Mecanismos de Desenvolvimento Limpo
Tendo ministrado diversas palestras sobre o tema, o presidente do IBPS, Carlos Adilio Maia do Nascimento, vem sendo um profundo estudioso das alternativas para instituição de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo no Brasil, sempre dentro de uma visão que possa nos levar à implementação de um modelo mais sustentável aos sistemas de produção. Para transmitir um pouco deste conhecimento Carlos Nascimento concedeu esta entrevista, no sentido de tentar prestar à todos um breve esclarecimento sobre o que são, para que servem e como devem ser desenvolvidos os MDLs. Para falar sobre MDL é necessário falar primeiro sobre o documento que o institui, o Protocolo de Quioto. É neste documento que está contida a iniciativa da criação de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL ou CDM(Clener Development Mecanism) como é denominado o termo em inglês. O efeito estufa e o Protocolo de Quioto O efeito estufa é um fenômeno natural que tem como função proteger o planeta do esfriamento demasiado que impediria a vida na Terra. Como se fosse um cobertor formado por gases envolvendo e aquecendo o planeta, protegendo-o do congelamento. Porém, a alteração da espessura deste cobertor causada pela enorme emissão de gases à atmosfera vem causando um aquecimento demasiado, ameaçando o equilíbrio climático terrestre. A consciência desta realidade por parte de vários países do mundo e a preocupação com as conseqüências que já começavam a afetar a qualidade do clima da Terra, deram início às primeiras iniciativas em torno da problemática ambiental. Dentre estas ações, uma conferência das Nações Unidas ocorrida na década de noventa deu origem a um importante documento denominado Protocolo de Quioto. - Em dezembro de 1997 se realizou a 3° reunião de cúpula da conferência das partes das Nações Unidas, em Quioto, no Japão. Nesta conferência foi assinado por 39 países desenvolvidos o Protocolo de Quioto, um documento que inclui metas e prazos relativos a redução ou limitação das emissões de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pela intensificação do efeito estufa. A recusa americana
A relutância de nações grandes emissoras dos gases responsáveis pelo efeito estufa em assinar o protocolo causa contestação e revolta por parte de muitos países signatários ao que foi proposto em Quioto, principalmente em relação a funcionalidade do protocolo enquanto países como os EUA se mantiverem em descaso e descomprometimento com relação ao cumprimento deste documento.
- Algumas nações assinaram com certa relutância, entre eles os EUA, país que é o maior emissor de gases do efeito estufa. Apesar do representante dos EUA nesta conferência ter assinado o Protocolo de Quioto, impôs a condição de que o documento fosse ratificado pelo congresso americano, fato que não ocorreu até hoje e que vem gerando um tumulto internacional, pois, sabe-se que enquanto o congresso dos EUA não ratificar o protocolo, de pouco generic drugs o mesmo poderá ser válido, pois este país representa o maior emissor de gases contribuintes à intensificação do efeito estufa, principalmente o CO2. Quase 50% da emissão de CO2 é feita pelos EUA.
- O Protocolo de Quioto institui – e é importante ressaltar que isto foi uma iniciativa proposta pela delegação brasileira que estava presente naquela conferência, o chamado CDM – Cleaner Development Mecanism, hoje traduzido para MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Este MDL instituído no Protocolo de Quioto tem como objetivo a diminuição dos gases de efeito estufa nos países em desenvolvimento através de sumidouros de carbono.
Sumidouros de carbono, conceito
- Os sumidouros de carbono representam sistemas naturais que fixam carbono, como, por exemplo, uma floresta. É sabido que todos os vegetais se desenvolvem através da fotossíntese, que é um milagre da natureza e que consiste na fixação do carbono, em presença da clorofila dos vegetais com a luz solar, transformando-o em celulose. Por isso as florestas são ditas sumidouros de carbono. Porque elas captam o carbono da atmosfera e, por fotossíntese, o convertem em celulose.
A finalidade dos MDLs
- A intenção do Art.12 do Protocolo de Quioto, que institui o MDL, é de que aqueles países responsáveis maiores pelas emissões de CO2 possam , enquanto não conseguem diminuir suas emissões, investir capitais em países que tenham potencial para isso na produção de sistemas agrícolas fixadores de carbono da atmosfera. Então, as nações que emitem CO2, até que consigam Ter o tempo suficiente para reconversão do seu sistema de produção para sistemas de menor emissão de gases nocivos, poderão pagar países que tenham potencial para desenvolver sistemas de sumidouros de carbono, como o da floresta que se falou a pouco.
Exemplos de “duplo MDL”
As florestas são exemplos de sumidouros de carbono, mas não são os únicos, existem várias formas de fixação de carbono, entre estas, algumas com dupla função de MDL.
- Uma plantação de oleaginosas, a mamona por exemplo, durante o ciclo vegetativo, cresce rapidamente e produz uma semente que dá um óleo vegetal. Durante o período de crescimento de uma plantação de mamona, está sendo fixado carbono do ar, então, na constituição do corpo físico da planta houve uma fixação considerável de carbono do ar. Além disto, essa planta produz uma semente que dá um óleo(o óleo de mamona ), que substitui o óleo diesel, um combustível fóssil grande emissor de CO2.
Desta forma, uma plantação de mamona com a finalidade de obter óleo vegetal que substitua óleo diesel do petróleo é um duplo MDL, porque fixa carbono durante o ciclo vegetativo e produz uma semente que dá um óleo que substitui o diesel.
Assim como as florestas fazem isto, as algas também fazem. Qualquer sistema vivo vegetal fixa carbono no seu ciclo vegetativo, no seu ciclo de vida.
Então veja como é importante este conceito de MDL. Os sistemas de algas, os grandes sistemas de vida marinha podem ser enquadrados em Mecanismos de Desenvolvimento Limpo.
O potencial agrícola brasileiro para a implementação de MDLs
- Eu posso assegurar que é enorme. E investimentos em projetos neste sentido são muito importantes em um país como o Brasil, que tem um imenso potencial agrícola e grandes espaços ainda a serem incorporados como áreas de produção neste setor. O Brasil possui uma insolação intensa, como poucas regiões do mundo, e tem mananciais de água que possibilitam pensar numa super agricultura, intensamente desenvolvida sobre todos os aspectos. Então, a possibilidade de o Brasil, através da agricultura, constituir grandes mecanismos de desenvolvimento limpo e atender ao Protocolo de Quioto diminuindo as emissões e fixando o carbono existente no ar são quase ilimitadas nesta área.
Meio ambiente : o mundo de olho neste país tropical
- Já está comprovado que o nosso país tem possibilidades muito grandes nesta área, e o mundo todo está voltado hoje para o Brasil identificando as nossas grandes vantagens comparativas no setor de produção agrícola. E eu acredito que isto é muito importante para nós porque poderá trazer para o país uma grande quantidade de capitais, que virão para cá não como capitais de especulação, para apenas ganhar dinheiro nas bolsas e nas oscilações cambiais. Estes capitais virão para se incorporarem em sistemas de desenvolvimento limpo, o que é muito bom para a natureza, para o meio ambiente, e que deverá gerar aqui empregos, riqueza para o país e uma distribuição de renda proveniente de capitais do exterior que venham para envolverem-se em sistemas de produção altamente convenientes, como é o caso dos mecanismos de desenvolvimento limpo. Então, sob todos os aspectos, acredito que o momento é muito bom para o Brasil, pois o mundo está evoluindo para uma nova ordem de valores, e dentro desta nova ordem os cuidados ambientais, a percepção da importância da ecologia é fundamental. Nós estamos assistindo uma evolução rápida da mentalidade mundial em direção à ambiência, como é hoje chamada esta ciência que trata do meio ambiente e todas as suas interações.
Investimentos em MDL, créditos de carbono, commodities ambientais
Mecanismos como seqüestro de carbono ou diminuição e controle de emissão de gases podem se tornar fontes adicionais de recursos, desde que adequadamente implementados.
- Com relação aos mecanismos de desenvolvimento limpo, é importante salientar que para que os capitais venham ao Brasil com a intenção de se envolverem em sistemas de MDL é necessário que o país crie condições propícias e que tenha projetos neste sentido. Uma iniciativa que acho importante citar é a do BNDES- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social que, ano passado, resolveu criar um certificado de redução de emissões de CO2. Isto é um ativo financeiro, quase uma moeda, é um título que é comprado por capitais externos que vêm para se envolverem nestes projetos de MDL. Um papel que certifica que um determinado projeto, um determinado sistema de produção está cooperando para a redução das emissões de CO2. Então ele é um MDL ou um CDM como diz no Protocolo de daily cialis cost Quioto.
- O BNDES também elaborou um guia de implantação de CDM, que se constitui em um livro que orienta como montar um projeto de MDL. Na minha opinião, este é um documento muito importante, que vai possibilitar que no Brasil se elaborem grandes projetos de desenvolvimento limpo e se coloquem estes papéis à venda no mercado interno e no mercado financeiro internacional para que os capitais, no momento em que comprem estes certificados, estejam se envolvendo e aplicando recursos na formação de sistemas de MDL no Brasil. Esse é o futuro! E isto é muito bom porque ao invés de nós estarmos recebendo no país capitais especulativos, como estamos recebendo no momento e que vêm criar um situação de instabilidade na nossa economia, na nossa sociedade, nós estaremos recebendo capitais sadios que virão para permanecer e se envolverem nestas atividades caracterizadas tecnicamente como MDL.
O outro lado da questão
Apesar das enormes vantagens que parecem provir dos MDLs, a questão vem sendo alvo de críticas por parte de alguns grupos que direcionam suas opiniões dentro de um outro ponto-de-vista.
- Dizem, principalmente alguns ecologistas, que o CDM institui o direito de poluir. Então, aqueles países que estão emitindo gases do efeito estufa, em principal o CO2, através de um pagamento a um outro país que tenha potencial para implantar sumidouros de carbono, continuarão sujando a atmosfera emitindo os gases do efeito estufa. Isto de certa forma procede. Acontece que é preciso levar em conta que os sistemas mundiais de produção que funcionam atualmente, na sua maioria usando combustíveis fósseis, bem como a frota automotiva do mundo que é movida essencialmente por combustíveis derivados do petróleo, necessitam de um tempo de reconversão.
- Para que esse perfil de consumo energético mude é preciso tempo. Isto não acontece em 1 ou 2 anos. É preciso toda uma mentalização, um programa, planos de investimento, linhas de crédito específicas para que estas empresas se reconvertam para um modelo energético com menor emissão de gases. Então, enquanto esta reconversão não acontece, o CDM abranda esse impacto da emissão de CO2 e gases do efeito estufa para a atmosfera através destes sistemas de sumidouro de carbono, como já foi explicado, transformando o carbono em celulose através dos sistemas vegetais e produzindo combustíveis como óleos vegetais e álcool, que substituam aqueles derivados do petróleo e carvão e que são os maiores responsáveis pelos gases intensificadores do efeito estufa. Então, enquanto se dá o tempo necessário para que a mudança da matriz energética mundial possa tornar-se realidade, o MDL me parece extremamente importante. Por isso acho válido reconsiderar esta crítica de que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo consiste no direito de pagar para poder sujar e tentar entender de outra forma. O CDM é uma maneira de fixar carbono, de diminuir o efeito estufa através de sistemas de desenvolvimento limpo e de amenizar os problemas do efeito estufa e as alterações climáticas decorrentes destes problemas.
A mudança que provém da educação, do entendimento e da conscientização
- A matriz energética do planeta deverá se reconverter através do entendimento que já está acontecendo e ocorrendo rapidamente no mundo, da necessidade de energia mais limpas de sistemas de menor impacto. As novas gerações estão cada vez mais conscientes disto, e os países estão desenvolvendo programas significativos de educação ambiental. O Brasil mesmo está iniciando uma grande campanha neste sentido com apoio do atual governo. Eu acredito que a médio prazo a matriz energética mundial se tornará mais limpa, emitindo menos gases de efeito estufa. Os MDL também serão grandes sistemas geradores de empregos, grandes instrumentos de distribuição de renda aos países em desenvolvimento sob todos os aspectos. Isto será muito importante sobretudo para o Brasil que detém, senão o maior, um dos maiores potenciais para estabelecer sistemas de desenvolvimento limpo.
Atuando há mais de 10 anos com as questões relacionadas ao Meio Ambiente, Produção mais Limpa e Tecnologias Limpas, Carlos Adilio Maia do Nascimento foi coordenador do CODEMA- Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente, da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e membro do COEMA- Conselho Temático de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Indústria.
A partir de 1995, coordenou a implantação no Brasil do Programa de Produção mais Limpa ONUDI / PNUMA, tendo sido diretor do Centro Nacional de Tecnologias Limpas do SENAI até janeiro de 2001. Atualmente, é diretor da Empresa Nacional de Tecnologias Limpas- ENTL e presidente do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental- IBPS.
Produção e desenvolvimento – Comunicação IBPS
O Meio Ambiente e a Fragilidade Institucional – Parte II
No boletim anterior apresentamos a primeira parte de uma longa conversa com Shelley Carneiro, que presidiu por sete anos a Câmara Técnica de Controle Ambiental do CONAMA. Num depoimento franco, o ex-presidente relatou a realidade das instituições ambientais brasileiras, com seus desajustes organizacionais, seus problemas de representatividade, entre outras deficiências. Shelley apontou os aspectos positivos e negativos do órgão que estabelece as normas ambientais no Brasil, mostrando a nossa frágil condição institucional frente aos graves problemas que estamos enfrentando e apontando, com otimismo, novos caminhos.
Dando continuidade ao conteúdo abordado na primeira parte, Shelley Carneiro fala agora sobre a importante função do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA no processo democrático e na construção do desenvolvimento sustentável.
O papel do CONAMA no processo da sustentabilidade
Apesar das instituições terem diversos defeitos, como serem lentas e burocráticas, para Shelley, cheapest online cialis elas tomam agora uma força violenta se pensarmos que estas organizações estão passando por um processo e que elas vão começar a ter que se modificar. Acontece que essa mudança precisa ser sustentável. Para isso: participação, integração e dinamismo devem fazer parte dos medicine without prescription ingredientes principais.
- O CONAMA pode ser um grande elo dessa ansiedade da sociedade em relação aos problemas ambientais se tiver alguns pontos importantes.
A interatividade institucional
- Primeiro, ele tem que interagir. Não apenas com o Congresso Nacional, mas com a sociedade como um todo, através de representantes que sejam realmente representativos e que tragam não apenas as suas necessidades pessoais, mas as necessidades de uma classe; da sociedade em que ele vive, e que isso possa ser colocado e enfrentado por todos. Essa interação é fundamental não apenas entre si – CONAMA para CONAMA -, conselho e membros que estão ali representados, mas também do CONAMA para fora, com o Congresso Nacional e todas as instituições sociais. Sem isso, o problema de representatividade do conselho fica muito abalado.
A responsabilidade compartilhada
- As questões ambientais também precisam sair deste viés de que os problemas do meio ambiente são só do CONAMA, eles têm que permear todas as instituições para que tenham força na realidade. Você não pode tomar uma decisão sem que a mesma esteja embasada em um plano multidisciplinar, levando em consideração toda uma cadeia.
O dinamismo necessário
- O mundo hoje é dinâmico e temos que estar abertos, constantemente modificando nossos pontos- de- vista. Não podemos estagnar e achar que seremos da mesma maneira daqui há dez anos. Então esta dinâmica, esta velocidade que a sociedade precisa ter, as nossas instituições precisam ter também. Elas tem que ser mais abertas. Se elas querem conversar com a sociedade elas tem que criar instrumentos mais modernos e adequados à essa realidade, que tornem estas instituições realmente eficazes dentro de um mundo com uma velocidade fantástica de modificações. A legislação precisa ter dinamismo acima de tudo. Uma lei que funciona hoje pode estar totalmente ultrapassada amanhã. Então é preciso uma dinâmica institucional. A gente tem que aprender a fazer isso.
Os primeiros passos de uma conexão interinstitucional
- Eu acho que começam a se criar algumas pontes nesse abismo que distancia a relação entre o CONAMA e o Congresso Nacional, algumas ligações interessantes que antes não existiam. Agora, o próprio ministério está levando seus grandes projetos. Foi assim com o Código Florestal, foi assim com a Política da biodiversidade, com a Lei das Águas, a Lei de Crimes Ambientais; que tiveram uma participação ativa no Congresso Nacional. Apesar de ter começado há pouco tempo, eu acho que isso é uma revolução, pois é fundamental o apoio do lado político. Para se ter uma idéia, raramente você tem uma grande liderança política para a área ambiental dentro do congresso. Nós tivemos Fábio Feldman, que, apesar das muitas críticas sofridas, para mim, foi uma liderança. O Fábio chegou, teve coragem, bateu, fez seminários, lutou e apareceu. O Fernando Gabeira tentou, mais de uma maneira um pouco distante, um pouco mais intelectualizada, e acabou não atingindo tanto como se esperava do Gabeira, nesse aspecto do PV( Partido Verde) do Rio.
Uma visão otimista da integração e representatividade
- A própria participação maior de alguns segmentos já está criando uma estrutura, canais que permeiam mais àquelas instituições que precisam ser representadas. Não apenas a CNI- Confederação Nacional da Indústria, sindicatos patronais, dos trabalhadores, ONG’s. Sem dogmatismo, sem radicalismo, mas trazendo o problema e negociando com seriedade e um objetivo conjunto, isso é fundamental.
A importância do CONAMA no desenvolvimento social
Por maiores que sejam as deficiências oriundas de todo um sistema errado em andamento, o CONAMA poderá vir a ser um importante canal para o desenvolvimento social.
- Errado ou certo, atualmente, com os instrumentos que se tem, o CONAMA é um caminho democrático bastante interessante. Ele tem uma função muito especial dentro desta nossa sociedade que é tão autocrata e na qual as instituições ainda estão sendo trabalhadas de uma maneira bastante direcionada – em cima apenas do econômico e de interesses de pequenos grupos -, porque o CONAMA cria a oportunidade de você ter suas ansiedades e poder ir lá criticar, e isso é muito bom. É aí que a sociedade vai crescer, se colocar, começar a exercer sua cidadania e a se politizar. É com esses instrumentos que se começa a desenvolver a sociedade.
- É essencial não esquecermos que o CONAMA possui deficiências que são fruto de todo um contexto errado no qual ele está inserido e que também precisa aperfeiçoar-se. Ainda assim, o CONAMA é uma instituição muito importante porque cria a oportunidade de você poder criticá-la, porque ela existe e porque está procurando melhorar. A maneira como o Conselho está organizado hoje terá que sofrer ainda muitas modificações para que possa ser eficiente. Para isso é preciso vontade, coragem e decisão, qualidades que muitas vezes faltam dentro dos mecanismos que nós temos. Contudo, se você me perguntar se ele é útil, eu digo que é. O que eu questiono na dificuldade de mobilização do CONAMA é toda essa rede burocrática que foi criada e que funciona ineficiente.
Instrumento da sociedade
- Para você criar um sistema democrático você precisa ouvir a sociedade, desenvolver instrumentos que a mobilizem e a preparem para enfrentar uma realidade ou contribuir de uma certa forma com uma política, uma lei, com algo que a mesma esteja precisando para resolver os seus problemas. E o CONAMA é isso. O CONAMA é um processo em formação muito interessante e que tem tudo para crescer. Agora ele precisa ficar atento para a necessidade de estar sempre buscando a discussão dos problemas ambientais vividos com a sociedade, para que construa realmente a sustentabilidade dentro de um processo muito mais amplo. Ele tem tudo para ser a ponte para que isso ocorra. Porque o CONAMA não é do Ministério do Meio Ambiente, é um conselho da sociedade.
A mudança, a inércia burocrática e o poder da sociedade organizada
- É importante a compreensão de que nós estamos vivendo um processo. De uma certa forma você questiona os paradigmas que estão aí, procurando adaptar o mundo a esse dinamismo que existe e que nós temos que ter para que possamos acompanhar as mudanças, que hoje são rápidas demais. E a sociedade tem que se adaptar a isso. Nós estamos começando a modificação de um processo que precisa ter uma velocidade adequada à realidade, e muita coisa ainda está brecando isto. Há uma estrutura ainda muito burocratizada no governo, o que causa um imobilismo. As reações e as respostas são lentas demais para as necessidades cada vez mais exigentes das mudanças que estão aí. Cada vez mais as modificações requerem maior flexibilidade para que você possa conseguir os resultados que precisa. E falta ainda aos nossos políticos uma visão mais integrada das regiões que eles representam com o resto do país. Ou os problemas são focados demais em interesses muito pequenos, ou eles esbarram com essa inércia do próprio Congresso Nacional. Ao mesmo tempo, as suas necessidades estão ali. Você tem que comer, você tem que viver… As coisas começam a acontecer e as pessoas não vão mais esperar o governo se decidir. Então começa a haver uma mobilização, sem que o governo tome parte dessa mobilização. E é isso que vai modificar a sociedade brasileira. Essa é uma das grandes mudanças. A sociedade vai começar a colocar essas estruturas pesadas, ultrapassadas, dentro de um ritmo totalmente diferente. Ou a estrutura se adapta, ou a sociedade vai tomar o seu ponto- de- vista.
O problema ambiental é responsabilidade de todos
- O problema ambiental não é apenas do Ministério do Meio Ambiente, é de todos os ministérios e de toda a sociedade. Precisa haver uma mobilização hoje no Brasil, e em todo o mundo, para que ocorra uma real interatividade. Somente assim vamos conseguir sair para algo diferenciado. A própria maneira hoje dos ministérios trabalharem é totalmente fragmentada, e uma fragmentação que tem pesos totalmente diferentes. Hoje você pensa: Economia é a base. Então, o Ministério da Economia fica em primeiro lugar, é o principal, enquanto o Ministério da Educação e Cultura é marginalizado a um mero processo paralelo. Os próprios ministérios não se conhecem. Não há interação. São aquelas casas imóveis, cada uma preocupada com o seu processo. Então a parte institucional precisa criar mecanismos para que todo o processo possa interagir de uma maneira eficiente.
- O nosso sistema, por ele ser pouco representativo, como eu já havia dito anteriormente, e os conselhos são pouco representativos e tem muita gente que torce para que eles sejam assim, eles tem pouca penetração dentro do arcabouço que nós criamos aí, seja o arcabouço jurídico, seja o de responsabilidades. Nós não vamos crescer no mundo hoje se não tivermos vontade política, e para isso é preciso que os nossos representantes sejam bem informados, estejam abertos à informação, participem mais do processo, sejam mais diversificados. Às vezes um pouco mais generalistas do que simplesmente técnicos ou burocratas dentro de um processo, mas, principalmente, mais ecléticos no seu conhecimento. Capazes de interagir no seu setor de representação com os problemas da nação, e não tomando decisões simplesmente em cima de pequenas dificuldades, mas de um problema maior e de uma forma mais integrada. É um processo do mundo a integração.
Shelley Carneiro foi presidente da Câmara Técnica de Controle Ambiental do CONAMA e presidente do CEMA- Conselho de Empresários para o Meio Ambiente da FIEMG. Atualmente, é titular da SC Empreendimentos.
LEIA TAMBÉM
A Agenda 21 e as perspectivas do desenvolvimento sustentável
, onde Shelley Carneiro comenta sobre a Agenda 21, sua aplicação, e as perspectivas para a sustentabilidade após Joannesburgo.
A Agenda 21 e as perspectivas para o desenvolvimento sustentável
Ainda durante a mesma entrevista que resultou nos textos “O Meio Ambiente e a Fragilidade Institucional – Parte I e II”, o ex-presidente da Câmara Técnica de Controle Ambiental do CONAMA, Shelley Carneiro, falou um pouco sobre a importância da Agenda 21 e sua aplicação, a dificuldade das negociações e as perspectivas para o desenvolvimento sustentável após Joannesburgo. E é sobre isso que você vai ler agora.
Agenda 21, realidade ou utopia?
Na Conferência da Organização das Nações Unidas de 1992 – a Eco 92, realizada no RJ, onde participaram quase a totalidade dos países vinculados à ONU(cerca de 170 países), foi acordado, pela maioria das nações presentes, a implementação do desenvolvimento sustentável através do cumprimento de uma agenda denominada Agenda 21. Tomando como base esse documento, os países deveriam começar a elaborar, a partir daquele momento, a sua própria Agenda 21, adequada às necessidades e aos potenciais específicos de cada região.
Em julho deste ano, o agora ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lançou a Agenda 21 Brasileira. Segundo noticiaram os jornais na época, a Agenda apresentada no final do governo FHC deverá servir como base para a elaboração do plano plurianual de governo para o período de 2004 a 2007.
Entretanto, a prática das intenções descritas na Agenda 21 ainda é uma incógnita. E as mesmas ações que no papel parecem construir a sustentabilidade, correm o risco de serem inviabilizadas quando em choque com a concreta realidade.
- A Agenda 21 é um grande instrumento, mas eu acho ele muito genérico. Você precisa criar ferramentas para que se torne realidade, para que ele seja realmente útil à sociedade, o que por enquanto não acontece. A Agenda 21 ainda é um mundo de boas intenções, sem nada configurado em termos práticos. É necessário primeiro vontade política para conseguir aplicá-la, o que muitas vezes não se tem. É fundamental também o apoio da sociedade.
Sem contestar a relevância da existência de uma legislação nesse sentido, Shelley ressalta que é preciso começar a pensar seriamente no cumprimento desta Agenda, principalmente no que diz respeito à viabilidade de determinadas ações quanto colocadas em prática.
- Eu tenho visto inúmeras leis muito bonitas, muito interessantes. Porém, distantes de uma realidade concreta. De que adianta um país que muitas vezes possui leis no papel apenas para mostrar que tem uma lei ambiental, leis inaplicáveis na realidade daquela nação, seja por falta de recursos, de consciência, de punição real?
Um cheap cialis brand name exemplo
- A Política da Biodiversidade que foi apresentada pelo Brasil em Joannesburgo, ela é apenas uma proposta, não temos nada concretizado na realidade. Se nós tivéssemos uma Política Nacional da Biodiversidade que realmente, todos nós, achássemos prioritária, como foi o problema do apagão, por exemplo, as medidas seriam aplicadas rapidamente. É preciso parar de esperar a coisa estourar para que se tomem medidas práticas. E é por isso que eu digo que a grande saída é a vontade política.
A decepção de Joannesburgo e a problemática dos grandes encontros
Muito alarde em torno de grandes eventos parecem acabar gerando apenas uma enorme frustração. Pois, na volta para casa, são poucos os resultados trazidos na bagagem.
- Quando se fala que Joannesburgo foi um fracasso, realmente, dentro dessa grande expectativa da sociedade foi mesmo um fracasso. Atualmente, todo o grande evento internacional passa pela mesma dificuldade. Porque é muito difícil você mexer com o mundo todo, cada um com seus problemas, e problemas complexos. É ilusão você chegar lá e achar que vai ter soluções para eles, você não vai ter mesmo. Culturalmente, o mundo ainda tem seus problemas muito distintos. Aqui no Brasil você já possui dificuldades tremendas, às vezes de município para município as coisas já se diferenciam tanto.
Outra questão importante, segundo Shelley, é que com o tempo as negociações vão se tornando cada vez mais complexas, dificultando ainda mais a busca de soluções. Os problemas de hoje são mais complexos que há dez anos atrás, e a tendência é que daqui há dez anos sejam mais complicados ainda.
- No entanto, todas estas discussões têm uma influência muito importante como elemento de divulgação, pois ajudam a aumentar os instrumentos de controle da sociedade, a percepção e a conscientização das pessoas com relação aos problemas ambientais.
A equivocada visão parcial da sustentabilidade
- Quando se fala em manejo sustentável , é preciso levar em consideração que às vezes ele é um pouco mais complicado do que aquilo que se pensava. Ele é importante, é. Mas é preciso que você note que está num processo e que ele é diferente para cada caso. Muitas vezes algumas tomadas de decisão não levam em conta uma mudança de paradigma que precisa ser feita gradativamente, porque você vai estar mexendo com valores, culturas diferentes. Por exemplo, todo mundo sabe que alguma medida tem que ser tomada para proteger a Mata Atlântica. No entanto, em outras épocas você incentivou o corte da Mata Atlântica, o próprio Governo fez isto. Então se criou uma rede de cidades e de pessoas que vivem economicamente em cima do corte da mata. De repente você diz: Acabou, não pode mais. Sem desenvolver alternativas e nem criar uma mudança gradativa dando opções àquelas pessoas que vivem naquela região. É preciso pensar e agir de maneira integrada. Vamos criar um sistema sustentável, mas antes, vamos educar as pessoas a trabalharem sustentavelmente.
O equilíbrio não é estático
Quando se fala em equilíbrio, muitas vezes pensamos em algo estático. E na realidade o equilíbrio não ocorre desta forma.
- O mundo hoje tem que pensar basicamente no equilíbrio dinâmico. Você vai sempre procurar o equilíbrio, mas este vai estar sendo modificado a toda hora. A sociedade precisa ter essa mentalidade hoje, principalmente quando se trata da questão ambiental.
Muitos problemas, pouca visão
- Muitas vezes você toma decisões em cima de alguma coisa, e você vai ser pego lá na frente, às vezes até a curto prazo, porque você não mexeu no todo, você mexeu só na parte. Isto está acontecendo muito, as decisões ainda são muito centralizadas.
A visão curta e fragmentada dos políticos com relação aos grandes problemas ambientais brasileiros é outro ponto importante a destacar.
- O problema da Amazônia, dos recursos hídricos, problemas da natureza, da biodiversidade, o efeito estufa; quer dizer, nós temos problemas enormes a resolver no Brasil que estão diretamente ligados com a qualidade de vida e com a riqueza, o progresso e o desenvolvimento econômico e social do país.
Você pode conseguir resultados bem imediatos na parte da economia, mas você pode três, quatro anos depois, cair do cavalo porque a coisa não se sustenta, porque você não levou em consideração diversos fatores que devem estar vinculados à essa idéia.
Um exemplo
- Você usa um recurso escasso, que vai acabar um dia, e faz um grande projeto para este recurso. Aí você degrada o recurso. Dali adiante você vai ter problemas de escassez, aumento de preço do recurso, uma série de fatores que muitas vezes vão inviabilizar tudo o que você fez. A tecnologia tem um avanço muito rápido atualmente, e precisamos ficar atentos a isso, porque, às vezes, um planejamento de hoje pode não se encaixar na realidade de amanhã. Os cabos de fibra ótica, por exemplo, 70% da fibra ótica do mundo, nos EUA, não receberam sinal ainda. Furaram buracos para todo lado, estenderam fibra ótica, a tecnologia já está ultrapassada e muita coisa talvez nunca vá receber nada. Exatamente porque a velocidade é tão rápida e a tecnologia já é vencida. Então se faz um trabalho imenso e não se utiliza aquele trabalho. Isso é um exemplo, existem milhões de exemplos.
A percepção da necessária visão do todo
- Você não pode tomar uma decisão sem que a mesma esteja embasada em um plano multidisciplinar, levando em consideração toda uma cadeia. Então é preciso ter essa percepção, que só poderá ser obtida através da integração de todos os elementos que estão naquela decisão que foi tomada. Hoje, com a globalização, você tem que extrapolar constantemente. Você está sofrendo a influência do mercado e a parte ambiental está diretamente ligada com as barreiras alfandegárias, pois o processo de modificação do mercado internacional implica exigências diferentes a cada dia, e é preciso estar atento porque, muitas vezes, o seu produto não entra lá, pois você não está consciente do problema ambiental e não adota as devidas medidas de proteção e prevenção.
O conceito de sustentabilidade
A própria compreensão do que é a sustentabilidade ainda é uma questão a ser pensada dentro de uma realidade concreta.
- O dia em que começarmos a enxergar a sustentabilidade como manutenção do todo, de todas as vidas do planeta, o desenvolvimento sustentável está nisso, se dará. O problema é que nos perdemos nesta idéia antropocêntrica de
que só nós existimos.- O Capra ( Fritjof Capra – Físico, Teórico e Escritor ) me disse uma coisa uma vez que acho uma grande verdade. Ele disse que o problema do mundo não é econômico, não é social. O problema do mundo é de percepção, porque a nossa percepção é em cima do que a gente conhece e a gente não conhece nada. A cada dia nos damos mais conta disso.
Shelley Carneiro foi presidente da Câmara buy drugs without prescription Técnica de Controle Ambiental do CONAMA e presidente do CEMA- Conselho de Empresários para o Meio Ambiente da FIEMG. Atualmente, é titular da SC empreendimentos.
O Meio Ambiente e a Fragilidade Institucional – Parte I
Diante dos sérios problemas que enfrentamos atualmente, a busca de um desenvolvimento sustentável passou a imperar como o caminho mais seguro à sobrevivência humana. Porém, sua conquista parece representar também o maior desafio às instituições e à sociedade brasileira.
Para discutirmos a questão do desenvolvimento sustentável em nosso país é importante conhecermos o órgão máximo que lida com o meio ambiente no Brasil, o CONAMA(Conselho Nacional de Meio Ambiente).
Sendo uma representação de várias instituições dentro de um conselho, o CONAMA tem a função de estabelecer as normas ambientais brasileiras.
Em um longo e sincero depoimento, dividido em duas partes, Shelley Carneiro, que presidiu por sete anos a Câmara Técnica de Controle Ambiental do CONAMA, relata a preocupante realidade das instituições brasileiras, mas mostra, com otimismo, que pode ser possível vencer os desafios da sustentabilidade através do aperfeiçoamento institucional e da participação de todos.
Nesta primeira parte da nossa história, você vai saber sobre o surgimento, as deficiências e a importância do CONAMA.
O passado ditatorial
- O CONAMA nasceu basicamente da necessidade do governo federal em responder às pressões ambientais que surgiam na época, principalmente por parte do mercado externo e pelas reivindicações do mundo como um todo.
Fundado em 05 de junho de 1984, o CONAMA nasceu sob a influência do último governo ditatorial, mais precisamente naquele período de transição do final de uma ditadura para a abertura de uma democracia. Este fato representa, segundo Shelley Carneiro, o primeiro problema do Conselho Nacional do Meio Ambiente.
- O primeiro grande problema do CONAMA é que ele não foi feito eqüalitário entre toda a sociedade, foi fundado sobre as regras de um regime ditatorial. Ele foi feito “chapa branca”, composto por 73 membros; desses 73 membros, 27 são dos governos do Estado e 28 do Governo Federal. A questão é que ele tinha que ter não só uma maioria do Governo Federal, mas uma maioria do Governo em si. Então o CONAMA nasceu sobre essa ética, e a sociedade civil, por conseqüência, ficou tremendamente prejudicada. Mesmo participando, não tinha voz ativa e na hora das votações dificilmente era ouvida. Sempre imperava uma certa ditadura política em cima do Conselho, até porque existia muito medo do CONAMA criar problemas, criar obstáculos ao setor produtivo, ao modelo econômico vigente e em plena ascensão na época.
Ao longo do tempo o CONAMA tentou sair disso e reestruturar- se dentro de um modelo mais democrático. Porém, existia um outro sério problema: a questão da representatividade.
A representatividade abalada
- O Conselho aprova uma regulamentação ou um decreto de acordo com os votos de seus representantes. No entanto, qual é a representatividade desse Conselho? Como as pessoas estão preparadas para representar determinado setor, para votar sobre um determinado tema? Qual o grau de envolvimento do representante com esse tema, para que possa votar uma lei realmente eficiente para a sociedade? Então esse é o segundo ponto.
Pelo fato de o CONAMA ser tão abrangente, envolvendo todas as questões relativas ao meio ambiente e suas imensas complexidades, juntamente com as deficiências organizacionais de todo um sistema em funcionamento no país, a questão da representatividade tornou-se um enorme obstáculo na busca soluções para os graves problemas ambientais que vivemos atualmente.
- A representatividade é hoje o grande problema dos conselhos e organizações que funcionam no Brasil. Apesar de estarem começando a sair disso, ainda há um fragilização extrema das instituições no nosso país, e o CONAMA não deixa de estar inserido neste contexto. As pessoas às vezes nem sabem o conselho que estão representando. Isto ocorre porque nós não temos representação. A nossa instituição está relegada a um segundo plano. Estão totalmente desfaceladas, precisando mudar, se transformar; e muitas vezes ainda não sentiram que estão em outro mundo. Por exemplo, as representações do Governo no CONAMA são representações feitas por uma série de pessoas que muitas vezes não tem o que fazer dentro do ministério, não tem muita atividade. Às vezes estão encostadas por alguns políticos, às vezes estão ali desmotivadas. Então você vai lá representar determinado setor para, na maioria das vezes, levantar a mão e votar de acordo com lobbys que são feitos, e isso acontece, é real, isso é a representatividade que temos.
A estrutura “desorganizacional”
O CONAMA é constituído por câmaras técnicas, que são câmaras específicas criadas para discutir determinados temas, desenvolver projetos, e encontrar soluções que possam resolver os problemas relacionados a esses temas. Até aí tudo certo. Porém, uma mistura de bagunça organizacional, burocracia legal e rixa pelo poder parece ter transformado as câmaras em mais um obstáculo na busca e de soluções.
- Além da questão da representação, um terceiro aspecto muito complicado no CONAMA é o problema da criação das câmaras técnicas. Mas antes eu gostaria de esclarecer que estou falando do CONAMA durante a minha época como presidente de uma das câmaras. Agora o Conselho começou a fazer uma nova organização, que foi a mudança do CONAMA há um ano atrás, eu estou falando antes.
Bem, as câmaras técnicas são câmaras especificas sobre determinados temas. Então se reúnem ali profissionais para tratar um assunto específico como, por exemplo, a questão da água. A câmara de água se reúne, estuda o problema, desenvolve o projeto e depois leva ao CONAMA para aprovação.
Acontece que o Conselho tinha 10 câmaras, funcionavam 2. O resto ninguém ia lá. Porque se você observar bem, ir lá para quê? As pessoas não são profissionais. Elas representam o servidor. Ir lá para não ganhar dinheiro , perder um dia nesse mundo competitivo, num mundo difícil como o nosso, gastar dinheiro, passagem, longe, em Brasília…
As pessoas muitas vezes iam na parte da manhã, participavam da reunião, e a tarde iam tratar de outros assuntos lá no congresso.
Isto é muito mostrado nas próprias reuniões. Você vai à uma reunião do CONAMA que dura um dia, pela manha você tem 80% das pessoas. Passou do meio- dia, baixa para 30%, 40%, ninguém fica lá, todo mundo assina presença e vai embora. Então é importante conhecermos estas deficiências de uma organização, porque é só conhecendo as deficiências que você consegue entender e melhorar, transformar aquilo em um elemento realmente útil para a sociedade. Para você ter uma idéia, quem menos participa do CONAMA é o Governo Federal. E quem mais ataca o Conselho são as instituições do próprio ministério do Governo Federal. Por quê? Porque não deixa de haver uma luta por poder. O CONAMA passa a decidir sobre o que os técnicos definem. E, às vezes, o tecnicismo demais leva a um certo egoísmo, a uma certa posse do conhecimento ou da idéia, e isso criava ao longo do tempo uma animosidade.
A disputa pelo poder
- Então existe, internamente, as pessoas que podem perder poder para o próprio CONAMA, que são os técnicos, as pessoas executoras.
Uma rixa interna que acaba gerando a falta de integração e cooperação, impedindo a troca de informações e trazendo um grave desfalque organizacional na hora de encontrar soluções.
Uma situação
- Uma vez eu estava coordenando um grupo, em uma das primeiras reuniões que fiz como presidente da câmara técnica, e eles estavam estudando o problema da queda da pesca de camarão em Florianópolis, SC. Nós éramos 7 pessoas discutindo numa câmara. Então eu perguntei : Quem aqui conhece sobre pesca de camarão? Não, ninguém. Eu era de Minas, lá nem mar tem. O outro era um advogado de Brasília, que também não conhecia nada. Resumindo, todo mundo ali só conhecia camarão no prato, e estavam discutindo sobre o futuro da pesca do camarão em Santa Catarina. Aí eu falei: Não, espera aí, para decidir isso eu queria aqui o presidente do sindicato de pesca da região , o representante ambiental do Estado de SC, empresários da pesca, pescadores, quer dizer, todo mundo aqui. Vamos convocar todos para vir aqui discutir e saber o que está acontecendo antes. Depois que estiver todo mundo bem informado do assunto, com todos os esclarecimentos, aí sim vamos votar, vamos procurar algum caminho que seja o mais adequado para levar ao CONAMA. E assim foi feito.
As atribuições extrapoladas
Depois que um projeto é desenhado, existe toda uma hierarquia legal pela qual este projeto passa até sair aprovado sob a forma de uma resolução.
- Aí vem o terceiro item. O CONAMA tem uma série de responsabilidades, de atribuições instituídas por lei. As coisas que ele deve fazer e que ele tem competência para fazer. Acontece que, muitas vezes, essa competência é extrapolada, seja por falta de conhecimento do assunto ou por uma série de outros motivos.
O vale, não vale legal
A condição da lei parece ser um dos motivos para que ocorram as extrapolações, começando então, um dilema legal.
- Muitas vezes também a lei é vaga. A lei não é taxativa. Ela denota interpretações das mais variadas. E aí vem o grande problema legal: vale, não vale. Como ela é vaga, alguns defendem on line cialis o ponto de vista de um lado, outros puxam do outro, e cria-se uma polêmica. Mas isso de certa forma até é bom.
Por exemplo, no caso da Resolução n° 237 do CONAMA, que institui o Licenciamento Ambiental no Brasil. Muita gente briga e jura que ela é inconstitucional. Por quê? Porque não cabe a uma resolução poder dar valor ao que o município ou o Estado devem fazer. Isso cabe a uma lei, e não a uma resolução. No entanto, se você for ver, ela institui obrigações para o município. Por outro lado, há pessoas que dizem que ela é totalmente constitucional, que não tem problema algum. Em resumo, a lei é tão boa ,que ninguém questionou até hoje. Porque ela traz benefícios à sociedade. Ela regulamenta uma coisa que estava vaga, e coloca algumas coisas que são muito importantes para a sociedade como caminho. Então, até hoje, ninguém entrou na justiça para contestá-la, pois ela trouxe mais benefícios que inconvenientes, e se tornou um documento que é citado em todo o Brasil. Então, essa tênue linha do que é ou não inconstitucional do CONAMA é uma questão que precisa ser discutida um pouco mais.
A existência da lei x sua aplicação
- Existe uma diferença grande em nosso processo legal, hoje, que é o problema da existência de leis e da aplicação real dessas leis, ou mesmo a aplicação como se pensou em aplicar.
Uma das razões, segundo Shelley, é o fato de que muitas vezes as pessoas desvirtuam o conteúdo de uma legislação, a forma de interpretar um documento, e essa interpretação acaba sendo feita a maneira de um grupo que determina.
A pressa em oferecer soluções e a visão curta dessas soluções na realidade também parecem ser grandes entraves à eficácia da aplicação.
- A aplicação da lei no Brasil é um problema, toda ela, porque foram mal feitas, foram desenvolvidas muito em cima de uma necessidade momentânea, e que muitas vezes não se perpetua no espaço, no tempo. Naquele momento você tem um problema e quer uma lei para resolver naquele momento. Dali há dois anos, aquilo já não é uma realidade e a lei passa a ser desnecessária, então se tem muita coisa desse tipo. E o CONAMA, até por estar inserido dentro deste sistema, trabalhava nesse sentido.
A realidade atual e a importância das instituições
- Bem, agora eu vou falar um pouco dos pontos positivos, que , é claro, existem. Primeiro eu acho que o mundo atual é o mundo da biodiversidade, as coisas hoje vão se consolidar não apenas porque um quer, mas quando a sociedade estiver de acordo, e quando aquilo for útil à essa sociedade. E isso, quando é feito em termos de instituições fortes, ganha muita força. Não adianta eu querer e você não querer, nós teremos sérios problemas na execução de um trabalho que nós temos que realizar. Quando se trata com milhares de instituições, com milhares de pessoas, as coisas se tornam bem mais complexas, e a prática da negociação, da discussão, da livre expressão de você estar imbuído de informações e de uma série de verdades que são importantes ser colocadas dentro de um documento que você está querendo aprovar, e o outro também ter o direito de colocar, após passar por uma grande discussão em nível nacional, vai fornecer consistência a esse documento, que vai sair fortalecido, mais respaldado.
E hoje, quando se tem cem pessoas que estão no CONAMA representando quase todos os elementos da sociedade brasileira, mesmo com todo esse problema de representatividade que sempre vai ter, quando um político consegue aprovar bem um documento desses, ele tem algo muito bem apoiado pela sociedade. E o CONAMA, apesar da influência de um regime passado, ele procura ser ao máximo democrático, sendo um instrumento muito interessante nesse aspecto, na prática dessa “democracia” que temos hoje.
Então essa é uma virtude. A prática de você ouvir a sociedade como um todo, por mais divergentes que sejam as posições e os interesses de cada indivíduo que está lá, você nunca vai por um lobby só, nunca vai por um interesse só, e isso é muito bom, todo mundo tem o direito de colocar e todo mundo vai defender o seu interesse, infelizmente o homem é assim. Você vai encontrar de tudo e é preciso ter sensibilidade para mediar e procurar encontrar um equilíbrio. Não a radicalização, mas a mediação sobre determinado processo para que se possa chegar a uma solução um pouco mais apropriada a cada um dos segmentos. É o toma lá da cá de uma negociação. Mas é um exercício de democracia muito interessante que temos, e eu acho que hoje este exercício tem sido aprimorado, e a sociedade tem se tornado mais forte também, principalmente a sociedade civil tem se tornado mais participativa, mais consciente. Quer dizer, não é o radicalismo simples e puro. As pessoas estão procurando se informar, discutir, ouvir o outro. O próprio sistema do CONAMA está começando a flexibilizar e a fazer com que isso seja possível. Acontece que isso é um processo lento, e que depende do próprio desenvolvimento da nossa sociedade para este caminho.
O fortalecimento institucional e a maior interação política
- Um outro aspecto que acho muito interessante no CONAMA, é que está havendo gradativamente um fortalecimento institucional do Conselho. Eu falo isso porque existia uma lacuna, um abismo entre o CONAMA e o Congresso Nacional. Era um abismo enorme. O Congresso Nacional nem sabia que existia o CONAMA, muito fruto também da falta de consciência e vontade política dos nossos deputados, eleitos pelo lado ambiental.
Quando se fala em falta de consciência política, esta parece ser generalizada, principalmente se pensarmos nas propostas apresentadas e debates ocorridos entre nossos candidatos à Presidência da República.
- Você pode notar esse problema, hoje, nos candidatos à sucessão da Presidência da República. Nenhum deles falou concretamente em um programa ambiental, e o problema ambiental está inerente a tudo o que eles estão falando. Mas ninguém parou ainda para fazer uma proposta, milhões de propostas que temos a fazer. Começando por saneamento básico, pela Amazônia, pela biodiversidade. Eu não vi ainda nada debatido na área ambiental, tudo que foi dito foram coisas muito fortuitas, muito vagas. Eles se mostram muito mal informados, ficam em volta de segurança, economia, emprego, como se isso estivesse totalmente alienado do processo ambiental. É essa a idéia fragmentada que se vê o país, como se as coisas estivessem soltas, isoladas. Não é por aí.
Shelley Carneiro foi presidente da Câmara Técnica de Controle Ambiental do CONAMA e presidente do CEMA- Conselho de Empresários para o Meio Ambiente da FIEMG. Atualmente, é titular da SC buy medicine online without prescription empreendimentos.
LEIA NA PRÓXIMA EDIÇÃO:
O Meio Ambiente e a Fragilidade Institucional – Parte II, onde Shelley Carneiro fala sobre o papel do CONAMA no processo da sustentabilidade, a Agenda 21e as perspectivas do desenvolvimento sustentável após Joannesburgo.
A NUVEM
Nos últimos tempos, o aparecimento de uma imensa nuvem marrom foi notícia nas revistas, jornais, rádios e televisões do mundo inteiro. A maior e mais densa concentração de poluentes tóxicos já detectada pelos satélites, um aglomerado de contaminantes que já cobre um quarto da população do planeta, podendo percorrer meio mundo em pouco tempo, e causar desastres incalculáveis no clima, na saúde e na sobrevivência humana.
Segundo a hipótese de alguns cientistas e estudiosos, uma catástrofe cósmica, ocorrida há milhões de anos, pelo choque de um asteróide com a Terra, foi um dos principais fatores responsáveis pela a extinção dos dinossauros, do período Cretáceo para o Terciário- uma época caracterizada por relevantes fenômenos geológicos e marcada pela extinção em massa de espécies. Relacionando esse fato com o surgimento da atual nuvem marrom, o presidente do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental- IBPS, Carlos Adilio Maia do Nascimento, comparou a história de duas nuvens, que apesar da composição e procedência diferentes, resultam em uma grave e igual ameaça: a redução da incidência do sol.
O asteróide e a nuvem de poeira
“Há milhões de anos, um asteróide gigante chocou- se com a Terra, provocando uma situação de impacto muito forte, fazendo com que o planeta sofresse uma grande convulsão e emitisse uma enorme quantidade de pó para a atmosfera, formando uma verdadeira capa de poeira que envolveu o globo terrestre. Essa capa permaneceu na atmosfera durante milhares de anos, atacando os raios solares e causando uma diminuição da incidência da luz do sol no Planeta Terra, que na época era habitado pelos grandes Dinossauros, que se alimentavam fundamentalmente de vegetais e de animais menores. Eram os senhores do Planeta, e comiam praticamente tudo aquilo que o reino vegetal produzia.”
Com a formação desta cobertura de poeira, e a conseqüente redução da luminosidade solar na Terra, houve imediatamente o início de uma fase de diminuição da fotossíntese nos vegetais( dic.: síntese de compostos orgânicos através da água, gás carbônico e energia da luz absorvida pela clorofila) , que só ocorre em presença da luz do sol. Sem fotossíntese, a produção vegetal do Planeta entrou em uma crise que durou dezenas de milhares de anos, e instalou a fome e a doença entre aqueles seres que viviam na pills without prescription época.
” É claro que, além da redução da luz , muitos outros fatores são atribuídos a extinção dos seres da época, mas a destruição do reino vegetal devido a redução na luz solar foi, com certeza, um deles.”
Segundo cientistas, mais de 50% da biodiversidade do Planeta também se extinguiu, existem alguns que falam em 70% de biodiversidade desaparecida, devido a capa que atacava a luminosidade do sol.
O homem e a nuvem de venenos
Passaram-se os tempos, a biodiversidade se refez, outras plantas e animais se desenvolveram, o ecossistema restabeleceu seu equilíbrio, e agora, a Terra apresenta-se em condições completamente diferentes daquela que ela apresentava há milhões de anos.
“Hoje, o mundo hospeda mais de 6 bilhões de pessoas e um complexo de seres vivos que, como os homens, precisa comer e viver. No entanto, no momento atual, uma outra nuvem, uma outra capa surgiu, que já vem se formando há algum buying cialis without a prescription tempo, que ninguém sabe qual será o destino dela e nem quantas outras ainda surgirão.”
Uma nuvem que poderá causar, além da redução da luz do sol, outras conseqüências desastrosas e incalculáveis, devido aos inúmeros componentes tóxicos que a compõe.
“É uma nuvem de poeira de novo, só que agora ela não foi causada pelo impacto de asteróide nenhum, ela foi causada por emissões aqui da terra, resultantes da ação antrópica. Daquilo que o homem provoca através do exercício dos seus sistemas de produção, dos seus índices exorbitantes de consumo, e de toda uma condição de vida e que está resultando em uma emissão demasiada de gases tóxicos à atmosfera que, como um grande depurador daquilo que é emitido aqui do planeta, não está mais sendo capaz de absorver e administrar devidamente. Se forma, então, uma gigantesca nuvem composta por cinzas e gases tóxicos diversos, cobrindo uma grande parte do sudeste asiático e do sul do continente asiático, pegando uma parte da Índia, uma parte da China, a Indonésia, a Tailândia. Com mais de 20 milhões de quilômetros quadrados e espessura de 3km, essa nuvem está fazendo a mesma coisa que a outra fez- aquela provocada pelo impacto do asteróide, ela também está diminuindo a incidência da luz do sol na região que ela está cobrindo.”
Já se constata uma redução de 15% da luz solar na Ásia devido a alta concentração de carbono no fenômeno.
A queda na produção agrícola
Com pouco sol, estima-se a ocorrência de uma grande baixa da produção agrícola naquela região da Ásia, o que significa uma diminuição de alimentos.
“Imagine você o que representa uma queda de produção agrícola na região de maior densidade populacional do mundo, aonde vivem aproximadamente 2 bilhões de pessoas, que já convivem com graves carências alimentares. Vai ser uma verdadeira tragédia. Uma nuvem resultante da queima de combustíveis fósseis, da poluição industrial e queimadas de florestas. Da predação que o homem esta fazendo naquela região e em todo o mundo.”
Não é a primeira vez que um fenômeno deste tipo surge no céu do planeta, já foram detectadas nuvens da mesma espécie espalhadas em vários pontos do mundo, inclusive na Europa e nos EUA, mas, com certeza, esta é a maior já constatada até hoje.
“Vejam o perigo que estamos vivendo, no momento em que estes tipos de nuvem começarem a aparecer com mais freqüência e tornarem-se ainda maiores do que essa, que já tem um tamanho assustador, e ainda continua em dilatação.”
A importância do sol
“A luz solar é a responsável pela fotossíntese, que em última analise é o que produz toda a agricultura. O reino vegetal é formado por fotossíntese, que representa um dos milagres da natureza. Aqueles seres que têm clorofila, em presença do sol, tomam o carbono do ar e transformam em celulose, em biomassa, formando todo o reino vegetal. Com a não ocorrência ou diminuição da fotossíntese, nós teremos uma redução de toda a produção vegetal no planeta.”
A luz solar é também um fator muito importante para a saúde de todos os seres vivos, inclusive, para a homem.
“Sem sol não existe a síntese química do cálcio nos ossos. Aquela reação química do calciferol, a vitamina D que forma a substância óssea nos organismos superiores só acontece na presença da luz do sol. Se não temos luz solar, não temos calcificação. Uma criança sem exposição ao sol fica raquítica, descalcificada.”
Segundo Carlos Nascimento, é fator primordial que esse aviso que a natureza está dando, agora aos seres humanos, seja entendido e aproveitado; de que a presença desta nuvem alerte para a tomada de iniciativas concretas em prol da preservação ambiental, principalmente por parte da sociedade civil organizada, que parece ser a única capaz de conseguir modificar esse quadro crítico em que o mundo se encontra.
“Se continuarmos a emitir descontrolada e demasiadamente poluentes oriundos da atividade humana, a atmosfera irá saturar a tal ponto que poderemos ter a repetição de uma outra tragédia, como ocorreu há milhões de anos, e que poderá causar, agora, a extinção de uma outra espécie, o Homo sapiens.”
“Que isso nos sirva de alerta, para que comecemos todos a agir logo, modificando nossos maus hábitos de produção e consumo, e educando nossas crianças dentro de uma ética ecológica, para que as novas gerações tenham uma sensibilidade maior que as atuais e as anteriores, com relação a importância da sustentabilidade. Aí então poderemos pensar em um planeta sadio, em um Desenvolvimento Sustentável, e em assegurar as necessidades das gerações futuras.”
Atuando há mais de 10 anos com as questões relacionadas ao Meio Ambiente, Produção mais Limpa e Tecnologias Limpas,
Carlos Adilio Maia do Nascimento foi coordenador do CODEMA- Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente, da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e membro do COEMA- Conselho Temático de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Indústria.
A partir de 1995, estruturou o Centro Nacional de Tecnologias Limpas, do SENAI, introduzindo o conceito de Produção mais Limpa e de Tecnologias Limpas no Brasil, tendo encerrado o seu período como diretor do Centro em dezembro de 2000.
Atualmente, é diretor da Empresa Nacional de Tecnologias Limpas- ENTL e presidente do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental-
IBPS.
Produção comunicação IBPS

