Férias, Carnaval, descanso. Renovação através do lazer, da melhor forma pela qual encara ou se permite gozá-lo. É um período de tempo como que entre parêntesis, a vida continua lá fora, mas aqui é mais sombra e água fresca. Alertarão os ambientalistas: Sombra enquanto não cortarem todas as árvores, água fresca enquanto não poluírem todos os mananciais, mais o freático, mais o mar… Qual a fonte da poluição? Sensu lato, os processos tecnológicos que são adotados sem uma análise crítica realmente científica. Parece-nos que um dos problemas atuais da poluição acomplia cheap é que é, de fato, um conhecimento e uma preocupação bastante recente. Se a revolução industrial tem, agora, em torno de duzentos anos, o conceito de poluição tem pouco mais de 4 décadas. É um tema novo, que ainda não entrou – mesmo que já esteja sendo tão discutido – na consciência de todos. Ainda não há uma compreensão ampla de seus mecanismos, de sua importância, de suas conseqüências. Esta falta de entendimento talvez seja a causa da presente discussão sobre a transgenia, sobre a comercialização da safra de soja que foi plantada e está sendo colhida, da necessidade de uma Medida Provisória emergencial para solucionar uma situação de fato, quando o governo ainda não tem claro qual deva ser a situação de direito. Assim como quando estamos de férias a vida “lá fora” continua, também em relação ao nosso país “lá fora” há agricultura e mercado com opiniões, conceitos e entendimentos sobre os transgênicos. E o Brasil só poderá tomar decisões corretas em relação a qualquer novidade tecnológica se lidar de forma isenta e científica com o novo conhecimento. Pesquisa científica, ampla divulgação, discussão aberta de opiniões são o caminho para o conhecimento. Este permitirá a tomada de decisões com a menor margem de erro possível. Neste boletim estamos buscando colaborar com esta discussão, trazendo medicine without prescription uma opinião “a favor” e uma opinião “contra” a transgenia no especial “Transgênicos, sim ou não?”. Você vai ler também uma entrevista sobre o mercado dos transgênicos e a opinião legal sobre a questão da soja modificada no artigo do advogado Ricardo Alfonsin “Soja transgênica é legal”. E mais: um artigo exclusivo sobre a relevância da variável ambiental no planejamento estratégico empresarial. Desejamos a todos uma boa leitura e até a nossa próxima edição!
Editorial
A natureza é cíclica. Nós somos cíclicos. Este fim de ano é, sob este aspecto, muito peculiar. Com a eleição de Lula para a presidência do Brasil, acendeu-se em nosso país uma expectativa de renovação, de entrada em um período de ações inovadoras que busquem soluções para as diversas e sérias dificuldades nacionais. Um ciclo de esperança. 2003 inicia totalmente voltado para o futuro. Todos olham para a frente, almejando significativas melhoras sociais. É esse o sentimento dominante nas matérias que compõem o Boletim deste mês. Temas que, avaliando o presente, tiram dele ensinamentos para podermos encontrar as soluções com que hoje todo o povo brasileiro está contando. Com a experiência acumulada de 4 anos de gestão na Secretaria do Meio Ambiente acomplia 20mg do Estado do Rio Grande do Sul (SEMA/RS), o secretário Cláudio Langone, nos textos “A evolução brasileira apesar dos resultados de Joannesburgo” e “O desenvolvimento sustentável no Brasil: situação, desafios e possibilidades”, faz uma análise crítica sobre as causas do fracasso de Joannesburgo e a maior consciência da sociedade brasileira com relação ao meio ambiente. Comenta a questão do desenvolvimento sustentável e aponta para a importância crescente do Estado e do município como poder decisório, e da necessidade de integração nos níveis municipal, estadual e federal, para que as decisões se viabilizem. A presidente da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica(ECO-ECO), Luciana Togeiro de Almeida, em entrevista para este boletim, faz uma interessante abordagem sobre a convergência entre interesses econômicos e ambientais, que têm se mostrado, freqüentemente, conflitantes. A agenda DOHA aponta nesse sentido. Um instrumento para que estes interesses não sejam conflitantes é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. O presidente do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental – IBPS, Carlos Nascimento, tece sobre o MDL algumas considerações no artigo “Uma nova moeda”. Já foi dito que só existe o que se pode medir. Dentro desse enfoque, Sérgio Pinto Amaral, Engenheiro sênior online prescription drugs da Unidade de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras nos dá uma verdadeira aula sobre indicadores em seu trabalho “Indicadores de sustentabilidade ambiental, social e econômica: uma proposta para a indústria de petróleo brasileira”. Quanto mais enxergamos os problemas do mundo, mais vislumbramos a necessidade de adotar a sustentabilidade como base. Para que possamos nos permitir ser otimistas, e para que nossas propostas sejam construtivas, sólidas e viáveis. Boa leitura, FELIZ NATAL e um ANO NOVO pleno de amor.
Editorial
Um vento de boa vontade varre o Brasil. Após a definição de que, de fato, é Lula nosso novo presidente, as tensões se afrouxaram, e instalou-se um clima de esperança e de diálogo. A esperança é diretamente proporcional às nossas taxas de desemprego, ao receio da volta da inflação, e outros problemas dos quais todos estamos tão conscientes. O diálogo espera-se que provenha e sinalize uma real maturidade dos atores diretamente envolvidos na transmissão de governo. Um governo é um sistema político pelo qual se rege um Estado; é um regime. Apesar do discurso extremamente moderado através do qual Lula conquistou a presidência, a esperança do povo é de que o sistema político corresponda aos interesses da Nação, seja voltado para seu efetivo desenvolvimento. Há um vento de boa vontade. Este vento poderá dispersar a nuvem de substâncias tóxicas que paira sobre a Ásia, e que foi tão divulgada antes da Rio mais 10? Passada a Cúpula, onde está essa nuvem, da qual ninguém mais fala? Infelizmente no mesmo lugar, só que agora ninguém mais ordering prescription drugs online without a prescription fala dela. Atualmente, o que não está na mídia não existe. Precisamos bem mais do que um vento de boa vontade. As notícias deste mês nos falam dos habituais desastres ecológicos: queimadas, vazamentos, comprometimento de solos e águas. Há, porém, a associação de um novo aspecto nestas notícias. Elas começa a ser expressas em valores monetários. As queimadas dão um prejuízo de 102 milhões ao ano. Empresas são multadas (importâncias elevadas) por danos ambientais. O Comércio de Carbono, um mecanismo de desenvolvimento limpo, é um mecanismo de comércio. Nossa organização sócio- econômica é baseada no mercado. A forma de entender passa pelo significado econômico do fato. Associar e entender que a preservação do meio ambiente tem um valor econômico é um passo para que os processos produtivos passem a ter menor impacto. E um passo importante, pois este argumento é facilmente entendido e assimilado. O passo seguinte que precisará ser dado é a reformulação da relação entre economia e sustentabilidade. ICMS ecológico, desmaterialização da indústria, novas fórmulas para o cálculo do PIB, são vários os temas cuja discussão, esperamos, free cialis without prescription nos levem um pouco mais perto de um mundo socialmente justo e ambientalmente sustentável. Bons ventos e boa leitura! Gerda Horn Caleffi Diretora do IBPS
Editorial
Não primavera, e sim buy drugs online without prescription clima de campanha eleitoral. Setembro e outubro este ano estão sendo marcados pelas eleições. É difícil caracterizar o clima de campanha como sendo um clima de renovação como é a primavera. Nesta, a natureza brota, folhas e sementes preparam frutos, tudo é novo e saudável. Quando o homem permite, a natureza na primavera é juventude e alegria.
A campanha eleitoral, apesar dos milhões de reais que custa, é pobre, é triste, é velha. Não trouxe renovação, não trouxe novidades.
Enquanto os candidatos e suas assessorias se empenham em atirar pedras entre si, buscando esqueletos nos armários dos adversários tentando esconder os seus próprios, perdem tempo e oportunidade preciosos para discutir com a população projetos efetivos de renovação social e econômica.
Que raro ensejo para, nos 40 minutos gratuitos de rede nacional de televisão, em vez de declamar textinhos superficiais bolados por marqueteiros, levantar para conhecimento e para esclarecimento, os temas que realmente compõem a problemática nacional e mundial. Pede-se um pouco de profundidade e sinceridade, não mais do que isto. Talvez um pouco mais, sim: a decisão de fazer um governo pelo povo e pela Nação, para seu crescimento e desenvolvimento.
Na nossa democracia, o voto respalda as decisões dos eleitos. É o voto que dimensiona seu poder. Como o governo pode contar com o apoio da opinião pública se esta não sabe do que se trata? Que respaldo político pode dar o voto da ignorância?
Na campanha, foram discutidas as razões da ingerência da OMC (Organização Mundial do Comércio) sobre as discussões cialis gel e decisões de Joannesburgo? Algum candidato alertou para a necessidade da redução do consumo, pelo risco do esgotamento planetário? A transgenia foi abordada cientificamente? O mercado de carbono? E não digam que o povo não entende. Talvez seja justamente porque o povo entenda muito bem é que os discursos fiquem tão etéreos.
O meio ambiente, este elemento fundamental da nossa sobrevivência, não entrou de forma consistente nas diversas plataformas. Todos falam do mercado. Que mercado teremos sem água, sem biodiversidade, sem agricultura?
Um pouco de utopia: 40 minutos de rede nacional para discussão, em profundidade, dos problemas nacionais (e internacionais) e as diferentes possibilidades para suas soluções. Com seriedade e honestidade.
Gerda Horn Caleffi
Diretora do IBPS
Editoral do Mês de Agosto
Com o evento Rio + 10, o tema Desenvolvimento Sustentável ganhou destaque em todos os setores da mídia. A imensa nuvem de 3 quilômetros de altura que se desloca sobre a Ásia teve fotos e comentários. A escassez e poluição da água teve fotos, comentários, até capa de revista. Algumas revistas lançaram edições suplementares abordando o tema.
As vozes levantam-se, apontam problemas, conclamam por soluções. A adoção de modelos de Desenvolvimento Sustentável é uma unanimidade, um consenso, é dita uma necessidade.
Somos informados de que a Cúpula de Joanesburgo abriu com um clima de otimismo.
Otimismo, “atitude em face dos problemas humanos ou sociais que consiste em considerá-los passíveis de uma solução global cheap cialis professional positiva do que pode resultar uma atitude geral ativa e confiante…”. Nada mais adequado para o momento do que a definição de otimismo do nosso eterno consultor Aurélio.
Os problemas humanos, e, portanto, os problemas sociais, carecem de uma solução global positiva. Porque somos todos seres de uma mesma espécie, porque dependemos de um mesmo planeta, porque decisões e ações adotadas atingem a todos.
Porém, o otimismo encobre, no fundo, o pessimismo. A atitude de considerar os problemas passíveis de solução, implica, em que os problemas possam não ter solução.
O Desenvolvimento Sustentável não é uma unanimidade?
Exclusão social: pobreza, phentermine online without a prescription doença, falta de trabalho/emprego. Adoção de processos poluidores, uso de fontes não renováveis de matéria prima para geração de energia. O profundo abismo entre ricos e pobres. Todos assuntos da Rio + 10.
Então o que? Por que todos os países não assinaram, de imediato, o Protocolo de Quioto? Ah, os interesses específicos de grupos, que não podem correr o risco de ser contrariados. E estes interesses são econômicos.
No momento em que é cogitado que os acordos ambientais internacionais devam ser submetidos à Organização Mundial de Comércio, está selada a subserviência do meio ambiente a estes interesses econômicos.
O que se depreende então é que o de que necessitamos é muito mais do que um novo modelo de desenvolvimento, mesmo que se esteja falando de consumo, energia renovável, preservação da biodiversidade. O de que necessitamos é uma nova ética de vida.
Gerda Horn Caleffi
Diretora do IBPS
Editorial
A velocidade de nossas vidas está tomando um ímpeto tão intenso, que falar, no ano 2002, no novo milênio já parece um tema ultrapassado.
No entanto, dos 100 anos de um século, passaram apenas 18 meses. Pela velocidade das transformações, crianças com 10 anos de diferença entre si já parecem ser crianças de duas gerações diferentes. Neste quadro, um instrumento importante é o computador, ágil, que obriga, principalmente os mais velhos, a adquirirem novas habilidades.
Como em todas as situações neste nosso Planeta de oposição e complementaridade, o novo milênio tem aspectos positivos e negativos.
O desenvolvimento eletro- eletrônico aproximou o mundo e gerou comodidades antes não pensadas: podemos assistir à Copa em tempo real, cruzar o Atlântico em poucas horas, falar em vídeo- conferência com diversas pessoas em diversos países ou continentes. Para nós, que estamos produzindo e lendo um boletim eletrônico, este é o mundo atual e real. Somos os que vivem no III Milênio como se ele já fosse ontem, um passado do qual não se fala mais. Mas somos apenas uma parcela dos 6 bilhões de habitantes da Terra. Os outros vivem ainda naquele passado, cortando lenha para cozinhar, tomando água de bica. Parece exagero? Não é. Pior. O progresso do conhecimento está deixando atrás de si um rastro de água contaminada, uma lenha poluída com agrotóxicos, animais contaminados com poluentes orgânicos. Dos contrastes do nosso momento, o mais grave rimonabant sale é, sem dúvida, o da exclusão social. O problema mais sério a ser resolvido é o da contaminação ambiental que o progresso está gerando, pois, se envenena hoje a alguns, amanhã estará envenenando a todos e inviabilizando a sobrevida em nosso Planeta.
Mas a geração dos brinquedos eletrônicos está aprendendo, de forma consciente, que é preciso uma Produção mais Limpa e que a ecoeficiência é uma necessidade. A aquisição do paradigma online pharmacy without a prescription do Desenvolvimento Sustentável fará com que esta geração transforme nosso mundo de contrastes excludentes em um mundo de justiça social.
Gerda Horn Caleffi
Diretora do IBPS
Se fosse…. como seria?
Há mil ditados, não sei se correspondem à mil verdades. Não chores o leite derramado, poderia ser um outro título para esta idéia que vamos esboçar. Ou então, há um certo componente de covardia em dar diagnósticos, com ar de sabedoria, depois que aconteceu o que aconteceu, depois que o leite já foi derramado.
Pois vamos chamar um gato, e oferecer-lhe o leite. Ele se deleitará. (Que trocadilho! ) Mas talvez é isto que precisamos fazer. Deleitar , olhar o que foi derramado, e perguntar: porque?
O que existe hoje em relação ao meio ambiente? Muitas palavras, alguns problemas. Buraco da camada de ozônio, aquecimento global, impactos na água, no solo, no ar, impacto sobre a saúde de animais e vegetais. Não são alguns problemas, são muitos, não escapou quase nada. Escapou alguma coisa? As palavras que descrevem estes problemas, são adequadas, são verdadeiras, são construtivas?
O que se constata é que estamos frente a um modelo produtivo que compromete toda a biosfera. E que admitimos que as informações sobre este modelo possam não ser tão confiáveis buy prescription drugs without a prescription como precisaríamos que fossem.
O que nos levou a adotar sistemas de produção que comprometem a camada de ozônio, ou que poderão fazer o nível dos mares subir de forma a fazerem desaparecer cidades como Rio de Janeiro, ou Los Ângeles, enfim fazer submergir as cidades que estão à beira mar? Talvez, o entusiasmo pela geração de riquezas, pela promessa de melhora de nível de vida, de comodidade e bem estar para a humanidade. A ilusão de que este bem estar pudesse ser para todos, do norte ao sul, do oeste ao leste. Um entusiasmo baseado na ignorância. No desconhecimento de que poluentes orgânicos persistentes pudessem comprometer a capacidade procriativa dos animais e dos homens. Na imprudência de intensificar o volume de produção em escala geométrica, sem preocupação com possíveis efeitos secundários.
O que temos até agora? Um entusiasmo, o que seria da vida sem o entusiasmo? É uma ilusão. É também o sonho que embala a vida. Mas, temos também a ignorância e a imprudência. Quando se constata que os tomadores de decisão agem sobre tais bases erráticas, e nos perguntamos: porque?, ocorre-nos que talvez se esteja delineando uma questão ética. Responsabilidade, responsabilidade perante a humanidade, perante o planeta, where can i buy cialis perante o outro. Neste quadro justifica-se perguntar se as informações veiculadas são os não fidedignas. Em todos os níveis, cabe hoje a pergunta: Será verdade? Será a verdade verdadeira?
O que leva uma sociedade à falência de valores éticos? Vamos deixar este leite derramado para que nossos gatos – internautas, nos respondam.
Gerda Horn Caleffi
Diretora do IBPS


