CNA passará a integrar o Conselho Mundial da Água

setembro 26, 2011 by  
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Fonte:  Globo Rural

Entidade pretende contribuir nas discussões internacionais sobre preservação e uso dos recursos hídricos

por Globo Rural On-line

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Brasil detém 12% de toda a água doce do mundo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)assinará o termo de filiação da entidade junto ao Conselho Mundial da Água (CMA), entidade internacional criada em 1996 com a finalidade de promover a conscientização e o compromisso político sobre questões críticas de uso e gestão da água em todo o mundo. A assinatura ocorrerá durante a realização da 5ª Reunião da Seção Brasil do Conselho Mundial da Água, nesta terça-feira (27/9), na sede da CNA, em Brasília, com as presenças da presidente da entidade, senadora Kátia Abreu, e do presidente do CMA, Loïc Fauchon.
O Brasil possui cerca de 12% da água doce do mundo. Todo esse patrimônio coloca o país no primeiro lugar do ranking dos países com maior potencial hídrico. A filiação da CNA ao Conselho é uma forma de a entidade, que representa os produtores rurais da maior agricultura tropical do planeta, participar dos debates que auxiliam a formulação de políticas públicas voltadas à conservação, planejamento, desenvolvimento e gestão do uso da água nos países.
Nesta 5ª Reunião da Seção Brasil do CMA, serão discutidos os temas que integrarão a pauta do 6º Fórum Mundial da Água, que será realizado em Marselha, na França, de 12 a 17 de março de 2012. O Fórum é uma plataforma de debates que reúne membros da comunidade internacional envolvidos com questões de proteção e preservação da água, com o objetivo principal de obter o compromisso político de governos para o desenvolvimento de políticas públicas.
A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, abrirá o encontro juntamente com o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu; o presidente do 6º Fórum Mundial da Água, Benedito Braga e o presidente do CMA, Loïc Fauchon. De origem francesa, Fauchon atuou em várias esferas políticas antes de assumir a presidência do CMA, em 2005.
É uma das maiores autoridades mundiais em conhecimentos sobre gestão e aproveitamento de recursos hídricos e saneamento. Haverá, ainda, palestras do diretor da ANA, Paulo Varella, e do superintendente da ANA, Ricardo Andrade. Ao fim das apresentações, será realizado um debate com os participantes do evento.

Cientistas usam bactérias oceânicas para produzir etanol

setembro 26, 2011 by  
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Fonte:  Globo Rural

Microorganismos minúsculos de ambientes quentes têm capacidade para fermentar moléculas celulósicas e produzir álcool

por Globo Rural On-line

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Extremófilos que produzem etanol habitam o fundo do mar

Cientistas da South Dakota School of Mines & Technology estão usando microorganismos minúsculos que vivem em ambientes muito quentes para produzir etanol de segunda geração. O trabalho foi divulgado pela revista científica HypeScience. Estes seres são chamados de extremófilos e podem ser encontrados em ambientes quentes, salgados, ácidos e gasosos, segundo os cientistas.
As experiências com os extremófilos começaram quando Rajnesh Sani, professor de engenharia biológica e química da instituição localizou uma comunidade destes seres em uma mina, no fundo do mar, onde as temperaturas eram superiores a 45 graus Celsius. Segundo ele, poucos organismos são capazes de sobreviver a temperaturas tão elevadas.
Sani conseguiu isolar os extremófilos através da bactéria Geobacillus e iniciou as pesquisas. Primeiro, ele inseriu os organismos em lascas de madeira e observou que estes seres tinham grande capacidade de quebrar as moléculas celulósicas. No segundo experimento, o cientista iseriu os Geobacillus em resíduos de milho e capim e, novamente, a capacidade de fermentar as moléculas de celulose, resultando em produção de álcool, foi alta. "Estes microorganismos provaram ser capazes de suportar as altas temperaturas do processo industrial e demonstraram grande capacidade de quebrar as moléculas celulósicas de material vegetal", disse o professor.
O processo de fermentação usado para testar os extremófilos foi o mesmo usado para produzir biocombustível e cervejas, mas Sani afirma que os microorganismos exigem menos etapas do que as leveduras tradicionais, usam menos água e menos reatores. "Estamos eliminando alguns passos do processo convencional para tornar o método mais rentável", disse.
A produção de etanol em escala a partir dos extremófilos ainda está longe de acontecer, mas Barny Whitman, microbiologista da mesma instituição, diz que a equipe de Sani está intensificando as experiências para que os extremófilos também produzam enzimas em condições mais adversas. "Em temperaturas mais altas, as reações químicas acontecem mais rápido e os catalisadores são
mais estáveis", disse Whitman."É mais barato executar um reator em alta temperatura, em vez de baixa temperatura, porque refrigerar é mais caro e muitas dessas reações geram calor".
Um dos pioneiros da biotecnologia de extremófilos, Eric Mathur, isola genes a partir de um crescimento de bactérias em águas profundas de fontes hidrotermais, e depois transfere o material genético a plantas de milho. Agora, ele encontrou extremófilos em pinhões-mansos do deserto cujas sementes produzem um composto com 40% de óleo. Sua empresa tem plantações na
Guatemala, Brasil e Índia, e está vendendo a mistura a companhias aéreas europeias que querem usam biocombustíveis.

Projeto Biomas chega à Caatinga e Amazônia

setembro 26, 2011 by  
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Fonte:  Globo Rural

Iniciativa visa estabelecer padrões para a produção sustentável

por Globo Rural On-line

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As equipes do Projeto Biomas se preparam para selecionar áreas de pesquisa na Caatinga e Amazônia. Eles vão para o campo no próximo mês com a missão de iniciar o projeto nas propriedades escolhidas. "A idéia é que as áreas de pesquisa se tornem vitrines tecnológicas, onde mostraremos como o produtor rural pode usar o elemento árvore para melhorar sua produção e preservar o meio ambiente ao mesmo tempo", conta Cláudia Mendes Rabello, coordenadora do Projeto Biomas na CNA.

O Projeto Biomas, realizado pela CNA em parceria com aEmbrapa, vai identificar a melhor forma de reintroduzir a árvore na propriedade rural, trazendo benefícios econômicos e ambientais, considerando as especificidades de cada um dos seis biomas do nosso país.

O projeto que já está em andamento na Mata Atlântica e Cerrado, teve início em 2010 e terá a duração de nove anos. Pretende estabelecer padrões para a produção sustentável de alimentos. Isso tudo porque o Brasil se encontra diante de um grande desafio: preservar o seu enorme patrimônio ambiental e continuar produzindo alimento barato e de qualidade. "Este projeto, em parceria com a ciência, em parceria com a pesquisa, pretende dobrar a produção de alimentos para o mundo. O que produz hoje sem desmatar nada, sem derrubar uma árvore", conta a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu.

O resultado do Projeto Biomas será repassado nas vitrines tecnológicas aos produtores rurais de todo o país, que poderão copiar os modelos de produção, agregando valor ambiental e econômico às suas propriedades. Tudo isso, valorizando a árvore, o meio ambiente, sem deixar de pensar na produção de alimentos.

Nova embalagem deve valorizar as garrafas PET

setembro 26, 2011 by  
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Fonte: Valor | Por Sergio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo

Masao Goto Filho /Valor/Masao Goto Filho /Valor
Marçon, da Abipet: se coleta seletiva não aumentar, recicladores vão usar resina virgem para continuar operando

Na superaquecida demanda por reciclagem de garrafas PET, a partir da qual o preço da matéria-prima reciclada se aproxima aos valores da resina virgem, o recente lançamento da embalagem "bottle-to-bottle" – produzida parcialmente a partir de garrafas PET recicladas pós-consumo – da Coca-Cola no Brasil promete mexer com as bases do mercado, hoje disputado por diferentes setores, principalmente o têxtil. "Queremos formar uma cadeia de valor para o material, garantindo sua aquisição no longo prazo, sem os riscos da variação cambial típicos das commodities", revela Rino Abondi, vice-presidente de tecnologia e logística. Para garantir a sustentabilidade do modelo, a estratégia é o apoio às cooperativas, além da parceria com empresas globais de reciclagem que chegam ao Brasil.

Produzida em Curitiba pela Spaipa, a nova garrafa começou a ser distribuída no Paraná e São Paulo, expandindo-se para os demais estados a partir de dezembro. No momento, a tecnologia está restrita às embalagens 2,5 litros, contendo 20% de PET reciclado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso de até 50%. "A previsão é aumentar a produção inicial de 5 mil toneladas para 60 mil toneladas em 2014", informa Abondi, lembrando ser "difícil incorporar sustentabilidade sem quebrar barreiras".

"O objetivo é dar ao PET o mesmo status alcançado pelas latas de alumínio, cuja valorização contribuiu para o atual índice de reciclagem, superior a 95% no Brasil, recorde mundial", afirma Marco Simões, diretor de comunicação e sustentabilidade. Segundo ele, a empresa assumiu o risco dos preços atualmente altos do PET reciclado, na expectativa do desenvolvimento da coleta seletiva e de novos hábitos para separação do lixo reciclável nas residências, capazes de aumentar a oferta do material e, consequentemente, permitir maior equilíbrio nos preços. Até o fim da década, a meta é recolher 85% de garrafas PET para o novo uso industrial, com participação de cerca de 200 cooperativas.

A meta global do fabricante para 2020 é duplicar a atual produção, emitindo carbono em níveis inferiores aos registrados em 2005. Além de já ter reduzido na média 20% a quantidade de plástico e vidro das garrafas, o que significa menos custos e emissões, a estratégia é expandir o retorno das embalagens vazias. A substituição de resina virgem pela reciclada pode reduzir carbono em até 10%, de acordo com dados da empresa. "O propósito é contribuir para o índice nacional de reciclagem de PET aumentar dos atuais 56% para 70%, em quatro anos", anuncia Simões.

"A nova garrafa vai elevar os valores do material após o consumo", estima o consultor Julio Cesar Santos, da organização Doe Seu Lixo, do Rio de Janeiro. Hoje as cooperativas de catadores vendem o quilo do PET entre R$ 0,80 e R$ 1 para atravessadores, que por sua vez repassam para a indústria a cerca de R$ 1,80. O atual preço de mercado da resina virgem é de R$ 2,20/kg.

A cooperativa Rio Coop, que comercializa por R$ 1,60 o quilo de PET na capital fluminense, trava uma queda de braço com os intermediários. "No mercado aquecido, buscamos clientes que pagam mais", afirma o presidente José Luís Estácio, lembrando que o valor para o material, no ano passado, não ultrapassava R$ 1,10 o quilo. "Para evitar os riscos da oscilação de preços, as cooperativas precisam articular com agentes financeiros oficiais linhas de crédito para capital de giro", sugere André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial para Reciclagem.

Para Auri Marçon presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET, "se a coleta seletiva não aumentar, recuperando para as indústrias embalagens que estão indo para aterros, os recicladores buscarão resina virgem para continuar operando". A preocupação se justifica, porque o mercado para a reciclagem do material tem crescido exponencialmente no Brasil, no ritmo de novas aplicações industriais. "Há espaço para uma demanda 30% superior à atual", diz.

Impasse na floresta

setembro 26, 2011 by  
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Fonte:  Valor | Por Sergio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo

Ruy Baron/Valor/Ruy Baron/Valor
Felipe Teixeira, da Embrapa: "Enquanto o problema não for resolvido, evitamos prospecção que envolva repartição de benefícios com comunidades nativas"

Desde que o governo federal decretou a Medida Provisória 2186/16 com regras para o acesso aos recursos genéticos, há exatos dez anos, o número anual de pedidos de patentes de biotecnologia no Brasil despencou quase 70%. Passou de 1.030 depósitos, em 2001, para 356, no ano passado. A queda é sintomática, diante do atual cenário de riscos e incertezas sem a existência de um marco legal abrangente para o uso econômico da biodiversidade. "A agenda está travada em função da insegurança jurídica que afasta investimentos", avalia Jorge Ávila, presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Além da complexidade para a prospecção e transformação do potencial da fauna e flora em produtos, as normas são "excessivamente restritivas". Tanto assim, diz Ávila, que a redução das patentes na área biológica contrasta com crescimento de registros nos demais setores produtivos. Entre 2010 e 2011, o total de patentes no país aumentou de 30 mil para 35 mil, refletindo a evolução da economia.

A lei brasileira não permite patentear organismos vivos ou suas moléculas, protegendo apenas o processo tecnológico que gera substâncias a partir deles. "O ambiente de restrições surgiu no passado em função das ameaças da biopirataria, mas hoje o foco está na promoção de negócios sustentáveis como estratégia de conservação dos recursos naturais", diz Ávila.

"É urgente simplificar e criar condições para que as empresas se regularizem e voltem a investir", ressalta. Neste trabalho de adequação, o INPI está revendo 5,5 mil pedidos de patente de biotecnologia registrados desde 2001. A instituição enviou questionário aos depositantes para saber se houve acesso a recursos genéticos. A patente pode ser cancelada, caso não exista autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) para o projeto.

O impasse freia o ritmo de inovação de indústrias e centros tecnológicos, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição não acadêmica que mais registra patentes no país. Até 2010 foram 258 registros, sem contar a proteção pelo desenvolvimento de cultivares – novas variedades de plantas -, que somam mais de 400, rendendo US$ 16,4 milhões por ano em royalties.

Entre os produtos que correm risco de não chegar ao mercado por conta dos atropelos legais, está uma proteína extraída de aranhas, associada à sua capacidade de construir teias. O insumo conferiria maior resistência e elasticidade às fibras de algodão para a indústria têxtil. Mas a pesquisa foi interrompida após multa de R$ 100 mil aplicada pelo Ibama, sob alegação de que a Embrapa teria ido além do autorizado. Em operações feitas em outubro de 2010 e março deste ano, os fiscais notificaram cerca de cem empresas consideradas irregulares no uso dos recursos genéticos, totalizando R$ 120 milhões em multas.

O episódio desencadeou o debate para a revisão do marco legal. "A atual regra é imprecisa e dá margem a interpretações subjetivas", critica Felipe Teixeira, chefe de inovação tecnológica da Embrapa, para quem a legislação não deve só punir, mas incentivar. Em busca de produtos inovadores, várias empresas e centros de pesquisa prospectaram a floresta no período entre a decretação da MP e, dois anos depois, a criação do CGEN, responsável pelas autorizações. "Muitos poderão ter patentes negadas e serão prejudicados", afirma Teixeira. Para ele, a autorização de pesquisa deve ser simplificada. "Enquanto o problema não for resolvido, evitamos prospecção que envolva repartição de benefícios econômicos com comunidades nativas, base da atual legislação de acesso à biodiversidade", diz.

Por segurança, as empresas migram para o uso de espécies vegetais não nativas, trazidas de outros países. "É uma pena, mas os riscos são muito altos", lamenta Vânia Rudge, diretora da Centroflora, empresa que hoje produz cerca de 200 extratos vegetais sob encomenda de clientes de grande porte, principalmente externos. "Muitos temem a perda de patentes e deixam de investir", conta. A orientação é não acessar o conhecimento tradicional. "Falta clareza sobre a amplitude da repartição de benefícios, que pode ser reivindicada por mais de uma comunidade", justifica.

A conservação da natureza depende de seu valor econômico. Vânia cita o caso do jaborandi, planta nativa explorada pela empresa no Piauí, Ceará e Maranhão para produção de pilocarpina – substância usada no tratamento de glaucoma, distribuída mundialmente pela indústria farmacêutica Boehringer Ingelheim. Os produtores locais triplicaram a renda com a venda das folhas, mas similares sintéticos estão levando o produto natural à decadência. "É preciso encontrar novas plantas medicinais para reduzir a dependência da população em relação ao jaborandi, mas as regras atuais inibem o processo", diz Vânia.

Ela sugere uma nova lei capaz de caminhar na velocidade da inovação e de atrair negócios: "É importante termos vantagem competitiva, pois os países concorrentes também estão criando incentivos e regulamentações após o Protocolo de Nagoya, assinado no ano passado".

Para Marcelo Cardoso, vice-presidente de sustentabilidade da Natura, "a situação atual limita a inovação e a transformação da biodiversidade em ativo para o país reduzir a dependência das commodities". Apesar das indefinições, a empresa investe em um centro tecnológico em Manaus para desenvolver cadeias produtivas a partir dos recursos florestais, movimentando investimentos de cerca de R$ 1 bilhão até 2020 na Amazônia. "O uso sustentável do patrimônio genético exige a criação de escala pelos diversos segmentos do mercado, incluindo a indústria farmacêutica e alimentícia", afirma o executivo, confiante em mudanças. "É apenas uma questão de tempo, porque o governo tem uma nova percepção sobre o tema."

A grosso modo, considerando a existência de 1,8 milhões de espécies no país e o atual ritmo das autorizações do governo para prospecção, seriam necessários 72 mil anos para o país conhecer o seu patrimônio genético. A conta é do Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade, que reúne 61 empresas e dez organizações, e lidera um plano para mudar os rumos do setor até 2020. "Há uma forte pressão contra a inércia, inclusive por segmentos da economia que não atuam diretamente no uso da biodiversidade", confirma Cristiane de Moraes, do Union for Ethical Biotrade no Brasil.

CNI lança rede para debater mudança climática

setembro 15, 2011 by  
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Fonte: Valor | Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

Se depender da indústria no Brasil, o plano setorial de mitigação e adaptação à mudança do clima, que tem 15 de dezembro como prazo legal para ficar pronto, não terá uma meta de redução de emissões de gases de efeito estufa. "Vamos nos comprometer com o passo a passo", diz Paula Bennati, a especialista no assunto da Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Mas antes de ter um número temos que conhecer melhor o perfil das emissões industriais e qual a dimensão dos esforços para implementar os cortes."

A Política Nacional sobre Mudança do Clima determina que sejam publicados, até o meio de dezembro, planos setoriais que indiquem como será feita a redução de emissão de gases-estufa até 2020. A iniciativa está relacionada aos compromissos brasileiros assumidos na conferência do clima de Copenhague, em 2009. Ali se definiu como meta nacional voluntária reduzir a curva de crescimento das emissões brasileiras entre 36% e 39% até 2020. "A economia de baixo carbono, respeitadas as diferenças entre grandes e pequenas empresas, é um caminho que a indústria quer percorrer", diz Paula.

Ontem a CNI lançou, em Brasília, a Rede Clima da Indústria Nacional com a intenção de tornar ágil a troca de informações dos diversos setores empresariais. "É uma plataforma para qualificar o debate e definir posicionamentos dentro do complexo tema da mudança climática e que envolve aspectos de mercado", explica. O que a indústria teme, por exemplo, é se comprometer com objetivos que afetem a competitividade internacional. A Rede Clima pretende envolver federações industriais dos Estados, associações setoriais e as empresas mais atuantes no tema.