Grandes frigoríficos querem ser 100% sustentáveis
Fonte: Globo Rural
Companhias investem em gestões socioambientais para garantir seu espaço no mercado
por Texto Viviane Taguchi | Fotos Ernesto de Souza

Sérgio Sampaio, do JBS: Decisões socioambientais passam pelo Conselho de Administração da companhia
Já faz algum tempo que a sustentabilidade deixou de ser um rótulo publicitário para tornar-se parte dos negócios, buscando atender às exigências dos consumidores. As três maiores companhias brasileiras de carnes – JBS, Marfrig e Minerva – entenderam que, para sustentar suas metas de expansão global, precisariam fomentar suas áreas socioambientais e criaram departamentos com status de diretoria (a JBS usa o nome comitê, a Minerva gerência, e a Marfrig diretoria) para atuar nesse novo paradigma. A meta é reverter a imagem negativa do pecuarista, oferecer opções para que o consumidor possa rastrear todas as etapas da cadeia produtiva, desenvolver a chamada economia de baixo carbono para, posteriormente, vender mais e ganhar novos mercados.
O Minerva criou uma gerência para tratar do assunto em 2009. Segundo Carlos Barbieri, responsável pelo setor, o trabalho começou no campo, com assistência técnica aos produtores para conquistar melhorias no plantel e no manejo. “O trabalho no campo é acompanhado no dia a dia, da criação ao abate. A área tem três pilares: o meio ambiente, o social e a economia. Mas primeiro foi preciso difundir a filosofia da pecuária sustentável entre os fornecedores”, diz. Barbieri afirma que o perfil dos pecuaristas mudou muito nos últimos anos e a maioria se preocupa com o meio ambiente e sabe que um rebanho verde vale bem mais. “O amadurecimento das ações ambientais melhorou a sinergia do pecuarista com a indústria, e desta com o mercado.”
A JBS criou um comitê de assuntos sustentáveis. Sérgio Sampaio, diretor de operações, diz que as decisões da área, de tão importantes, passam pelo conselho de administração. Na companhia, a ordem é adiantar-se às exigências do consumidor. A JBS já investiu R$ 110 milhões em melhorias ambientais. “Temos técnicos em sustentabilidade que prestam assistência ao pecuarista e instalamos câmeras em toda a linha de produção na indústria. Em cada embalagem, há um código que permite ao consumidor acompanhar todo o processo, da fazenda ao abate”, explica.
A última companhia a criar uma diretoria sustentável foi a Marfrig. Desde abril, a empresa monitora as emissões de gases de efeito estufa em 152 fazendas. Cléver Ávila, diretor da área, diz que o objetivo é provar, com exemplos práticos, que é possível produzir proteína de alta qualidade sem desrespeitar o meio ambiente. “Esse controle é um passo rumo à economia de baixo carbono”, diz.
CNA passará a integrar o Conselho Mundial da Água
Fonte: Globo Rural
Entidade pretende contribuir nas discussões internacionais sobre preservação e uso dos recursos hídricos
por Globo Rural On-line

Brasil detém 12% de toda a água doce do mundo
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)assinará o termo de filiação da entidade junto ao Conselho Mundial da Água (CMA), entidade internacional criada em 1996 com a finalidade de promover a conscientização e o compromisso político sobre questões críticas de uso e gestão da água em todo o mundo. A assinatura ocorrerá durante a realização da 5ª Reunião da Seção Brasil do Conselho Mundial da Água, nesta terça-feira (27/9), na sede da CNA, em Brasília, com as presenças da presidente da entidade, senadora Kátia Abreu, e do presidente do CMA, Loïc Fauchon.
O Brasil possui cerca de 12% da água doce do mundo. Todo esse patrimônio coloca o país no primeiro lugar do ranking dos países com maior potencial hídrico. A filiação da CNA ao Conselho é uma forma de a entidade, que representa os produtores rurais da maior agricultura tropical do planeta, participar dos debates que auxiliam a formulação de políticas públicas voltadas à conservação, planejamento, desenvolvimento e gestão do uso da água nos países.
Nesta 5ª Reunião da Seção Brasil do CMA, serão discutidos os temas que integrarão a pauta do 6º Fórum Mundial da Água, que será realizado em Marselha, na França, de 12 a 17 de março de 2012. O Fórum é uma plataforma de debates que reúne membros da comunidade internacional envolvidos com questões de proteção e preservação da água, com o objetivo principal de obter o compromisso político de governos para o desenvolvimento de políticas públicas.
A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, abrirá o encontro juntamente com o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu; o presidente do 6º Fórum Mundial da Água, Benedito Braga e o presidente do CMA, Loïc Fauchon. De origem francesa, Fauchon atuou em várias esferas políticas antes de assumir a presidência do CMA, em 2005.
É uma das maiores autoridades mundiais em conhecimentos sobre gestão e aproveitamento de recursos hídricos e saneamento. Haverá, ainda, palestras do diretor da ANA, Paulo Varella, e do superintendente da ANA, Ricardo Andrade. Ao fim das apresentações, será realizado um debate com os participantes do evento.
Cientistas usam bactérias oceânicas para produzir etanol
Fonte: Globo Rural
Microorganismos minúsculos de ambientes quentes têm capacidade para fermentar moléculas celulósicas e produzir álcool
por Globo Rural On-line

Extremófilos que produzem etanol habitam o fundo do mar
Cientistas da South Dakota School of Mines & Technology estão usando microorganismos minúsculos que vivem em ambientes muito quentes para produzir etanol de segunda geração. O trabalho foi divulgado pela revista científica HypeScience. Estes seres são chamados de extremófilos e podem ser encontrados em ambientes quentes, salgados, ácidos e gasosos, segundo os cientistas.
As experiências com os extremófilos começaram quando Rajnesh Sani, professor de engenharia biológica e química da instituição localizou uma comunidade destes seres em uma mina, no fundo do mar, onde as temperaturas eram superiores a 45 graus Celsius. Segundo ele, poucos organismos são capazes de sobreviver a temperaturas tão elevadas.
Sani conseguiu isolar os extremófilos através da bactéria Geobacillus e iniciou as pesquisas. Primeiro, ele inseriu os organismos em lascas de madeira e observou que estes seres tinham grande capacidade de quebrar as moléculas celulósicas. No segundo experimento, o cientista iseriu os Geobacillus em resíduos de milho e capim e, novamente, a capacidade de fermentar as moléculas de celulose, resultando em produção de álcool, foi alta. "Estes microorganismos provaram ser capazes de suportar as altas temperaturas do processo industrial e demonstraram grande capacidade de quebrar as moléculas celulósicas de material vegetal", disse o professor.
O processo de fermentação usado para testar os extremófilos foi o mesmo usado para produzir biocombustível e cervejas, mas Sani afirma que os microorganismos exigem menos etapas do que as leveduras tradicionais, usam menos água e menos reatores. "Estamos eliminando alguns passos do processo convencional para tornar o método mais rentável", disse.
A produção de etanol em escala a partir dos extremófilos ainda está longe de acontecer, mas Barny Whitman, microbiologista da mesma instituição, diz que a equipe de Sani está intensificando as experiências para que os extremófilos também produzam enzimas em condições mais adversas. "Em temperaturas mais altas, as reações químicas acontecem mais rápido e os catalisadores são
mais estáveis", disse Whitman."É mais barato executar um reator em alta temperatura, em vez de baixa temperatura, porque refrigerar é mais caro e muitas dessas reações geram calor".
Um dos pioneiros da biotecnologia de extremófilos, Eric Mathur, isola genes a partir de um crescimento de bactérias em águas profundas de fontes hidrotermais, e depois transfere o material genético a plantas de milho. Agora, ele encontrou extremófilos em pinhões-mansos do deserto cujas sementes produzem um composto com 40% de óleo. Sua empresa tem plantações na
Guatemala, Brasil e Índia, e está vendendo a mistura a companhias aéreas europeias que querem usam biocombustíveis.
Projeto Biomas chega à Caatinga e Amazônia
Fonte: Globo Rural
Iniciativa visa estabelecer padrões para a produção sustentável
por Globo Rural On-line

As equipes do Projeto Biomas se preparam para selecionar áreas de pesquisa na Caatinga e Amazônia. Eles vão para o campo no próximo mês com a missão de iniciar o projeto nas propriedades escolhidas. "A idéia é que as áreas de pesquisa se tornem vitrines tecnológicas, onde mostraremos como o produtor rural pode usar o elemento árvore para melhorar sua produção e preservar o meio ambiente ao mesmo tempo", conta Cláudia Mendes Rabello, coordenadora do Projeto Biomas na CNA.
O Projeto Biomas, realizado pela CNA em parceria com aEmbrapa, vai identificar a melhor forma de reintroduzir a árvore na propriedade rural, trazendo benefícios econômicos e ambientais, considerando as especificidades de cada um dos seis biomas do nosso país.
O projeto que já está em andamento na Mata Atlântica e Cerrado, teve início em 2010 e terá a duração de nove anos. Pretende estabelecer padrões para a produção sustentável de alimentos. Isso tudo porque o Brasil se encontra diante de um grande desafio: preservar o seu enorme patrimônio ambiental e continuar produzindo alimento barato e de qualidade. "Este projeto, em parceria com a ciência, em parceria com a pesquisa, pretende dobrar a produção de alimentos para o mundo. O que produz hoje sem desmatar nada, sem derrubar uma árvore", conta a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu.
O resultado do Projeto Biomas será repassado nas vitrines tecnológicas aos produtores rurais de todo o país, que poderão copiar os modelos de produção, agregando valor ambiental e econômico às suas propriedades. Tudo isso, valorizando a árvore, o meio ambiente, sem deixar de pensar na produção de alimentos.
Nova embalagem deve valorizar as garrafas PET
Fonte: Valor | Por Sergio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo
Marçon, da Abipet: se coleta seletiva não aumentar, recicladores vão usar resina virgem para continuar operando
Na superaquecida demanda por reciclagem de garrafas PET, a partir da qual o preço da matéria-prima reciclada se aproxima aos valores da resina virgem, o recente lançamento da embalagem "bottle-to-bottle" – produzida parcialmente a partir de garrafas PET recicladas pós-consumo – da Coca-Cola no Brasil promete mexer com as bases do mercado, hoje disputado por diferentes setores, principalmente o têxtil. "Queremos formar uma cadeia de valor para o material, garantindo sua aquisição no longo prazo, sem os riscos da variação cambial típicos das commodities", revela Rino Abondi, vice-presidente de tecnologia e logística. Para garantir a sustentabilidade do modelo, a estratégia é o apoio às cooperativas, além da parceria com empresas globais de reciclagem que chegam ao Brasil.
Produzida em Curitiba pela Spaipa, a nova garrafa começou a ser distribuída no Paraná e São Paulo, expandindo-se para os demais estados a partir de dezembro. No momento, a tecnologia está restrita às embalagens 2,5 litros, contendo 20% de PET reciclado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso de até 50%. "A previsão é aumentar a produção inicial de 5 mil toneladas para 60 mil toneladas em 2014", informa Abondi, lembrando ser "difícil incorporar sustentabilidade sem quebrar barreiras".
"O objetivo é dar ao PET o mesmo status alcançado pelas latas de alumínio, cuja valorização contribuiu para o atual índice de reciclagem, superior a 95% no Brasil, recorde mundial", afirma Marco Simões, diretor de comunicação e sustentabilidade. Segundo ele, a empresa assumiu o risco dos preços atualmente altos do PET reciclado, na expectativa do desenvolvimento da coleta seletiva e de novos hábitos para separação do lixo reciclável nas residências, capazes de aumentar a oferta do material e, consequentemente, permitir maior equilíbrio nos preços. Até o fim da década, a meta é recolher 85% de garrafas PET para o novo uso industrial, com participação de cerca de 200 cooperativas.
A meta global do fabricante para 2020 é duplicar a atual produção, emitindo carbono em níveis inferiores aos registrados em 2005. Além de já ter reduzido na média 20% a quantidade de plástico e vidro das garrafas, o que significa menos custos e emissões, a estratégia é expandir o retorno das embalagens vazias. A substituição de resina virgem pela reciclada pode reduzir carbono em até 10%, de acordo com dados da empresa. "O propósito é contribuir para o índice nacional de reciclagem de PET aumentar dos atuais 56% para 70%, em quatro anos", anuncia Simões.
"A nova garrafa vai elevar os valores do material após o consumo", estima o consultor Julio Cesar Santos, da organização Doe Seu Lixo, do Rio de Janeiro. Hoje as cooperativas de catadores vendem o quilo do PET entre R$ 0,80 e R$ 1 para atravessadores, que por sua vez repassam para a indústria a cerca de R$ 1,80. O atual preço de mercado da resina virgem é de R$ 2,20/kg.
A cooperativa Rio Coop, que comercializa por R$ 1,60 o quilo de PET na capital fluminense, trava uma queda de braço com os intermediários. "No mercado aquecido, buscamos clientes que pagam mais", afirma o presidente José Luís Estácio, lembrando que o valor para o material, no ano passado, não ultrapassava R$ 1,10 o quilo. "Para evitar os riscos da oscilação de preços, as cooperativas precisam articular com agentes financeiros oficiais linhas de crédito para capital de giro", sugere André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial para Reciclagem.
Para Auri Marçon presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET, "se a coleta seletiva não aumentar, recuperando para as indústrias embalagens que estão indo para aterros, os recicladores buscarão resina virgem para continuar operando". A preocupação se justifica, porque o mercado para a reciclagem do material tem crescido exponencialmente no Brasil, no ritmo de novas aplicações industriais. "Há espaço para uma demanda 30% superior à atual", diz.
Impasse na floresta
Fonte: Valor | Por Sergio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo
Felipe Teixeira, da Embrapa: "Enquanto o problema não for resolvido, evitamos prospecção que envolva repartição de benefícios com comunidades nativas"
Desde que o governo federal decretou a Medida Provisória 2186/16 com regras para o acesso aos recursos genéticos, há exatos dez anos, o número anual de pedidos de patentes de biotecnologia no Brasil despencou quase 70%. Passou de 1.030 depósitos, em 2001, para 356, no ano passado. A queda é sintomática, diante do atual cenário de riscos e incertezas sem a existência de um marco legal abrangente para o uso econômico da biodiversidade. "A agenda está travada em função da insegurança jurídica que afasta investimentos", avalia Jorge Ávila, presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Além da complexidade para a prospecção e transformação do potencial da fauna e flora em produtos, as normas são "excessivamente restritivas". Tanto assim, diz Ávila, que a redução das patentes na área biológica contrasta com crescimento de registros nos demais setores produtivos. Entre 2010 e 2011, o total de patentes no país aumentou de 30 mil para 35 mil, refletindo a evolução da economia.
A lei brasileira não permite patentear organismos vivos ou suas moléculas, protegendo apenas o processo tecnológico que gera substâncias a partir deles. "O ambiente de restrições surgiu no passado em função das ameaças da biopirataria, mas hoje o foco está na promoção de negócios sustentáveis como estratégia de conservação dos recursos naturais", diz Ávila.
"É urgente simplificar e criar condições para que as empresas se regularizem e voltem a investir", ressalta. Neste trabalho de adequação, o INPI está revendo 5,5 mil pedidos de patente de biotecnologia registrados desde 2001. A instituição enviou questionário aos depositantes para saber se houve acesso a recursos genéticos. A patente pode ser cancelada, caso não exista autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) para o projeto.
O impasse freia o ritmo de inovação de indústrias e centros tecnológicos, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição não acadêmica que mais registra patentes no país. Até 2010 foram 258 registros, sem contar a proteção pelo desenvolvimento de cultivares – novas variedades de plantas -, que somam mais de 400, rendendo US$ 16,4 milhões por ano em royalties.
Entre os produtos que correm risco de não chegar ao mercado por conta dos atropelos legais, está uma proteína extraída de aranhas, associada à sua capacidade de construir teias. O insumo conferiria maior resistência e elasticidade às fibras de algodão para a indústria têxtil. Mas a pesquisa foi interrompida após multa de R$ 100 mil aplicada pelo Ibama, sob alegação de que a Embrapa teria ido além do autorizado. Em operações feitas em outubro de 2010 e março deste ano, os fiscais notificaram cerca de cem empresas consideradas irregulares no uso dos recursos genéticos, totalizando R$ 120 milhões em multas.
O episódio desencadeou o debate para a revisão do marco legal. "A atual regra é imprecisa e dá margem a interpretações subjetivas", critica Felipe Teixeira, chefe de inovação tecnológica da Embrapa, para quem a legislação não deve só punir, mas incentivar. Em busca de produtos inovadores, várias empresas e centros de pesquisa prospectaram a floresta no período entre a decretação da MP e, dois anos depois, a criação do CGEN, responsável pelas autorizações. "Muitos poderão ter patentes negadas e serão prejudicados", afirma Teixeira. Para ele, a autorização de pesquisa deve ser simplificada. "Enquanto o problema não for resolvido, evitamos prospecção que envolva repartição de benefícios econômicos com comunidades nativas, base da atual legislação de acesso à biodiversidade", diz.
Por segurança, as empresas migram para o uso de espécies vegetais não nativas, trazidas de outros países. "É uma pena, mas os riscos são muito altos", lamenta Vânia Rudge, diretora da Centroflora, empresa que hoje produz cerca de 200 extratos vegetais sob encomenda de clientes de grande porte, principalmente externos. "Muitos temem a perda de patentes e deixam de investir", conta. A orientação é não acessar o conhecimento tradicional. "Falta clareza sobre a amplitude da repartição de benefícios, que pode ser reivindicada por mais de uma comunidade", justifica.
A conservação da natureza depende de seu valor econômico. Vânia cita o caso do jaborandi, planta nativa explorada pela empresa no Piauí, Ceará e Maranhão para produção de pilocarpina – substância usada no tratamento de glaucoma, distribuída mundialmente pela indústria farmacêutica Boehringer Ingelheim. Os produtores locais triplicaram a renda com a venda das folhas, mas similares sintéticos estão levando o produto natural à decadência. "É preciso encontrar novas plantas medicinais para reduzir a dependência da população em relação ao jaborandi, mas as regras atuais inibem o processo", diz Vânia.
Ela sugere uma nova lei capaz de caminhar na velocidade da inovação e de atrair negócios: "É importante termos vantagem competitiva, pois os países concorrentes também estão criando incentivos e regulamentações após o Protocolo de Nagoya, assinado no ano passado".
Para Marcelo Cardoso, vice-presidente de sustentabilidade da Natura, "a situação atual limita a inovação e a transformação da biodiversidade em ativo para o país reduzir a dependência das commodities". Apesar das indefinições, a empresa investe em um centro tecnológico em Manaus para desenvolver cadeias produtivas a partir dos recursos florestais, movimentando investimentos de cerca de R$ 1 bilhão até 2020 na Amazônia. "O uso sustentável do patrimônio genético exige a criação de escala pelos diversos segmentos do mercado, incluindo a indústria farmacêutica e alimentícia", afirma o executivo, confiante em mudanças. "É apenas uma questão de tempo, porque o governo tem uma nova percepção sobre o tema."
A grosso modo, considerando a existência de 1,8 milhões de espécies no país e o atual ritmo das autorizações do governo para prospecção, seriam necessários 72 mil anos para o país conhecer o seu patrimônio genético. A conta é do Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade, que reúne 61 empresas e dez organizações, e lidera um plano para mudar os rumos do setor até 2020. "Há uma forte pressão contra a inércia, inclusive por segmentos da economia que não atuam diretamente no uso da biodiversidade", confirma Cristiane de Moraes, do Union for Ethical Biotrade no Brasil.
CNI lança rede para debater mudança climática
Fonte: Valor | Por Daniela Chiaretti | De São Paulo
Se depender da indústria no Brasil, o plano setorial de mitigação e adaptação à mudança do clima, que tem 15 de dezembro como prazo legal para ficar pronto, não terá uma meta de redução de emissões de gases de efeito estufa. "Vamos nos comprometer com o passo a passo", diz Paula Bennati, a especialista no assunto da Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Mas antes de ter um número temos que conhecer melhor o perfil das emissões industriais e qual a dimensão dos esforços para implementar os cortes."
A Política Nacional sobre Mudança do Clima determina que sejam publicados, até o meio de dezembro, planos setoriais que indiquem como será feita a redução de emissão de gases-estufa até 2020. A iniciativa está relacionada aos compromissos brasileiros assumidos na conferência do clima de Copenhague, em 2009. Ali se definiu como meta nacional voluntária reduzir a curva de crescimento das emissões brasileiras entre 36% e 39% até 2020. "A economia de baixo carbono, respeitadas as diferenças entre grandes e pequenas empresas, é um caminho que a indústria quer percorrer", diz Paula.
Ontem a CNI lançou, em Brasília, a Rede Clima da Indústria Nacional com a intenção de tornar ágil a troca de informações dos diversos setores empresariais. "É uma plataforma para qualificar o debate e definir posicionamentos dentro do complexo tema da mudança climática e que envolve aspectos de mercado", explica. O que a indústria teme, por exemplo, é se comprometer com objetivos que afetem a competitividade internacional. A Rede Clima pretende envolver federações industriais dos Estados, associações setoriais e as empresas mais atuantes no tema.
Relator cobra consenso de Agricultura e Meio Ambiente em Código Florestal
Fonte: Globo Rural
Posições antagônicas das duas áreas dificulta aprovação do tema
por Agência Estado

Senador Jorge Viana (PT/AC) é o relator do projeto
As audiências conjuntas promovidas durante esta semana pelas comissões de Meio Ambiente, Agricultura e Ciência eTecnologia do Senado refletem a falta de consenso em relação ao projeto de reforma do Código Florestal, aprovado em maio deste ano pela Câmara dos Deputados.O texto nesta quarta-feira (24/8) em audiência no Senado, foi duramente criticado pelos ex-ministros do Meio Ambiente, foi alvo de elogios dos ex-ministros da Agricultura no debate desta quinta-feira (25/8).
O senador Jorge Viana (PT/AC), relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente do Senado, observou que as posições antagônicas dos ministros das duas áreas em relação ao tema, alguns dos quais fizeram parte de um mesmo governo, "faz pensar que são de países diferentes". Viana propôs um fórum com a participação de todos os ex-ministros de Agricultura e de Meio Ambiente, para que cheguem a uma posição comum em relação ao Código Florestal.
O ex-ministro da Agricultura e deputado federal Reinhold Stephanes (PMDB/PR) disse durante a audiência que odiálogo é difícil, porque os ambientalistas têm visão política e não levam em consideração aspectos técnicos. Na opinião do deputado, "muitos ambientalistas nem mesmo conhecem o meio ambiente". Stephanes contou que enquanto estava no cabo da enxada no Paraná, "o Minc [Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente] estava na praia. A ex-ministra Marina Silva não conhece a agricultura do Paraná". O deputado também rebateu a crítica dos ambientalistas de que a proposta incentivaria a expansão de novas ocupações em áreas de preservação permanente e, "se houver dúvida, é só melhorar a redação". Em relação à anistia, Stephanes afirmou que existem três casos: são considerados legais os desmatamentos feitos de acordo com a legislação da época; a derrubada de reserva legal até julho de 2008 pode ser compensada com recomposição e pagamento em serviços ambientais; e quem desmatou após aquele ano deve pagar multa.
Durante a exposição, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli declarou que toda proposta do Código Florestal criado em 1965 "foi feita com base no achismo", sem base científica, como o direito de abertura de 50% da área na região Amazônica. Paulinelli contextualizou a evolução da agricultura e os investimentos feitos pelo governo brasileiro na pesquisa, que proporcionaram redução do custo da alimentação no mercado interno e a geração de saldos na balança comercial. Segundo ele, os avanços e contribuições da agricultura não são levados em conta nas críticas dos ambientalistas.
Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), defendeu o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e destacou a necessidade de segurança jurídica e sustentabilidade da produção agropecuária para superar as campanhas feitas nos países importadores contra os produtos brasileiros. Um dos pontos levantados na audiência desta quinta-feira (25/8) foi a possibilidade de exigir de países que exportam para o Brasil a reciprocidade na legislação ambiental.
Ambientalistas criticam atraso na implantação do programa
Fonte: Valor | Por Daniela Chiaretti
A mudança tecnológica nos motores de caminhões e ônibus a diesel, aliada a um combustível com bem menos enxofre, pode significar redução de mais de 40% na emissão de poluentes, o que nos grandes centros significa ganhos em saúde pública. O ponto positivo, no entanto, perde força com o número crescente de veículos nas ruas. E o atraso no cronograma do programa de controle das emissões dos veículos também joga as conquistas ambientais na lama.
"Cada mês que a gente perde é uma consequência para os próximos 30 anos", diz Rudolf de Noronha, gerente de qualidade do Ar do Ministério do Meio Ambiente. "É por isso que ficamos desesperados com os atrasos."
Noronha registra os avanços que estão por vir, tanto na tecnologia mais moderna dos motores de caminhões e ônibus, como na alteração do diesel, com menos enxofre. "Em janeiro entraremos em uma fase revolucionária", diz. A fase P-7 (o P é sigla para veículo pesado, ou seja, caminhões e ônibus), explica, exige motores e diesel muito diferentes dos de hoje. "Esta nova fase muda totalmente a indústria de motores pesados do Brasil e também de combustíveis."
Menos enxofre no diesel significa uma redução de 42% nas emissões de óxido de nitrogênio (NOx), um formador do ozônio, poluente que, no ar dos grandes centros, tem efeito desastroso na saúde de crianças, idosos e gente com problemas respiratórios. "O NOx forma o ozônio que, no ar das cidades, gera inundação de crianças nos postos de saúde", explica. A outra novidade, a inclusão do Arla 32, representa um pós-tratamento dos poluentes depois da combustão do diesel. "A fumacinha que sai do motor, ao invés de ir direto para a atmosfera, transformará o NOx em hidrogênio e água", explica. "Esta é uma grande revolução". Outros poluentes também são reduzidos com as mudanças.
Mas o aumento nas vendas de caminhões e ônibus a diesel que a partir de janeiro terão motores que irão poluir bem mais do que os novos, é, evidentemente, um problema. Noronha, no entanto, lembra que o destino dos veículos velhos é ir parar em cidades menores, com menos fiscalização e menos poluição, o que alivia a pressão nos grandes centros. "Naturalmente os que poluem mais estão saindo das áreas onde produzem o maior impacto." Do ponto de vista ambiental, o problema "é a soma das emissões de tantos veículos."
Noronha deixa claro onde está a dificuldade: "O meu problema ambiental é o caminhão dos anos 90, que vai circular por mais 20, 30 anos e com um potencial de emissão muito mais alto comparado aos de hoje". Ele cita os ganhos obtidos pelo Proconve, o programa de controle de emissões veiculares que o Brasil implantou em 1986. "A comparação entre um carro de passeio de hoje, novo, com um carro que saiu da fábrica nos anos 80 é assim: precisamos de 56 carros de hoje para emitir o que um único dos anos 80 emitia."
O Brasil saltou a fase 6 do Proconve, que deveria ter começado em 2009 e terminado agora, em 2011. O objetivo era reduzir as emissões de material particulado (MP), óxido de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC), trabalhando, principalmente, com um diesel com menos enxofre. Mas a confusão de 2009, com o jogo de empurra entre a Petrobras e as montadoras, adiou a execução do programa. A partir de janeiro irão vigorar limites de emissão ainda mais rígidos com a venda ao mercado de um óleo diesel com teor de 10 partes por milhão de enxofre.
Condomínio adota geração eólica e solar
Fonte: valor | Por Chico Santos
Lima, diretor da Ecoglobal, explica que o projeto não visa autonomia energética, mas economia com a conta de luz
Um condomínio residencial com oito prédios e 512 apartamentos cujas partes comuns são abastecidas com energia de origem eólica, o estacionamento é equipado com tomadas para carregar carros elétricos e a água para uso sanitário (descargas domésticas) vem de captação pluvial.
É o que promete entregar em 2016 a construtora carioca Calper, a partir de um projeto desenvolvido em conjunto com a Ecoglobal, responsável pelo projeto de sustentabilidade, e a Cintrax, que está começando a produzir no país um tipo de aerogerador de uso doméstico que se adapta ao propósito da construtora. Ao menos no Rio de Janeiro, eles garantem que é o primeiro projeto com tamanho grau de sustentabilidade.
O engenheiro Davidson Meira Jr., da Calper, um dos responsáveis pelo projeto, explica que cada edifício do condomínio será equipado com um aerogerador de 1.000 a 1.600 watts/hora e com uma bateria de placas de captação solar com a mesma capacidade. O objetivo é que haja sempre a disponibilidade de alguma energia de origem limpa para uso nas partes comuns, como portaria, corredores e até para alimentar a máquina do exaustor central do edifício, explica o engenheiro José Luiz Bastos, da Cintrax.
Como a produção será limitada, o sistema de geração própria será conectado a uma rede que, de forma automática, passa a utilizar energia da Light sempre que a demanda for superior à geração alternativa. Bastos explica que a energia produzida será convertida diretamente para consumo residencial, sem necessidade de subestações, graças a um aparelho chamado inversor de conexão à rede.
Conectada em um ponto após o relógio que marca o gasto de energia vinda de fonte externa, o sistema de geração própria poderá trazer uma economia de até 50% na conta de luz condominial, estima Bastos. Meira, da Calper, estima em até 20% a economia no custo condominial para o condomínio que será construído no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio).
Meira explica que o projeto de geração de energia elétrica própria vai custar cerca de R$ 400 mil, com impacto de apenas R$ 800 no custo de cada apartamento. Com isso, a construtora pode vender as unidades, de dois e três dormitórios, a preços que não diferem das construções convencionais.
O ambientalista Walter Lima, diretor da Ecoglobal, disse que do ponto de vista energético o projeto não visa a autonomia, mas economia de energia, incluindo o uso de lâmpadas de LED (mais econômicas) e de motores mais econômicos nos equipamentos, como aparelhos de ar condicionado.
Sobre as tomadas para carros elétricos, Lima disse que elas serão baseadas nas especificações de recarga utilizadas por um carro que a montadora Nissan já está trazendo para o Brasil e que é utilizada também por outras montadoras, como a GM. O acesso à tomada será feito com o cartão de acesso do morador ao condomínio, de modo que o custo da recarga será debitado da cota condominial.
O ambientalista disse também que o uso de água pluvial para as descargas domésticas é inédito no Brasil e que a água da chuva será utilizadas também para regar plantas e para outras atividades de uso geral do condomínio, como lavagem de dependências, de veículos, etc. Será usado um sistema de microdrenagem do solo, de tal modo que a captação continua mesmo após a chuva.
Bastos, especializado em eletrônica, disse que até agora a Cintrax só forneceu poucos aerogeradores: para uma fazenda em Santa Catarina, para uma casa em Belo Horizonte, um prédio em Salvador e para o condomínio Via Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Como a demanda é pequena, ele terceiriza a fabricação, mas o plano é montar uma fábrica própria.
Bastos avalia que a fábrica vai se viabilizar quando for votado no Congresso Nacional o projeto 630/2003, regulamentando a microprodução privada de energia elétrica. Com a nova lei, segundo ele, será possível produzir energia em casa e vender o eventual excedente para a distribuidora.

