá-lo.
No entanto, as novas cafeteiras monodoses, como são conhecidas, apresentam um ponto negativo. Embora sejam funcionais por apresentar um sistema higiênico e de fácil manejo, pecam em matéria de cuidado com o meio ambiente.
Embalagens
Segundo as especificações, as cápsulas são compostas principalmente de dois materiais: alumínio e plástico polipropileno. Por serem embalagens inovadoras, muitos países não dispõem de uma legislação específica sobre elas. De modo que, quando são utilizadas, um novo resíduo para o meio ambiente que antes não existia é originado.
O que é possível fazer com este tipo de embalagem para evitar danos à natureza? Em alguns países europeus se considera que estes recipientes são equiparáveis aos pacotinhos de chá ou peles dos embutidos e não sofrem o mesmo processo de reciclagem que outros produtos.

Com a inovação de novos produtos os consumidores podem preparar a bebida de forma simples em casa
Mesmo se o cidadão depositá-lo em um recipiente específico para este tipo de material o resultado seria o mesmo: incinerado ou fazendo parte de uma montanha de dejetos na lixeira mais próxima.
Soluções possíveis
Perante esta situação, as empresas de café colocaram mãos à obra e estão tentando encontrar a fórmula para conseguir a embalagem mais ecológica possível. Algumas soluções estão na fabricação de embalagens biodegradáveis, programas para reciclar cápsulas ou a para reutilizar o material.
A marca Nespresso, da Nestlé, oferece um serviço de reciclagem para as cápsulas de alumínio. O cliente pode depositar as embalagens em suas lojas e, então, as cápsulas são enviadas para uma unidade de reciclagem na qual o alumínio é fundido e preparado para ser vendido para outras companhias. Segundo a Nespresso, para o ano de 2013 espera-se conseguir uma reciclagem de 75% das embalagens que fabricam.
"O alumínio das cápsulas é infinitamente reciclável. O café restante que permanece em seu interior é utilizado como fertilizante natural ou como fonte de energia ecológica para calefação doméstica", diz um porta-voz da empresa na Espanha.


